O Passado Nos Condena

17 Como as Estrelas que Sentem Falta do Sol


Notas iniciais
Como ganhei uma semana de folga e amanhã não tenho o curso (uhuuul) decidi postar o capítulo mais cedo, provavelmente eu faça um no domingo, mas ainda não é certo. Boa leitura!

– Nem se fôssemos espiões do FBI conseguiríamos entrar nesta casa Jasper, olhe para você ver nas fotos, há uma câmera para cada andar de janelas em todos os lado da casa e nas portas de acesso são três.

– Eu devia ter estudado TI na faculdade.

– Eu conhecia uma pessoa e ela era muito boa com computadores.

– Ache essa pessoa e obrigue-o a nos ajudar.

– Vai ser meio complicado, não conversamos mais e ele me odeia. Sem contar que agora ele tem um caso com a pessoa que mais detesto no colégio.

– Insista, pelo menos tente.

A menina parou de organizar as fotos e olhou nos olhos de Jasper, ele estava mesmo falando sério. Ela ficou com a mente vaga, antes quando fosse conversar com Ben ele normalmente lhe trataria bem e a conversa seria interessante, porém agora era algo incerto.

– Tudo bem, vou ir lá agora mesmo e... Mas se eu te ligar. – Ela pausou sua fala enquanto pegava um papel e uma caneta. – Me procure neste endereço.

Ela pegou sua bolsa e encaminhou-se pelo caminho a fora, estava incomodada e nem um pouco tranquila de voltar na casa de Ben depois de tanto tempo, mas ela prometeu se sacrificar para ajudar Alice.

***

Na casa de James no sábado pela manhã, Alice havia se levantado cedo, muito mais cedo que o normal, os pesadelos lhe perturbavam, lhe tiraram o sono e então resolveu não voltar a dormir e ir tomar um banho. Enquanto procurava por algo no armário do banheiro acabou encontrando um frasco de remédio bem no fundo.

– Transtorno Explosivo Intermitente. – Ela leu o que estava escrito no rótulo, prescrito por um médico ao James. Agora sabia que realmente estava lidando com um louco. – Mais tarde pesquisaria sobre aquele remédio e sobre a doença, queria saber mais sobre aquilo, queria saber que rumo o seu futuro iria levar.

Depois de um certo tempo James acabou levantando-se também. Alice já estava na cozinha, mexendo em seu celular, procurando o significado daquela doença e a cada vez que ela descia a página se arrependia cruelmente. Quando ela ouviu passos vindos da escada tratou de tirar a página e bloquear seu celular.

Quando ele chegou à cozinha ela estava sentada tomando seu café e sua empregada já lhe perguntava o que ele desejava para o café da manhã.

– Bom dia, levantou cedo hoje. – Ele lhe acariciou os cabelos antes de sentar-se ao seu lado.

– Não estava conseguindo dormir, não era nada de mais. – Ela sorriu tentando disfarçar sua apreensão. Quando é que ele perderia o controle? Agora? Daqui alguns minutos ou semanas? Ela sentia medo, estava com medo e não conseguia disfarçar bem quando estava assim. Ela passou a mão em sua nuca e percebeu que estava começando a suar frio quando ele a analisava com o olhar. Tomaram café e foram para a varanda.

– O que você acha de chamarmos sua família para almoçarem aqui amanhã?

– Sério?

– Sim, não temos o que fazer amanhã mesmo, seria bom, vejo que sente falta deles.

Ela se perdeu vagamente em seus pensamentos, o olhar fico em um só lugar dizia que ela estava pensativa em um único assunto que lhe perturbava. James não estava começando a gostar de como Alice estava, estava ficando incômodo e irritado.

– Vou tomar meu remédio de dor de cabeça e já volto. – Ele saiu dizendo, seus passos apressados e pesados anunciaram a Alice que ele estava se transformando na fera novamente. Ela tremia, involuntariamente, estava entrando em pânico, quando viu a empregada saindo com uma lista em mãos quase a implorou para que voltasse.

Seria agora, ela sentiria o terror tomar o seu corpo novamente. Uma lágrima escorreu por seu rosto quando ouviu algo se quebrando dentro da casa. Ela se encolheu no banco e tentou pensar no que deveria fazer. Mas quando abriu os olhos James estava na porta lhe observando.

Ele lhe chamou uma, duas, até três vezes e quando ele viu que ela não sairia daquele lugar,ele foi busca-la. Ela não caminhou até ele por não querer, apenas não conseguia comandar as suas próprias pernas. Ele a levantou de tal modo violento, estavam na parte dos fundos da casa ninguém os veria ali.

– Estamos tão bem e aí você tem que mudar o comportamento não é mesmo? Anda pensando em quem desta vez? No seu antigo namoradinho? Ou na sua irmã enxerida?

– James, não faça nada inconsequente.

– Durante esta semana eu lhe agradei durante todos os dias e nem ao menos um eu te amo eu te ouvi dizer. Isso é ingratidão. – Ele disse a puxando para dentro de casa.

– James não faça isso, por favor.

– Então me diga o motivo de você estar tão pensativa talvez eu até leve em consideração. – Ele disse trancando a porta atrás de si. Alice afastava-se a passos curtos, com medo do que poderia vir. Se ela dissesse que encontrou os remédios que ele tanto dizia ser de dores de cabeça talvez fosse um motivo ainda maior para apanhar e em uma distração de olhares de James, Alice correu. Subiu a escada sem olhara para trás em momento algum. Sabia que ele estava próximo dela, pois os passos dele eram ainda fortes. O pânico fazia com que ela sentisse até mesmo o chão vibrar.

Quando estava chegando perto da primeira porta ele a puxou e ambos caíram ao chão, Alice sentiu uma fisgada forte em seu tornozelo enquanto James se aproximava rapidamente.

– Se você está fugindo deve ter algo de errado.

– Não. – Ela virou o rosto ainda chorando. – James, por favor, você não é assim.

– Eu sou assim Alice, eu sou um homem doente e não posso controlar isso. Então ao invés de cuidar de mim você fica por aí pensando nas outras pessoas. Isso não é justo, até porque eu estou lhe dando uma vida.

– Isso não é vida. – Pela primeira vez ela o encarou no fundo dos olhos e ele sentiu a pressão em suas palavras lhe atingir. Mas ao mesmo tempo em que aquilo lhe fazia voltar ao real ele criava ainda mais raiva e aquele mal dentro de si conseguiu falar mais alto.

– Isso não é vida... Tudo bem. – Ele enfureceu-se e a levantou com um puxão forte Alice por sua vez não conseguiu manter-se de pé seu tornozelo não estava bem. – Você machucou seu pé?! – Ele se aproximou do tornozelo de Alice e o segurou firme, fazendo a mesma gritar de dor. Ele tampou sua boca e fez um sinal de negação para ela. – Você irá ficar bem.

– Você é louco.

– Eu sou? Então vou agir como um louco o que você acha? – Ele a levantou e se encaminhou para uma porta que vivia trancada, tirou a chave de seu bolso e abriu a porta assim que entrou ele a trancou de novo. Aquele lugar estava escuro a janela tinha um cadeado e havia apenas um colchão no chão. Ele a jogou ali enquanto ia em direção a um cofre. Assim que ele abriu tirou de lá um revolver, olhou quantas balas ainda estavam ali e destravou a arma em seguida apontando para Alice. – Você acha que eu sou louco?

– James olha o que está fazendo.

– Eu estou vendo Alice. – Ele se aproximou dela e a beijou. – Sinto muito por isso. – Alice chorou sem parar e quando ouviu o gatilho ser puxado apenas esperou que a dor ou a morte lhe surpreendesse, mas nada aconteceu. Ela abriu os olhos devagar e entendeu o que havia acontecido.

James estava sentado ao seu lado olhando para o revolver e agora sim ele estava colocando a munição no lugar. Ela suspirou e chorou incessantemente.

– Um dia Alice algo muito ruim vai acontecer e eu sei que irei me arrepender inteiramente disso. Mas o que posso fazer? Os remédios que viu no armário hoje não resolvem sempre para mim. – Ela voltou o olhar para ele, então ele sabia, havia descoberto ou ela não conseguiu disfarçar tão bem assim. – Mas não tenha dúvidas que eu te amo. Sinto muito.

Ao mesmo tempo ele a puxou para perto largando a arma no chão e abraçando-a. Alice caiu em prantos, chorava descontroladamente, apenas queria ficar em paz.

***

Longe dali Riley parou por alguns minutos em frente à casa de Ben. Assim que tocou a campainha não demorou muito para ele abrir a porta. Uma troca de olhares incomodativos atingiu ambos.

– O que você está fazendo aqui?

– Bom dia para você também. Posso entrar?

– Eu estou... – O garoto parou e pensou por um instante. – Pode, entre.

Riley entrou e estranhou Ben não relutar ou ofendê-la de imediato. Olhou para o garoto mais uma vez e viu em seu rosto um sorriso vitorioso.

– O que foi?

– O que exatamente te traz aqui? Sentiu saudade? – Ele se jogou no sofá e apalpou o seu lado para que ela se sentasse também. Ela olhou para ele e sentou-se um pouco mais longe, mas ele não se conteve e chegou ainda mais perto.

– Você ainda é apto para fazer aqueles trabalhos no computador?

– Tipo o que necessariamente?

– Câmera, escuta, algo do gênero. Preciso prender alguém.

– Prender no gênero?

– Prender no gênero colocar na cadeia.

– Posso fazer isso, mas preciso de ter as câmeras e isso não é barato. E além do mais não trabalho de graça.

– Como eu já esperava que você dissesse isso por péssimas influências... Fala quanto você quer?

– Não é quanto é o que eu quero. Na verdade... – Ele se levantou e se aproximou da garota segurou suas mãos e olhou perversamente para ela. – Eu quero você.

O beijo roubado foi a pior sensação que Riley já sentiu em sua vida, ela sabia que Ben estava destruindo sua vida, mas não dessa maneira. Ela o empurrou e passou a mão por sua boca e ainda olhando incrédula para o menino disse:

– Eu sabia que era um erro vir aqui. – Ela caminhou em direção a porta.

– Vamos Riley, seu namorado nem aqui mais vive e além do mais você acha que ele irá te esperar na faculdade? Cheia de garotas atiradas? Você nem irá desconfiar o que ele está aprontando.

– Você não tem um pingo de consideração por nossa amizade não é?

– Tenho 16 anos agora Riley e muitas amizades ainda virão, com as pessoas certas. Com você agora só quero outra coisa.

– Então vai continuar querendo. – Ela abriu a porta e ligou para Jasper já sem cumprimentar. – Com ele não precisamos contar.

Ela explicou para o homem que seu antigo amigo não lhes ajudaria por motivos de discussões passadas e mesmo assim omitiu a parte da perversidade dele, até porque estava considerando a opção se a situação chegasse a ao extremo.

Quando ela chegou a casa soube que Alice havia ligado dizendo que eles poderiam ir almoçar lá amanhã e Riley tratou logo de ligar para Jasper e lhe informar sobre a novidade, não estavam contendo em aceitar que iriam perder esta chance. Mas Riley tinha o caminho, apesar de que ela nunca mais iria se caber dentro de si ela tinha uma alternativa.

– Jasper compre as câmeras eu tenho um outro jeito. – Ela disse convicta. Ela estava disposta mesmo a correr qualquer risco, afinal sua irmã precisava de si.

Disse aos pais que passaria o dia andando por aí, estava cansada e entediada de ficar em casa, por pouco Carlisle não acabou com seu plano e assim que conseguiu sair de casa alertou Ben que estaria voltando lá depois de alguns minutos.

Assim que conseguiu as câmeras com Jasper correu para a casa de Ben. Assim que entrou colocou as coisas no sofá, câmeras com gravadores de áudio, o menino ficou surpreso pela qualidade do produto.

– Onde conseguiu isso.

– Do mesmo jeito que você tem contatos para suas drogas. Agora eu preciso disto pronto para ontem, você irá deixar tudo preparado para mim agora e depois que eu tiver a demonstração do serviço já pronto você terá a recompensa que quer. Então se você estiver muito necessitado espero que consiga fazer isto rápido.

– Tudo bem.

O menino instalou programas e ligou as câmeras diretamente no sistema do laptop da garota, ensinou para ela como poderia mexer e qual pasta seria arquivado tudo que fosse gravado e logo após a demonstração de que tudo estava funcionando devidamente bem, ele apenas olhou para a garota. Riley soltou um suspiro e fechou as cortinas do quarto do garoto e a porta.

Ele a beijou ferozmente enquanto se deitavam na cama, ele já tirava a camisa enquanto Riley apenas se esforçava um pouco para não chorar.

– Só quero que saiba que eu nunca vou te perdoar por isso. – Ela disse com a voz rouca e sentiu que ele havia parado apenas por um instante até que voltou a beijá-la no pescoço. Sua mão subiu por debaixo da blusa da menina e a apertava com uma sede louca de possuir seu corpo.

Em seguida quando ele ia desabotoar a calça jeans ele apenas parou. Viu as lágrimas rolarem pelo rosto de Riley e viu que o que estava fazendo era errado.

– Vai embora. Pegue suas coisas e saia antes que eu me arrependa.

Riley sem nada dizer, levantou devagar, pegou suas coisas e saiu do quarto. Não queria entender o que estava acontecendo apenas queria sair dali e foi o que ela fez.

***

– Já está tudo pronto, tudo instalado só falta decidirmos os locais. – A menina disse adentrando a casa dos Hale.

– Você estava chorando? – Jasper a observou enquanto ainda caminhava até o sofá.

– Não é nada... Que tal mantermos o foco em onde colocarei as câmeras?

– Você tem certeza que não quer dizer nada?

– Jasper gosto muito de você, mas tem certas coisas que eu prefiro manter somente para mim.

– Garotos.

– Envolve isso. – A menina revirou os olhos sentindo-se incomodada por aquele assunto ainda continuar. – Estava pensando em colocar uma na sala.

– É um bom local.

– Pena que não podemos colocar no quarto... – A menina fez uma careta de nojo e em seguida sacudiu a cabeça levemente tentando esquecer-se de certos momentos anteriores. – Tenho certeza que James deve fazer algo com ela por lá.

– Podemos escolher um ponto que não pegue a cama, se conseguirmos gravar pelo menos o áudio de algo já será de grande utilidade.

– Tudo bem. Os outros dois pontos verei quando chegar lá.

– Certo, mas tenha cuidado lá, não quero que Alice sofra as consequências de nosso ato e muito menos você, ela nunca me perdoaria.

– Tudo bem. Agora tenho que voltar para casa.

– Vou lhe dar uma carona.

– Não precisa.

– Não estou pedindo sua permissão senhorita. – Ele abriu a porta de sua casa e a mantinha segura pelo pé enquanto terminava de colocar sua jaqueta.

– É meio arriscado, você não acha?

Ele olhou para a cômoda atrás de si onde estava seu boné preto e colocou na cabeça da menina.

– Acho que estamos entrando no clima demais. – Ele disse rindo enquanto seguia em direção ao carro. Ele abriu a porta para ela como o cavalheiro que sempre fora e logo em seguida foi para seu lugar.

Quando adentrou em sua casa seu pai lhe perguntou quem havia lhe deixado em casa, já que o mesmo ouviu o barulho de porta de carro sendo fechada. Ela não mentiu e disse que havia se encontrado com Jasper pelo caminho e que ele lhe ofereceu carona.

– Querida sei que gosta de Jasper e eu o acho um bom homem, mas pode pegar mal para você se lhe verem no carro com ele.

– Pai as pessoas já falam de mim. – A menina disse tristemente.

– Querida venha aqui... – Carlisle disse ao mesmo tempo chamando a filha para que ela se sentasse ao seu lado e a garota aceitou a proposta. – O que está lhe incomodando minha doce criança.

A menina sorriu do modo como seu pai lhe chamara e sentiu o mundo pesar em seus ombros, ela queria tanto contar para alguém, queria mesmo falar, mas se dissesse ao pai o que Ben lhe obrigaria a fazer teria que conta-lo sobre o plano na casa de James e teria que lhe falar sobre o envolvimento com Jasper e essa história não terminaria bem. Se pudesse correria para a casa de Kate e lá poderia falar com ela, pois ela sabia e entendia seu ponto de vista e até mesmo lhe chamava a atenção quando ela fazia algo estúpido.

– Nada papai.

– Não minta para mim princesa. – Ele tirou uma mecha do cabelo dela da frente de seu rosto e com o dedo indicador apoiou no queixo da garota impulsionando seu rosto a se levantar.

As lágrimas já estavam em seu olhar, não tinha como negar, mas uma tristeza profunda tomava conta daquele olhar que tão pouco tempo Carlisle apenas via esperança e ternura.

– Percebi que tenho medo do mundo papai. Ele está sendo cruel conosco.

– Ele não está sendo cruel querida, ele nos dá alguns problemas para serem resolvidos.

– Sinto falta de Alice aqui, de nossas conversas e implicâncias. Ela me entendia e também sinto falta de minha amizade com Ben. Como ele pôde desistir de nós assim?! Conhecemo-nos desde bebês. – Um soluço alto foi ouvido por Carlisle e em seguida ela enxugou suas lágrimas. – Eu odeio estar crescendo.

Carlisle abraçou sua filha apoiando a cabeça dela em seu ombro enquanto a cada soluço de sua garotinha era como se uma agulha fosse cravada em seu coração e aquilo lhe doía imensamente. Ele ficou ali acariciando os cabelos loiros de Riley durante longos minutos e nem percebeu quando esses minutos tornaram-se horas e a garota acabou adormecendo ao seu lado. Ele pegou-a no colo e se encaminhou para o segundo andar. Pediu ajuda a Esme que estava passando no corredor para que abrisse a porta do quarto e tirasse as coisas de cima da cama da menina.

– Acho que estou ficando velho. – Ele concluiu logo após colocar Riley na cama.

– Eles crescem rápido demais. – Esme disse abraçando a cintura de seu marido.

– Estou preocupado com Riley. – Carlisle disse ao mesmo tempo em que acariciava a costa de sua mulher. – Ela chegou aqui triste, não quis me contar ao certo o que era, mas acho que ela está sentindo que todos estão lhe abandonando. Disse que estava sentindo falta da irmã e do Ben.

– Riley sempre foi a mais sentimental mesmo sendo a mais forte. Amanhã conversarei com ela.

– Tudo bem. – Ele sorriu e em seguida acabaou com a distância que havia entre os lábios um do outro em um beijo carinhoso.

– Hei vocês podiam pelo menos fazerem isso em outro lugar. – Esme não pôde evitar rir. Caminhou até cama da garota com os cabelos semi desgrenhados e os arrumou como pôde.

– Tomou a insulina hoje meu anjo?

– Sim mãe. – A menina escondeu-se ainda mais debaixo de seu cobertor.

– O que se passa contigo meu amor? – Esme disse enquanto juntava-se a filha na cama. – Anda tristonha, mal fica em casa e não é mais aquela serelepe de antes.

– Só quero a Alice de volta mãe.

– Meu bem, um dia Alice irá se casar e não terá como você impedir.

– O problema não é ela se casar, mas sim com quem ela vai se casar. Mãe, James não é uma boa pessoa acredite em mim, vocês tem que acreditar em mim. – Ela olhou para o pai e para a mãe com lágrimas nos olhos.

– Querida até agora ele não mostrou algo de ruim. – Carlisle disse enquanto sentava-se na ponta da cama.

– Ele a obrigou a ir morar com ele tenho provas. – Riley disse enquanto levantava-se indo até sua escrivaninha onde tinha uma caixa que ela pegou e o levou para onde seus pais estavam. Ao abrir a caixa Esme espantou-se ao ver a quantidade de fotos em que Alice e James apareciam, cenas nas quais nenhum dos dois parecia saber da presença da câmera.

– O que é tudo isso Riley? – Carlisle perguntou pegando algumas fotos.

– Provas que venho juntando... Vocês prometem que vão me ouvir antes de dizer qualquer coisa?

– Sim filha. – Esme disse olhando tranquilamente para a menina e em seguida olhou para o marido que estava um tanto quanto encabulado com aquilo tudo e com uma simples troca de olhares ele entendeu que era para respeitar a vontade da filha.

– E mais uma coisa, não me internem em um hospício eu juro que não estou ficando louca.

– Tudo bem filha, mas explique–nos o que é tudo isso? – Carlisle concordou e ainda passando cada foto devagar.

– As fotos tirei em alguns dias, tentei ver se conseguia algo, uma atitude violenta de James porém não consegui nada. O máximo que alcancei com as fotos foi um dia que ele a puxou para forçar um beijo e Alice se desvencilhou. – A garota mostrou a sequencia de fotos que mantinha guardada em um local separado das outras. – Mas como posso apresentar isso na delegacia como um caso de espancamento?

– Espancamento? – Esme sobressaltou-se quando ouviu aquela palavra ecoar em sua mente inúmeras vezes. Isso não poderia estar se repetindo novamente.

– Mãe, você mais do que ninguém aqui nesta casa sabe o que é passar por isso. Os comportamentos estranhos de Alice, as brigas constantes cheias de desculpas relacionadas ao preparo do casamento. Antes ela não era assim com James.

– Você tem razão filha.

– E o que você pretende fazer com isso? Já que você quer ajudar a sua irmã se realmente há algo errado com Jam...

– Há algo de errado com James. – Ela interrompeu a fala do pai. – Sei que ele não é um bom caráter. Lembram-se daquele domingo que Alice anunciou que iria se mudar? Pois bem, eu havia deixado um gravador debaixo de sua cama e gravei algo interessante.

Ela ligou o gravador na parte que mais lhe interessava, onde exatamente James dizia que para o bem de Riley Alice deveria morar com ele. Era insano, apenas isso passava na cabeça de Esme e Carlisle ainda não podia acreditar ter deixado sua filha acabar caindo nas garras desse psicopata. Esme temia pela vida de Alice, não sabia como a filha poderia estar hoje ou daqui dois dias, sabia como os dias eram indecifráveis na cabeça de um covarde.

– Ele usou pretextos familiares para ameaça-la e Alice presa por nossa segurança mais do que por sua própria vida.

– Filha isso parece...

– Loucura? Parece sim pai, mas é a verdade. Alice precisa de que nós a ajudemos ou só Deus sabe o que lhe espera no dia de amanhã.

Aquela noite a família Cullen havia se alarmado, enfim todos escutavam o que Riley tinha a dizer. Carlisle fez questão de ligar para Emmett e Riley não cansou em repetir a história, enfim estavam todos atentos ao que ela tinha a dizer.

Emmett disse que iria ao almoço amanhã e Riley queria contar somente a ele sobre o plano das câmeras, pois sabia que seus pais surtariam. Quando encerraram o assunto a menina continuou em seu quarto e viu uma mensagem no monitor de seu celular. Era o número de Ben e temeu por um instante ler aquilo, mas mesmo assim continuou com o celular em mãos por alguns minutos até criar coragem e enfim ler o que continha no pequeno texto.

“Riley pensei bem sobre o que disse o fato de você me odiar e digo que fiquei surpreso por ainda não fazer o mesmo. Como ainda não conseguia me odiar? Enfim... Acho que o que tentei fazer com você não tem formas de pedir perdão. Apenas é melhor você me esquecer e tenho certeza que tudo ficará bem para você, até porque eu não consigo me perdoar, sinto muito.”

Riley enxugou a ultima lágrima que insistiu em escapar e pensou se deveria ou não responder, mas sentiu que Ben precisava de palavras amigas naquele dia.

“Ben, eu lhe perdoou pelo o que tentou fazer e o fato de você ter voltado atrás e me deixado ir me fez perceber que você ainda lembra-se de nossa amizade, enfim. Cometemos erros eu sei, não se culpe tanto, quando essa fase ruim da nossa vida passar iremos procurar um ao outro e saberemos que estamos prontos para recomeçar, apenas não desista da história que temos.”

Ela deixou seu celular repousar no criado mudo enquanto seus pensamentos iam se perdendo em meio ao tumulto do sono. O dia seguinte seria um novo dia, o início de um novo recomeço e merecia um descanso para a preparação. Pois agora seria tudo ou nada.

Notas finais
Gente com o planejamento da história acho que estamos chegando em reta final, faltando aí no máximo uns 10 capítulos. Modifiquei a ideia final da fic que a deixaria um pouco sem graça e acabei encurtando a história, mas se me der um surto de criatividade talvez saia mais capítulos do que o esperado. Bjks!