À uma hora da tarde, Gustavo passou aqui em casa para buscar-me. Despedi-me de minha mãe e saí ao encontro deles.

O tempo estava ótimo. Sol e sem nenhuma nuvem.

Abri a porta do carro e encontrei Gustavo no volante, Ariane no banco da frente e Jéssica atrás. Sentei-me ao seu lado.

–Oi gente! – cumprimentei a todos

–Oi Agatha! – disse Jéssica abraçando-me

–Oi linda – o Gustavo cumprimentou-me sorrindo.

–Oi Gu!

Fomos conversando sobre banalidades. Quanto mais afastávamos da cidade, mais árvores foram aparecendo e lindas paisagens surgiram.

Perdi-me da conversa deles e fiquei observando os borrões verdes passando por minha janela. Fiquei tão alheia aos meus amigos que não percebi que Gustavo estava falando comigo.

–Oi Agatha? Ainda está aí?

–Ah desculpa. O que você disse? – eu pisquei os olhos.

–Eu estava perguntando se você vai mesmo nos abandonar por outra escola. – Ele abriu um sorriso zombeteiro.

–Você sabe que se eu pudesse, eu ficaria. – eu sorri.

–É, mas você vai levar a Ane com você! – a Jéssica fez biquinho e afastou seus cabelos ruivos para trás.

–Ai Jéssica, não seja dramática! Ainda vão ter os fins de semana... – argumentou Ane.

–Meninas, nós chegamos! – Gustavo anunciara.

Saímos do carro, pus os pés no chão arenoso e cheio de pedras.

À frente, havia um portão de grades ladeando o terreno. E mais longe podia-se ver uma grande casa amarela.

–Vamos gente! – Gustavo foi à frente e abriu o portão, fomos atrás dele e Ariane perguntou:

–A sua tia está em casa Gustavo?

–Não, ela está com o resto da família. Quanto ela não está o caseiro toma conta.

Passamos pelo portão. O lugar era lindo. O verde das árvores predominava. Entramos na casa, que era grande e iluminada. Eu, Jéssica e Ariane fomos ao banheiro colocar os biquínis.

–Hum – disse Ane olhando a si mesma no espelho. – Eu odeio colocar biquíni.

–Deixa de ser boba. – disse Jéssica. – Você tem um corpo lindo!

Era verdade que Ane era bonita. Ela tinha o cabelo louro-claro e os olhos azuis. Mas sua insegurança a impedia de ver isso às vezes.

Quando descemos, o Gustavo levou-nos até um pequeno riacho atrás do bosque.

Não quis entrar na água de imediato, então me sentei nas pedras e fiquei observando meus amigos brincando e atirando água uns nos outros.

Logo fiquei aquecida pelo sol, deitei-me e fitei o céu pensando em como seria amanhã, como seria a nova escola...

Os gritos da algazarra deles foram sumindo, enquanto lentamente eu me dirigia a inconsciência.

Eu estava caminhando por um bosque que, apesar de escuro, não me assustava. Eu continuava a caminhar embora não soubesse o que estava procurando

De repente, o estalar de um graveto me fez virar, dando de cara com um garoto musculoso e de pele morena, que encarava-me com um ar desconfiado.

Um minuto inteiro se passou enquanto eu decidia se falava alguma coisa ou não.

Quando abri a boca para falar seu corpo começou a tremer e de repente ele explodira e em seu lugar aparecera um lobo castanho-avermelhado, que arreganhava os dentes para mim.

Não tive tempo de ficar com medo, pois no segundo seguinte acordei.

–Agatha! – Ariana chamava-me.

–Hum... O que foi? – disse sonolenta.

–Vamos mergulhar! Ou vai ficar dormindo aí o dia inteiro? – ela sorriu.

–Está bem, vamos lá. – eu levantei e fui para água.

O restante da tarde foi bastante agradável, apesar do sonho estar sempre em minha cabeça.

Quando saímos do rio, fomos dar uma volta pelas árvores. Jéssica e Ariane voltaram para o casarão para se trocar. Então continuei caminhando com Gustavo.

Eu o conhecia há um tempo e eu o adorava. Mas, evitava ficar a sós com ele.

Quando o idiota do – eu forcei-me a pensar o nome – Bernardo deixara-me, Gustavo foi muito atencioso e amigo. E eu acabei ficando com ele em um momento de carência.

Nós dois concordamos que seria algo a ser esquecido para não estragar a nossa amizade. Mas eu não podia deixar de sentir certa insegurança.

–No que está pensando tanto? – ele perguntou.

–Em muitas coisas...

–Está nervosa por trocar de escola? – ele pareceu preocupado.

–Um pouco. – admiti. – Mas com a Ane do meu lado irá ser mais fácil.

–Agatha eu lhe conheço há muito tempo e sei que algo mais lhe preocupa. – ele fitou-me sério.

Olhei em seus olhos verdes. Nunca cansava de admirar o quanto Gustavo era bonito.

Era verdade que tinha algo mais me preocupando. Era o sonho que não saíra de minha cabeça a tarde toda.

Eu sou fã da Saga Crepúsculo, mas esse sonho fora real demais, intenso demais...

–Gustavo não é nada demais. Eu acho que eu quero ir para casa agora. – mudei de assunto.

–Está bem. Vamos lá então. – ele respondeu pegando minha mão e fomos para casa.

Antes de ir embora, tomei um banho. Gustavo nos levou para casa, despedi-me dele e de Jéssica, e disse à Ariana antes de sair do carro:

–Amanhã é o dia. – eu sorri.

–Ai amiga! Eu estou tão feliz de ir para lá com você!- disse radiante.

–Ane você vai ir conosco não é? Minha mãe pode levar nós duas.

–Ok. A que horas eu venho? – ela perguntou.

–Pode ser às sete da manhã. – respondi.

–Tá amiga, eu vou lá. Até amanhã. – ela abraçou-me.

–Tchau.

Saí do carro e entrei em casa. Ouvi um barulho vindo da cozinha e fui atrás.

Encontrei minha mãe cozinhando – e, surpresa, vi meu irmão sentado na mesa.

–Felipe! – gritei puxando-o para um abraço.

–Oi maninha! – ele disse. – Como você está?

–Estou bem. E você?

–Estou bem melhor agora que voltei. – ele riu e separou-se de mim.

–Agora que meu filho voltou, eu vou mimá-lo e encher de carinho! – minha mãe riu e começou a apertar as bochechas de Felipe.

Eu ri também.

–Mas por que você voltou?

–Ah. – ele suspirou. – História longa. Depois te conto.

–Huum. – minha mãe voltara ao fogão. – Eu também quero saber dessa história, aposto que tem garota envolvida!

Eu não sabia dizer qual número era o maior: as namoradas de Felipe ou as confusões que elas arranjavam.

Papai dizia que ele era igual quando adolescente, é um dom de caras bonitos... Eu odiava admitir, mas Felipe era mesmo bonito. Era o que fazia tantas horas na academia.

–Filha, como foi o passeio? – Mamãe perguntou ao mesmo tempo mexendo na panela.

–Foi ótimo. – eu sorri – Amanhã vai ser melhor ainda.

–Ah que bom que você finalmente se animou com a escola! – ela disse.

Sorri e fui para o quarto. Tomei banho e troquei de roupa.

Continuei a fazer o que estava fazendo hoje de manhã e peguei meus livros para colocá-los numa pequena bolsa.

Peguei umas fotos de meus amigos, de minha família e meu ursinho de pelúcia chamado Jake...

Droga! Eu tinha esquecido do sonho!

Ok Agatha esqueça isso. É só um sonho, só isso. Um sonho real, estranhamente real, maravilhoso e assustador.

Notas finais
O que estão achando? :)