O Passado Nos Condena

20 Sua Alma é o Lugar Onde Eu Fiz a Minha Casa


Notas iniciais
Peço milhões de desculpas pela demora, mas eu estava agarrada em provas e não tive como escrever o capítulo. E também por alguns erros que não consegui corrigir, meu tempo está contado. Espero que gostem!

Jasper caminhou pelo longo corredor branco do hospital em procura de um certo quarto e quando avistou os tão ditos números ele parou por um instante e respirou, tentando aliviar a tensão em seus ombros. E logo após as três batidas leves na porta, ela foi aberta por Esme que mantinha um ar cansado, mas nunca perdia a serenidade em seus olhos.

– Bom dia Esme, como você está? – Ele perguntou lhe abraçando.

– Cansada e aliviada ao mesmo tempo. – Ela deixou um sorriso escapar.

– Acho que sei como se sente. – Ele suspirou olhando para as singelas flores em sua mão. – Posso entrar?

– Claro, até estava esperando Emmett chegar para poder ir tomar um café, mas você se importaria?

– Não, pode ir tranqüila Esme.

– Obrigada. – Esme saiu com seus passos sorrateiros pelo corredor e Jasper entrou no quarto antes de poder ver a mulher sumir.

Depositou o vaso de flores perto da cama e em seguida olhou para ela, olhou cada detalhe eu seu cabelo bagunçado devido à noite de sono, as marcas roxas aparentes em seu pescoço e braço, a linha fina que demarcava onde antes era um corte ainda aberto em seus lábios. Ele fez questão de tirar uma mecha do cabelo dela da frente do rosto, achando que aquilo estava incomodando ela enquanto aquilo incomodava a si mesmo.

Segurou a mão dela enquanto lhe admirava sem ainda poder acreditar que aquilo estava prestes a ter um fim, um verdadeiro fim quando James estiver mesmo na cadeia.

Ele a sentiu apertar sua mão enquanto sua respiração ficava mais pesada e seus olhos tremiam, quando ela começou a dizer palavras sem nexo e muito difíceis de serem entendidas, ele percebeu que aquilo não se passava de um terrível pesadelo.

– Alice abra os olhos, sou eu o Jazz. – Ele disse perto de seus ouvidos com uma serenidade completamente absurda. – Está tudo bem, abra os olhos, veja. – No mesmo instante ele beijou a delicada bochecha pálida de Alice enquanto ela ainda abria os olhos devagar.

A claridade lhe incomodou e juntamente com a visão ainda turva fez com que ela piscasse inúmeras vezes para que pudesse enxergar bem novamente. Ela olhou cada canto do quarto, observou cada objeto, admirou Jasper ainda mais perto de si.

– Então vocês conseguiram. – Seu fio de voz era quase inaudível, mas Jasper conseguiu entender e com um sorriso no rosto concordou com apenas um aceno. Ela não demorou em corresponder ao deixar seu corpo ser anestesiada por uma emoção tão boa quanto aquela, a sensação de se sentir livre.

–Está com fome?

– Não muito.

– Sente alguma dor?

– Não, estou bem.

Ela segurou firme a mão daquele homem, queria não poder soltar jamais, mas acreditava que dali para frente seria apenas questão de tempo para que tudo se ajeitasse, odiava tanto quando sua mente e seu coração não entravam em um acordo sensato, seu coração queria Jasper e queria agora para o resto de sua vida, mas em sua mente havia criado uma barreira, com medo de se entregar mais uma vez, já haviam namorado antes e não deu certo para que tentar novamente? Mas a resposta surgiu como um estalo em seu coração.

Agora eram adultos, sabiam o que queriam, podiam mandar em sua vida, sabiam o que é certo. A troca de olhares emocionantes e cheios de paixão ocasionou o beijo de ambos, a aproximação que a mente de Alice temia, mas que logo após o que aconteceu aceitou a idéia.

– Não agüentava mais esperar para te ter perto de mim. – Jasper disse ainda ofegante, mas feliz, feliz por estar ali com ela, a mulher que tanto sonhou com ela a vida toda e por escolhas erradas em sua vida não pôde estar em seu lado.

– Estava sentindo sua falta. – Ela olhou nos olhos verdes dele novamente e teve a certeza, não tinha mais como esconder que o sentimento que eles apagaram dentro de cada um de si havia ressurgido e que agora queimava em brasa. – Mas não deveríamos esperar? Pelo menos até o julgamento de James?

– Você acha mais seguro?

– Sim.

– Então esperaremos até o julgamento. Só de pensar que logo estaremos juntos me faz ficar ainda mais feliz. – Ele sorriu de tal maneira que alegrou o coração daquela jovem moça.

O clima de romance teve que acabar quando Emmett bateu na porta e entrou, ficou surpreso em encontrar Jasper ali, imaginando que o mesmo viria apenas mais tarde.

– Bom dia pessoal, onde a mãe está?

– Bom dia. – Ambos disseram juntos. – Foi tomar café. – Concluiu Jasper.

– Hei onde está Riley? Ela está bem?

– Ela estava dormindo, passou quase a noite toda em claro tendo pesadelos com você. – Emmett concluía enquanto tirava o casaco pesado. – Ela irá me xingar, mas estou acostumado.

– Você diz como o papai. – Alice riu. E Emmett pôde então sentir-se aliviado por ver sua irmã um pouco melhor.

– Na ausência dele para dar puxões de orelha eu me torno o homem da casa. Ele vivia dizendo isso para mim, eu achava um saco, mas aprendi bastante com o nosso velho. – Ele olhou para ambos novamente, estava achando ela muito sorridente e Jasper, ele pôde perceber que não passava longe estava apenas tentando disfarçar as hipóteses.

– Já tomou seu café da manhã Alice?

– Não, eu estou bem.

– Ficará ainda melhor depois do café da manhã. – Ele concluiu caminhando em direção da saída do quarto. – Jasper pode vir aqui um momento?

– Sim. – Ambos caminharam lado a lado até saírem do quarto. Emmett fechou a porta deixando Alice apreensiva e curiosa no outro lado.

– Jasper pela primeira vez eu falhei como irmão para Alice, não consegui ver o sofrimento através de seus olhos. Agradeço por ter ajudado Riley nisso, mas peço que tenha cuidado com Alice, ela está fragilizada agora e vi a troca de olhares de vocês dois e pelo o que conheço bem não vai demorar muito para que ambos tornem o passado presente novamente.

– Emmett eu vou cuidar da sua irmã, assim como sempre cuidei dela há anos atrás. Só que com uma pequena diferença desta vez.

– Poderia saber qual é?

– Não a farei sofrer desta vez.

– Sempre gostei de você cunhado, fomos grandes amigos antes de um entrar para a família do outro. Acredito em você irmão.

A troca de palavras, inteira confiança com um tinha com o outro bastou para que o ato de um abraço surgisse. Ambos sempre foram mais irmãos do que amigos, suas aventuras no colégio sempre foram as mais divertidas, mas era aquele momento ali, o modo como via Jasper olhar para Alice, que fez Emmett saber que teria alguém que estava disposto a cuidar de sua irmã do mesmo jeito, ou até mais, que ele.

***

Os dias passavam de modo corriqueiro e o dia de julgamento de James estava cada vez mais próximo. Alice tentava se manter calma e tranqüila, mas teria que vê-lo ali, perto de si e ao pensar nisso o desespero lhe tomava. Seu advogado lhe deu respostas certeiras que não teria como ela perder este caso, que James seria preso e apenas não sabia lhe dizer os anos da penalidade de James, mas acreditava que seria bastante.

E quando este dia chegou todos ali estavam nervosos, principalmente Alice que continham suas mãos frias de tanto nervosismo.

– Sabe eu fiquei imaginando esse dia e até estaria feliz quando James fosse preso, mas... – Alice disse olhando para a irmã.

– Isso é normal, você estaria melhor se tivesse a certeza que ele não estivesse ali atrás daquela porta, mas Alice ficará tudo bem.

– É você tem razão. – Ela suspirou e fechou os olhos para tentar se tranqüilizar, até mesmo o tempo no lado de fora parecia não gostar do dia, afinal não era um dia muito bom e Alice estava apenas desejando que ele acabasse logo.

Quando tudo começou e o réu sentou-se em seu devido lugar ao lado de seu advogado de defesa Alice estremeceu ao vê-lo olhando para si.

A primeira testemunha foi chamada, o policial Graham disse tudo que sabia sobre o dia em que encontrou Alice.

– Ele apontava uma arma para a Srta. Cullen e quando consegui imobilizar o Sr. DeNiro e o levaram do local fui ver como ela estava. Alguns hematomas eram perceptíveis, principalmente a marca no pescoço indicando uma tentativa de estrangulamento.

– Muito obrigado por seu testemunho policial Graham. – O advogado de acusação agradeceu quando Graham havia terminado seu testemunho sobre o caso.

Logo após subiu Jasper, seguido por Carlisle, Emmett e Riley. Ela estava confusa de alguma maneira olhar nos olhos de James não foi um ato muito bem calculado, pela primeira vez ela sentiu medo daquele homem.

– Peço uma revogação desta testemunha meritíssimo, essa menina não está apta a testemunhar. – O advogado de defesa de James disse enquanto se levantava e ajeitava a gravata.

– Revogação negada. – O juiz respondeu um tanto quanto ríspido, querendo ouvir o lado da garota na história, o advogado de acusação colocou Riley como uma das principais testemunhas, então, acreditava que esta menina tinha muito que contar.

Riley contou sobre o primeiro dia, sobre a agressão verbal de James sob o pai de seu amigo, contou sobre o hematoma no pulso de Alice após o primeiro encontro dela com James, contou de como sua irmã agia estranho depois de conhecer o homem.

– E depois que ele a pediu em casamento tivemos uma conversa sobre isso, disse para ela pensar bem, senti que ela iria desistir, mas logo ela disse que havia aceitado o pedido e eu não entendi bem o porque. Algum tempo depois tentei fazer Alice me contar se ele a estava ameaçando e por ela tentar desviar do assunto eu percebi que a resposta queria ser um sim.

– Me desculpe Meritíssimo, mas Riley Cullen tirou por base que meu cliente agredia sua noiva por um simples desviar de assuntos.

– Sente-se Senhor, mais uma interrupção no testemunho e seu cliente ficará sem um advogado. Estou ouvindo tudo assim como a bancada de jurados, quando chegar sua vez de falar eu o escutarei.

O advogado de defesa voltou a sentar-se um tanto quanto relutante por não agüentar ser tratado daquela forma. James estava tranqüilo por fora, mas seu olhar refletia ódio sob Riley, transmitia para a menina uma aflição de lhe causar arrepios.

– Bem... Ah, logo depois disse Alice continuou agindo estranho.

– E quando foi que você, juntamente com Jasper, tiveram a idéia de espalhar câmeras pela casa do réu?

– Não estava mais agüentando ver minha irmã infeliz daquele jeito, então, tive a idéia das instalações das câmaras.

– E qual motivo levou a Srta. Riley Culle a pedir a ajuda de Jasper Hale?

– Pensei que meus pais não ajudariam no princípio, até porque James havia feito com que eles acreditassem muito bem no papel de bom moço que ele transmitia ser.

– Muito obrigado Srta. Cullen gostaria de chamar agora a vítima, Mary Alice Brandon Cullen.

Alice evitou a todo custo olhar na cara de James enquanto respondia a todas as perguntas feitas pelo advogado, contou seu lado da história, dizia o motivo pelo qual ela não dizia nada a ninguém e ao olhar para o rosto da irmã naquele momento ela sentiu um misto de medo e encorajamento. Tudo estava a um passo de terminar, o pesadelo estava acabando e era isso que moveu Alice e a manteve forte durante todo o tribunal.

– Logo após ouvir ambas as partes a bancada de júri analisou de forma correta o caso e decretamos que o réu é culpado.

– James DeNiro, sua sentença é de 75 anos sem direito a pagamento de fiança ou ajuda comunitária. O caso está encerrado.

Quando aquela simples palavra foi dita da boca do juiz Alice sentiu a sensação de alivio percorrer por todo o seu corpo, as lágrimas estavam prestes a cair e a única reação que teve foi de sorrir. Emmett abraçou ambas as irmãs tão forte como se não as visse durante séculos e aquela sensação foi tão boa para todos que até mesmo quem apenas via sentiu-se bem.

– Eu nunca, nunca mais vou deixar que isso aconteça com você Alice. – Ele prometeu olhando nos olhos da irmã. – Eu vou fazer o melhor por vocês.

– Você já é mais que um irmão Emmett, cuide de sua família agora. – Alice sorriu para ele com uma ternura inexplicável.

Os três irmãos permaneceram perto um do outro, Jasper apenas sorriu quando pôde ter uma troca de olhares com Alice mantendo seu sorriso de felicidade ainda estampado em seu rosto, agora seria questão de pouco tempo para ter sua felicidade concretizada e poder fazer aquela mulher que tanto amou feliz novamente.

Enquanto os Cullen se organizavam para irem embora Alice e Jasper ficaram para trás por um instante, precisavam ao menos ficar perto um do outro por um pequeno prazo de tempo.

– E como está se sentindo agora? – Ele perguntou lhe abraçando.

– Muito melhor. Um alívio que eu nem ao menos consigo explicar.

Ambos olharam nos olhos um do outro e viram a felicidade estampada ali. Tinham certeza que agora poderiam recomeçar aquilo que jamais era para ter terminado.

– Bom vá para casa e descanse, aproveite este dia de folga do trabalho.

– Claro. Por que não nos vemos mais à tarde?

– Adoraria, mas houve um imprevisto na minha empresa e tenho que voltar para Nova Iorque. Mas prometo que este fim de semana te compensarei, estarei de volta não se preocupe.

Ele se aproximou e beijou a testa dela. Alice sentiu-se um pouco decepcionada ou até mesmo já sentia saudades dele, mas se ele estaria de volta neste fim de semana ficaria tudo bem.

– Tudo bem.

– Cinema ou jantar? – Ele perguntou enquanto ela se virava para ir embora.

– O que?

– Você prefere um cinema ou jantar com este pobre apaixonado?

Ela não pôde evitar sorrir para ele, a felicidade ultrapassava barreiras do seu coração e não podia se conter mais.

– Ambos são ótimas propostas, mas prefiro...

– Ótimo faremos os dois. – Ele a interrompeu. O corredor naquele momento passava apenas um homem de mais idade que logo desaparecera através dos outros corredores que interligavam o principal.

Jasper tirou uma mecha de cabelo da frente do rosto de Alice que se intrometera ali após uma rajada de vento, sentir a pele dela tão próxima a sua seria inevitável, ele não conseguiria permanecer seguro de si, não mais. Seus rostos foram se aproximando aos poucos até que o tão esperado beijo aconteceu.

Alice nunca se sentiu tão confiante e segura quanto estava sentindo naquele momento ela sabia desde o momento em que viu Jasper novamente em Forks que não teria como não sentir o amor adormecido por ele voltar a viver em seu coração, ela precisava de se sentir segura nos braços dele novamente, como estava se sentindo naquele exato momento.

Quando o beijo teve seu fim Jasper não podia acreditar que enfim não teria mais nada para impedi-lo de amar aquela mulher, era ela a sua alegria.

– Vou voltar o mais rápido que eu puder.

– Estarei esperando.

– Por que tinha que ter problemas na empresa justamente agora?

– Eu não vou fugir para nenhum lugar. – Ela sorriu com a brincadeira fazendo Jasper sorrir também, ambos saiam somente agora daquele local, ele com o braço em volta da cintura dela como ambos caminhavam no seu breve namoro adolescente no passado.

***

Jasper agora já estava em Nova Iorque juntamente com o pequeno Henry, quando fosse de manhã teria que ir para a empresa cuidar de certos problemas, não dormiria muito, pois já era madrugada e também não parava de pensar em Alice. Quando pegou no sono teria apenas duas horas para descansar antes que seu despertador tocasse.

Alice por sua vez havia dormido muito bem, envolvida por ótimos sonhos, exceto por um, onde James se encontrava, o sonho parecia tão real as mesmas ameaças daquele homem, Jasper sendo morto em sua frente e sua irmã, que dizia para que ela não deixasse James destruísse sua felicidade e logo em seguida tendo o mesmo desfecho que Jasper.

Ela acordou assustada, a respiração ofegante o coração batendo tão rápido que pensou que passaria mal. Aos poucos conseguiu se tranqüilizar, mas não voltou a dormir, pegou um livro que estava sobre o criado mudo e começou a ler. Não tinha o que temer, James estava preso, enfim estava livre daquele covarde, livre daquela vida horrível que teria ao lado dele, livre da segunda imagem de seu pai.