O Passado nunca Morre
7 Cap. 7 Cada qual sabe onde lhe doem os calos
Notas iniciais
Não briguem comigo! Esse capítulo foi muito bem estudado e revisado e feito com imenso carinho para todas vocês!!!!
Eu nunca fiquei tão feliz em abrir o Nyah como quando vi os reviews de voces meninas!!! Eu literalmente pulei aqui!!!!
Brigadu mesmo mesmo!!!^^
Leitoras novas e ex-fantasmas, bem vindas!!!
Leitoras antigas e leais, não sei o que seria sem vocês!!
E um abraço especial para a SussuVS e para Lêh pelas recomendações!! Esse capítulo é um pouco mais longo como presente por terem esperado!!
Boa leitura!!!
Anteriormente...
– Você já provou o seu ponto. Podemos voltar agora?
– Não é errado fraquejar, sabia? Você é forte Jane, mas não é inabalável.
– Você é masoquista ou o quê?
– Sei que adora ficar por cima, Jane. Mas não acho que o quarto de Rose seja o lugar certo para isso.
– Abe?!
Janine Hathaway (Corte — dias atuais)
A risada sombria de Abe ecoou no escuro e eu não precisava ver o seu rosto para saber que um sorriso sarcástico estava lá.
A porta do quarto se abriu de repente e as luzes acenderam logo em seguida. Pavel entrou alerta e pronto para defender o que tivesse atacado Abe, mas quando me viu, seus ombros relaxaram levemente e, por um segundo, eu jurei ver seu antigo sorriso, mas já foi se retirando do quarto. Quando eu ia chamar seu nome...
– Está bom aí em cima, kaplan?
Olhei para baixo e percebi que ainda estava sobre Abe, segurando-o fortemente ao chão. Ele me olhava com um misto de ironia e satisfação naqueles olhos negros. No mesmo instante senti meu rosto corar e num impulso me levantei.
– O que está fazendo aqui? – perguntei um pouco grossa e Abe se ergueu ajeitando as roupas desalinhadas pela briga. Ele pegou o cachecol no chão e virando-se para me encarar com um sorriso de desdém
– Eu te pergunto o mesmo. – disse – Achava que a bagunceira fosse a Rose e não você.
Pensei em responder seu comentário, mas algo em seus olhos mudou. Abe parecia entretido com algo em meu pescoço. Se eu não o conhecesse bem, diria até que ele estava fascinado. Olhei para baixo um pouco incerta e meu rosto ficou ainda mais quente assim que eu entendi o que ele olhava. O nazar estava ali. O mesmo nazar que um dia fora um elo entre nós dois...
– Você ainda o tem. – disse Abe com a voz carregada e estava tão envolta em recordações que só então percebi que ele havia se aproximado ficando muito perto de mim. Perto o suficiente para eu sentir o seu calor. E como eu havia esquecido o quanto ele era alto?! Eu parecia uma menininha ali a sua frente! Ergui o rosto para encará-lo e seus olhos negros me prenderam num turbilhão de emoções.
– Eu... eu tinha dado a Rose. – disse hesitante, mas acho que consegui manter meu rosto impassível mesmo que não me sentisse assim. Eu acho.
– Claro. – murmurou ele distraído e seus dedos longos seguraram de leve o nazar arrepiando a pele de meu colo. Com um pequeno suspiro, ele se afastou e passou a observar o restante do quarto.
Meu coração estava a mil! Mas porque diabos logo agora?! Eu já o havia encontrado antes na formatura de Rose. Não era como se eu o visse pela primeira vez desde que... desde que eu... As lembranças vinham como um redemoinho! Eu não queria me lembrar disso. Não agora, por favor!
Respirei fundo e abaixei-me novamente sobre a mala voltando a revirá-la. Precisava ocupar a mente com qualquer outra coisa. Rose era prioridade! Eu tinha que me concentrar em achar o verdadeiro culpado pela morte da rainha, não em minha tragédia romântica.
– Como exatamente você se livrou do Szelsky para vir à Corte? – perguntou Abe com ironia, mas eu sabia o que ele realmente queria saber e preferi não tocar nesse assunto.
– Como foi o seu interrogatório? Desconfiaram de alguma coisa? –perguntei ainda de costas para ele e Abe demorou um segundo a mais para responder.
– Não. Eu não costumo falhar em meus depoimentos. Mesmo que Hans continue o mesmo teimoso sem causa, não haveria como ele contestar dezenas de morois que juraram me ver no meio do caos. A princesa se saiu melhor do que eu imaginava. – sua voz parecia despreocupada, mas eu senti o peso em suas palavras. Abe estava irritado. Eu podia ver isso facilmente.
Olhei-o por cima do ombro, mas ele também estava de costas para mim. Parecia observando um porta-retrato. O mesmo porta-retrato que eu encarei no quarto de Rose quando a visitei na academia durante o Natal. Se é que “visitar” possa ser a palavra certa. Nele, Rose e Lissa estavam vestidas como fadas no que parecia ser uma festa de Halloween. Um momento de sua infância que eu obviamente perdi.
Lembro do desconforto que senti aquela noite quando percebi que eu mal conhecia minha própria filha! E ainda o desespero por não conseguir mais me aproximar dela. Nunca pensei que um ato feito pensando no seu bem poderia me trazer tanto sofrimento. Mas... eu ainda pude vê-la crescer. Mesmo que raramente. Abe não. O que ele estaria pensando agora?
Ele olhava aquela foto com tanta intensidade que eu me perguntei se ele não estava querendo entrar nela. Seus dedos tocaram de leve o rosto da Rose fada e uma ruga surgiu em sua testa. Foi então que a dor se apoderou do meu peito.
– Me desculpe. – as palavras saíram antes que eu percebesse.
Abe se virou levemente para mim com um sorriso intrigado nos lábios e sua sobrancelha erguida em desconfiança, mas seus olhos tinham um brilho estranho.
– Pelo quê exatamente?
Mordi o lábio em hesitação, mas já era tarde. Eu tinha que ir até o fim.
– Por eu não...
No mesmo segundo a porta se abriu novamente e Pavel entrou com uma expressão incerta.
– Sinto muito interromper os dois... de novo. – disse ele com um sorriso irônico, que logo sumiu quando Abe o olhou com um sarcasmo ácido.
– Você sempre acerta a hora, não é?
– Abe. – chamei-o. Não sei se estava frustrada ou agradecida por ter sido interrompida, mas aquela não era hora para brincadeiras. Ele apenas deu com os ombros e recolocou a foto na escrivaninha – O que houve Pavel?
– Achei que vocês gostariam de saber. O depoimento da princesa Vasilissa terminou. – disse ele com um olhar divertido e eu podia jurar que ele segurava o riso – Aparentemente tudo correu bem. O único imprevisto foi quando Hans questionou os motivos de Belicov ter ajudado Rose e quis tratá-lo como Strigoi, mas a princesa justificou habilmente.
– E como ela fez isso? – perguntei ainda incerta. Não havia entendido ainda como Abe convencera o Guardião Belicov a participar desse plano de “resgate”. Mesmo que eu estivesse muito grata a ele, eu pensaria a mesma coisa se estivesse no lugar de Hans.
Pavel me olhou com um misto de diversão e preocupação e logo desviou o olhar para Abe que o encarava com uma expressão sombria.
– Que dizer que o segredinho finalmente veio à tona. – disse Abe com frieza, mas aquela irritação estava lá de novo.
– Você já sabia. Por que eu não estou surpreso? – Pavel balançou a cabeça incrédulo e eu já estava perdendo a paciência com os dois.
– Do que vocês estão falando? – perguntei e Pavel sorriu incerto olhando-me com cautela.
– Bem...
Janine Hathaway (Turquia — 19 anos antes)
– VOCÊ FEZ O QUE?! – eu praticamente gritei aquelas palavras. Pavel encolheu-se um pouco, mas não pareceu estar arrependido.
– Ele mereceu, Jane. Ivashcov teve foi sorte que eu parei só no soco! – respondeu ele como se fosse a coisa mais óbvia a fazer – Não ia mais agüentar as mentiras dele a seu respeito.
Calei-me por alguns segundos. Estava feliz por mais alguém ter me defendido, mas ao mesmo tempo queria arrancar a cabeça de Pavel por agredir um moroi por minha causa. Fosse ele quem fosse, ainda era um moroi. Se bem que eu não era ninguém para falar de Pavel. Não essa semana. Aquele mafioso parecia ser capaz de sugar todo o meu controle e impulsionar minha raiva de uma forma muito perigosa. E isso não era bom!
Suspirei pesadamente e apertei o gelo em meu pulso tentando me concentrar na ardência sobre a pele e não no olhar que Ibrahim me dava nesse momento. Seus olhos negros analisavam-me um pouco intrigados e, ao mesmo tempo, eu sabia o que ele estava pensando.
Não. Pavel não fazia idéia do que havia acontecido entre eu e Ivashcov e, por alguma razão, Ibrahim parecia satisfeito com isso. Seu olhar me dizia “eu sei um segredo seu” e eu questionava se isso era um recado de cumplicidade ou ameaça. Droga! Eu não precisava de mais ameaças!
– O problema é que o Lord Ivashcov não vai deixar barato. Você vai acabar sendo suspenso de novo e isso vai afetar ainda mais seu currículo, se é que é possível. – disse eu com frieza, mas estava realmente preocupa. Pavel era um guardião incrível! Ele podia ser um pouco mais novo do que eu, mas suas habilidades quase se igualavam às minhas, quando não as superavam no quesito força. Mas o problema estava em seu temperamento. Ele não lidava muito bem com a arrogância moroi. E sendo bem sincera, eu não podia culpá-lo às vezes.
– Não se preocupe com meu currículo. Eu já estava de saco cheio de protegê-lo mesmo. Uma suspensão será mais do que bem vinda. – disse ele e eu o encarei paralisada. O que foi que ele acabou de dizer?!
– Você é guardião de Jonathan Ivashcov?!
A pergunta de Vanessa ecoou pelo quarto do hotel. Os guardiões de Mazur a haviam trazido de volta ao hotel pouco depois da confusão e agora estávamos reunidos em sua sala, mas era a primeira vez que ela falava desde que cheguei e eu podia imaginar as perguntas que rondavam sua cabeça. Principalmente quando seus olhos passavam intrigados entre mim e Ibrahim.
– Sou... Não me olhe com essa cara, Jane! Você sabe muito bem que não sou eu que escolho a quem proteger.
– Sim, eu sei. Mas Ivashcov é da realeza. Não é como se seu currículo fosse permitir a proeza de escalá-lo para proteger um real. – respondi com uma pontada de irritação.
Pensei que Pavel iria me contradizer ou fazer alguma piada sobre sua capacidade, mas tudo que ele fez foi desviar o olhar para Mazur num gesto hesitante e isso só me fez lembrar que ele ainda tinha algumas coisas para explicar. Tem algo aí..., pensei.
– Que seja. Melhor eu voltar agora. Se é pra levar um suspensão, por que esperar até amanhã, não é? – disse ele divertido, mas eu sabia que ele estava escondendo algo – Se eu tiver sorte, não vou nem precisar protegê-lo no jantar desta noite.
Suspirei pesadamente, mas acompanhei Pavel até o corredor. Quando ia me despedir, ele virou-se de repente e me olhou nos olhos com uma intensidade incomum. O susto não foi suficiente para mudar minha expressão, mas fiquei alerta esperando sua reação.
– Não sei o que aconteceu quando você saiu daquela loja, Jane, mas tome cuidado com Mazur. – sussurrou ele com advertência — Não confie nele ou pode ficar presa à algo muito perigoso.
– Experiência própria, Pavel? – perguntei desconfiada e ergui a sobrancelha.
Pavel sorriu sem jeito e desviou o olhar envergonhado. Quando me olhou de novo, sua expressão era séria e preocupada. Ele ergueu a mão em direção ao meu rosto, mas hesitou a centímetros dele e suspirou. Sua mão subiu direto para o topo da minha cabeça bagunçando meus cabelos ainda presos no rabo de cavalo.
– Pav...!
– Se cuida, baixiño.
Observei enquanto ele se afastava com uma sensação estranha. Ele estava com problemas, eu sentia isso, e eu iria descobrir o quê exatamente. Nem que tivesse que investigar Mazur!
Quando voltei para dentro do quarto, meu estômago teve uma queda. Por quê? Não me pergunte, porque eu não sei ao certo. Por alguma razão, a cena a minha frente me fez novamente sentir um frio na barriga. Ibrahim e Vanessa estavam rindo de alguma coisa que parecia muito divertida, mas pararam assim que eu cheguei.
– Bem, então nos vemos depois, senhorita Conta. – disse aquele maldito mafioso beijando a mão de Vanessa de leve fazendo-a rir envergonhada.
Minha raiva não teve uma razão clara. Talvez eu estivesse paranoica com o que Pavel disse, ou só não gostei dessa proximidade com minha protegida, mas quando ele chamou seus guardiões e acenou com a cabeça para mim se despedindo, minha única reação foi olhá-lo com raiva e ameaça. Ele pareceu confuso um segundo antes que um sorriso amargo tomasse seus lábios quando fechei a porta.
– Está acontecendo alguma coisa entre você e o senhor Mazur, Jane?
Virei-me de repente para Vanessa assim que ouvi sua pergunta. Ela me olhava intrigada novamente e apoiou-se no sofá com um papel preto em suas mãos.
– Só se você estiver se referindo ao fato de que não confio nele. – respondi com minha voz séria e inexpressiva. Aquela voz de guardião da qual ninguém nunca duvidou.
Ela hesitou por um momento, mas logo sorriu abertamente mostrando as presas e veio na minha direção entregando-me o papel negro. O convite do jantar desta noite.
– Pois pode começar a confiar, pois Ibrahim Mazur será meu acompanhante no jantar. – disse ela ainda sorrindo e se dirigindo ao quarto.
– O que?!
– Vá preparar uma roupa, Jane. O jantar será num restaurante humano. Os guardiões devem ir a paisano.
Ela não esperou nem mais uma palavra minha. A porta do quarto fechou me deixando atordoada com aquele convite nas mãos. Raiva e frustração me tomaram, mas aquela maldita sensação de queda no estômago continuava ali cada vez pior.
Ibrahim iria ao jantar. E iria com Vanessa.
A cena de quando quase me deixei ser beijada por ele voltou com força total. Idiota! Claro que eu era uma idiota! Ele estava brincando comigo e eu estava caindo feito uma garotinha!
O ódio fez-me fechar as mão com força e o convite transformou-se em lixo rapidamente. Foi então que meu orgulho falou mais alto pela primeira vez em vários anos. Olhei o papel novamente só conseguindo ver aquelas palavras:
Guardiões a paisano.
– Dois podem jogar esse jogo. Me aguarde, Ibrahim.
Continua...
Notas finais
Acho tem umas duas ou três meninas aqui que deveriam jogar na megasena viu?! hahahahaa Solucionaram o spoiler rapidinho!!!
Mas e agora? Qual é o envolvimento de Pavel e Abe? Como Janine vai lidar com o relacionamento de sua protegida com um mafioso? Mas o mais importante... O que Jane vai fazer nesse jantar?
Hahahahahahah Parece telenovela!!!
Beijão meninas e até o mais cedo possível!!
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