O Nome Dela Nos Lábios Dele (James/Dominique/Fred)
1 Capítulo Único.
Era uma tarde preguiçosa no Três Vassouras.
O cheiro adocicado de cerveja amanteigada pairava no ar morno, misturando-se ao crepitar discreto da lareira acesa no canto do salão. A luz dourada do sol de inverno atravessava as janelas embaçadas, tingindo o ambiente com um calor confortável, quase entorpecente.
James Sirius Potter e Fred Weasley II estavam jogados em um dos cantos menos movimentados do bar, afundados nas cadeiras gastas de madeira, cada um com uma caneca pesada nas mãos, jogando conversa fora e rindo alto, como sempre faziam.
Por um momento, Fred se permitiu relaxar. Pensou, preguiçosamente, que poderia passar a tarde inteira ali, rindo com James, sem se preocupar com o mundo lá fora.
Até James abrir a boca sobre um determinado assunto.
— Você já reparou como a Dominique tá diferente ultimamente? — perguntou ele, com uma casualidade irritante, encarando a espuma da cerveja como se estivesse comentando sobre o clima.
Fred quase engasgou, tossindo ao engolir errado.
— Quê? — resmungou, tentando disfarçar o desespero que lhe apertava o peito.
James apenas deu de ombros, divertido com a reação exagerada do primo.
— Digo... ela tá diferente, cara. Sei lá, mais mulher, mais... — ele procurou a palavra certa, a língua tropeçando na hesitação, até que soltou, como quem não se importa — ... gostosa.
O som da palavra caiu sobre Fred como um golpe. Seus dedos apertaram a caneca com tanta força que ele ouviu o ranger sutil da madeira.
Gostosa? Gostosa?! ele pensou.
Dominique era prima deles. Prima, pelo amor de Merlin. Ele deveria achá-la normal, familiar, até irritante — qualquer coisa, menos... aquilo. Menos alguém para ser observada, comentada, desejada.
Forçou uma risada tensa, lutando para manter o rosto neutro.
— É, sei lá... talvez... — murmurou, evasivo, desviando o olhar para uma rachadura insignificante na parede.
Por dentro, no entanto, estava fervendo. Sentia o sangue latejar nas têmporas, uma mistura de raiva e algo ainda mais perigoso que não ousava nomear.
Fred odiava o jeito como James falava dela, como se Dominique fosse apenas mais uma garota interessante. Como se ela não fosse... ela. E, pior, como se Fred já não estivesse lutando há tempo demais contra o mesmo tipo de pensamento proibido.
— E ela tá sempre por perto agora, né? — James continuou, ignorando completamente a tensão visível no primo. — Passa mais tempo com a gente do que com o próprio pai. Não que eu esteja reclamando...
Fred fincou as unhas na perna sob a mesa, escondendo o gesto sob o tampo de madeira.
Merlin, eu vou bater nele. Vou levantar e bater nele aqui mesmo.
Mas, por fora, exibiu apenas um sorriso forçado, tão rígido que parecia doer.
— Você... gosta dela, é isso? — perguntou, a voz soando forçada, como se cada palavra arranhasse a garganta.
James soltou uma gargalhada escandalosa que ecoou pelo salão.
— Gosto? Claro que gosto, ela é incrível. — Bateu a palma da mão na mesa, a cerveja quase transbordando. — Se ela não fosse nossa prima, já teria tentado alguma coisa, pra ser sincero.
Fred sentiu o estômago se contorcer em um nó apertado.
Se não fosse nossa prima? Então você está pensando nisso, seu desgraçado?
Tomou um gole gigantesco da cerveja amanteigada, engolindo com dificuldade, como se pudesse afogar a irritação que crescia a cada palavra de James.
O primo, inconsciente da tormenta que causava, seguiu falando com entusiasmo:
— E ela não é só bonita. Tem personalidade. É divertida, meio maluca também, devo dizer... Você já percebeu que ela acha que consegue desafiar todo mundo? E aquele sorriso inocente? Ela sabe exatamente o que faz.
Fred fechou os olhos por um instante, como se pudesse expulsar as imagens que essas palavras evocavam. Ele sabia. Merlin, como sabia.
Conhecia cada sorriso que Dominique dava — aqueles que iluminavam o rosto dela e aqueles outros, meio tortos, que faziam algo dentro dele se revirar. Conhecia as olhadas rápidas, os lábios mordidos sem perceber, os risos despretensiosos que o faziam esquecer por alguns segundos quem ela era para ele.
E agora, saber que James também via tudo isso, que também sentia — ou pior, desejava — fazia a bile subir à sua garganta.
Fred cruzou os braços com rigidez e se recostou na cadeira, tentando vestir uma máscara de indiferença.
— Bom pra você, então — disse, seco, o tom impregnado de algo que nem ele próprio conseguiu esconder. — Vai lá, tenta alguma coisa. Isso nunca te impediu antes...
James gargalhou novamente, sem entender a sombra que havia se formado nos olhos de Fred.
— Relaxa, primo! Não sou tão burro assim. Tia Fleur me mataria. Tio Bill me enterraria. E acho que até a Victoire e o Teddy me amaldiçoariam se eu olhasse duas vezes pra Dom.
Fred soltou uma risada forçada, mais um reflexo automático do que qualquer outra coisa, enquanto por dentro tudo nele gritava.
Merda, por que eu tô tão incomodado? Ela é só minha prima. Ela tem que ser só minha prima. Não deveria ser diferente.
Mas era. Era exatamente assim.
Cada palavra dita por James apenas reafirmava a verdade que Fred tentava esconder até de si mesmo: que estava tão ferrado quanto poderia estar.
Quando James se virou para chamar a atendente e pedir outra rodada, Fred ficou encarando o fundo vazio da sua caneca, como se pudesse encontrar alguma resposta ali.
E, naquele momento, uma certeza sólida, pesada como pedra, se cravou em seu peito:
Se James, algum dia, tentasse alguma coisa com Dominique…
Fred não saberia como ele reagiria.
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