O Passado nunca Morre
5 Cap. 5 Nem sempre o diabo é tão feio como o pintam
Notas iniciais
O.o ihhhh fui pêga, thau!!
Boa leitura, pessoal!!^^
Anteriormente...
– Quer parar de olhar pra ele? Se não é capaz de ele vir aqui.
– Isso só prova que os boatos sobre Isaiah estar quase quebrado são verdade.
– Buchaman? Ora vejam só. Pavel Buchaman.
– Uma guardiã séria e responsável? Está na cara que o senhor não conhece Janine, meu caro. Não é, minha pequena meretriz de sangue?
– Por que ele disse a verdade.
Janine Hathaway (Turquia — 19 anos antes)
– Pare de zoar com a minha cara! – disse Mazur irritado e eu não entendi bem o porquê – Eu já disse que quero a verdade, Hathaway.
– Mas eu já falei. – sussurrei desviando o olhar – Sou uma meretriz de sangue. Ele só disse o que sabia.
– E desde quando Jonathan Ivashcov diz algo que seja verdade?!
Só em ouvir aquele nome, um frio correu minha espinha e o desgosto quase me fez vomitar. Fechei os olhos com tanta força que eles doeram nas orbitas, mas não foi o suficiente para afastar as lembranças que eu mais detestava. De como havia sido tola, burra e inconseqüente. De como jamais poderia voltar no tempo.
Nathan era lindo! Ou pelo menos eu o via assim. Olhos verdes pálidos e um lindo cabelo castanho claro que brilhava loiro na luz fraca. Tinha o corpo forte e um porte real incontestável, mas seu sorriso podia ser tão falsamente gentil quanto o de uma maldita cobra antes de dar o bote! E eu me deixei levar. Eu já era idolatrada, babada e galanteada por praticamente todos os morois e damphirs que me conheciam. Eu era especial, diferente, superior! Que mal faria? O corpo era meu! Por que todo mundo tinha que dar palpite na minha vida?! Eu iria passar o resto dos meus anos arriscando minha vida por eles! Por que eu não podia nem me divertir enquanto ainda era jovem?!
“Porque você vai estragar a sua vida!”
As palavras da Guardiã Petrova haviam me acordado naquela época, mas já era tarde demais. O mal já havia sido feito e eu dei a Ivashcov, além do meu corpo e do meu sangue, uma carta na manga que ele poderia usar contra mim quando quisesse.
A dor no meu pulso direito me fez despertar do doloroso transe. Abri meus olhos de uma vez, pronta para atacar, quando me dei conta que já estava de pé e sendo puxada pelo pulso torcido. Mazur nem olhava para trás, apenas me guiava pelo parque com um aperto forte e seguro.
– Isso dói! – reclamei puxando meu pulso para me libertar, mas a dor me impediu de colocar mais força. – O que está fazendo Mazur? Me solte!
– Cale a boca e venha comigo.
Não sei se foi pelo tom de voz cortante, ou por seu olhar frio, ou ainda pela dor aguda no meu pulso, mas algo me calou naquele momento e me deixei ser guiada pelas ruas da Turquia.
Passamos por várias casas ricas e comércios que começavam a fechar pelo fim da tarde humana. Me perguntei se o sol, mesmo que pouco, não incomodava aquele moroi mafioso, mas acredito que não, por que ele não diminuiu o aperto nem um segundo e eu me controlei para não choramingar pela dor. Se eu tivesse colocado pelo menos um pouco de gelo, a essa altura já estaria curada por ser uma damphir, mas preferi não chamar a atenção de Vanessa e agora estava uma droga!
Começamos a entrar por alguns becos estranhos e eu já havia perdido o senso de direção. Quando estava começando a ficar nervosa pelo cair da noite, dia para os vampiros, a movimentação pelas ruas começou a aumentar. Logo avistei um beco cheio de bares e lojas suspeitas.
– Chegamos. – disse ele parando próximo a um bar com letreiros fracos e eu não ia entrar ali nem que amarrada!
– O que voc...
– Quieta! – rosnou ele baixo – Você não disse que era uma meretriz de sangue? Pois bem, deveria estar se sentindo em casa.
Sua voz era ácida e sarcástica, mas isso não me impediu de olhá-lo com ódio e nojo. É claro que eu conhecia um lugar como aquele. Um bar freqüentado por morois com “serviço” de sangue. Era praticamente um prostíbulo para morois!
– Eu não vou entrar aí. – rosnei.
– Você vai. E vai ficar calada como minha guardiã. Lembre-se que meus guardiões estão com a senhorita Conta e você ainda está me devendo uma.
– Isso é uma ameaça, Mazur? – perguntei estreitando os olhos e ele deu um sorriso diabólico em retorno.
– Não. É um fato.
Calei-me logo em seguida, respirando fundo para não arrebentá-lo. Ele apenas se virou e finalmente soltou o meu pulso aliviando a dor.
– Venha.
Mazur seguiu em direção ao bar sem nem olhar para trás. Eu hesitei ainda em fugir, mas os “fatos” dele eram reais, então achei melhor segui-lo em silêncio.
Mal passei pelas portas do bordel, me arrependi até o fundo da alma! Era início do dia para os vampiros, o que significava que aqueles que ali estavam provavelmente tinham virado a noite. Alguns morois bêbados eram ajudados por seus guardiões a se retirar. Eu os olhei com compaixão pelo serviço inglório e eles apenas balançavam a cabeça com desgosto. Ainda existiam algumas meretrizes no balcão, mas a maioria praticamente sem roupa.
Quando Mazur deu dois passos para dentro, o lugar pareceu se acender de novo. Duas meretrizes praticamente correram em sua direção e se enroscaram em seus braços como duas sanguessugas. Por alguma razão eu juro eu quis voar em cima delas. Acho que meu nojo por meretrizes só havia aumentado.
– Abe! Que surpresa você aqui tão cedo! – disse uma damphir de cabelos loiros tingidos, mas com um corpo muito bonito à mostra.
– Pois é. Já faz tanto tempo que você não aparece por aqui!
– Estive ocupado. – disse Mazur com um sorriso matreiro e suspeito que só pareceu atiçá-las ainda mais.
– Mas o que importa é que está aqui. O que podemos fazer por você? – disse a loira com malícia e juntou seu corpo ainda mais ao dele.
– Vocês podem fazer muitas coisas por mim, querida, mas hoje eu só estou de passagem. – disse ele segurando o queixo da meretriz e afastou-se para um dos corredores me fazendo um sinal para acompanhá-lo. As duas fizeram um muxoxo, mas não insistiram e foram receber outro cliente.
Quando passamos pelo corredor, me controlei para não expressar minha repulsa, mas acho que falhei quando seus olhos encontraram os meus, porque ele levantou a sobrancelha com sarcasmo.
– O que foi? Está com nojo de si mesma, meretriz?
Eu engoli seco e voltei a olhar para frente séria. Não iria me descontrolar. Eu não sabia nem o que estava fazendo ali, mas agradecia mentalmente por ele não ter começado a se agarrar com aquelas duas e me obrigar a assistir. Mesmo assim, meu alívio foi totalmente desfeito quando ouvi um gemido alto de prazer no meio do corredor.
Meus olhos se alargaram quando eu vi, prensada na parede por um moroi, uma damphir em roupas íntimas. Seus olhos estavam vidrados, totalmente fora de ar, em um misto de prazer e perda. Ela gemeu alto rodeando as pernas ao redor do moroi e eu desviei os olhos meio envergonhada, meio enojada por ver aquela cena. Quando levantei o olhar, percebi que Mazur me observava com o canto do olho e retomei o controle de minhas feições erguendo a cabeça. Um sorriso amargo surgiu em seus lábios, mas ele continuou andando ignorando o “casal”.
Enfim ele parou no fim do corredor onde uma bifurcação dava para outros dois corredores cheios de portas. O som dos gemidos era audível em alguns deles e Mazur apenas se encostou na parede como se esperando.
– O que afinal você quer aqui, hein Mazur? Se quer me humilhar agora que sabe o que eu sou, já fez o suficiente! – murmurei furiosa e ele apenas me olhou sério como se me avaliasse.
Foi então que ele suspirou pesadamente e olhou para o lado onde uma porta se abriu e três morois saíram dela com as roupas amarrotadas. Quando passaram por mim, um deles deu uma checada e ia parando para me abordar, mas...
– Nem pense nisso.
Se antes eu achei a voz do mafioso assustadora, dessa vez eu agradeci por ela não ter sido dirigida a mim. Os três arregalaram os olhos quando viram quem estava ali e logo baixaram a cabeça se retirando. Mazur então os ignorou e se dirigiu à porta aberta onde ele espiou e então me fez um sinal para olhar também.
Assim que cheguei à porta e olhei, senti meu estômago revirar. Aquelas meninas eram tão ou até mais jovens do que eu! Estavam caídas nas camas e sofás como se estivem bêbadas e seus pescoços possuíam manchas vermelhas e cicatrizes de mordidas por toda a extensão, algumas inchadas e outras ainda sangrando.Uma das meninas cambaleava totalmente desnorteada até a porta onde nos olhou sem nos ver. Seus olhos vidrados e sem vida, opacos e tristes, mas o uniforme de guardião pareceu chamar sua atenção e ela me olhou com admiração.
– Você é... forte. Sorte a sua. – ela deu um pequeno sorriso e fechou a porta com dificuldade.
– Isso é uma meretriz de sangue. – disse Mazur com frieza e eu não me agüentei mais ali. Corri o caminho de volta o mais rápido possível. Nem me lembrei de esbarrar no “casal” do corredor ou de ser chamada a atenção pelas duas meretrizes da porta. Apenas queria sair dalí, correr, fugir. Eu tenho fugido muito nesses dias...
Parei em um beco escuro e todo o nojo e enjôo voltaram de vez. Quase vomitei ali mesmo, mas contive a respiração olhando para cima tentando me acalmar. Eu não podia ser assim. Eu não era assim. Eu jamais seria assim!
Alguns minutos depois, ouvi os passos dele se aproximando. Eu já os conhecia de alguma forma, sabia que era Ibrahim Mazur. Quando ele se encostou ao meu lado esperando eu parar de ofegar eu não conseguia olhá-lo. A vergonha era grande demais. Eu não queria que ele me visse como uma delas! Não! Preferia sumir.
– Não importa o que você tenha feito de errado antes. – disse ele com uma voz tão suave que eu nem pensei ser dele e segurou meu queixo de leve fazendo-me olhá-lo — Não se compara ao que elas fazem.
– Mas eu...
–Você não é como elas. Você é uma guardiã honrada e talentosa, e odiosamente disciplinada. – disse ele com um sorriso sarcástico que logo tornou-se carinhoso — Você não é uma meretriz de sangue, Jane. Não importa o que digam e nem o que você pense.
Ouvindo suas palavras, não agüentei mais me conter. Deixei que as lágrimas de arrependimento descessem pela primeira vez em anos e só senti seu cheiro de almíscar me contornar quando desabei em seu peito soluçando.
– Obrigada... Ibrahim.
Continua...
Notas finais
Mas entendam, plixxx, FIM DE SEMESTRE + BLOQUEIO = O.O PQP!! TRÊS MESES SEM POSTAR!!!! Foi mal, desculpa.^^
Mas então, espero que tenham gostadodo capítulo. O título tem um grande significado nessa parte da história viu. As vezes o ruim nem sempre é aquele taxado como mal... Abe que o diga!
O que acharam do maldito Nathan na história? hehehehe Ele ainda vai ter outras participações viu?
Beijão, brigadão por lerem!!!
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