O Outro Lado Da Lua
13 Amigos
Não diminui a velocidade de meus passos até chegar a casa. Encontrei Emily na cozinha.
–Estava imaginando onde você estava! – ela disse comendo uma broa de milho.
–Me desculpe por isso. Eu acordei cedo e... – tentei explicar-me.
–Não precisa se explicar, venha coma uma broa. – ela ofereceu. – Está uma delícia modéstia a parte.
Eu ri, sentei-me e mordisquei a broa. Estava mesmo deliciosa.
–Onde está Sam? – perguntei.
–Já saiu. – ela suspirou e eu imaginei que pessoas ligadas pelo imprinting odiavam ficar separadas.
–Huum. – continuei mordiscando a broa.
Ela analisou-me por um momento.
–Como você está se sentindo? Sabe com toda essa história de... – ela não precisou terminar. Sabia ao que ela se referia.
Hesitei.
–Sinceramente não sei o que sentir. – desabafei.
–É difícil mesmo... – ela disse solidária. – Mas você pode contar com todos por aqui. Os garotos passaram por essa fase também...
–É... – eu sabia disso. – Pelo menos eu não me transformo em um lobo gigante não é? – ri.
Ela abaixou a cabeça constrangida.
–O que foi? – perguntei.
Ela suspirou resignada.
–Não se apavore ok? – ela avisou-me. – Mas eu e Sam conversamos ontem à noite e – ela hesitou. – Ele acha que talvez a transformação ocorra.
–Oh! – minha boca moldou-se em um “o”.
–Ele disse ‘talvez’. – ela apressou-se a dizer. – Isso não significa que...
–Mas e se acontecer? – eu estava sem fôlego e desnorteada. – Como eu vou voltar para casa?
–Agatha, você sabe que pode ficar o tempo que julgar necessário! É apenas uma questão de tempo, se a transformação não acontecer, você poderá voltar. – ela argumentou.
Essa não era a questão. Não era simples como comprar uma passagem de volta, afinal não fora assim que viera...
–Se acalme, está bem. – ela parecia arrependida de ter-me revelado a suspeita de Sam.
–Ok. – tentei realmente me acalmar apesar de saber que seria inútil.
Terminamos o café e eu me ofereci para lavar os pratos. Ela aceitara por que haviam muitas tarefas a fazer.
–Tenho que terminar tudo a tempo de Claire vir. – ela dissera.
Ah! A pequena Claire, com quem Quil, o jovem, havia tido um imprinting.
–Quem é Claire? – fingi não saber.
–Minha sobrinha. – ela sorriu. – Ela virá aqui. E Quil provavelmente vai aparecer. – ela revirou os olhos. – Não é o Quil que você conheceu ontem, é seu neto.
–Huum.
Uma hora depois Claire chegou com sua mãe que tinha um compromisso e a deixaria aqui pelo resto da tarde. Ela era uma garotinha linda e agitada. Em menos de meia hora ela estava pulando em meu colo e brincando comigo.
Fiquei cuidando dela enquanto Emily limpava a casa. Eu gosto dessa mania dela, é legal saber que eu não sou a única obsessiva com limpeza.
Quando o almoço estava quase pronto, Seth chegou com um garoto que julguei ser Quil.
Assim que Quil colocou os olhos em Claire, pensei ter observado uma explosão de fogos de artifício. A maneira como ele a olhava era fascinante! Seth aproximou-se.
–Oi Agatha!
–Oi! – era impossível não sorrir perto de Seth. Entendi por que Bella o comparava a um Jacob jovem.
–Quiiil! – Claire correu para seus braços.
–Oi garotinha! Como está hein?
–Eu binquei de boneca com ela! – ela apontou sua mão gordinha para mim.
Ele olhou para mim, só agora percebendo minha presença.
–Oi, você é a Agatha não é? Prazer, Quil.
–Prazer. – sorri.
–Então, que loucura hein? Aparecer do nada. – ele comentou.
–Ah, é. – sorri constrangida. – Realmente uma loucura.
Claire bateu em sua cabeça exigindo atenção.
Logo depois Sam chegou da patrulha e Emily serviu o almoço. Fora uma refeição agradável. Sam parecia ter proibido os garotos de fazerem tantas perguntas e agradeci-o mentalmente por isso.
Quando terminei de comer, a aura de amor e adoração que pairava sobre o local era quase nauseante. Então pedi licença e saí para o pequeno jardim atrás da casa, convidaria Seth se ele ainda não estivesse se empanturrando.
Sentei-me no chão mesmo e comecei a pensar naquela história de transformação.
Eu estava começando a aceitar toda a coisa de lendas e ouvir lobos, mas virar um estava completamente fora de questão!
E por mais que eu tivesse problemas urgentes como esse para resolver, a imagem de um Jacob torturado não saía de minha cabeça.
Tombei minha cabeça nos braços de modo que não ouvi passos atrás de mim.
–Ei, você está bem? – ouvi Seth perguntar.
Levantei a cabeça.
–Estou. – sabia que meu tom não convenceria a ninguém.
Ele me olhou com solidariedade e sento-se ao meu lado.
–Ouvi pela mente de Sam que ele acha que você se transformará.
Percebi que Seth não tinha a cautela de falar sobre essas coisas.
–É, aparentemente sim. – suspirei.
–Mas quer saber? Não é tão ruim... – ele tentava me animar. – É divertido sabe. A velocidade, a força... – seus olhos brilharam.
Não pude deixar de sorrir.
–Falando assim parece ótimo. – fiquei séria. – Mas eu tenho uma casa.
Seu sorriso desmanchou.
–Você poderia morar aqui.
Pensei nisso. Eu não podia mentir para mim mesma achando que eu queria sair dali o mais rápido que podia. Eu gostava daqui, era estranhamente confortável.
–Não posso ficar a vida inteira vivendo da boa vontade de Emily e Sam. – argumentei.
Ele pensou por um segundo e seus olhos voltaram a brilhar.
–Ei! Você pode morar na minha casa!
–O que?! Seth, ficou louco? – eu ri.
–Ah qual é? Eu posso falar com minha mãe – ele se levantou como que para mostrar sua disposição – ela vai concordar, tenho certeza!
–Seth, por favor, não faça isso. – pedi. – Não quero incomodar ninguém e sua mãe nem mesmo me conhece!
–Ah tá legal. Eu não vou pedir. – por alguma razão não acreditei em seu tom.
Seth sentou-se novamente.
–Mas mesmo assim obrigada. – sorri. – Você é muito legal. – disse do fundo do coração.
–Você também é muito legal. – ele sorriu. – Ei, quer saber de umas coisas legais sobre os Quileutes?
–Claro!
Assim passamos a tarde. Seth contara-me várias coisas sobre os lobos – nada que eu já não soubesse – mas, ouvi com atenção mesmo assim. Ler uma história era uma coisa, dessa vez eu estava vivenciando.
Imaginei se ele tinha permissão para contar certas coisas – até do imprinting ele falara, falou dos vampiros e os Cullens.
Seth parecia julgar-me como uma deles, algo que ainda me assustava. Só que era impossível pensar em coisas ruins estando em companhia de pessoas tão incríveis.
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