O PESO DE UMA PROMESSA
8 CAPÍTULO 8 - O Preço DE UM SEGREDO
Salomon Grey sentira saudade da irmã.
Ninguém soube.
Nem Rebecca.
Nem Jacob.
Muito menos Irina.
Aconteceu seis meses antes do acidente.
Depois de uma discussão banal com Rebecca sobre família, Salomon passou quase uma noite inteira acordado.
Pensou na infância.
Em Irina correndo atrás dele pelo jardim.
Nas brigas.
Nos aniversários.
No dia em que o pai expulsara Edward da empresa.
Na escolha da irmã.
No afastamento.
No orgulho.
Anos inteiros desperdiçados porque nenhum dos dois aceitava dar o primeiro passo.
Na manhã seguinte, Salomon tomou uma decisão.
Não telefonou para Irina.
Não pediu desculpas.
Não apareceu em sua casa.
Salomon Grey ainda era orgulhoso demais para isso.
Fez algo muito mais parecido com ele.
Procurou um advogado.
E transferiu cinco por cento de suas ações para a irmã.
O documento, contudo, jamais chegou às mãos dela.
Salomon o guardou no cofre de casa.
Talvez pretendesse entregar no aniversário dela.
Talvez no Natal.
Talvez estivesse esperando coragem.
A morte chegou primeiro.
— Encontramos isto no cofre da residência Grey.
Jacob recebeu a pasta.
Estava sentado na sala de reuniões da Black Automotivos ao lado de Leah Clearwater e dois advogados responsáveis pelo inventário.
Abriu.
Leu.
Parou.
Leu novamente.
— Cinco por cento?
Leah assentiu.
— Das ações pertencentes a Salomon.
Jacob virou outra página.
— Para Irina.
— Sim.
Jacob recostou-se.
Ficou alguns segundos em silêncio.
— Ele nunca me contou.
— Aparentemente não contou para ninguém — respondeu um dos advogados.
Jacob voltou a ler.
A assinatura estava lá.
As formalidades também.
— É válido?
— Precisamos analisar alguns aspectos, inclusive os efeitos societários e sucessórios. Mas não podemos simplesmente ignorar.
— Não pretendo ignorar.
Leah observou Jacob.
— Isso altera a composição que estávamos considerando.
— Eu sei.
Ele fechou a pasta.
— E precisamos informar Irina.
Um dos advogados assentiu.
— No momento adequado, sim.
Jacob franziu a testa.
— O momento adequado é assim que tivermos certeza da validade.
Leah sorriu discretamente.
— Concordo.
Jacob olhou para ela.
— O quê?
— Nada.
— Leah.
— Só imaginei Edward descobrindo que você encontrou um documento dando ações para Irina e entregou voluntariamente.
Jacob não sorriu.
— As ações não são minhas.
— Eu sei.
— Se Salomon queria que ela tivesse cinco por cento, ela terá cinco por cento.
Leah assentiu.
— Vou providenciar a análise.
Jacob colocou os documentos novamente na pasta.
— Quero uma cópia comigo.
— Para quê?
— Vou revisar hoje à noite.
— Jacob...
— O quê?
— Você dormiu quantas horas ontem?
— Não é relevante.
— Então poucas.
Ele levantou-se.
— Tenho uma audiência de guarda chegando. Meu sobrinho perdeu os pais. A empresa está no meio de uma sucessão societária e Edward Cullen está tentando entrar pela porta dos fundos.
Pegou a pasta.
— Durmo depois.
Jacob chegou em casa pouco depois das oito.
Elena estava na cozinha.
Seth fazia um desenho.
— Tio Jake!
Jacob deixou a pasta sobre um móvel da sala.
— Oi.
Seth correu.
Jacob o pegou.
— Como foi o dia?
— Fiz um dinossauro.
— Na escola?
— Não.
— Então o que fez na escola?
Seth pensou.
— Não lembro.
Elena apareceu na porta.
— Ele recebeu uma estrelinha.
Jacob olhou para Seth.
— E esqueceu disso?
— O dinossauro é mais importante.
— Evidentemente.
Elena percebeu a pasta.
— Trabalho?
— Infelizmente.
— Você sabe que existe uma coisa chamada horário comercial?
— Você sabe que trabalha para mim?
— Tecnicamente, neste momento, estou cuidando do seu sobrinho.
— Com meu dinheiro.
— Detalhes.
Jacob quase sorriu.
Seth apontou.
— Ele ia rir.
— Eu vi — Elena respondeu.
— Vocês dois estão conspirando contra mim.
— Finalmente percebeu — ela disse.
Dois dias depois, Bella apareceu.
Sem avisar.
Elena abriu a porta.
— O que você está fazendo aqui?
Bella levantou uma sacola.
— Trouxe roupas.
— Eu disse que podia buscar.
— E eu estava entediada.
— Você não tem aula?
Bella hesitou.
Elena estreitou os olhos.
— Isabella.
— Professor faltou.
— Verdade?
— Verdade.
Elena continuou olhando.
— Para de me olhar assim.
— Assim como?
— Como mãe.
Elena imediatamente ficou séria.
Bella percebeu.
— Desculpa.
— Tudo bem.
— Lena...
— Eu disse que está tudo bem.
Elena pegou a sacola.
— Entra.
Bella entrou.
Olhou ao redor.
Já conhecia a casa por fotos que Alice obrigara Elena a mandar.
Mas pessoalmente era diferente.
Muito diferente.
— Meu Deus.
Elena fechou a porta.
— Não começa.
— Isso é uma casa?
— Bella.
— Tem apartamento inteiro menor que essa sala.
— Muitos.
Bella olhou para a escada.
— E você dorme aqui?
— No quarto de hóspedes.
— Qual deles?
— Bella.
— Só estou perguntando.
Elena riu.
— Vem.
Irina chegou pouco depois.
A visita havia sido combinada com Jacob.
Duas horas com Seth.
Elena abriu a porta.
— Oi.
— Oi.
Irina entrou.
Então viu Bella.
— Temos visita?
— Minha irmã.
Elena sorriu.
— Isabella Swan.
— Bella — ela corrigiu.
Irina estendeu a mão.
— Irina Cullen.
Bella reconheceu imediatamente.
— Cullen?
— Sim.
— Tipo...
Olhou para Elena.
— A tia do Seth — Elena explicou.
— Ah.
Bella sorriu.
— Prazer.
— Igualmente.
Irina observou a garota.
Jovem.
Bonita.
Roupas simples.
Mas o olhar...
Bella olhava para a bolsa de Irina.
Depois para o relógio.
Depois para os sapatos.
Depois para o carro estacionado diante da casa.
Irina percebeu.
Durante a tarde, Seth ficou com Irina no jardim.
Elena preparava o lanche.
Bella estava na cozinha.
— Essa casa é absurda.
— Já disse.
— Você sabe quanto custa aquele carro dela?
— Não.
— Eu sei.
Elena olhou para a irmã.
— Desde quando entende de carro?
— Internet.
— Útil.
Bella abriu a geladeira.
— Tem alguma coisa para beber?
— Suco.
— Refrigerante?
— Jacob não compra.
— Ele é mesmo estranho.
— Muito.
Elena sorriu sem perceber.
Bella percebeu.
— Você gosta dele.
Elena quase derrubou a faca.
— O quê?
— Do seu patrão.
— Claro que não.
— Você sorriu.
— Eu sorrio.
— Quando fala dele.
— Bella.
— Tá bom.
Elena apontou a faca.
— Não inventa.
— Estou quieta.
— Ótimo.
— Mas você gosta.
— ISABELLA.
Bella riu.
Mais tarde, Elena subiu para guardar as roupas.
Seth estava no banheiro lavando as mãos.
Bella ficou sozinha na sala.
Irina entrou.
— Sua irmã gosta muito de Seth.
Bella sorriu.
— Elena gosta de cuidar das pessoas.
— Percebi.
Irina sentou-se.
— Vocês são próximas?
— Muito.
— Ela praticamente criou você, não foi?
Bella ficou surpresa.
— Como sabe?
— Elena comentou alguma coisa outro dia.
Mentira.
Edward investigara.
— Nossos pais morreram quando eu era bebê.
— Sinto muito.
Bella deu de ombros.
— Eu nem lembro.
— E Elena?
— Lembra de tudo.
Irina observou.
— Deve ter sido difícil.
— Foi.
Bella olhou novamente ao redor.
— A gente nunca teve muito dinheiro.
Irina percebeu a abertura.
— Faculdade?
Bella assentiu.
— Elena paga.
— Sozinha?
— Sim.
— Deve ser pesado.
— Ela nunca reclama.
— Mas você percebe.
Bella ficou quieta.
Irina abriu a bolsa.
— Bella...
— Sim?
— Posso pedir uma coisa?
— Depende.
— Quero apenas informações.
Bella franziu a testa.
— Sobre quê?
— Seth.
— Não entendi.
Irina baixou a voz.
— Jacob está tentando impedir que eu tenha a guarda do meu sobrinho.
— Elena disse que vocês estavam brigando na Justiça.
— Eu amo Seth.
— Eu sei.
— Mas preciso provar que Jacob talvez não seja a pessoa mais adequada para administrar tudo.
Bella ficou desconfortável.
— Não quero me meter.
— Não estou pedindo que minta.
— Então o quê?
— Se encontrar alguma coisa.
— Alguma coisa?
— Documento. Informação. Qualquer coisa que demonstre que Jacob está escondendo fatos relacionados a Seth, à herança ou à empresa.
Bella levantou-se.
— Não.
Irina também se levantou.
— Bella.
— Elena me mata.
— Sua irmã não precisa saber.
Bella parou.
— Eu pagaria.
Silêncio.
— Quanto?
A pergunta saiu antes que Bella pudesse impedir.
Irina percebeu.
Naquela noite, Bella viu a pasta.
Estava sobre o móvel onde Jacob a deixara antes de subir para atender Seth.
Bella passou.
Parou.
Continuou.
Parou novamente.
Não.
Foi até a cozinha.
Elena estava preparando chá.
— Vai dormir aqui?
— Alice disse que posso.
— Claro.
— Vou pegar meu carregador.
— Está na bolsa?
— Acho que sim.
Bella voltou.
Passou novamente pela pasta.
Olhou para a escada.
Ninguém.
Abriu.
O coração disparou.
Não entendia metade do que estava escrito.
Então viu:
IRINA GREY CULLEN
E:
5%
Pegou o celular.
Fotografou.
Fechou a pasta.
Suas mãos tremiam.
Mandou uma mensagem.
Acho que encontrei alguma coisa.
A resposta veio quase imediatamente.
Envie.
Bella hesitou.
Olhou para a cozinha.
Elena cantarolava.
Bella enviou.
O dinheiro entrou na conta na manhã seguinte.
Bella ficou olhando para o valor.
Nunca tivera tanto dinheiro.
Apagou as mensagens.
Apagou as fotografias.
Apagou até a lixeira.
Quando Elena perguntou por que ela estava tão quieta, Bella respondeu:
— Sono.
E acreditou que aquilo acabaria ali.
Não acabou.
O dia da audiência chegou três semanas depois.
Jacob estava sentado ao lado de seus advogados.
Irina e Edward do outro lado.
Leah estava atrás dele.
Jacob parecia tranquilo.
Não estava.
Seth ficara em casa com Elena.
Jacob preferira assim.
Então o advogado de Irina apresentou o documento.
Jacob congelou.
Leah também.
— Excelência, há ainda uma circunstância que consideramos extremamente grave.
O documento apareceu.
Jacob reconheceu imediatamente.
Cinco por cento.
Irina.
Salomon.
— Como eles têm isso? — Leah sussurrou.
Jacob não respondeu.
O advogado continuou.
— Este documento foi encontrado entre papéis que estavam sob posse e conhecimento do senhor Jacob Black.
O advogado de Jacob levantou-se.
— Impugnamos essa afirmação.
— O próprio senhor Black teve acesso ao documento.
— Acesso não significa ocultação.
O juiz pediu ordem.
Edward permanecia em silêncio.
Irina também.
— O documento demonstra — prosseguiu o advogado — que Salomon Grey destinara cinco por cento de suas ações à irmã, Irina Cullen.
Jacob apertou os maxilares.
— Contudo, apesar de estar com o documento, o senhor Black não informou imediatamente à beneficiária.
O advogado de Jacob levantou-se.
— O documento estava sob análise jurídica para verificação de seus efeitos e validade. Não houve ocultação.
— Curiosamente, essa análise acontecia enquanto o senhor Black defendia permanecer responsável pelo herdeiro de uma participação societária extremamente relevante.
Jacob virou-se para Edward.
Entendeu.
Não era sobre cinco por cento.
Era sobre criar uma narrativa.
— Estão dizendo que escondi o documento por causa das ações? — Jacob perguntou.
Seu advogado tocou seu braço.
— Jacob.
— É exatamente isso que estão insinuando.
O juiz pediu que ele se dirigisse apenas quando autorizado.
Jacob respirou fundo.
O advogado de Irina continuou:
— Seth Grey possui quarenta por cento da Black Automotivos. Irina Cullen, além de tia paterna, é agora também acionista por vontade expressa de Salomon Grey.
Edward olhou para Jacob.
— E há indícios suficientes para questionar se os interesses empresariais do senhor Black não estão se confundindo com as decisões relacionadas ao menor.
— Isso é mentira — Jacob disse.
— Senhor Black — advertiu o juiz.
Jacob ficou em silêncio.
Mas seus olhos estavam em Edward.
Edward não desviou.
A decisão veio depois.
Provisória.
Temporária.
Mas devastadora.
A guarda de Seth seria atribuída provisoriamente a Irina.
Jacob ouviu as palavras sem acreditar.
Seu advogado continuava falando.
Recurso.
Reavaliação.
Estudo psicossocial.
Medidas cabíveis.
Jacob não ouvia.
Seth.
Só conseguia pensar em Seth.
Elena recebeu a notícia por telefone.
— Não.
Jacob ficou em silêncio.
— Não.
— Elena...
— Eles não podem fazer isso.
— Fizeram.
— Mas ele mora aqui.
— Eu sei.
— Você cuida dele.
— Eu sei.
— Ele está começando a melhorar.
Jacob fechou os olhos.
— Eu sei.
Elena percebeu que estava repetindo exatamente as coisas que Jacob já havia repetido para si mesmo.
— Quando?
— Amanhã.
— Amanhã?
— Sim.
Elena sentou-se.
— Meu Deus.
Bella estava ao lado dela.
— O que aconteceu?
Elena desligou.
Olhou para a irmã.
— Irina conseguiu a guarda provisória.
Bella ficou branca.
— O quê?
— Seth vai morar com ela.
Bella sentiu o estômago revirar.
— Por quê?
— Não sei todos os detalhes. Algum problema com documentos da empresa.
Bella parou de respirar.
— Documentos?
— Parece que Jacob tinha um documento sobre ações de Irina e usaram isso contra ele.
Bella sentou-se lentamente.
Elena não percebeu.
Estava chorando.
— Seth vai ficar arrasado.
Bella olhou para as próprias mãos.
O dinheiro ainda estava em sua conta.
De repente parecia sujo.
A entrega aconteceu na manhã seguinte.
Seth não entendeu.
Primeiro achou que era uma visita.
Elena arrumou a mala.
Ele observava.
— Por que tem tanta roupa?
Ela parou.
— Porque você vai ficar alguns dias com sua tia.
— Quantos?
Elena não respondeu.
— Elena?
Jacob entrou.
Seth olhou para ele.
— Quantos dias?
Jacob ajoelhou-se.
— Não sei.
Seth imediatamente percebeu.
— Não quero ir.
— Eu sei.
— Então fala que eu não vou.
Jacob respirou.
— Eu não posso.
— Você manda em tudo!
A frase destruiu alguma coisa dentro dele.
— Não nisso.
— Eu quero ficar aqui.
— Eu sei.
— Quero ficar com você.
Jacob fechou os olhos.
— Eu sei.
— Então não deixa!
Seth começou a chorar.
Elena se aproximou.
Ele correu para ela.
Abraçou sua cintura.
— Eu não quero ir!
Ela o abraçou.
— Eu sei, meu amor.
— Vai comigo!
Elena começou a chorar.
— Seth...
— Você vai?
Ela olhou para Jacob.
Ele desviou o rosto.
— Eu não posso.
— POR QUÊ?!
— Porque...
Elena não sabia explicar.
Seth a empurrou.
— Todo mundo vai embora!
Ela congelou.
— Seth...
— Minha mãe foi embora! Meu pai foi embora! Agora vocês!
— Nós não estamos indo embora.
— ESTÃO SIM!
Jacob tentou aproximar-se.
— Seth.
— NÃO ENCOSTA EM MIM!
O menino correu para o canto da sala.
Irina estava na porta.
Chorando.
Edward atrás dela.
Irina aproximou-se devagar.
— Seth...
— NÃO!
Ela parou.
— Eu não quero tirar você daqui.
— Então vai embora!
Irina fechou os olhos.
— Eu queria que você viesse comigo.
— NÃO QUERO!
Jacob apertou as mãos.
Tudo dentro dele gritava para pegar o sobrinho.
Fechar a porta.
Mandar todos embora.
Mas não podia.
Havia uma ordem.
Advogados.
Consequências.
E qualquer reação poderia ser usada contra ele.
Jacob ajoelhou-se.
— Seth.
O menino chorava.
— Olha para mim.
Seth não quis.
— Por favor.
Aos poucos, olhou.
Jacob sentiu os olhos queimarem.
— Eu amo você.
— Então não deixa.
A voz era tão pequena que Jacob quase não suportou.
— Eu vou fazer tudo para você voltar.
— Promete?
Jacob ficou imóvel.
Elena também.
Promessas.
Algumas mudavam uma vida inteira.
— Prometo.
Seth correu até ele.
Jacob o abraçou.
Forte.
O menino chorava contra seu peito.
— Não quero ir.
— Eu sei.
— Tio Jake...
— Eu sei.
Jacob beijou seus cabelos.
— Eu vou buscar você.
Irina esperou.
Não tentou arrancá-lo.
Quando finalmente Seth soltou Jacob, ela se aproximou.
— Posso pegar sua mão?
Seth negou.
Irina aceitou.
— Tudo bem.
Elena entregou a mala.
Irina segurou.
Depois olhou para ela.
— Elena.
— Sim?
— Venha conosco.
Jacob levantou os olhos.
Elena ficou surpresa.
— Como?
— Seth confia em você.
Irina olhou para o menino.
— Trabalhe para mim.
Silêncio.
— Posso pagar o dobro do que Jacob paga.
Jacob não disse nada.
Não pediria.
Não colocaria Elena naquela posição.
Seth olhou para ela.
Esperança.
Elena sentiu o coração partir.
Ajoelhou-se.
— Seth...
— Vem.
Ela segurou seu rosto.
— Eu não posso.
— Por quê?
— Porque...
Não havia resposta fácil.
— Porque minha vida está aqui.
Irina interferiu:
— Você poderia continuar cuidando dele.
Elena levantou-se.
— Não.
Irina pareceu surpresa.
— Pense.
— Não preciso.
— O dinheiro não é problema.
— Não é sobre dinheiro.
Elena olhou para Jacob.
Depois para Irina.
— Eu trabalho para Jacob.
Jacob ficou imóvel.
— E vou continuar trabalhando para ele.
Edward observou.
Irina assentiu lentamente.
— Entendo.
Seth começou a chorar novamente.
Elena se abaixou.
— Mas eu não vou desaparecer.
— Promete?
— Prometo.
— Mesmo?
— Mesmo.
Ele a abraçou.
Elena fechou os olhos.
— Eu vou ver você.
— Quando?
— Assim que puder.
— Amanhã?
Ela não sabia.
— Assim que puder.
Irina tocou delicadamente o ombro do menino.
— Precisamos ir.
Seth segurou a mão de Elena até onde conseguiu.
Um passo.
Dois.
Três.
Os dedos se separaram.
Depois segurou a mão de Jacob.
Jacob acompanhou-o até a porta.
E então também precisou soltá-lo.
Seth foi embora olhando para trás.
— Tio Jake!
Jacob ficou parado.
— Eu estou aqui.
— Elena!
Ela chorava.
— Estou aqui!
Irina colocou Seth no carro.
A porta fechou.
O veículo partiu.
Jacob permaneceu na entrada.
Até desaparecer.
Só então entrou.
A casa ficou silenciosa.
De novo.
O silêncio que Jacob sempre quisera.
Agora era insuportável.
Elena entrou alguns minutos depois.
Encontrou-o sentado no sofá.
Sozinho.
O carrinho de Seth ainda estava sobre o tapete.
Jacob segurava um pequeno dinossauro.
Ela não disse nada.
Sentou-se ao lado dele.
— Você deveria ter ido.
Elena virou-se.
— O quê?
— Com Seth.
— Não.
— Ele precisa de você.
— E você acha que eu trabalharia para Edward Cullen depois do que ele fez?
— Irina ofereceu o dobro.
Elena ficou ofendida.
— Você realmente acha que eu ficaria com eles por dinheiro?
Jacob olhou para ela.
— Não.
— Então por que disse?
Ele baixou os olhos.
— Porque Seth pediu.
Elena ficou quieta.
— E por ele eu quase fui.
Jacob apertou o dinossauro.
— Por que não foi?
Ela demorou.
— Porque alguma coisa está errada.
Jacob levantou os olhos.
— Eles sabiam de um documento que estava com você.
— Sim.
— Como?
— Não sei.
— E usaram exatamente no momento certo.
— Sim.
Elena olhou para ele.
— Então descubra.
Jacob ficou imóvel.
A dor ainda estava ali.
Mas outra coisa apareceu.
Foco.
— Vou descobrir.
Naquela noite, Bella não conseguiu dormir.
Alice percebeu.
— Você está bem?
— Sim.
— Mentira.
Bella virou-se na cama.
— Só estou preocupada com Elena.
— Ela vai ficar bem.
Bella fechou os olhos.
O telefone estava sobre o criado-mudo.
O dinheiro continuava na conta.
Ela pegou o aparelho.
Abriu o aplicativo.
Olhou o saldo.
Sentiu náusea.
Alice dormiu.
Bella não.
Na residência Black, Jacob estava no escritório às duas da manhã.
Sobre a mesa havia uma única pergunta escrita:
COMO IRINA TEVE ACESSO AO DOCUMENTO?
Jacob refez mentalmente cada passo.
O cofre dos Grey.
Os advogados.
Leah.
Ele.
A empresa.
Sua casa.
Parou.
Sua casa.
O documento ficara ali.
Naquela pasta.
Durante dois dias.
Jacob levantou os olhos.
Quem estivera na casa?
Funcionários.
Irina.
Elena.
Seth.
Embry.
E...
Franziu a testa.
A irmã de Elena.
Isabella.
Jacob ficou imóvel.
Depois balançou a cabeça.
Não.
Uma universitária de dezoito anos que mal conhecia Irina.
Não fazia sentido.
Mas alguém tivera acesso.
E Jacob Black não acreditava em coincidências.
Pegou o telefone.
Ligou para Embry.
Ele atendeu sonolento.
— Jake?
— Preciso de uma coisa.
— São duas da manhã.
— Eu sei.
— Isso nunca é bom.
— Quero saber todas as pessoas que entraram nesta casa enquanto aquele documento esteve aqui.
Embry ficou em silêncio.
— Você acha que alguém fotografou?
Jacob olhou para a pasta.
— Acho que alguém entregou aquilo para Irina.
— Quem?
Jacob respondeu:
— É isso que vamos descobrir.
Na manhã seguinte, Elena encontrou Jacob dormindo sobre a mesa do escritório.
Parou na porta.
Não deveria entrar.
A velha regra ainda existia.
Não incomodar Jacob Black.
Olhou para ele.
Depois para a xícara vazia.
Para os documentos espalhados.
Para o pequeno dinossauro de Seth ao lado de sua mão.
Entrou.
Pegou uma manta.
Colocou sobre seus ombros.
Jacob se mexeu.
Elena congelou.
Ele não acordou.
Ela olhou para seu rosto.
Dormindo, Jacob parecia mais jovem.
Menos rígido.
Menos invencível.
Elena apagou a luz.
Antes de sair, olhou novamente.
— Nós vamos trazer ele de volta.
Jacob não ouviu.
Ou talvez tenha ouvido.
Porque, ainda dormindo, seus dedos se fecharam ao redor do pequeno dinossauro.
E, a quilômetros dali, Bella Swan olhava para o dinheiro que recebera de Irina Cullen sem imaginar que aquele segredo estava prestes a destruir muito mais do que uma decisão judicial.
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