O Ordinário Homem-Aranha
6 Tempestade de areia
Notas iniciais
Peter conseguiu dar um jeito de prender o celular no ombro e escutar o podcast com os fones de ouvido por baixo da máscara. Como havia percebido na primeira impressão, Jameson estava com exaltação na voz.
—A Gruta, meus caros ouvintes, é uma farsa! Eu sempre disse, e repetirei sempre que necessário, que uma super prisão localizada em Nova York não daria certo. Não daria e não está dando certo! Três lunáticos escaparam! Três lunáticos que, não por coincidência, foram capturados pela mesma pessoa. Exatamente! O Homem-Aranha! Se ele está envolvido, vocês me perguntam, eu respondo que sem dúvida alguma aquele paquiderme aracnídeo está envolvido indiretamente na fuga!
—Ah, fala sério — resmungou Peter enquanto se balançava pelos prédios. Apesar da máscara, o jovem herói sentia uma mudança no ar.
—E explico mais! Indiretamente porque o cabeça de teia tem um álibi: Como nos noticiou o Clarim, o mais confiável portal de notícias deste país, o Homem-Aranha supostamente impediu um assalto ao banco. Mas deixo aqui uma hipótese: Ele e seus quatro comparsas fantasiados de Vingadores iam assaltar um banco, mas nosso fotógrafo chegou a tempo. Para passar a imagem de bom samaritano, aquela ameaça rastejante traiu seus parceiros e impediu um assalto que ele mesmo planejou E tem mais…
—Chega!
Peter ‘estacionou’ em um prédio, desligou o celular e o guardou junto com os fones de ouvido na mochila. Enquanto resmungava silenciosamente, seu sentido-aranha vibrou. Não muito abaixo de onde estava parado, uma poderosa tempestade de areia foi avistada. “Uma tempestade muito longe da costa”, pensou.
Voltou a se balançar e seguiu o rastro dos grãos de areia. Não se surpreendeu ao ver que entrava em uma joalheria. “Como imaginei.” Algumas pessoas saíram apressadas da joalheria.
Entrando pela porta da frente, Peter viu a tempestade se juntando e tomando a forma de um humano bem familiar com aquela camisa de listras alternando entre verde forte e fraco.
—Uau. Confesso que senti saudades de ver essa reconstituição física — falou o Homem-Aranha, pendurado de cabeça para baixo.
Flint Marko o olhou com surpresa e irritação.
—Homem-Aranha?! Como me achou?
—Sério? Uma tempestade de areia em Manhattan e pensou que ninguém notaria?
—Na verdade, pensei.
Homem-Areia transformou seu braço direito numa marreta e alongou seu corpo para atacar o Homem-Aranha, que largou a teia e saltou com os pés para frente. Num movimento surpresa, Flint se transformou numa bola de areia e engoliu o Homem-Aranha, logo se transformando novamente, desta vez assumindo a forma de uma guilhotina. O Aranha estava com as mãos e o pescoço presos enquanto via a lâmina bem acima de sua cabeça.
—Como diria a Rainha de Copas, cortem as cabeças!
A lâmina da guilhotina de areia desceu. Peter, num gesto rápido, disparou teias contra a parede e usou sua força aracnídea para puxar-se juntamente com Marko. Colidiram em um quadro contendo o nome e a foto do último funcionário do mês. O impacto desfez a guilhotina.
—Eu prefiro minha cabeça onde está. Obrigado.
Peter levantou-se com certa dificuldade, sentindo dor na cabeça. Já o Homem-Areia se recompôs como Flint Marko e criou a marreta de areia novamente, atingindo o Homem-Aranha contra algumas joias. Podia-se ouvir o alarme tocando. Irritado, Marko continuou batendo contra o herói.
As sirenes da polícia também eram ouvidas lá de fora. O barulho fez o Homem-Areia interromper a sequência de ataques.
—Droga, tenho que ir. Mas na próxima vez você não me escapa, Aranha.
Peter tentou fazer alguma piada, mas a dor era grande. Flint Marko se desfez mais uma vez como uma tempestade de areia e saiu pela porta da frente.
—Ótimo trabalho, Aranha — lamentou.
Peter viu uma foto caindo dos últimos grãos de areia. “Mas o quê?”. Era a imagem de uma garota com touca na cabeça e roupa cirúrgica. Havia uma mensagem desejando uma boa cirurgia à filha e que logo vão se reencontrar.
—Flint Marko tem uma filha?
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