O Passo Antes da Loucura
1 -Capitulo 1- "Apresentações"
-Capitulo 1- "Apresentações" Eu não sei o que leva uma pessoa a cometer atos bárbaros na sua vida contra as pessoas que "ama", ou que cuidam dele, por 5 anos, tive um paciente que me impressionou mais que qualquer outro, apesar de outros médicos o terem diagnosticado como um louco, dito que era só mais uma alma perdida, ele parecia bem, parecia uma pessoa que conseguisse raciocinar bem, ele mudou totalmente a minha maneira de pensar, naquela altura, quando eu pensava que tinha o poder de dizer quem era e quem não era maluco. Ele foi aquele paciente que quando entrou no meu consultório me disse que eu só iria desperdiçar o meu tempo, que ele estava bem, e que eu não tinha o direito de apontar o dedo pois eu era o que passava o dia no escritório a julgar e a fazer mais nada.
Acho que ele tem certa razão, este trabalho acaba por nos deixar louco, anos assim metido entre os loucos, uma pessoa acaba por ficar como eles, não há nada que nos torne superior a eles, afinal de contas somos todos iguais, mas temos escolhas diferentes, maneiras de pensar diferentes.— 5 anos atrás-—Bom dia Dr. Kyuuta.—Bom dia, como está a minha raínha hoje ?Jéssica, pobre mulher, perdeu dois filhos e um marido na guerra, ela aceitou este trabalho simplesmente para se destrair das suas misérias, acho que ninguém quer enfrentar os seus demónios, eu também não a culpo, é melhor estar num escritório a ajudar alguém do que ficar em casa semanas a beber a culpar-se e a pensar no que podia ter feito para mudar as coisas, eu sei bem como isso é.—Estou bem, muito obrigado, hoje tem um cliente às 9.—Ok muito obrigado, espero que continues tão linda ao meio-dia, hoje levo-te para almoçar.Eu não a trato assim de maneira tão simpática simplesmente por pena, ela merece, é uma boa mulher, já leva 50 anos de vida, merece que alguém a trate como a rainha que é, ao menos isso, não se sabe o quanto deve ser dificil entrar em casa e tê-la vazia, onde antes costumava haver tanta gente, barulho ao jantar, agora estar tudo vazio, sem ninguém, sem os garotos a virem da universidade ao fim de semana, dar aquele beijo e contar como foi a semana, o marido a voltar ao fim do dia do trabalho e ter a mulher em casa para lhe dar um abraço e poder descontrair com a sua amada, eu sei bem o que é sofrer por perda.Bem, falta meia hora para as 9, melhor indo preparando o meu escritório, e ver o que me espera. A minha mesa fica sempre uma barafunda ao fim do dia, sem a Jéssica não sei o que seria de mim, ela própria ajuda-me a esconder os meus demónios, escondeu a minha garrafa de licor na gaveta, e arrumou os papéis nas devidas pastas, eu devia dar-lhe um aumento.—meia hora depois-—Senhor, eles chegaram, mando-os entrar ?—Sim, claro mande-os entrar.No momento que vi aquele miúdo a entrar eu pensei para mim, que poderá haver de mal com ele ? Sofre bullying na escola ? Perdeu o pai ou algum familiar na guerra ?—Bom dia senhor doutor.—Bom dia senhora...—Silva, Ana Silva.—Ah muito bem, bom dia Senhora Silva, entre, então como se chama este pequeno ?—Chama-se Carlos.—Muito bem, então o que se passa para o trazer aqui ?—è assim senhor doutor, nas últimas semanas ele tem andado estranho, não come muito bem, não dorme muito, desaparece durante quase o dia todo, volta pelas 7 ou 8 da noite, e não fala comigo, e eu pensei que talvez falasse consigo.—Ok, vou pedir-lhe que saia da sala e me deixe a sós com ele, para falar-mos os dois.—Claro.Ficámos os dois sozinhos na sala, fiquei a observálo durante dois minutos, ele não se sentou, simplesmente estudou-me a mim como eu o estava a estudar a ele, ele olhava em volta, analisava os desenhos na parede, e os livros que eu tinha, a seguir chegou-se ao pé da cadeira, e começou a analisá-la também, apalpou-a, girou-a e a seguir atirou-a para o canto da sala.—Porque fizeste isso ?—A cadeira não é confortável, é dura e está um bocado rota, precisa de a trocar, e aquele desenho na sua parade está a descolar-se, e irá ficar todo burratado se não o tirar debaixo da janela, agora no inverno não é o melhor sitio para o pôr.Adorei aquelas observações, tenho que admitir isso, era um miúdo esperto, e já dava para ver que tipo de pessoa era, gostava de fazer observações simples, mas que fazem os outros sentirem-se mal com elas, vamos ter um longo dia pela nossa frente, não me parece que vá ser tão honesto comigo como eu desejo. -CONTINUA-
Notas finais
Espero que gostem :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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