O Passado Nos Condena

25 Agora Estou Pegando de Volta Minha Vida


Os dias que se sucederam foram para somente alegria e satisfação. Alice havia se recuperado muito bem, acordou um pouco confusa, mas conseguiu lembrar-se do que havia acontecido e somente quando ela já se apresentava bem disposta eles lhe deram a notícia da morte de James. Ela não conseguia sentir-se feliz com a notícia da morte de alguém, nem mesmo do homem que tentou lhe tirar a vida apenas sentiu-se mais aliviada.

Jasper permaneceu todo o instante ao lado de Alice no hospital, desde o primeiro dia, quando percebeu ela movimentar os dedos da mão direita, mostrando seus primeiros sinais de consciência após dois dias desacordada. Esteve presente quando o médico a examinou e lhe receitou remédios, quando ela disse que sentia dor. Ele queria aproveitá-la ainda mais.

Riley por sua vez já estava recebendo alta, se arrumava no quarto do hospital, até aquele momento não havia ido visitar sua irmã apenas sabia através de seus pais e seu irmão como ela se encontrava. Esme observava a menina prendendo seu cabelo no banheiro, ela ainda tinha uma fisionomia doente, mas estava muito melhor do que o primeiro dia em que entrou no quarto para vê-la. Ela continha um cateter de oxigênio em seu nariz, o soro para hidratá-la fixada em seu braço direito. Riley acordava e voltava a dormir isso perdurou um dia inteiro.

Quando a garota acordou, após um dia de sua chegada ao hospital, suas mãos tremiam e fazia grande esforço para falar. Esme sorriu ao ver a filha pedir para que amarrasse seu cabelo, a garota reclamou de ter dormido de mau jeito e que não estava conseguindo manter o braço para o alto por muito tempo. Quando tudo estava arrumado Esme guiou Riley até o quarto de Alice e logo após o singelo pedido de licença elas entraram.

Alice estava acordada e ficou feliz em ver qual era a visita desta vez, com um largo sorriso estendeu o braço para que sua irmã pudesse pegar sua mão.

– Fiquei tão preocupada com você. – Alice disse mantendo o olhar fixo na garota não perdendo nenhum detalhe.

– Sabia que cometeria alguma loucura, tão você. – A garota sorriu e Alice fez o mesmo. – Como está se sentindo?

– Melhor, logo estarei em casa. – Ela apertou a mão fria de Riley. A garota se aproximou da irmã beijando o topo de sua cabeça.

– Muito obrigada. – Riley a olhou com os olhos marejados. – Eu podia estar delirando, mas me lembro de você me abraçando, me mantendo por perto e somente naquele momento eu não senti mais medo.

– Você é minha irmãzinha, sempre vou fazer tudo por você.

– Eu sei que sim, por isso tenho vontade de lhe acorrentar em uma cama. – Ambas riram daquele momento, parecia que o momento de paz havia sido enfim restaurado.

Quando a visita terminou Riley caminhou de braços dados com sua mãe para fora do hospital e quando estava prestes a entrar no carro uma moto em alta velocidade passar ao seu lado parando poucos centímetros a frente, ela parou para observar assustada e quando o rapaz tirou o capacete ela não podia perceber, mas um largo sorriso estampava seu rosto.

– Juro que tentei vir antes, mas... – Ela o interrompeu com um abraço, seu rosto afundado no peito do rapaz que parecia estar ainda mais forte, o seu cheiro era como um tranqüilizante para a mente dela e o toque suave das mãos grandes dele em sua costa lhe fazia sentir um leve arrepio subir por todo o seu corpo. – Fiquei aflito, queria estar aqui perto de você.

– Você está agora. – Ele beijou o topo da cabeça da menina a fazendo olhar em seus olhos.

– Está tudo bem? Mesmo?

– Sim, comigo sim. – A menina disse meio sem jeito enquanto ele observava cada canto de seu corpo.

– Soube de sua irmã, como ela está?

– Reagindo bem... Vem para minha casa, podemos conversar lá. – Ela olhou com os olhos semicerrados devido ao vento forte. Ele sorriu ao vê-la encolher os ombros, sabia o quanto ela odiava ventania ainda segurando a delicada mão gélida da garota concordou com um simples gesto.

***

A tarde seria longa, Riley sentia falta da irmã, mas a companhia constante da mãe e do namorado já bastava, ela relutou contra o sono, uma tentativa falha de se manter acordada em busca de matar a saudade daquelas pessoas, mas seu cansaço havia vencido, ela então se perdeu em meio aos sonhos tumultuosos, entre um pesadelo e outro ela suplicava por algo, imaginavam Esme e Josh Serem pedidos de socorro.

O garoto permaneceu ali ao lado dela, sentiu o quanto a mão dela tremia diante daquele pesadelo, Esme aproximou-se vagarosamente perto da filha, lhe acariciou os cabelos e chamou pelo seu nome cuidadosamente. Ela acordou assustada, porém ao ver onde ela estava e com quem ela estava seu coração aos poucos foi voltando no compasso.

Os dias dali para frente seriam tumultuosos, mas à medida que as horas, os dias e as semanas se passaram, tronando-se meses, as coisas foram voltando ao normal. Alice estava no fim de seu repouso e agora na casa dos pais, Jasper voltaria para NY naquela noite para poder ficar com seu filho novamente. Alice estava em seu mais puro momento de leitura ao lado da irmã, ambas portavam um livro de gêneros completamente diferentes em mão, enquanto a garota lia alguma parte sobre guerra que estava lhe tirando o fôlego, Alice mantinha em suas mãos o livro novo sobre biotecnologia que havia comprado.

– Sabe, estudar demais deixa as pessoas doidas. – Riley disse sem tirar os olhos de seu livro. Alice sorriu com a iniciativa de implicância de sua irmã, aquilo significava que ela não queria mais apenas ler e sim conversar sobre algo.

– Talvez, mas como andam as coisas com Josh?

– Ele voltará para NY daqui três dias. E você? Já está sentindo a falta de Jasper?

– Ainda não deu tempo. – Ela sorriu. – Mas conseqüentemente daqui dez minutos sentirei. – Ambas riram da situação.

– Vocês tem que se casarem logo sabia? Já perderam muito tempo da vida de vocês.

– Vamos com calma irmãzinha, se dependesse de Jasper já estaríamos casados desde o dia em que ele voltou.

– Por isso que eu gosto do meu cunhado, ele nunca dorme no ponto. – Ela olhou para Alice com seus olhos brilhantes de um azul tão profundo que parecia sempre esconder alguma coisa.

– Mamãe disse que Josh e Ben estiveram juntos e que o encontro deles aqui não foi dos melhores. – A menina retraiu-se desviando o olhar da irmã.

– Isso, não foi o que eu digo de companheirismo, mas eles tentaram se entender. É que Josh saiu daqui quando Ben e eu estávamos brigados ainda, tive que explicar toda a situação para ele e você sabe como Josh é cabeça dura.

– Ele te ama, isso faz as pessoas ficarem loucas quando vêem o amor de sua vida sofrer por algo ou alguma pessoa.

– É, não estou tirando a razão dele, Ben pisou na bola comigo um monte de vezes, mas eu o conheço desde pequena, senti tanta falta da nossa amizade, posso parecer estúpida, mas não me importo dos erros que ele cometeu e nem vou me importar com os erros que Josh um dia chegar a cometer.

– Você tem um bom coração isso é diferente de ser estúpida.

– Josh e Ben discutiram, quase saíram no tapa e nunca imaginei que a mamãe tinha dons para separar rapazes de uma briga. – A menina disse em meio a uma singela risada e outra.

– O que? A mamãe entrou na briga dos dois? – Alice disse espantada.

– Sim, com um balde de água gelada. – A menina gargalhou ao lembrar-se da cena de ambos os meninos encharcados. Alice também não se conteve em rir da situação, queria ter visto aquilo. – Eu não consegui segurar nem mesmo no momento, tive que rir na cara deles e quando a mamãe se desculpou nós conversamos. Mas acho que ela ficou meio sem graça com isso ainda.

– Queria ter visto isso.

– Vou sentir falta disso. – Disse a menina soltando um suspiro triste. – Daqui a pouco você irá para NY, quando pensei que você fosse se casar, não pensei que iria para tão longe de nós.

– Nos feriados estarei de volta e logo você estará na universidade e você poderá ficar em nossa casa quanto tempo precisar.

– Eu sei, será legal. – A garota sorriu enquanto olhava nos olhos da irmã. – Sei que também será bom para você assim.

– Aqui não é nosso lugar Riley, a vida já deixou bem claro isso.

– Da pior maneira. – A menina concluiu sendo puxada pela irmã para um abraço. Alice não conseguia ter noção de como o tempo havia passado tão rápido, sempre gostava de manter a irmã por perto, abraçá-la e beijar suas bochechas rosadas em contraste com sua pele pálida. Lembrava de quando a garotinha tinha apenas 8 anos e adorava quando a chamava para brincar de casinha, hoje Riley estava caminhando para sua vida de jovem, criando maturidades e responsabilidades.

Lembrava de quando foi sua vez, tudo o que passou no colégio o esforço que teve para conseguir ser a melhor aluna e tudo o que seus colegas de classe enxergavam era a garota estranha e silenciosa que ela mantinha em si. Na universidade as coisas foram mudando, outra cidade, poucos rostos conhecidos, mas se ela não quisesse manter a mesma fama teria que mudar primeiramente seu comportamento, para mudar a sua imagem diante as pessoas. Nunca deixou de ser a garota nerd adorava estudar, aquilo era seu refúgio e por sorte tinha sua amiga ao seu lado, como ela sentiria falta das asneiras de Ângela durante o trabalho, mas estava caminhando agora para sua felicidade, estava cansada do seu passado viver lhe perseguindo e o primeiro passo era dar chance de mudar, novamente, assim como fez na universidade.

Hoje seria o novo começo, Alice apenas esperava ao lado da mãe e da irmã o seu vôo ser chamado e poder então em outro aeroporto, desta vez em NY encontrar o homem de sua vida, aquele loiro que lhe manteve segura durante tanto tempo, lhe fazendo sentir ser incapaz de enlouquecer.

Na despedida rolaram-se lagrimas de afeto, carinho, saudades e principalmente de felicidade. Se Esme pudesse encontrar uma palavra que demonstrasse tamanho orgulho que sentia de sua filha, mas todas as palavras do mundo juntas não seriam suficientes, o que dirá somente uma. Ela relembrou em como sua garotinha chorava em seus braços certa vez de fome, com marcas em seus delicados bracinhos por mera covardia de seu próprio pai e hoje ela se tornou mulher, uma mulher completamente decidida e confiante de si.

– Assim que puder ligarei avisando que cheguei bem.

– Tudo bem querida, tome cuidado.

– Sempre tomarei e você mocinha comporte-se, não dê trabalho aos nossos pais.

– Cansei de aventuras pode acreditar. – Riley disse abraçando a irmã e em seguida passando o braço pela cintura da mãe viu sua irmã partir.

Quando o avião decolou Alice soltou um pequeno suspiro e olhando pela janela disse adeus olhando para Seattle, mas pensando em Forks.

Depois de três meses a bagunça já estava organizada, o apartamento era mais que espaçoso, tinha um quarto vazio e Alice já tinha em mente o motivo, não podia negar que logo iria querer ter um filho, mas às vezes achava que Jasper adiantava as coisas demais, mas seu pensamento estava mudando, na verdade ela perdeu tempo demais, encontrou pessoas erradas, experimentou experiências desastrosas e tudo isso a fez perceber que a única conquista que havia conseguido até o momento era sua carreira, seus colegas, pelo menos a grande maioria, estavam casados, planejando o primeiro filho, ou até mesmo já com um e ela estava ali fugindo de sua realidade.

Então a data foi marcada, a cerimônia anunciada e a preparação já estava a caminho, apenas mais alguns meses e tudo estaria dando certo para o dia perfeito, o seu casamento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.