O Pêndulo Desenhista.

1 Um cristal de pôr-do-sol


Notas iniciais
Estou de volta! ;u; Não que alguém tenha sentido minha falta, mas de toda forma.
Eu......Realmente espero que isto dê certo. Faz algum tempo que eu não escrevo nada, então....Yeah. Segura na mão de deus e vai!

Era mais um dia comum no parque. Aquele giganórmico parque que Phoebe tanto adorava. Afinal de contas, foi lá que foi criada. Tanto por seus pais quanto por si mesma. Não era não se esperar que todos da vizinhança a conhecessem.

Phoebe era uma feliz pré-adolescente, ainda meio infantil apesar de tudo. Seus treze anos de vida ainda não atingiram o seu total potencial. Digamos que...A puberdade de Phoebe ainda estava um tanto longe. De toda maneira, deixando tudo isso de lado e voltando para o parque, a loira podia ser vista andando para um lado e para o outro, rindo, sempre alegre. Os olhos fechados para que o enorme sorriso coubesse em seu rosto, com aquelas risadas contagiosas que afetavam a todos que a viam.

O parque, verde, cheio de flores e cheiros magníficos como sempre, ao contrário de Phoebe, estava em seu auge. Era a primavera que chegara há poucos dias, caprichando em sua inegável beleza local. Era uma época tão feliz, tão perfeita aos olhos de muitos. Era impossível ver, naquela cidade, algum olhar triste no período primaveril. Afinal de contas, não era conhecida como a “Cidade mais feliz do mundo” a toa, certo? Certíssimo.

Corria majestosamente com suas risadas pelos campos verdes do parque, enrolando-se em cada árvore, falando com pássaros e esquilos, jogando-se na grama limpinha, ainda com algumas poucas gotas do orvalho do amanhecer. O cheiro do parque tanto lhe agradava! A menina, incontrolável, levantou-se da grama a qual tinha acabado de se jogar encima, e apostou uma corrida com o vento. A brisa leve, porém rápida, que a acompanhava pareceu ter aceitado o desafio. O olhar magenta da menina em comunhão com todos os espíritos naturais daquele lugar, guiando-a para o seu cantinho favorito do parque: as corredeiras de cristal. Não eram perigosas, de fato, eram até pequeninas. E era isso que as tornavam belas.

O som das águas transparentes de cristal empurrando-se em uma linda corrente inacabável, que lembrava o cantar das místicas sereias de um alto mar, completamente hipnotizante, irresistível. O brilho da água reluzido pela luz do sol brilhante, estampado em meio a um céu azul-claro com nuvens animadinhas, em todas as formas imagináveis que poderiam se tornar. Gatos, cachorros, pégasus, tudo que tinha direito. A garota não conseguiu se animar ainda mais com a corrida que tinha proposto ao vento e, aproveitando o laguinho não muito profundo em frente às suas amadas corredeiras, não resistiu em pular ali mesmo, proclamando uma vitória invisível, porém totalmente alcançável.

-HÁ! GANHEI! – Levantou os braços em alegria. Os cabelos longos e loiros espalhando-se pela água, formando desenhos abstratos.

Ainda dançou um pouco mais na água, comemorando sua aparente vitória, se molhando inteira, sem se importar em se sujar de nada. E nem se preocupando muito, não havia perigos por ali. Nunca haveria também. Estava completamente sem preocupações, com razão de não ficar preocupada. Mas...Havia, sim, uma coisa estranha ali. Uma vez que parou de dançar e rodopiar, parando em frente às corredeiras amadas, Phoebe apertou um pouco seus olhos. Jurava estar vendo um brilho estranho...Parte de sua mente dizia que não era nada, e a outra a matava de curiosidade. Phoebe nunca foi de manter sua curiosidade presa em sua cabeça, de não ir atrás do que queria saber, mas hoje...Se sentiu meio hesitante. Não tanto assim, foi apenas um breve sentimento.

Mas de todo jeito, não era de se esperar que ficasse ali, parada. E foi exatamente o que não aconteceu. Phoebe não resistiu à tentação, e, lentamente, pôs-se a andar/nadar até o brilho estranho que havia visto. Os passos leves que tocavam no chão terroso do lago, sempre calmos e lentos, e o olhar magenta da loira em completo esplendor. A magia da curiosidade sempre atraiu aos mais fortes, certo? Mesmo que o resultado final fosse uma simples ilusão, esperando para ter suas risadas. Quem não ria de um engano inocente?

Não demorou para chegar ao local. A tripla corredeira estava em perfeito estado, sem erosões ou rachaduras novas. O olhar da garota focada no brilho, tão forte, que reluzia em suas vestes azuis, como as águas de uma piscina contra uma parede. Sem nenhum tipo de hesitação, Phoebe aproximou sua mão pequena do brilho, notando que, realmente, tinha alguma coisa ali. Não era uma simples ilusão. Devagar, retirou a mão dali, segurando o brilho na tal. Ao abri-la...Um cristal?

Um pêndulo de cristal?

Não tinha como ser, este lugar não era conhecido por possuir nenhum tipo de pedra preciosa...E ainda mais, nunca tinha ouvido falar em lugar nenhum que tivesse um cristal com as cores de um pôr-do-sol. E ainda somava com as estrelas que raramente apareciam no sono do sol....Phoebe só as via de noite, quando a lua clareava as estradas, auxiliando o caminho de quase todas as pessoas deste mundo pequeno. Como era um pêndulo, a garota procurou por seu fio, a linha que o seguraria, e não demorou para encontra-lo. Segurou-o da maneira correta, vendo se tinha alguma coisa de diferente além do, já óbvio e notado, cristal de pôr-do-sol.

-Estranho... – Comentara, focando os olhos nas estrelas do cristal, que brilhavam como elas.

Tanta era a magnificência do pêndulo que conquistara os olhos, a mente, e o coração de Phoebe, e não tinha nenhum jeito de deixa-lo ali novamente. O lugar do pêndulo era com ela. Ao lado dela. O tempo inteiro. Ninguém poderia saber do pêndulo, e se o quisessem roubar? Que soubesse, cristais eram muito valiosos. E piorava a situação se eram cristais raros. Ainda piora mais quando é um cristal completamente desconhecido por nações inteiras. Imaginava qual seria o seu valor.

Começou a balança-lo de leve, direita, esquerda, direita, esquerda, num ritmo harmonioso e estranhamente reconfortante, quase como hipnotizante. Mas, lembrou-se da brisa rápida de antes, que pôs todos os seus cabelos para a frente de seu rosto, mesmo que estivessem ensopados ainda.

-Ugh! Esqueci disso...Queria que a brisa ficasse mais lentinha...

Olhava para o lado, tirando os cabelos da frente de seus olhos, até ver outro brilho estranho. Não só um, vários brilhos estranhos. Nas pressas, tirou os fios loiros da frente de seus olhos, levantando o pêndulo para ficasse em sua frente. Os olhos magenta da menina começaram a ficar arregalados, surpresos, e seu queixo caiu. Estavam saindo fios brilhantes do polo inferior do pêndulo...Linhas brancas, brilhantes como nuvens ao sol, desenhando os caminhares do vento tranquilo, girando e mantendo-se no lugar conforme aumentavam de tamanho. As linhas rodeavam a menina, contornando-a por inteiro, nunca se fixando em um único ponto. Até que as linhas, todas, começaram a circular verticalmente, explodindo em forma de pequenos fogos de artifício, mesmo que sem som.

A garota, ainda boquiaberta, quase lançou o pêndulo na água novamente. Afinal, tinha se assustado. Mas seu encanto foi muito maior do que um simples susto. O que tinha sido isso? O que tinha acabado de acontecer? Oh, céus... O que poderia ter sido...Algo tão belo? A garota, rápida, enfiou o pêndulo desenhista em seu bolso e, a passos rápidos, voltou para a terra e, de lá, partiu para sua casa. Tanto que nem havia notado um pequeno detalhe.

A brisa estava mais lenta.

Notas finais
Yikes. *Medo.*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.