O Novo Vizinho

1 Capítulo I: Primeiras Impressões


Notas iniciais
Essa vai de Presente de Aniversário pra uma pessoa simplesmente doida demais e, eu sei, que só sendo doida pra aguentar alguém surtada como eu! Parabéns FP_And... Tudo de bom pra você! Muita cerveja (com moderação), homens lindos (não cretinos) e tudo o mais que você quiser (principalmente o final de algumas histórias). Enfim... Após as felicitações vem a música! "Parabéns pra você! Eu só vim pra comer! A históóória, que é booom, não terminei de escrever (ainda)!" Para os leitores em geral! Espero que curtam essa fic será uma two-shot! o/ Enjoy! Ps: Não betado e personagens podem estar OOC! *disfarça* Música: https://www.youtube.com/results?search_query=call+me+maybe Call Me Maybe by Carly Rae Jepsen

Os quatro estavam na garagem do baixista, terminando de organizar os instrumentos, assim quando a vocalista chegasse eles poderiam iniciar o ensaio. Aquela banda havia sido criada há quase três anos, quando eles iniciaram o Ensino Médio, e agora tinham ganhado a chance de se apresentar no baile de formatura da escola e por isso estavam ensaiando loucamente.

— A Sakura vai demorar muito? — Gaara, o baixista, indagou entediado.

— Será que aconteceu alguma coisa com a Testa? Caramba ela nunca demorou tanto — Sai, o tecladista, disse quase curiosamente.

— Sai! Pare de chamar a Sakura-chan de “Testa”, sabe que ela vai acabar te matando qualquer dia desses e precisamos de você inteiro pro dia da apresentação — Naruto, o guitarrista, repreendeu em tom estridente.

— Ok, ok, pinto pequeno — rebateu com descaso.

— Filho da… — Naruto avançou sobre o garoto pálido, mas foi segurado com força e imobilizado.

— Calma, Naruto. Deixa esse idiota de lado — a voz de Kiba, o baterista, soou e ele largou o loiro assim que este deixou de se debater.

— Isso pinto pequeno, fica calmo — Sai deu um sorrisinho de deboche e quase foi atacado outra vez.

A porta da garagem, que dava para dentro da casa, foi aberta, dando passagem para uma, exageradamente, sorridente Sakura e isso impediu Naruto de atacar novamente Sai.

— Olá, meninos — cumprimentou com um gigante sorriso e estalou um beijo na face de cada uma deles.

Os quatro a encararam como se ela fosse um tipo de zumbi robótico do espaço e se afastaram alguns passos da vocalista. Sakura não era exatamente a mais amável das garotas e vê-la toda sorridente e saltitante era extremamente assustador.

— Aconteceu alguma coisa, Sakura-chan? — Naruto perguntou em tom levemente assustado.

Sakura, que já estava posicionada perto do microfone, virou-se pra ele e seus olhos verdes estavam brilhantes e, na opinião do loiro, aterrorizantes.

— Hoje eu o vi — falou empolgada.

— Viu quem? — Gaara indagou e franziu a testa, o que ressaltou sua falta de sobrancelhas.

— O amor da minha vida — anunciou e suspirou em seguida. — Vocês têm que ver o quanto ele é lindo e perfeito… — divagou sonhadoramente.

Os quatro se entreolharam e deram mínimos sorrisos.

— Eu dispenso, meu negócio não é macho — Kiba rebateu divertido e se acomodou em seu lugar, já pegando as baquetas.

— Eu ‘to fora também — Gaara levantou, ajeitando o baixo.

— Olha, se ele é tão perfeito assim é melhor eu ficar longe. Não ‘to a fim de me apaixonar também — Naruto falou teatralmente, levando a mão ao peito e fazendo todos rirem.

— Baka — Sakura repreendeu entre risos.

— Eu vou atrás desse cara — Sai falou sério e todos o encararam. — Alguém precisa salvá-lo da Testa!

— SAI! — Sakura jogou o microfone no moreno, que foi acertado no ombro.

— Ai, Testa! — resmungou revoltado. — Eu aqui tentando salvar uma vida e você sendo agressiva!

— Sai — Naruto repreendeu tentando conter o riso. — Certo, gente… Falta apenas um mês para o baile, vamos ensaiar por que temos muito trabalho ainda — comandou e se posicionou com a guitarra.

— Ok! — todos concordaram e começaram a ensaiar.

**********/////**********

Naruto e Sakura caminhavam em direção às suas casas. Eles eram praticamente vizinhos e se conheciam desde crianças; até partilhavam o sonho de serem famosos com sua banda. Naquele dia Sakura só comentava sobre o quanto sua paixão era linda e maravilhosa, mas não havia dado nenhum detalhe sobre as características dele.

Na verdade, mesmo que tivesse dito algo, Naruto não teria prestado atenção, já que estava divagando sobre a formatura, a visita dos pais e, principalmente, nas provas que teria que fazer no dia seguinte. Havia ficado em recuperação de algumas matérias e era o único da banda que ainda não estava totalmente de férias.

Seus pais tinham ficado loucos quando souberam disso.

Minato e Kushina estavam trabalhando em um estado vizinho e, para não atrapalhar os estudos dos filhos, haviam os deixado morando sozinhos. No entanto, ligavam todos os dias para saber notícias e Naruto sempre contava a verdade, mesmo que isso rendesse horas ouvindo sermão.

—… então ele tirou a camiseta e… — a jovem parou de falar ao perceber que a mente de Naruto estava longe, então suspirou. — ‘Tá me escutando, baka? — acertou um cascudo no loiro.

— Ai, Sakura-chan! — choramingou e massageou o local atingido. — Eu já entendi o quanto seu príncipe encantado é perfeito, lindo e tudo mais… — rebateu em um resmungo.

— Não te bati por isso — ela rebateu e cruzou os braços, fazendo um bico. — Te bati por não prestar atenção enquanto eu falo. Isso é falta de educação sabia?

Naruto sorriu e passou um braço sobre os ombros dela.

— Você sabe que ando aéreo por causa do baile, vai ser nossa primeira apresentação para um público não infantil — comentou empolgado e ambos riram ao se lembrar das vezes em que tocaram em festas infantis da vizinhança. — Além disso, amanhã tenho as provas de recuperação — Naruto explicou em quase pânico.

— Certo, eu te entendo, mas não tenho culpa de ter me apaixonado a primeira vista — afirmou com um suspiro.

Naruto gargalhou da expressão sonhadora de sua amiga.

— Bom, a vantagem disso é que você interpretou muito bem as músicas românticas — fez sinal de positivo com o polegar e lançou um brilhante sorriso a ela.

— Idiota — Sakura deu um soco leve no ombro dele e parou de andar ambos já estavam em frente a sua casa. — Amanhã o ensaio vai ser na sua casa, né?

O loiro assentiu:

— Vai ser melhor. Afinal, o Kurama já vai estar fazendo um favor em me substituir no ensaio, não quero obrigá-lo a ir até a casa do Gaara e tudo mais — Naruto sorriu coçando a nuca. — Tem uma bateria na garagem, Sai disse que pode levar o teclado sem problemas e Kurama tem uma guitarra.

— Certo então — Sakura sorriu. — Boa sorte amanhã com suas provas. Até mais! — despediu-se com um sorriso e correu pra dentro da casa.

— Valeu e até, Sakura-chan — acenou levemente e só voltou a caminhar quando viu a menina entrar.

A casa do loiro ficava a duas da dela e por isso eles sempre voltavam juntos dos ensaios, mas raramente iam juntos, pois Sakura geralmente ia direto do curso de teatro para a casa de Gaara.

Naruto caminhou os poucos metros que o separava de sua residência, mas estacou em frente ao imóvel que ficava ao lado do seu; havia um caminhão de mudança estacionado ali, mas o que chamou sua atenção foi um rapaz que lutava pra carregar uma pilha de quatro caixas de papelão, o monte estava alto o suficiente para impedir o loiro de ver seu rosto. Naruto sorriu e foi ajudar, afinal não custava nada ser legal com os novos vizinhos.

— Ei — chamou levemente e o rapaz estacou. — Quer uma ajuda? — indagou já pegando duas caixas e, assim, pode ver o rosto do outro.

Naruto travou ao se deparar com aquela imagem. Um rosto de traços finos, corado devido ao esforço de carregar peso e emoldurado por duas longas franjas negras; lábios estreitos e rosados; nariz afilado e arrebitado; olhos grandes e negros, tão escuros quanto seus cabelos. Certo… Seu novo vizinho era realmente lindo.

— As caixas estão realmente pesadas, sabe? — a voz grossa soou, tirando o loiro de seus pensamentos sobre o quão atraente o dono dela era.

Naruto riu, sem graça, e afastou-se carregando as duas caixas que havia pegado.

— Meu nome é Uzumaki Naruto — apresentou-se simpaticamente.

— Uchiha Sasuke — respondeu e acenou com a cabeça.

O moreno seguiu a frente de Naruto e empurrou a porta de entrada com o pé, chegaram ao hall; Sasuke colocou as caixas que carregava no chão ali e indicou que Naruto poderia fazer o mesmo.

— Valeu pela ajuda, cara — Sasuke se virou e deu um pequeno sorriso.

Então Naruto deparou-se com o peito desnudo do outro – como não tinha percebido que ele estava sem camisa? – e se esforçou para não babar. Seu novo vizinho, definitivamente, era lindo e gostoso. O moreno arqueou uma sobrancelha ao perceber que o outro havia ficado, novamente, aéreo e seu pequeno sorriso aumentou de tamanho; mas antes que pudesse despertá-lo de seu torpor uma terceira pessoa apareceu no hall e fez Naruto voltar a si.

— Otouto os lanches… — o homem parou de falar ao ver o loiro, então deu um pequeno sorriso amigável. — Oi, sou Uchiha Itachi — apresentou-se e estendeu a mão para o adolescente.

Naruto devolveu o sorriso e aceitou o cumprimento. Aquele homem tinha traços muito parecidos com Sasuke, mas, na opinião dele, não era tão bonito quanto.

— Yo, Itachi-san, eu sou Uzumaki Naruto — falou de maneira alegre.

—Uzumaki? É nosso vizinho do lado, então? — finalizou o cumprimento e arqueou uma sobrancelha.

— Sou sim, como sabe? — questionou curioso.

— Bom… — Itachi começou e antes que dissesse algo mais, seu irmão interrompeu.

— ‘Tá falando do ruivo grosseiro que ajudou você e o pai a trazerem a estante pra dentro de casa? — Sasuke questionou arqueando uma sobrancelha. — É a simpatia em pessoa — girou os olhos.

— Sasuke! — Itachi repreendeu tenso, mas relaxou ao escutar a gargalhada gostosa soltada pelo loiro.

— Vocês conheceram Kurama, meu irmão mais velho. E sim, Sasuke, ele é a encarnação da simpatia — concordou entre risos.

Sasuke observou atentamente a atitude do outro e não conseguiu deixar de sorrir de lado quando este parou de rir e lhe estendeu um sorriso enorme e sincero. Itachi balançou a cabeça ao ver a atitude do irmão e já estava prevendo problemas, mas decidiu preocupar-se com isso depois.

— Eu preparei uns lanches, gostaria de comer conosco, Naruto-kun? — Itachi convidou.

Naruto sorriu e balançou a cabeça em negativa:

— Agradeço pelo convite, Itachi-san, mas tenho que ir pra casa. O ruivo grosseiro deve estar me esperando — afirmou, dando uma leve risada e virou-se para a porta. — Até outro dia e sejam bem-vindos — acenou e saiu da casa.

Sasuke observou, com um sorriso ladino preso aos lábios bonitos, todos os movimentos do loiro até ele desaparecer de vista.

— Otouto, eu conheço essa expressão…

— Que expressão, Itachi-nii? — indagou quase inocente.

— A que você faz toda vez que marca uma nova “presa” — fez aspas com os dedos. — Você nem sabe se ele é gay, Sasuke.

— Um hetero não secaria outro cara do jeito que ele me secou — Sasuke respondeu debochado e fechou a porta de entrada.

— Sasuke, ele parece ser um cara legal, tente ser apenas amigo dele — Itachi insistiu.

— Quem disse que não poderemos ser amigos? — o mais novo arqueou uma sobrancelha. — Mas não posso evitar tentar algo a mais, afinal ele é bonito demais pra ser desperdiçado.

— Sinto saudades da sua época de timidez — Itachi declarou dramático.

— Culpe a mãe e as aulas de teatro que ela me obrigou a fazer — rebateu quase divertido. — Agora vamos lanchar, aniki — chamou e saiu caminhando para dentro da casa.

Itachi o acompanhou com os olhos e suspirou.

— E lá vamos nós tendo que aguentar outra “ex-conquista” histérica, apaixonada e chorosa — resmungou.

Era sempre assim. Sasuke achava alguém bonito, podia ser homem ou mulher, ele não ligava; conquistava a pessoa em questão, sem nenhum esforço; ficava um tempo com ela, geralmente dias; enjoava e por fim a chutava. Depois Itachi, e seus pais, tinham que aguentar as “coisinhas” perseguindo seu otouto e fazendo bizarrices para reconquistá-lo. Era uma grande merda.

**********/////**********

Naruto entrou em casa sorridente e sentiu o odor de seu prato preferido: lamen de porco. Por isso praticamente correu até a cozinha, onde encontrou um homem alto, de longos cabelos vermelhos; era seu irmão e, pelo visto, estava terminando de fazer o jantar.

— Yo, Kura-nii — cumprimentou sorridente.

— Yo, gaki — Kurama acenou com a cabeça. — Onde estava? Se perdeu outra vez? — indagou zombeteiro, enquanto colocava lamen para si e dava espaço para o mais novo se servir. Logo se sentou a mesa e começou a comer.

— Palhaço — resmungou revoltado. Ele só havia se perdido uma vez, quando tinha oito anos e agora, quase dez anos após o ocorrido, seu irmão ainda fazia questão de lembrar. — Fui ajudar o novo vizinho com umas caixas — respondeu em tom forçadamente controlado, enquanto se acomodava em frente ao irmão na mesa.

Kurama parou de comer e encarou o irmão, seus olhos azul-índigo refletiram um pouco de curiosidade, afinal ele conhecia aquele tom de voz:

— Qual dos dois irmãos chamou sua atenção? — questionou de maneira direta, mas com um malicioso sorriso nos lábios.

Naruto quase girou os olhos, parecia que seu irmão tinha um maldito sexto sentido estúpido. Ao menos ele, e seus pais, já tinham aceitado sua homossexualidade.

— Fala logo, gaki. O cara das olheiras ou o que tem rosto de boneca? — deu uma risadinha debochada.

— O Sasuke — respondeu depois de um suspiro. — Ele é bonito pra cacete, acho que nunca vi um cara tão bonito.

Kurama continuou o encarando em silêncio e então Naruto girou os olhos.

— O que tem cara de boneca, Kurama — respondeu divertido.

— Ah ‘tá — deu de ombros. — Boa sorte com ele e se precisar de alguma ajuda, não conte comigo por que não tenho tempo pra esse tipo de coisa.

Naruto riu e negou com a cabeça.

— Não vou precisar de ajuda pra nada, Kurama. Sasuke é bonito e me chamou a atenção, ponto. Não é nada demais — disse com descaso e começou a comer.

— Certo — o mais velho assentiu.

Ficaram um tempo em silêncio, na verdade, a cozinha era preenchida pelo som de Naruto comendo como um ogro. Logo ele suspirou satisfeito e bateu na barriga; Kurama não havia chegado nem na metade do próprio prato.

— Gaki, qualquer dia desses, você vai morrer engasgado — murmurou o mais velho.

— Morro nada — Naruto sorriu brilhantemente, mas logo o sorriso diminuiu um pouco. — Não esquece que amanhã o pessoal vai vir ensaiar, tente ser legal.

— Eu não sou legal? — Kurama arqueou uma sobrancelha em fingida indignação. — Eu até ofereci um suco pra eles da última vez que vieram aqui.

— Você deu um banho de suco no Sai e ainda tentou acertá-lo com o copo depois — Naruto respondeu com olhos estreitos.

— Não se esqueça de que eu ameacei cortar o pinto dele com uma peixeira — Kurama pontuou e lançou um sorriso que mostrava todos os seus dentes, evidenciando as presas salientes. — E pode ter certeza que depois disso ele aprendeu a não me dar apelidinhos escrotos.

— Kurama, você não presta — afirmou rindo do mais velho.

— Eu sei — piscou e terminou de comer. — Agora é melhor você ir descansar, gaki, amanhã você vai ter um dia cheio.

— Certo — o loiro assentiu, colocou o recipiente que tinha usado na pia e foi saindo da cozinha. — Boa noite, Kurama.

— Boa — o ruivo respondeu em tom neutro, indo até a pia para lavar a louça do jantar.

Naruto seguiu para o andar de cima, onde ficavam os quartos, e deixou sua mente divagar sobre seu novo e atraente vizinho.

**********/////**********

Na manhã seguinte Sasuke despertou ao escutar alguém falando muito alto e rindo. Irritado com o barulho, ele foi até a janela e obervou o quintal da casa ao lado, onde havia um grupo de quatro pessoas paradas na entrada da garagem de Naruto.

— Mas o quê? — murmurou e sua curiosidade cresceu ao perceber que um ruivo carregava uma bolsa para guitarra as suas costas, que poderia conter um contra baixo também, Sasuke não sabia.

Então o Uchiha viu a porta da garagem abrir e um carro sair de lá, parando bem em frente. Em seguida o ruivo grosseiro, irmão de Naruto, saiu do carro e o fechou, fazendo sinal ao grupo que seguiu para a garagem.

O Naruto me entregou a lista de músicas para o ensaio de hoje ­— a voz estridente da única garota do grupo soou, pouco antes dela desaparecer garagem adentro. Sasuke percebeu que foi aquela voz que o acordou.

— Naruto tem uma banda? Isso é interessante — sorriu de lado e foi fazer sua higiene matinal.

O Uchiha tinha planejado arrumar as coisas em seu quarto naquele dia, mas agora achava que a grama do quintal estava precisando ser aparada e, devido ao calor do sol das onze, ele teria que fazer isso sem camisa.

Sorriu com o pensamento.

**********/////**********

Kurama tinha permitido a entrada dos adolescentes e quase sorriu quando percebeu que Sai tentava manter o máximo de distância possível. Ele não tinha nada contra nenhum dos amigos de seu irmão, até aguentava bem a histérica de cabelo excêntrico.

Todos o cumprimentaram e começaram a se preparar para o ensaio, incluindo ele que estava com a própria guitarra em mãos, já fazendo uma breve afinação.

— Kurama-kun — a voz de Sakura chamou sua atenção e ele encarou a menina que o olhava com certa expectativa.

— O quê? — o ruivo a olhou com atenção.

— Você conheceu seus novos vizinhos? — Sakura indagou sem esconder a empolgação.

Kurama arqueou uma sobrancelha.

— Conheci ontem, mas nem me pergunte os nomes, eu não sei se vou me lembrar — respondeu distraído e voltou a dar atenção a sua guitarra.

— Entendi — soltou decepcionada. — É que um deles é tão bonito, acho que me apaixonei a primeira vista.

Kurama arregalou os olhos e voltou a fitá-la, enquanto escutava risos dos outros rapazes, eles pareciam se divertir com a ideia de vê-la apaixonada. Ele compreendia aquilo, afinal Sakura fazia bem o tipo garota inalcançável e sempre dispensava todas as declarações que recebia. O ruivo nunca entendeu o motivo de ela receber tantas, até seu irmão teve uma paixonite por ela na infância.

— Qual deles? — o Uzumaki indagou intrigado.

— O… — Sakura foi interrompida por um barulho alto, parecendo o ronco de um motor. — O que é isso?

Gaara foi até a porta da garagem e olhou o quintal do vizinho, vendo um rapaz de cabelo escuro e arrepiado atrás, usando um cortador de grama elétrico para aparar o gramado do quintal.

— É um cara com um cortador de grama — Gaara respondeu com tédio. — Ele é o novo vizinho, acho.

Sakura correu pra porta e praticamente empurrou o ruivo mais novo, para poder conseguir ver o tal cara. Assim que enxergou a figura máscula, soltou um suspiro. Ele estava distraído cortando a grama e não usava camisa, dando a Sakura a visão das costas largas e bem trabalhadas.

— É ele Kurama-kun — indicou em tom sonhador.

O Uzumaki foi até ela e soltou uma risadinha: aquele era o irmão que tinha cara de boneca… Qual era o nome? Ah…

— Se não me engano, o nome desse ai é Sasuke.

— Sasuke — a Haruno disse o nome, como se pudesse saborear o som. — Nome lindo igual ao dono.

O resto do grupo se amontoou ao redor dela pra poder enxergar Sasuke, mas nenhum dos caras viu nada demais nele. Kiba e Sai perceberam que ele usava fones e por isso, provavelmente, não havia notado que era alvo da atenção deles.

— Vai lá falar com ele, Sakura — Kiba incentivou e fez sinal de positivo.

— Eu não! — ela exclamou em pânico. — Ontem eu passei na frente dele várias vezes e ele nem pareceu me notar, não posso chegar assim do nada e dizer “oi”.

Kurama a olhou e se lembrou do que seu irmão tinha contado ontem. Provavelmente Naruto tinha feito exatamente aquilo.

— Então temos que fazê-lo te notar — Gaara afirmou calmamente.

— E como podemos fazer isso? — Kiba indagou curioso.

— Eu tive uma ideia — Sai anunciou e seus olhos brilharam de um jeito estranho.

Kurama apenas observava a interação deles, ficou interessado em saber até aonde aquilo iria.

— Qual ideia? — Sakura indagou ansiosa.

— Kurama, o que acha de alguém lavar seu carro de graça? — Sai indagou com um sorrisinho.

O Uzumaki rapidamente entendeu a ideia do garoto e não pode se impedir de rir.

— Fiquem à vontade — assentiu e sorriu de lado. — Enquanto vocês fazem isso, eu vou ali e já volto — disse. Em seguida se levantou e entrou na casa pela porta de acesso que havia ali. Ele queria ver aquela cena de camarote e nada melhor que sua varanda.

**********/////**********

Itachi estava na varanda do próprio quarto tentando ficar um tempo longe de toda a bagunça que estava em seu quarto. Ele arqueou uma sobrancelha ao olhar pra casa vizinha e ver uma adolescente de cabelo cor-de-rosa, que usava uma regata leve branca e um short jeans curto, ser empurrada para perto de um carro. Depois dois garotos entregaram um balde e uma esponja a ela e fizeram sinais de incentivo, entrando na garagem em seguida.

— O que é isso? — questionou-se intrigado e dobrou a atenção sobre a cena.

A jovem começou a esfregar o carro, enquanto lançava olhares em direção ao seu quintal, só então Itachi percebeu que Sasuke estava ali, sem camisa, cortando distraidamente a grama.

— Então é isso — riu levemente e se apoiou na grade de proteção da varanda. — As loucuras já começaram.

A garota molhou a esponja e passou no capô, aquilo fez bastante espuma e então ela comoçou a esfregar, todos os movimentos dela tinham a intenção de serem sensuais. Ela inclinava o corpo pra frente, colocava a perna sobre o capô, abaixava e levantava; tudo lentamente e sempre olhando em direção a Sasuke. Já seu otouto parecia não se importar com aquilo e estava até murmurando algo, provavelmente cantarolando a música que tocava em seu aparelho celular.

Então, de repente, a menina escorregou no sabão, soltou um grito estridente e caiu no chão. Itachi arregalou os olhos, mas desistiu de fazer alguma coisa quando viu que finalmente Sasuke tinha percebido a presença da garota. Seu irmão correu até onde ela estava caída, se ajoelhou ao seu lado e se inclinou pra frente, parecia tentar ver se ela estava acordada.

— Isso foi realmente engraçado — a voz rouca e risonha chamou a atenção do moreno, que se virou em direção a varanda próxima à sua e deparou-se com o ruivo do dia anterior. — Não acha? — Kurama indagou sorrindo de lado.

— Foi engraçado até a garota beijar o chão — Itachi rebateu preso entre a seriedade e a zombaria.

— Não se preocupe com isso — fez um gesto de descaso. — Ela deve estar bem, só que resolveu fazer charminho pra ganhar o beijo do príncipe — zombou e riu.

Itachi apenas soltou uma leve risada e ambos voltaram a prestar atenção no que acontecia lá embaixo.

**********/////**********

Sakura estava sentindo sua cabeça doer e, mais que isso, seu orgulho também estava profundamente ferido. Como ela conseguiu a proeza de escorregar no concreto? Essas coisas só aconteciam com ela.

— Ei, você está bem? — a voz máscula e preocupada soou, fazendo-a sentir vergonha e ansiedade. — Garota? — sentiu um toque em seu rosto e abriu lentamente os olhos.

Ali estava seu príncipe a encarando com aqueles profundos olhos negros e tão de perto que Sakura conseguia sentir o gostoso perfume amadeirado. Só faltava o beijo e ela poderia morrer feliz.

A rosada fez um biquinho, ainda com os olhos semicerrados, e isso fez Sasuke franzir o cenho. O que era aquilo? Abriu um sorriso de lado e balançou a cabeça em negativa.

— Você está bem? — questionou com voz firme, despertando-a completamente de seus devaneios românticos.

— Eu… Ahn — Sakura murmurou sentindo o rosto quente e se sentou, com auxilio de Sasuke. — Estou bem sim.

— O que você estava fazendo? — o Uchiha não aguentou e acabou perguntando, só pra vê-la ainda mais envergonhada. Aquilo estava sendo engraçado e por isso ele sorriu.

Sakura arregalou os olhos e emudeceu, parte por estar encantada com aquele sorriso e parte por estar envergonhada. Como poderia dizer que estava tentando chamar a atenção dele? Caramba! Ela mataria Sai pela ideia estúpida, depois mataria aqueles outros dois idiotas por a terem convencido e por último se mataria por ter aceitado toda aquela palhaçada.

— Ela estava lavando o carro e escorregou, oras — Gaara apareceu ao lado de Sasuke e respondeu em tom calmo.

O moreno o encarou e se levantou, puxando Sakura pela mão para fazê-la ficar em pé também e a soltou assim que alcançou seu objetivo.

— Então é melhor tomar mais cuidado, garota — Sasuke orientou com voz neutra.

— Eu tomarei — ela sorriu. — Obrigada por ter me ajudado, meu nome é Haruno Sakura — apresentou-se com voz doce.

— Uchiha Sasuke — correspondeu em tom neutro e virou para o ruivo. — Você é?

— Sabaku no Gaara — deu um mínimo sorriso. — E aqueles ali — apontou para dois rapazes que estavam na garagem se recuperando de um ataque de risos — são Inuzuka Kiba e Shimura Sai.

— Yo — os dois acenaram aos risos, mas ficaram estáticos ao receberem um olhar mortal da Sakura.

— Vocês têm uma banda? — Sasuke questionou.

Sakura sorriu empolgada e seus olhos brilharam.

— Temos sim, vamos começar a ensaiar agora. Quer assistir? — convidou alegre.

— Pode ser — deu um meio sorriso.

Sakura assentiu e entrou na garagem, seguindo para dentro da casa do amigo. Ela tinha dormido várias vezes lá e sabia que tinha alguma roupa dela ali. Assim que chegou perto das escadas, deparou-se com Kurama que descia sem esconder a expressão de deboche.

— Acho que deve ter uma roupa sua no quarto de hospedes — ele disse divertido e deu espaço pra ela passar.

A rosada subiu as escadas praticamente aos pulos, passando por Kurama e evitando encará-lo nos olhos devido a vergonha que sentia. Já o ruivo seguiu para a garagem, onde encontrou seu vizinho conversando com os outros integrantes da banda.

— Vamos começar logo esse ensaio? — perguntou enquanto voltava a ajeitar a guitarra.

— Certo! — Kiba falou empolgado e foi até a bateria.

— Temos que esperar a Sakura voltar — Gaara afirmou.

— Ela já vem, só foi trocar de roupas — Kurama comentou não escondendo o tom divertido.

— Você viu a cena? — Sai indagou sorrindo de lado.

— Eu não vi nada, não sei de nada e é melhor vocês esquecerem — Kurama ditou calmamente. — Se não esquecerem ela vai esmurrá-los até sentir-se satisfeita e eu vou ganhar alguns acessos no YouTube — riu levemente ao ver os garotos fazerem caretas.

— Você é o líder da banda? — Sasuke pronunciou-se pela primeira vez. Kurama, quando entrou, reparou que ele havia ficado levemente decepcionado ao vê-lo se posicionando com a guitarra. Quem será que ele estava esperando?

— Na verdade o líder da banda… — Kiba começou falando, mas foi interrompido pela entrada intempestiva de Sakura, que agora vestia uma calça jeans e uma camiseta rosa de alcinha. Os integrantes arquearam a sobrancelha ao perceberem que ela tinha passado batom e lápis de olho.

— Pronto, meninos. Podemos começar com o ensaio — anunciou alegremente e se posicionou perto do microfone.

— Vamos começar com qual? — Sai indagou.

— “Call Me Maybe”, pode ser? — Sakura sugeriu, mas lançou aquele olhar de “vai ser essa e não discutam”. Depois se virou para Sasuke com um sorriso.

Kurama soltou uma risadinha ao ver os olhares “charmosos” que a garota lançava para Sasuke, enquanto este não percebia ou ignorava deliberadamente. Gaara também percebeu, mas decidiu ignorar a situação, estava ali pra ensaiar e ponto.

— Certo então — Kiba fez a contagem e logo começaram a tocar.

***********/////**********

Naruto vinha praticamente saltitante pela rua, cumprimentava todos que passavam por ele com um enorme sorriso, isso incluía os pombos, os cachorros e pessoas desconhecidas. Ele havia passado de ano, raspando, mas isso não importava; o importante era concluir o Ensino Médio. Chegou à sua casa e viu o carro de Kurama do lado de fora da garagem, o que já era esperado, e escutou uma música.

Hey, I just met you,
And this is crazy,
But here's my number,
So call me, maybe?

Naruto riu ao compreender que Sakura ainda estava na onda de romantismo e amor à primeira vista. Seguiu para a entrada principal rapidamente, sem nem lançar um olhar em direção à garagem; não queria chamar a atenção deles, pois precisava comer alguma coisa antes de ensaiar.

It's hard to look right,
At you baaaabeh,
But here's my number,
So call me, maybe?

Entrou cantarolando a dita música, passou pela sala jogando a mochila no sofá e seguiu para a cozinha. Assim que abriu a geladeira e pegou um pedaço do bolo que havia ali, escutou baterem à porta e franziu o cenho. Nesse mesmo momento a voz de Sakura parou de soar e o silêncio reinou.

Suspirando, por achar que era um de seus amigos para cobrar o ensaio, se arrastou até a entrada da casa; abriu a porta e deu de cara com Sasuke sem camisa, novamente. Aquele cara tinha alguma coisa contra aquela parte da vestimenta?

— Sasuke?! — disse sem esconder a surpresa.

— Yo, Naruto — acenou levemente com a cabeça e deu um sorriso ladino.

— Precisa de ajuda com alguma coisa? — indagou amigavelmente e sorriu.

Sasuke ficou momentaneamente estático perante aquele sorriso e fez sua mente trabalhar freneticamente para arrumar uma desculpa. Assim que viu Naruto passar ficou com vontade de segui-lo e após um pequeno tempo de hesitação, resolveu se deixar levar pelo impulso, mas não tinha pensando no que dizer exatamente.

— Na verdade… — Sasuke começou e quase se bateu por nada vir a sua cabeça, até que uma ideia brilhante surgiu. — Eu ‘to precisando de uma ajuda pra levar umas caixas até meu quarto e, já que meu irmão tá ocupado, bom… — disse hesitante e passou a mão na nuca massageando o local. Aquela ação sempre chamava atenção e não foi diferente daquela vez.

Naruto acompanhou o movimento do moreno e sentiu a boca secar ao ver os músculos de seu tórax e abdômen se estenderem quando ele levantou o braço, isso evidenciou as gotículas de suor que havia na tez pálida, fazendo o loiro ter vontade de… Naruto piscou, voltando a si. Que merda ele ‘tava pensando?

— Claro, que eu ajudo — o Uzumaki sorriu e saiu da casa, fechando a porta atrás de si. — Vamos então…

— Mas você ‘tá comendo — Sasuke disse, só percebendo que o loiro segurava um pedaço de bolo naquele instante.

— Relaxa — Naruto piscou casualmente e abocanhou metade do pedaço de bolo.

Sasuke sentiu uma súbita vontade de comer bolo, mesmo não gostando de doces. Itachi que o perdoasse, mas ele não conseguiria ter apenas amizade com aquele loiro, mas talvez se contentasse com uma amizade colorida.

— Vamos logo, Sasuke — Naruto chamou ao vê-lo estático.

Sasuke assentiu e ambos seguiram para sua casa.

**********////**********

Sakura estava interpretando as músicas sem muita empolgação, já que ainda estava chateada por Sasuke ter saído na metade de sua apresentação. O que será que ela tinha feito de errado? Ele tinha achado sua voz ruim?

O pessoal da banda havia ficado tão chocado que ninguém se dignou a verificar para onde o Uchiha tinha ido; tudo que fizeram foi para de tocar a música e iniciar outra, evitando falar qualquer coisa para não piorar a situação constrangedora.

Já Kurama tinha entendido exatamente o que tinha acontecido. Ele viu seu irmão passar e percebeu que Sasuke também viu e foi depois disso que o Uchiha saiu andando, deixando os integrantes da banda com cara de pateta. Pelo jeito Naruto tinha despertado interesse nele, só esperava que isso não fosse render nenhum problema para seu irmão, afinal Sakura e ele eram muito amigos.

— Gente, podemos terminar o ensaio amanhã? Eu não ‘to muito bem — Sakura falou apática.

— Por mim tudo bem — Gaara se pronunciou compreensivo.

— Eu tenho que ir pra casa também, é dia de levar Akamaru ao veterinário — Kiba disse em tom neutro, não queria dar a entender que estava com pena da rosada.

— É melhor mesmo, eu te acompanho até sua casa — Sai, pela primeira vez, não soou debochado e nem frio.

— Eu fico aqui e ajudo Kurama a arrumar a garagem — Gaara pronunciou calmo. — Seu teclado vai ficar aqui, Sai?

— Depois eu busco — o moreno afirmou, enquanto seguia com Sakura para fora daquele local. Ambos acenaram e seguiram em direção à residência da rosada.

— Tchau gente — Kiba acenou e saiu também.

Kurama e Gaara começaram a organizar as coisas em silêncio, que foi quebrado pelo ruivo mais novo:

— Ele nem liga pra Sakura, né? — indagou em tom neutro.

Kurama o olhou de canto, enquanto cobria a bateria com uma lona e balançou a cabeça em negativa.

— Acho que ele ‘tá em outra — respondeu no mesmo tom.

— Em outra? Ele já conheceu alguém aqu… — Gaara se interrompeu, parou de guardar o teclado de Sai e arregalou os olhos. — Naruto?

— Gaara você é realmente esperto, por isso simpatizo com você — Kurama piscou e se esticou. — Ele viu Naruto passando e o seguiu, por isso foi embora.

Gaara soltou um riso leve e voltou a ajeitar o teclado. Colocaram tudo no lugar, Kurama guardou o carro e depois foi almoçar, Gaara ofereceu-se para ir com ele e não aceitou uma negativa.

**********/////**********

Naruto colocou a última caixa no chão e se alongou, fazendo Sasuke ficar vidrado no pedaço de pele bronzeada que apareceu quando a camisa laranja dele levantou um pouco.

— Essa foi a última, Sasuke — disse após voltar ao normal. — Agora me diz: pra que um cara tem tanta bugiganga? Tu ‘tá pior que minha amiga Sakura — zombou e deu uma gargalhada ao receber um olhar raivoso do moreno, que estava sentado na cama.

— Para de rir, dobe — bronqueou e jogou um travesseiro, que antes estava jogado sobre sua cama, no outro.

— Quem é dobe? — Naruto, por reflexo, segurou o travesseiro e franziu o cenho.

— Você — Sasuke rebateu simplesmente e o olhou com superioridade.

— Ora, seu — Naruto rosnou e saltou sobre o outro.

Naruto estava com os joelhos no colchão, sentado sobre o abdômen de Sasuke para imobilizá-lo, enquanto o acertava várias vezes com o objeto macio. O Uchiha ficou tão surpreso com a atitude do loiro que só conseguiu tentar se defender e rir dele.

— Quem é dobe agora, teme? — o loiro perguntou rindo, mas o riso morreu quando ele realmente reparou no rosto corado e ofegante do garoto abaixo de si.

Paralisado, Naruto viu a respiração de Sasuke voltar ao normal, enquanto um lindo sorriso permanecia preso aos lábios finos.

— O que foi, dobe? — o Uchiha sussurrou, gostando da expressão desejosa que surgia no rosto bonito de Naruto.

O Uzumaki não disse nada, apenas se inclinou em direção ao outro, vendo Sasuke levantar a cabeça e quando os lábios roçaram levemente…

— Garotos eu fiz o alm… — Itachi arregalou os olhos ao ver a posição comprometedora dos dois. Seu irmão, provavelmente, tinha batido um novo recorde.

Naruto saltou para longe de Sasuke quando escutou a voz de Itachi e o encarou com olhos arregalados.

— O que você quer, aniki? — Sasuke não disfarçou a raiva. O moreno apoiou os cotovelos no colchão, para poder içar o tronco e fuzilar o mais velho com os olhos.

— Eu disse que fiz o almoço e hoje você não pode negar o convite, Naruto-kun — sorriu para o loiro, vendo-o acalmar-se imediatamente.

— Eu aceito sim, Itachi-san — assentiu e coçou a nuca, gesto que indicava constrangimento.

Novamente a camisa laranja levantou-se e Sasuke automaticamente olhou naquela direção. Cara! Ele iria matar Itachi mais tarde.

— Então vamos — Itachi agarrou o punho de Naruto e o puxou pra fora, se não fizesse isso, Sasuke ia agarrá-lo.

— Droga, Itachi — Sasuke murmurou e relaxou contra o colchão. — Mas agora já sei que posso investir pesado — sorriu maliciosamente.

Levantou e seguiu para a cozinha, já escutando a voz alta de Naruto.

— Então seus pais ainda não vão morar aqui com vocês? — o loiro indagou curiosamente. Ele estava acomodado próximo ao balcão que separava a cozinha da sala e encarava Itachi, que estava servindo os pratos com macarrão.

— Isso mesmo — Itachi assentiu. — Eles vão ficar esse mês acertando os últimos detalhes da transferência do trabalho deles.

— Parece Kurama e eu — Naruto constatou sorridente. — Moramos sozinhos, pois meus pais trabalham em outro estado, mas não quiseram atrapalhar nossa rotina.

— Há quanto tempo vocês vivem assim? — Sasuke indagou, entrando na conversa.

— Pouco mais de um ano — afirmou e sorriu para Sasuke. — É até legal, mas as cobranças continuam iguais — deu de ombros e agradeceu quando Itachi lhe entrou o prato.

— Fugaku-sama nunca nos deixaria morar assim — Sasuke soltou um riso pelo nariz e também agradeceu quando recebeu a própria refeição.

— Ele só aceitou ficar esse mês longe por que não tinha opção, afinal não vai ter pausa no trabalho; portanto, não teria tempo de arrumar a casa — Itachi concluiu e girou os olhos.

Naruto soltou uma risada leve pela atitude dos dois e logo engataram em um novo assunto. Os três aproveitaram bem o almoço e o resto da tarde, sendo que o loiro ficou por lá ajudando no que era possível, mas evitou ao máximo ficar sozinho com Sasuke pra não passar por outra situação constrangedora.

— Valeu pela ajuda, Naruto-kun — Itachi agradeceu quando o loiro foi se despedir dele, que agora estava arrumando o quarto dos pais.

— Por nada — acenou distraidamente e sorriu.

— Eu te levo até a porta — se ofereceu.

— Não precisa. O teme me trouxe, é obrigação dele fingir educação e me levar até a porta— piscou divertido, fazendo Itachi rir.

— Eu ouvi isso! — Sasuke gritou do próprio quarto, que ficava ao lado daquele.

— Tchau — Naruto acenou e saiu.

Itachi ficou encarando o local onde antes o loiro estava e deixou um pequeno sorriso permanecer em seu rosto. Era a primeira vez que Sasuke interagia daquela forma natural com alguém, sem ser da maneira seca ou se fingindo de galã. Isso era bom.

Naruto seguiu com Sasuke até a porta e ambos debatiam sobre a banda do loiro. Ele já havia explicado o motivo de não ter ensaiado e ficou surpreso ao saber que o moreno tinha visto parte do ensaio.

— Depois você tem que ir assistir a um ensaio meu — Naruto convidou empolgado. — Sabe tocar algum instrumento?

— Arrisco um pouco no violão, mas dizem que eu canto bem — Sasuke se gabou.

— Quem disse isso? As garotas do tal fã clube que o Itachi falou que você tinha? — Naruto debochou. — Elas devem falar qualquer coisa pra te agradar, teme! — riu.

— Idiota! — acertou um soco leve no ombro do mais jovem.

Os dois já estavam na porta e ficaram rindo por um tempo, até caírem em um silêncio agradável.

— Até mais, teme — Naruto despediu-se dando um pequeno sorriso.

Sasuke o encarou e desistiu de conter a vontade que estava o sondando desde o ocorrido no quarto. Puxou o loiro pela gola da camisa e capturou os lábios medianos dele em um beijo profundo e intenso. Naruto, após um breve choque, se entregou ao beijo e segurou a cintura de Sasuke, o puxando para si, enquanto intensificava mais o contato.

Os dois ficaram ali por um tempo, atracados naquele beijo. Sasuke, para sorte do loiro, ainda estava sem camisa e isso permitiu a Naruto acariciar lentamente as costas pálidas e macias, fazendo o moreno suspirar levemente durante o beijo. Sasuke finalizou o contanto mordendo o lábio inferior de Naruto, ambos se afastaram devagar e se encararam ofegantes.

— Até mais, dobe — Sasuke sussurrou e se afastou com um sorriso ladino.

Naruto o viu fechar a porta e seguiu correndo para sua casa. Tinha um sorriso gigante nos lábios e sentia o coração palpitando loucamente dentro do peito.

— E você disse que não era nada, hein? — a voz de Kurama o sobressaltou. O ruivo estava parado em frente a porta da casa deles e tinha um sorriso no rosto.

— Eu geralmente estou errado, aniki — Naruto rebateu e riu.

Kurama o acompanhou na risada e entrou, sendo seguido pelo loiro, que começou a falar sobre as provas que tinha feito naquela manhã e sobre o dia com os Uchiha. Já o ruivo só ficava imaginando o que iria acontecer quando Naruto descobrisse sobre Sakura e ela sobre ele. Seria interessante.

Notas finais
Eaeeee?? Suave? Curtiram a fic? E tu aniversariante? O que achou? Baseado bem livremente mesmo, mais pra lá do que pra cá! kkkkkk Espero que tenha gostado! :) Sacaram as partes conectadas ao clipe? (eu sempre me acabo de rir com aquele clipe e com suas variações, não é, FP_And?). Enfim... Espero que tenham curtido, podem comentar e favoritar a vonts! xD Até o próximo capítulo! Beijos Beijos