O Passado do Meu Futuro

1 O passado do meu futuro


Notas iniciais
Crie uma ponte entre teu passado e teu futuro, peneire tudo de ruim, deixe apenas as coisas boas. Deixe os sorrisos e as lembranças felizes, esqueça de vez as lágrimas e as dores, tenho certeza que elas já esqueceram de você.

Ao abrir os olhos sinto imediatamente o brilho do dia, fico com preguiça de fazer qualquer coisa que não seja ficar aqui na cama, esperando que alguém aparecesse e me dissesse: Levante-se, está um lindo dia lá fora. Olho pela janela e vejo a chuva com seu inseparável companheiro trovão. — Belo dia. Eu enfatizo. Olho meu guarda-chuva e saio, não sei onde ir, não sei o que fazer, apenas sei que tenho que aproveitar o excelente dia que hoje, segunda-feira, faz. Ah, está chegando o final de semana, sorrio meio de lado. Pelas ruas não há ninguém, apenas um pequeno solitário que insiste em desbravar os limites da vida. Enfim chego onde eu precisava ir e não sabia, aqui estou eu em uma ponte; O que estou fazendo aqui? Pergunto-me desnorteado.

Agora me lembrei, estou aqui para jogar as cinzas do meu antigo passado, vá para bem longe, tão longe que eu não possa se quer lembrá-lo. Ainda chovendo, volto para casa, com um andar lento, olhando para o alto. Agora tudo começa a fazer sentido, não preciso mais pensar em nada, não preciso mais me interrogar vigorosamente, o fim está longe. Adeus chuva,bem vindo novamenteSol. O que me trouxe de bom? Aqueles que em casa se escondiam da chuva, agora saem, e os reencontro como se nada houvesse acontecido. Gananciosos olhares saltam desses meros seres humanos, eu fujo, volto para cama. Tento dormir, mas ainda é meio-dia, nunca desejei tanto uma chuva como desejei naquele momento, mas parece que não voltará tão cedo. Fico ali por semanas, sem ver ninguém, apenas tentando entender o porquê a chuva e a solidão me fazia tão bem.

Ouço um barulho no telhado de casa, e o cheiro de terra molhada só confirma, enfim está chovendo. Não hesito, desço escada em um só passo, volto a caminhar na mesma direção que fui na última chuva, e aqui estou eu novamente na ponte atrás do que aqui um dia deixei. Algo que me fazia feliz e eu o quero de novo, mas o joguei no vento e praguejei para que nunca mais voltasse infeliz decisão. Não quero viver nesse imparcial presente com as ausências mais dolorosas que podiam existir, se no meu passado houve sorrisos, eu quero reconquistá-los a qualquer preço.

Sento-me na beira da ponte e os pingos da chuva escorrem pelos meus olhos, é no que prefiro acreditar. Até que ouço passos, quem será? Em um leve movimento alguém me estende a mão, na qual me seguro forte para me levantar, não reconheço essa pessoa, mas ao mesmo tempo o perfume me lembrava alguém que tanto amei, o sorriso era da pessoa que mais confiei e o olhar tímido era das minhas antigas fotografias, quem será esta pessoa ? Antes que eu perguntasse ou indagasse qualquer coisa, a pessoa estendeu-se novamente sua mão e disse: Prazer, eu sou o seu passado. Não tive dúvidas, voltei para casa acompanhado e nunca mais me desfiz dessa companhia novamente. Então o apresentei a outra companhia que insistia em me acompanhar, para que elas vivessem como uma só: Passado, esse daqui é o presente. Então que venha o futuro.

Notas finais
Nem sempre o passado deve ser esquecido, por isso tenha certeza do que realmente quer deixar para tras.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!