O Paradoxo do Poço
1 O Paradoxo do Poço
Sabe aquele sentimento de tristeza, que às vezes é tão intensa que parece que seu cérebro bloqueia suas emoções? Eu chamo isso de vazio. Como se de tanto chorar você estivesse completamente drenada e não sente mais nada. Vazia. Sem reação.
Pra quê sentir, chorar, se você pode simplesmente não sentir nada? Acredite se quiser, às vezes esse vazio pode ser pior. Você sabe que é triste, mas seu semblante é manso, plácido. Teu coração se aperta e por dentro chora, mas por fora está pacato e bate num ritmo normal.
Pode ser como um mecanismo de autodefesa e proteção, mas seus pensamentos parecem um vácuo. Nada. Você sofre, mas não sente nada. É como se você continuasse a vida sem enxergar nem ouvir nada. Apenas memórias tristes e vazias que machucam sem doer e assombram sem assustar.
Você empurra a vida com a barriga e ri tristemente com sorrisos vazios, mas convincentes. É como saudade. Dói, mas não dói. É como o amor. Você sente, mas não sente. É o grande paradoxo do vazio. O paradoxo do poço. Você está no fundo não pode sair e tudo que acontece ao seu redor é como o que acontece fora do poço. Você tenta sair, mas escorrega e cai novamente.
Você chora lágrimas vazias e quando outras pessoas olham nos seus olhos, não veem nada. Talvez aqueles mais sensíveis sejam capazes de ver uma alma torturada no fundo, mas como mal você vê, mal você sente, outros irão ver? O paradoxo do poço é um sentimento cruel, tão palpável quanto devaneios, tão poderoso quanto o amor, tão triste como um coração partido, mas nada é tão avassalador quanto o vazio do poço.
Notas finais
É como se seu sistema desligasse e você estivesse presente fisicamente, mas seu pensamentos estão em um lugar totalmente diferente.
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