O Natal de 4203

4 Ato Final (Parte dois)


Notas iniciais
Enfim, a parte final! Espero que gostem, boa leitura!

— Vovô! Ei! Tudo bem? – Repetia Junia enquanto chacoalhava um Alberto de joelhos no chão, tentando sustentar o próprio corpo com os braços para não desabar e adormecer de vez.

Com sua visão turva e a dor o consumindo por completo, à beira de um desmaio iminente, ele reuniu as últimas forças para ordenar com veemência:

— Pegue as lâminas e...vá atrás do pacifista, agora! Não há tempo para...discussão – ele estava se sentindo sufocado, com dificuldades para falar, então simplesmente tentou encurtar as palavras. – Lembre-se de tudo que aprendeu! Eu...te alcanço assim que...descansar...um pouco.

— Mas...- ela ainda hesitou.

Junia sabia que tinha alguma coisa a mais acontecendo com Alberto, mas nesse momento havia algo maior em jogo, e como o próprio avô disse, baseado em tudo que ela aprendeu, a maior virtude de um Ombreiro era a obsessão por êxito em suas tarefas, não importa quais fossem. E além disso, a jovem entendia o quanto impedir o pacifista significava para seu mestre, não o conteúdo da missão em si, mas sim seu significado, uma despedida definitiva em grande estilo para a vida de aventuras que ele levou. Então a garota deixou sua frieza tomar conta, pegou as duas armas no chão e pulou na ponte improvisada, correndo sem olhar para trás.

Saltou da árvore para as telhas no alto do muro, e então apoiou-se nelas para descer sem se machucar.

Do outro lado parecia que ela tinha entrado numa nova rua, e de fato era. O condomínio em questão era enorme e repleto de mansões e grandes coqueiros que dividiam a estrada de mão dupla. Alguns residentes mais próximos haviam saído de suas casas quando ouviram o barulho de uma árvore caindo, e se assustaram ao ver Junia pulando o muro daquele lugar. Mas ela ignorou-os completamente e tentou focar em seu objetivo. T a chamou novamente no celular:

— E aí, Junia, já entrou? A enquete acabou! Anda logo!

— Estou dentro, e agora, qual é a mansão?

— Aponta o seu celular pra frente, coloquei um aplicativo de raio-X nele.

Ela o fez, e viu as pessoas que estavam na rua e mais algumas dentro de residências próximas na forma de esqueleto, porém não notou nada de suspeito, e T a mandou seguir em frente correndo. Junia acelerou, mantendo o celular erguido enquanto observava os raios-x. Ela ouviu algumas pessoas gritando palavras como “ladra” e “chamem a polícia”, mas não deu ouvidos e seguiu correndo, passando por mais algumas mansões, até aparecer na tela do seu celular uma figura esquelética de pé com um objeto na mão, enquanto outras cinco pessoas encontravam-se aparentemente sentadas. A cena chamou sua atenção.

— É ali, é ele! Corre Junia, o pacifista vai matar o cara!

Ela correu mais rápido ainda na direção esquerda, onde havia uma mansão de três andares toda pintada de cinza e parcialmente feita de vidro cristalino que era irrigado por uma cascata de água caindo levemente na parte frontal da residência. Junia estava com a adrenalina a mil e precisava tomar uma decisão: arrombar a porta da frente ou quebrar a vidraça no estilo rambo? Ela optou pela segunda opção. Guardou o celular no bolso da calça e partiu com as lâminas armadas apontadas para a vidraçaria. Quando estava a uns dez metros de distância começou a alvejar o material, que era resistente, mas se estilhaçou com a maratona de tiros daquela arma.

Ela saltou para dentro, e mal conseguiu dar uma olhada na casa, pois um projétil elétrico veio em sua direção. Junia simplesmente viu o lampejo e se atirou no chão para escapar. Provavelmente essa não foi a melhor opção de abordagem, diria seu avô.

Ela viu o pacifista da foto mostrada pelo policial mais adiante, realmente usava um capacete. As câmeras estavam lá, assim como os reféns que saltaram da mesa de jantar para o chão quando os tiros começaram. O piso da casa, totalmente feito de madeira, encontrava-se cheio de entulho agora, com diversas partículas de vidro espalhadas por todos os lados.

Junia pensou em atirar de novo, mas tinha medo de acertar os reféns.

— Parado! – Foi a única coisa que ela conseguiu pensar em gritar na hora.

O pacifista começou a correr até o jardim da residência, seguido por suas câmeras. Junia se levantou com alguns pedaços de vidro agarrados em suas roupas, mas felizmente sem cortes, e foi atrás do meliante.

Ela passou pelo corredor, pela enorme sala de estar e cozinha, e saiu no jardim de frente para uma piscina e sala de jogos mais ao fundo. Dobrou à direita e correu pelo gramado em direção ao pacifista que estava alguns metros à sua frente. Porém não havia saída. Lá na frente, ao final dessa área, havia apenas um muro coberto de plantas. O pacifista parou ainda um pouco distante daquele ponto sem saída. Ele ficou parado de costas para Junia, que parou há cerca de cinco metros de distância dele. As minicâmeras cercando os dois.

— Quem é você, menina? Veio aqui sozinha? – Questionou ele.

Ela recuperou o fôlego perdido na corrida por alguns segundos, e respondeu:

— Caçadora de terroristas virtuais, nunca ouviu falar de mim? – Falou em tom irônico – Daqui a pouco os policiais chegam, depois de eu entrar aqui quebrando tudo...

Ele se virou e deu uma boa olhada em Junia, embora ela não percebesse isso já que o inimigo estava usando um capacete, que ela já tinha percebido ser feito de plástico, bem mais frágil do que parecia se visto por foto.

— A julgar pelas suas roupas de marca você deve ser moradora daqui, o que quer dizer que não entende absolutamente nada sobre o meu trabalho, sobre o sofrimento das massas ou das minorias excluídas dessa sociedade. – Tentou intimidá-la

— Você não está nem aí para os menos favorecidos, só está fazendo isso pra ganhar dinheiro dizendo o que o povo quer ouvir e realizando o desejo de alguns otários masoquistas. – Confrontou ela.

O pacifista então falou com suas câmeras:

— Vocês estão ouvindo, pessoal? Ela considera vocês uns burros e alienados influenciados por mim – ele riu. — É assim que os mais ricos enxergam o resto de nós.

Junia se irritou:

— Eu não estou nem aí pra isso. Só vim aqui pra notificar que seu canal será excluído em breve, babaca. – Disse ela, apertando com força a lâmina na mão esquerda com a ponta virada para cima, enquanto mantinha a da mão direita virada para baixo.

A voz excêntrica do pacifista então começou a mudar para um tom um pouco mais intimidador:

— Você, garota, é uma menina mimada que ainda não sabe nada sobre a vida, no mundo real a justiça não é construída com heroísmo dramático e frases de efeito, – e então retirou do sobretudo um segundo cassetete elétrico – mas eu, em nome dos meus inscritos, vou te trazer para a nossa realidade, tornando este vídeo o mais assistido da história do meu canal.

Ela resolveu aguardar pela primeira investida dele. O pacifista então avançou com um pouco de gingado. Ele tentou um golpe circular com o cassetete na mão direita, mas Junia ergueu sua lâmina direita e defendeu, tranquilizando-a um pouco por saber que o cabo de sua arma suportava a eletricidade. O adversário trocou de base com os pés rapidamente, e dessa vez veio com uma estocada, que ela desviou, mas ele insistiu com vários ataques em sequência. Junia sentia um pouco das faíscas elétricas quase atingindo suas mãos, mas rebateu os ataques e se agachou velozmente buscando um corte horizontal próximo ao umbigo do pacifista. O ataque rasgou a camisa por debaixo do sobretudo, mas infelizmente não atingiu sua pele, e Junia saltou para trás antes que fosse atingida. Aos poucos estava começando a ganhar confiança em si mesma.

Eles se encararam por alguns instantes, e então o inimigo apontou um cassetete para ela, que em dois segundos disparou um projétil elétrico. Ela percebeu pouco antes e se atirou para o lado, enquanto o projétil voava até a piscina, onde causou uma pequena explosão. Junia se enfureceu e segurou as duas lâminas na instância arma de fogo, iniciando os disparos mirando no capacete do meliante, que ergueu os dois cassetetes e assim, de algum modo, atraiu todos os disparos para o objeto. Em seguida ele riu:

— Minhas armas também possuem magnetismo, elas atraem e ricocheteiam disparos de armas de fogo, embora isso tenha me custado uma fortuna pra dizer a verdade – e tornou a mirar o cassetete na jovem. – Mas eu me pergunto, será que essas suas facas esquisitas também fazem isso?

E disparou um projétil novamente, que ela voltou a se desviar, mas dessa vez ele preparara um segundo, que atirou com a outra mão enquanto Junia estava agachada, dando tempo apenas dela cruzar as duas lâminas armadas como escudo, tentando se defender de alguma maneira.

O raio foi de encontro à arma do avô, mas a eletricidade acabou se espalhando e atingiu o corpo da garota, que urrou de dor, caindo no chão a seguir enquanto começava a sentir dormência em seus membros. Acabou largando as lâminas.

O pacifista vermelho então se aproximou:

— Pois é, esse foi um duelo de quem tinha mais cartas na manga. Mas você até que tem talento, garota. – E apontou mais uma vez o braço esquerdo, energizando seu cassetete para lançar mais um projétil à queima roupa. – Acho que vou apenas te apagar, quem sabe assim reflita mais sobre a vida e troque de lado no futuro...até porque, nós não assassinamos crianças neste canal. – riu ironicamente.

Ela precisava reagir imediatamente. Olhou para suas armas, bem próximas a ela, mas que ao mesmo tempo pareciam difíceis de serem alcançadas graças ao corpo dormente. Tinha de impedir aquele projétil de qualquer jeito, ou seria seu fim, o fim de uma vida, o fim de um sonho, ou melhor, de dois, pois lembrou-se de Alberto. Surgiu então em sua cabeça numa fração de segundo a imagem do avô mais cedo, atacando a cabine de segurança e depois derrubando uma árvore com aquilo.

Uma memória de tempos atrás se formou em sua mente, com o ex-Ombreiro dissertando: “existem alguns indivíduos nessa galáxia que trabalharam certas habilidades originadas dos guardiões de Rowen de milênios atrás. Os usuários de hoje as aperfeiçoaram, mas os Ombreiros são os que se mantém mais presos à sua antiga essência. Estou falando de zenki, uma técnica que pode potencializar sua força, velocidade de ação, dentre outras propriedades. Mas isso leva anos para se aperfeiçoar, então o que vou ensinar a você é um pequeno truque que pode ser muito útil, apesar de simples.”

O ataque estava prestes a ser lançado quando ela se apoiou em toda a adrenalina que ainda restava, abriu sua mão direita num gesto discreto, mirando na arma apontada para si, e então antecipou-se ao projétil do inimigo, atirando o seu próprio. Uma pequena esfera quase transparente e em formato irregular, do tamanho de uma bola de tênis, saiu velozmente pela palma da mão direita de Junia, atingindo o cassetete que voou da mão do pacifista, batendo contra o peito do próprio dono. No momento em que ele foi atingido, Junia saltou pegando uma das lâminas no chão e esfaqueando rapidamente a perna esquerda de seu adversário, antes de aplicar um chute alto horizontal com o bico de seu tênis no capacete do insurgente, que largou o outro cassetete e tombou de vez no chão, se tremendo e xingando.

Missão cumprida com perfeição, pensou ela. Abateu o adversário sem precisar matá-lo, ainda que tenha corrido alto risco de ter feito isso quando tentou alvejá-lo mais cedo. Uma nova imagem com Alberto projetou-se em sua cabeça, dessa vez falando: “além da FME, existem mais duas instituições na galáxia com permissão para matar em caso de legítima defesa, a Ordem de Serahorn e a Guilda dos Ombreiros. Mas nós, mais do que eles, tentamos evitar isso ao máximo, só o fazendo em caso de último recurso. Estou te dizendo isso porque, independente do caminho que você escolha, acho que é uma virtude interessante de se carregar.”

Junia então, lembrou-se das câmeras que a circundavam e transmitiam o ocorrido em tempo real para os usuários da Gray Web. Ela apontou sua arma para aqueles objetos voadores e vociferou:

— Vão se divertir com a desgraça alheia na casa do caral...- e as últimas letras foram abafadas pelos tiros que ela disparou contra todas as câmeras.

Por fim, a polícia apareceu no jardim da residência pouco tempo depois, provavelmente convocados pelos moradores que viram Junia invadindo o condomínio e destruindo uma vidraça. Mas ela ficou aliviada ao ver que o policial Sebastian, amigo de seu avô, estava entre eles, assim ele poderia esclarecer as coisas.

— Junia! – Disse o policial, encontrando-a sentada no gramado encostada numa pilastra. Você...fez isso tudo sozinha?! – ele parecia satisfeito com a realização dela.

Mas foi aí que veio à cabeça que ela havia se esquecido completamente da situação na qual tinha deixado Alberto para trás, e o alívio e dormência que estava sentindo tornou a desaparecer:

— E o meu avô? Ele está lá fora?

A expressão no rosto de Seb mudou, transparecendo um ar de quem tinha algo a dizer, mas não sabia exatamente como.

Alberto sofreu um infarto fulminante e acabou falecendo. Ele já estava sofrendo um pré-infarto antes, no dia anterior quando passou mal e talvez até em outras ocasiões. Junia e o policial Sebastian passaram um bom tempo se culpando por não terem percebido os sintomas e prestado auxílio ao ex-Ombreiro. Por outro lado, havia uma razoável possibilidade de Alberto também já estar ciente do que estava ocorrendo com ele e ter ficado calado, pois lá no fundo não queria abandonar completamente seu estilo de vida, ele nunca conseguira fazer isso, mesmo quando retornou ao planeta terra após se aposentar.

Naquela noite, após todos os eventos com o pacifista vermelho, a família de Junia foi avisada logo que uma ambulância chegou para levar o corpo de Alberto, encontrado no mesmo lugar em que conversara com a neta pela última vez. Naquele momento, e também no dia seguinte, não houve qualquer menção ou questionamento sobre o ocorrido por parte dos familiares à jovem, pelo menos não quanto ao grau de envolvimento dela com o avô nisso, não sobre ela ter invadido um condomínio, causado alguns estragos para salvar algumas pessoas e lutado contra um criminoso.

Junia sabia que apesar dos pesares e da relação conturbada, seu pai estava triste por ter perdido o genitor, e toda sua família entrou nesse luto, incluindo o outro avô ranzinza. O enterro ocorreu durante a tarde de vinte e cinco de dezembro, com praticamente as mesmas pessoas da ceia de natal da noite anterior e mais alguns conhecidos de Alberto, incluindo o policial. Naquela oportunidade, Seb disse que faria vista grossa para as lâminas armadas de Alberto que haviam ficado com Junia, desde que ela mantivesse aquilo bem escondido até alcançar a maioridade e tirar o porte de armas, ou ir para bem longe do planeta Terra.

Notícias do incidente surgiram nos jornais por toda Rowen, mas nenhum mencionou o nome de Junia em específico, apenas que um idoso havia morrido próximo ao local, sem confirmar se havia alguma relação com o ocorrido.

Já era tarde da noite e o silêncio absoluto pairava na residência dos Kon Held, apesar de todos estarem em casa. Deitada em sua cama, com a porta trancada, Junia encarava uma das armas que pertencia a Alberto, mexendo o braço o qual a empunhava num zigue-zague infinito enquanto parecia distante em seus pensamentos. Talvez ele realmente já sabia, por isso me deu aquela carta. A carta, lembrou-se ela.

Largou a lâmina em cima da cama e se apressou até a escrivaninha, onde colocou o polegar numa espécie de fechadura eletrônica, e em seguida abriu a gaveta, retirando o pequeno envelope.

Ela sentou-se na cadeira de escritório e desembrulhou a carta escrita em papel A4 pautado, algo raríssimo de se ver naquela Era. Junia não queria mais saber de esperar até o natal seguinte para ler seu conteúdo, decidiu que o faria imediatamente.

“Cara Junia,

Eu imagino que seja assim que os povos antigos iniciavam uma carta. Mas bem, olá! É bem provável que a essa altura eu já não esteja mais próximo de você, e é por isso que resolvi escrever essa mensagem agora. Acredito que, se você seguir o que pedi, no momento em que estiver lendo isto já deve estar bem perto de alcançar sua maioridade, o que significa que está prestes a partir em sua jornada, afinal sei que você fará isso com ou sem a benção dos seus pais. Então, como não poderei contribuir diretamente, decidi que vou te dar um outro tipo de presente, que acredito eu, vai ajudá-la com um norte em sua vindoura aventura.

Você sabe bem que meu desejo maior seria vê-la se tornando uma Ombreira, acho que isso seria como uma espécie de compensação por não ter conseguido fazer seu pai se interessar por esse caminho. Mas pensando bem, falando assim eu não estou agindo muito diferente do jeito que ele age com você, não é mesmo? Talvez essa característica dele tenha sido culpa minha, afinal. Mas o fato é que eu quero que você escolha o caminho que a trará satisfação, acima de tudo. Por isso, quero compartilhar com você uma informação. Pude perceber ao longo desses anos o quanto você se interessa e admira o herói das lendas de Rowen, então acho que tenho algo para você que vai agradá-la. Quando você partir finalmente da Terra, acho que deveria ir até o planeta Marac, lá é onde fica a sede principal da Guilda dos Ombreiros, vá até lá e procure Emiliano Ryter, ele é a autoridade maior dentro do nosso bando. Diga quem você é e pergunte a ele sobre o artefato que carrega uma parte do espírito do herói de Rowen. Veja bem, o que eu estou te dizendo dá para contar nos dedos o número de indivíduos em toda a galáxia que também sabem, um poder como esse não é vislumbrado há milênios, e lá fora esse objeto é conhecido por outro nome, mas para sua própria segurança eu prefiro te prevenir desse conhecimento por enquanto. Não conte nada disso para ninguém que não seja de sua inteira confiança, mas é claro, se for se aventurar acompanhada com certeza será bem mais divertido do que sozinha.

Bem, eu acho que é isso. Espero ter sido útil para você nesses seis anos, de minha parte posso dizer que foi muito divertido!

Até algum dia.

Junia terminou de ler a carta e depois ficou olhando para o nada, estática, durante alguns minutos. Pouco a pouco a malemolência que sentia desde o fim do confronto contra o pacifista foi dando lugar a um novo calor. A mistura de culpa e vazio que estava sentindo foi sendo puxada mais para dentro de si, enquanto uma nova energia surgia. Ela pegou o celular em cima da escrivaninha, deu uma olhada na porta, certificando-se de que estava trancada, e então se dirigiu até a janela, encostando o dedo numa espécie de saliência, que fez o vidro se abrir automaticamente. Ela pôs parte da cabeça para fora enquanto falava ao telefone:

— Oi, Junia. Eu...sinto muito...pelo que aconteceu com o seu avô. – falou T vagarosamente, esforçando-se para soar acalentador.

— Nós vamos para o espaço, T, muito em breve. – Disse Junia de uma só vez.

— O que? Claro, vamos sim, mas...por que isso do nada?

— Meu avô deixou um presente. Um mapa do tesouro, podemos dizer.

— Sério? Que tesouro? – Empolgou-se.

— Eu te conto depois, quando a gente se encontrar e partir, assim que eu fizer dezoito. E você também, é claro.

Ele demonstrou paciência:

— Ah sim, mas sabe...eu estava pensando. O espaço é um lugar hostil e inóspito, não é? Só nós dois iria ser difícil, acho que seria legal se arrumássemos ao menos mais uma pessoa pro time aqui na Terra, o que você acha?

— Sei lá, talvez você tenha razão. Eu devo me mudar pra Ilha Oeste ano que vem, se eu esbarrar com alguém interessante por lá...quem sabe. – Ponderou ela.

Depois de conversarem mais um pouco, T disse que iria dormir e encerrou a ligação. Junia ficou por mais algum tempo ali, com a cabeça parcialmente para fora da janela observando o céu além da redoma. As estrelas nunca antes pareceram tão convidativas para ela quanto agora.

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E assim chegou ao fim este conto.

Mas a verdadeira história ainda irá começar,

em Sombra das Estrelas...

Sinopse prévia: Desde o fenômeno conhecido como A Grande Rachadura, o Sistema Solar se expandiu, novos planetas surgiram e logo se tornaram habitáveis. Poucos séculos depois, os governos foram unificados com a fundação da União Solar, o parlamento que passou a comandar toda a galáxia.

No ano 4205, durante o auge da Era da Exploração, um ex-agricultor do planeta Navóri chamado Wilston Archen resolve abandonar a vida insatisfeita que levava e mergulhar no espaço com sua própria aeronave em busca do reconhecimento que nunca teve. Para isso, será preciso desvendar o segredo de um misterioso mundo que aparece e desaparece.

Enquanto isso, na Terra, o jovem Irven Rocwood, com a ajuda de sua nova amiga Junia Kon Held, também deixam sua terra natal em direção à Estação do Alvorecer Eterno, onde o destino dos dois se cruzará com o do Capitão Archen, e juntos com outras personalidades distintas a bordo do Archampz, embarcarão em uma jornada que os fará encarar de frente novas culturas, seres vivos, lugares inóspitos, e ainda lutar contra uma perigosa facção secreta que poderá dar novos rumos e colocar em risco o objetivo final do Capitão e seus tripulantes: O planeta Pisca-Pisca.

Notas finais
Muito obrigado a todos que leram até aqui! Se vocês chegaram até o final, devem ter visto a pequena surpresa extra que coloquei. Depois de já ter postado eu pensei bem e cheguei à conclusão de que esse conto com o subtítulo "um prelúdio de sombra das estrelas" pode ter soado bem confuso, ainda mais em se tratando de um título que sequer existe. Mas creio que após esse final, com a sinopse que inseri da vindoura obra, a proposta ficou um pouco mais clara. Duas semanas atrás, depois de finalizar o prólogo e o primeiro capítulo de Sombra das Estrelas, eu tive a ideia de aproveitar a temporada natalina e escrever um conto dentro do universo que eu estava criando para a obra principal. A ideia era que fosse uma espécie de história de origem para a personagem Junia, sem contudo, comprometer em nada a experiência de quem não lesse o conto e pulasse direto para o livro. O objetivo maior aqui era focar totalmente nas motivações para a jornada de Junia e atirar algumas informações sobre esse universo, sem contudo explicá-las ou conceituar a grande maioria. A intenção era justamente despertar o interesse do leitor para que viesse a ler a história principal posteriormente, e aí sim começar a entender melhor o funcionamento da coisa. De qualquer modo, eu devo confessar que enxuguei ao máximo esse conto para que ele ficasse pronto no período de natal, e ainda assim acabei atrasando rs. Tem algumas cenas a mais que eu acrescentaria e melhoraria outras, mas acabei optando por não fazer isso agora, então não descarto em um próximo natal voltar aqui e revisitar esse prelúdio. Mas fica o aprendizado de não mais tentar criar coisas de última hora kkk Em todo caso, muito obrigado a todos que leram, e se possível, deixem seu feedback! Esse foi um ótimo treinamento pra mim, assim poderei me aprimorar e escrever com mais calma e qualidade a sequência, que garanto a vocês que será superior em todos os aspectos. Fica aqui novamente meus agradecimentos ao Nyah e aos companheiros que compõem essa maravilhosa página, espero em breve voltar e postar novas histórias que agradem ao máximo de leitores possível, afinal esse sempre foi meu grande sonho, criar histórias que gerem identificação para entreter as pessoas e assim contribuir de uma forma positiva em suas vidas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!