O Novo Mundo
3 Capítulo 3 - Confiança
Notas iniciais
Passamos um tempo observando aquele cara, ele não parecia um psicopata ou um sociopata, na verdade, me lembrava um colega de faculdade. Não vi nenhuma outra arma com ele além de um facão preto de, mais ou menos, 45cm com um cabo de madeira marrom escuro e uma faca de caça prateada com o cabo em madeira vermelha que ele estava limpando.
Resolvi me aproximar, mas claro que de uma maneira não tão amigável, afinal tenho que proteger Jenny. Olhei para ela, que olhava atentamente para o estranho, analisando todos os movimentos dele, dei um pequeno sorriso e percebi que não era hora de sentimentalismo, então disse à ela:
“Fica abaixada aqui e atenta pra qualquer coisa que acontecer, se você ver alguma coisa, me avise. Vou falar com ele, não sai daqui.” Ela assentiu e eu levantei empunhando minha arma e dizendo:
“Diga qual seu nome, se você tem alguma arma além dessas e de onde você veio.” Falei de um folego só da forma mais autoritária possível. Ele olhou pra mim, levantou as mãos acima da cabeça e... Sorriu? Esse cara só pode ta brincando comigo, que tipo de pessoa em sã consciência iria sorri para alguém que está apontando um arma para sua cabeça?
“Bom, meu nome é Samuel, mas pode me chamar de Sam, não tenho nada além das duas facas, que foram bem úteis até agora, e venho da califórnia que é de onde vocês também veem, provavelmente.” Disse ele ainda sorrindo. “Você pode abaixar a arma? Não me sinto muito confortável com uma arma apontada pra minha cabeça.” E o sorriso ainda estava lá, esse cara é louco? Abaixei minha arma, acho que ele não nos fará mal algum. “Pode me dizer seu nome? Ou melhor sem intimidade? Não vou, até poque nem posso, você acabaria comigo, fazer nada com vocês.”
“Meu nome é Katherine, mas pode me chamar de Kate e essa é a pequena Jennifer. Desculpe pela arma, mas, você sabe, tenho que protegê-la.”
“Entendo perfeitamente.” Disse e o sorriso ainda estava lá, acho que esse garoto é mais ingênuo que pensei, talvez não seja uma má decisão confiar nele.
“Prazer conhecê-lo, Sam e pode, por favor, me chamar de Jenny.” Disse Jenny devolvendo o sorriso do garoto, que cresceu ao vê-la mais receptiva que eu.
“O prazer é meu, Jenny, podem sentar se quiserem.”
Sentamos e começamos a conversar.
“Qual sua idade, Sam?” Perguntei muito curiosa, ele parecia adulto fisicamente, mas parecia um adolescente com aquele sorriso bobo no rosto.
“Tenho 19, era a semana das minha provas finais na faculdade, ao menos isso teve um lado bom, não preciso fazer as provas.” O sorriso virou uma risada fraca que acompanhei, afinal ele tinha razão, eu não teria que registras e organizar todos aqueles casos por causa disso.
“O que você cursava?” Dessa vez quem perguntou foi Jenny, ela parecia muito interessada nesse garoto, interessada demais para o meu gosto...
“Medicina, pode parecer estranho, mas eu apenas tive sorte com os genes e gosto de fazer execícios.” E aquele sorriso estava lá novamente, entendo totalmente o motivo pelo qual Jenny ficou caidinha por esse garoto, o sorriso dele é realmente estonteante.
“Não é uma surpresa tão grande, milagres acontecem.” Disse acompanhando uma risada, que logo foi acompanhada pelos outros dois.
Depois de muitas horas conversando sobre o passado, família, amigos, ambições, planos e etc... Decidimos que era hora de descansar e fomos dormir, deitei apoiada a minha jaqueta com Jenny ao meu lado apoiada à minha mochila e Sam um pouco mais afastado a minha direita a poiado em um tronco, fiquei pensando que Sam parecia ser um bom rapaz que não faria mal à uma mosca, ingênuo, mas sabe o que está acontecendo, parece inteligente e meio bobo, ele é o sonho de toda garota, me surpreende saber que ele nunca teve sorte com relacionamentos.
Acho que devo parar de pensar tanto e começar a me abrir um pouco, esse garoto merece minha confiança e um armário de músculos que nem ele será bem útil, além disso, Jenny pareceu gostar dele, apesar de eu não concordar com isso, e posso dizer que também gostei dele, mas com certeza não do jeito que ela pareceu gostar. Oh, Deus, eu achei que depois disso eu não teria que lidar com paixonites da minha irmã, achei que tinha me livrado do problema, mas parece que não... Fazer o quê? O jeito é deixar passar. Quando amanhecer, irei falar com Sam, espero que ele aceite meu convite para se juntar a nós.
Quando acordei devia ser umas 7:30hrs da manhã. Sam já estava acordado, porém, Jenny não. Achei melhor não acordá-la, só depois de conversar com Sam.
“Sam, podemos conversar?”
“Claro que sim.” E o sorriso veio para me dar bom dia, eu gosto de seu sorriso, me traz uma sensação de calma...
“Na verdade, eu queria te fazer um convite para juntar-se a nós. Você não é um rapaz mau, Jenny já se apegou a você e confesso que também gostei de você, então, aceita?” Por que eu falei tanto?! Pensei.
“Mais é claro que sim, será um honra acompanhá-las.” Disse ele e seu sorriso se estendeu mais ainda, acho que posso me acostumar com esse sorriso, será um ótimo calmante.
Mal terminamos de falar e aparece saltitando com um enorme sorriso no rosto agradecendo ao rapaz por nos acompanhar. Agora que ele vai ficar conosco, acho que devo ensiná-lo a atirar, isso caso ele não saiba.
“Sam, você sabe atirar?” Perguntei.
“Sim, meu pai me ensinou há alguns anos.” Ele respondeu enquanto minha irmã o puxava para fazer alguma coisa que eu não sei...
“Por que você ta puxando o garoto desse jeito, Jenny?”
Perguntei muito curiosa com a resposta.
“Já que ele sabe atirar, não devemos mostrar nosso arsenal pra ele?” Respondeu com um ar superior, como se fosse algo óbvio o que, na verdade, era.
Passamos a tarde apresentando as armas à Sam, eu expliquei como algumas funcionavam, já que ele não conhecia, mas um barulho nos lembrou que nós não estávamos de férias, nos lembrou o verdadeiro motivo de estarmos refugiados naquele celeiro abandonado, um gemido ecoou nos nossos ouvidos e nos chamou atenção, peguei meu facão e Sam o dele, se fossem poucos não valia a pena chamar atenção com as armas, se fosse mais do que eu pensava poderíamos correr e ir embora, mas em silêncio, mas então o gemido se multiplicou e logo pareciam centenas, os gemidos ecoavam de todas as direções, estávamos presos, encurralados e logo agora que tínhamos conhecido Sam. Eles começaram a aparecer e nos cercar, parecia que não havia saída eu não podia entrar em pânico! Não sei como, mas nós vamos sair daqui, todos nós. E vivos!
Notas finais
Até o próximo capítulo!
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