O Namorado da Minha Melhor Amiga
29 Capitulo 29 - Shopping - Parte 01
Notas iniciais
Pov’s Annabeth
Luzes.
Luzes bem fortes.
Elas penetram em minhas pálpebras, acabam com a escuridão que me matinha inconsciente em meu sonho. Que horas seriam? Nove? Dez? Mas que dia é hoje?
― Vamos, Annabeth, é hora de acordar.
Héstia. Como sempre, fazendo o seu maldoso de trabalho de acordar pela manhã. Isso é muito feio da parte dela, sabia? Poxa, eu tive uma noite ocupada. Ah, à noite...
Quero dizer, foi tudo... Perfeito. Foi uma das melhores noites da minha vida. Se não foi a melhor. Foi uma das poucas noites em que me permite ser feliz sem me sentir culpada. E, melhor, com a pessoa que eu mais amo. Com ele. Ah, que droga, a minha vida sempre vai me pregar uma peça que me cause tanto sofrimento?
Abro os olhos de vagar pra me acostumar com a luz do sol. Porque Héstia tem essa mania de abrir as cortinas?
― Bom dia, Héstia ― eu falei com um sorriso no rosto. Ela estava com uma bandeja na mão com o meu café da manhã. ― Héstia...
― Você tem que se arrumar logo ― ela disse ― Já são dez e meia. Ou será que quer viver sonhando com a noite anterior?
Abri um sorriso envergonhado. Ontem eu estava tão ansiosa pra reviver o que aconteceu que acabei contando tudo, cada mínimo detalhe para Héstia. Ela ouviu tudo com um sorriso no rosto. Em seguida, eu só tomei um banho e dormi. Infelizmente, sem sonhos.
Sentei-me na cama. Héstia colocou a bandeja em cima de mim. A primeira coisa que fiz foi beber um gole do suco de manga. Héstia sentou-se na minha frente.
― Como se sente agora que você parou de suspirar? ― ela me perguntou, sorrindo, e eu quase cuspi o suco fora.
Mas como eu realmente me sentia com relação aquilo? Eu não estava arrependida. Claro que não. Mas eu não conseguia deixar de pensar na Rachel. Ela presa com uma psicóloga e eu tendo a melhor noite da minha vida e com o namorado dela. Isso não era certo.
― Eu me sinto culpada por não conseguir me arrepender ― admiti ― Eu sabia que era errado. Mas, sinceramente... Tudo anda errado.
― É, você se meteu numa enrascada das grandes ― Héstia acariciou o meu cabelo.
― E o pior foi que ele me chamou apenas para esquecer os meus problemas e eu acabei levando as coisas à pegação. Eu. Sabe por que tomei a atitude, Héstia? Porque eu não queria que ele fosse o culpado por aquilo. Eu sabia que ele faria aquilo. Então eu fiz para ele não ser o culpado.
― Você gosta mesmo desse garoto, não é?
Assenti. Isso estava na cara, é claro? Bem se Héstia ou Thalia não estivessem me fazendo acreditar nisso, eu diria que sentia uma atração por caras proibidos ou que eu estava ficando louca mesmo. Como elas me convenceram, agora está tudo certo.
― Olha, Annabeth ― Héstia disse ― Eu não sei o que vai fazer, mas, seja o que for, saiba que eu vou estar aqui pra te ajudar.
― Obrigada.
Ela sorriu, beijando a minha bochecha. A seguir, o meu celular toca. Ela acabando ficando no bolso da minha calça que estava jogada no meio do chão Héstia pegou-o e me entregou.
Eu não acredito.
― É a Rachel ― anunciei.
Eu pensei que ela estava com raiva de mim. Digo, eu praticamente a obriguei, junto com Percy e a psicóloga, a coloca-la naquela sala pra três horas de seção. Enfim, eu não ia pedir desculpas, mas eu esperava que ela não falasse comigo até semana que vem.
― Atende ― disse Héstia.
Deslizei o meu dedo pela tela e pus o celular no ouvido.
― Rachel?
― Annabeth? É... Oi. Me desculpe por ontem. Eu não sabia... Quero dizer, eu não estava em meu estado normal. A psicóloga me explicou porque eu tinha que ficar lá. Meus pais são terminantemente ridículos.
― É ― eu ri ― Me desculpe, ela pediu pra não contar.
― Eu sei.
― Mas como foi a seção?
― Ah... Eu não consigo explicar. No começo eu fiquei meio receosa em dizer qualquer coisa sobre mim pra ela, uma pessoa que eu não conheço. Mas ela se mostrou tão inteligente e confiável. Depois que ela me contou o porque das três horas, ela me disse que podia ter duas seções com ela: uma gravada com meus pais gostariam e tem que ouvir e outra conversa normal de psicóloga. Ela me deu as três horas pra pensar. E eu aceitei. Não sabe como é bom conversar com ela.
Héstia estava gesticulando freneticamente pra mim. Acho que ela queria saber o que Rachel estava falando. Gesticulei de volta, mostrando que depois eu iria contar tudo.
― Não sabe como fico lívida de ouvir isso tudo ― comento ― E você não queria ir de jeito nenhum, não é mocinha?
Rachel riu.
― Annabeth, eu só tenho que te agradecer. ― ela falou ― Se não fosse por você, eu ainda estaria tentando me matar ficando sem comer. Eu nunca teria chegado ao hospital. Nunca teria começando meu tratamento. Nuca teria visto que a psicóloga não é tão ruim assim.
Quase chorei. Depois de tudo que eu passei, tudo o que eu sofri pra manter a nossa amizade intacta, isso foi a minha recompensa. O reconhecimento. Rachel finalmente entendeu que eu fiz tudo aquilo pra ajudá-la. Aquilo foi musica para meus ouvidos.
― Se não fosse por você, Annie ― ela continuou ― Acho que eu nem estaria com o Percy hoje.
Estava bom demais pra ser verdade. Como posso me sentir feliz com seu reconhecimento se ela não sabia do que mais me incomodava? Era tão falso da minha parte.
― Co-como assim, Rachel? ― Ri sem graça ― Eu quase estraguei o seu relacionamento.
― Ah, fala sério, Annabeth. ― ela riu com prazer ― Desde o começo você me ajudou sem perceber. Tipo, o Percy adora um desafio. Você falou que ia tira-lo de lá, isso o fez ficar. O nosso relacionamento estava no começo quando ele foi morar com a gente e eu pensava que o ato de morar comigo seria um passo muito importante que não precisávamos tomar agora. Mas ele ficou. Ele ainda está aqui. Depois com a minha doença, meus dias no hospital, eu sabia que eu podia contar com você pra vigia-lo pra mim. Até ontem, quando eu tive que ficar três horas presa, você o vigiou pra mim. Fez ele te levar em casa pra não sair.
Lagrimas de culpa surgiram em meu rosto. Alguém aí me dá um revolver?
― Ah... ― falei, a voz rouca ― Rachel...
― Não fala nada! ― ela ordenou ― Só obrigada por ser a melhor amiga do mundo.
Baixei o celular da orelha.
― O que foi, Annabeth? ― perguntou Héstia.
Mostrei com os dedos que depois eu falava. Coloquei novamente o celular na orelha.
― Annabeth?
― Sim?
― Enfim, amiga, como hoje é sábado, eu e as meninas ficamos de ir ao shopping pra fazer compras para o baile na semana que vem.
Ah, é: O baile de inverno. Uma das coisas a qual dou menos importância hoje em dia. Eu vou com quem mesmo? Ah, com o di Angelo. oh. É mesmo! Tenho que conversar com o Nico.
― Ah, claro ― falei.
― Beleza! Peça a sua mãe o cartão de credito dela e avise que nós não vamos economizar. Silena disse que tem looks na cabeça pra todo mundo. Eu não sei você, mas eu vou confiar nela.
Eu ri.
― Nós vamos passar ai daqui a meia hora, está bem? ― ela continuou ― Vamos todo mundo no conversível da Silena. Só nós meninas. E, como eu sei que você provavelmente acabou de acordar agora, vá tomar um banho e se vestir agora, mocinha.
Ela desligou logo em seguida. Enquanto eu acabava de tomar o meu café, contei pra Héstia o que ela havia me dito.
― E eu estava achando que você ia dar uma chance ele hoje mesmo. ― ela comentou.
― E eu ia. Quero dizer, eu ia conversar com ele, mas... Eu não sei o que fazer agora. Na verdade, eu não sabia o que fazer antes, mas agora é pior!
Eu escuto barulho de buzina lá em baixo. Corro pra janela e vejo o carro azul escuro conversível da Silena. Viro-me depressa.
― Caramba, eu conversei com você por quanto tempo, Héstia?
― Acho que uma meia hora.
― Ei! ― gritei pras meninas lá embaixo, ― Já estou quase pronta! Aguentem aí!
― Estamos esperando, do pijama! ― gritou Thalia ― Aí, Annie, pijama de banana legal, em!
Ah, porque ela riu da minha banana? Afinal, no vejo problema nenhum em usar um pijama de banana. Qual é o dela?
― Chata! ― fiz língua para ela ― Já estou descendo ― saí da janela já correndo para o banheiro para tomar o banho mais rápido da minha vida, seguido pelo vestir de roupa mais rápido da minha vida, seguido pelo pentear de cabelo mais rápido da minha vida.
Sete minutos e meio depois eu estava pronta. Falei um tchau com as mãos para Héstia, peguei minha bolsa e sai correndo. Encontrei com meu pai na sala e já fui logo dizendo:
― Pai, preciso do seu cartão de credito.
― Pra que?
― Urgência feminina. Vestido. Acessórios. Shopping. Compras. Baile da escola. Sexta-feira. Cartão. Agora mesmo.
Ele entendeu tudo. Segundos depois eu já estava do lado de fora. Assim que coloquei o pé na escada, um vento muito frio bateu nos meus braços. Havia nevado de leve durante a noite inteira, e agora tudo estava repleto de branco. Fiquei me perguntando como estaria a estrada. Não voltei pra buscar uma blusa mais quente da que vestia.
― Oi meninas ― disse eu quando cheguei no carro ― Caramba! ― eu estava admirada com a capacidade dessas de caberem em um carro. Quero dizer, atrás, os três bancos estavam sendo ocupadas pela Hazel, a Rachel, e a Piper. Thalia, toda ela, estava despreocupada sentada no capô de trás do carro. ― Está bem localizada, em Thalia.
― Pois é. Agora se senta no seu devido lugar antes que eu ocupe o mesmo.
― Tá ― abri a porta do carona e me sentei ao lado de Silena, que, obviamente, dirigia.
― Oi Annie ― disse ela.
― Oi Annabeth ― falou Hazel.
― Oi ― escutei a voz sem graça de Piper dizer.
― Oi.
Não que eu tenha me esquecido, mas é que eu não tenho pensado muito no estado em que encontra a relação de Jason e Piper. Digo, depois daquela confusão, eu imaginei que eles haviam pelo menos esclarecido as coisas. Mas pelo olhar que ela tinha... Mas, bem, se ela está indo com a gente comprar roupas para o baile, é porque ela foi convidada.
― E aí ― falei ― Em que shopping vamos?
Pra que eu fui perguntar. Iniciou-se uma gritaria a lá meninas em crise de moda. Tive que tapar os ouvidos enquanto elas brigavam pra decidir em qual shopping iríamos, mas acabei rindo, porque isso era uma coisa tão normal e tão fácil de ser resolvida que eu achei graça. Eu tinha problemas muito piores do que esse pra resolver. Dois deles estavam sentados atrás de mim.
― Ah, calem a boca, bando de baranga! ― gritou Thalia ― Se não eu pego esse carro e levo a gente no primeiro camelô que eu encontrar!
Isso fez todas calarem mesmo. Elas sabiam que Thalia fazia mesmo isso.
― Isso! Quietas vocês são muito mais bonitas.
― Obrigada Thalia. ― falou Silena ― Mas eu já sei o shopping e a loja que vou levar vocês. Há, há. Alias, como eu disse, já estou imaginando, ou melhor, já tenho na cabeça os vestidos de cada uma, ou seja, sei em que loja está o que eu procuro. Resumindo: vocês estão na minha mão hoje meninas.
― Silena, você é a pior irmã do mundo ― comentou Piper.
― Olha, tudo bem. ― disse Thalia ― Contando que eu não use rosa!
― Thalia, pode relaxar. ― disse Silena ― Quando eu disse tudo, é tudo mesmo. Tomei ate a liberdade de pedir ao Charlie para me ajudar com as roupas dos meninos. Quero dizer, vocês tem que combinar.
― Espera ― falei ― Como assim te ajudar?
― Os meninos estão fazendo o mesmo o que nós neste exato momento. ― disse Rachel ― Ideia da Silena. Ela quer que um de nossos casais sejam rei e rainha do baile. Aí ela convidou os meninos a irem juntos ao shopping pra comprar os smokings. Se eu os conheço bem, eles acabaram e estão em alguma lã house jogando videogame.
― Fato ― disse Thalia ― Embora eu não consiga imaginar Luke indo a um shopping com um bando de malandro pra fazer compras.
― Quem foi? ― pergunto ― Digo... Dos meninos.
― Jason, Beckendorf, Nico, Percy, Léo, Michael, Luke e Frank ― anunciou Hazel ― Eu também não imagino Frank fazendo compras.
― Você vai com ela? ― pergunto.
― Ahã. Assim como você vai com o Nico ― ela comentou, com um sorriso no rosto ― E ai, Annie, o que está rolando entre vocês dois?
― Ah...
― Hazel, ela vai com o Nico pela maneira que Piper vai com o Michael: porque foi convidada ― defendeu-me Thalia ― Não que esteja rolando alguma coisa.
― Mas eu andei reparando, e... ― começou Silena.
― Ei, vocês repararam que ainda nem saímos da frente da casa dos pais da Annabeth ainda? ― brandiu Piper ― Desse jeito vamos fazer compras só semana que vem!
― Tá, tá bem.
Silena deu a partida no carro e nós fomos para o shopping.
***
― Em qual loja vamos primeiro?
― Qual vai ser a cor do meu vestido?
― E os sapatos, Si, você vai escolher?
― Silena, Silena, me ouve!
Tadinha da Silena. Se meteu em uma grande encrenca. Duas meninas loucas estavam atrás dela só querendo saber a roupa. Essas duas meninas eram Rachel e Hazel. Rachel eu até entendia. Ela estava tão animada com esse baile. Agora... Hazel? O que estava acontecendo com ela?
― EI, CALMINHA, ASSIM VOCÊS VÃO ME DEIXAR LOUCA! ― Silena gritou para as duas ― Relaxem que eu sei o que eu vou fazer com as duas. Venham comigo.
Elas começaram a andar. Ainda estávamos na entrada do shopping e as coisas já estavam nesse nível. Havia uma quantidade razoável de pessoas por ali. Obviamente todos fazendo suas comprinhas de natal. O shopping todo estava completamente enfeitado, as lojas abusavam nas liquidações de tudo. É, o natal estava chegando e eu e meus pais ainda nem montamos a árvore.
Thalia se aproximou de mim. Ela usava shorts e botas pretas até o joelho, regata branca e sua típica jaqueta. Eu também usava shorts, tênis, e uma simples de tecido de algodão preta que ia até os pulsos e deixava os ombros à mostra. Ela não parecia estar tendo problemas com o frio por causa da jaqueta, já eu queria que meu cabelo fosse mais volumoso pra tapar o meu pescoço.
― Eu não vejo muita graça em bailes ― Thalia colocou fones de ouvido e escolhei uma musica no celular que dava pra mim ouvir de onde eu estava ― Vejo menos graça ainda em comprar roupas para o tal baile.
― Ah ― eu ri ― Eu também não vejo graça em bailes. Não vou em muitos porque tenho a maior preguiça de me arrumar.
Thalia riu.
― Estava fazendo o que em um salão de boliche ontem, Annabeth? ― ela perguntou ― Eu pensei que você estava traumatizada com aquelas bolas.
― E eu estou ― comentei ― O Jason te falou que me viu lá?
Olhei em volta pra procurar Rachel, Silena e Hazel. Elas tinham entrado em uma loja próxima da gente. Piper estava sentada em um banco do lado de fora da loja. Ninguém por perto. Eu poderia contar a Thalia.
― Falou ― ela confirmou ― E eu achei muito estranho na hora. Jason também achou estranho. Ele disse que você estava agarrando um garoto lá e depois saiu de perto do Jason como se ele fosse um bicho asqueroso. Tá, nisso eu concordo com você. Mas quem era o garoto? Será que já se esqueceu do Percy a ponto de deixar um garoto te levar pra onde você mais odeia? A não ser que tenha sido o próprio Percy a te levar lá... ― ela riu, até que olhou pra mim, que estava achando aquele banco do outro lado do salão muito interessante ― Annabeth? ― ela me fez olhar pra ela ― Era o Percy?
― Olha, Thalia, tudo tem uma explicação! ― afirmei ― Nós só jogamos um pouco e fomos embora. Só. Mais nada.
― Vocês jogaram? Jogaram mesmo? Tipo, você pegou a bola e tacou na pista e ela derrubou os pinos?
― Existe outro jeito de jogar, Thalia?
― Caraca! Eu preciso achar o Percy agora mesmo e dar um abraço no cara! ― Thalia deu um pulo em comemoração ― Como ele fez? Ele te deu um baseado?
― Não, não foi nada disso. Ele simplesmente me convenceu a entrar. Só isso. E eu já tinha contado a historia pra ele, então ficou fácil. Ai eu entrei...
― Você contou a historia pra ele? ― Thalia tinha os olhos totalmente arregalados ― Pode parar por aí e me contar a historia inteira. Tudo, tudinho.
Dei um suspiro de preguiça antes de começar, mas acabou que eu me empolguei. Eu queria viver isso tudo de novo. E foi boa a sensação. Thalia ouviu tudo com um sorriso no rosto. No final ela fez um “yes” com o cotovelo.
― Então agora vocês estão juntos? ― ela me perguntou, depois que eu acabei de falar ― Digo depois dessa pegação toda, você finalmente admitiu e agora vocês dois estão juntos não é?
Baixei o olhar. Eu estava disposta a dar um jeito de falar com ele hoje pra nós tentarmos falar com a Rachel, mas depois do que me disse mais cedo... Agora que ela finalmente admitiu o que eu fiz por ela. Ah, não. Eu não posso fazer isso.
― Não, Thalia. Nós não estamos juntos e acho que nós nunca vamos ficar. Porque, bem... ― contei a ela o que Rachel disse de manhã. Thalia ficou boquiaberta e depois deu chutes no além de raiva.
― Eu não posso acreditar... ― ela falava ― Eu não entendo, como pode dar tudo errado pra você? Parece que a vida não quer que você fique com ele! Mas que droga.
― Talvez seja isso, Thalia. Talvez eu não tenha que ficar com ele.
― Não, eu me recuso a acreditar. Eu não vi tudo de perto, Annabeth, mas eu não acho que isso tudo o que aconteceu entre vocês dois tenham sido em vão. Foi... Intenso demais. Você pode perder a esperança. Talvez eles terminem, Annabeth. E aí o caminho estará livre.
― Não, Thalia, eu duvido muito. Rachel não iria permitir. Eu tenho que esclarecer isso pra ele hoje. Vou acabar tudo. ― Thalia começou me intervir ― Não, Thalia. É o melhor pra nós três.
― Ei! Meninas! ― olhamos pra loja onde Silena, Piper, Hazel e Rachel se encontravam. Silena chamou por nós ― Vocês não vem não?
― Estamos indo! ― gritei de volta pra ela, fazendo um beleza ― Vamos, Thalia. Se eu vou neste baile, eu espero não estar feia. E, se depender da Silena, estou concorrendo a rainha do baile.
― Blé! ― Thalia fez cara de nojo ― Eu acho o meu nome não estar naquele negocio. Se me levarem lá pra cima, eu tiro uma metralhadora do meu vestido e saio matando todo mundo no maior estilo Carrie White.
Soltei uma gargalhada.
― Ai, Thalia! ― falei, enquanto me pocava de rir ― Não seria no maior estilo Angelina Jolie? Ela que é a mulher de ação.
― Mas a assassina é a Carrie.
― Okay.
E seguimos rindo ate a loja.
***
As roupas de Silena e Rachel foram as primeiras a serem compradas o que, depois do que vi as duas fazendo, não me surpreendi nem um pouquinho. Mas sabe quanto tempo nós ficamos procurando as roupas delas? Só delas? DUAS HORAS E MEIA! Isso mesmo, você não entendeu errado.
Elas queriam a opinião da Silena até pra qual calcinha iriam usar no dia. Lembra-se do fato de Silena ter tudo em mente? Pois bem, era verdade. Mas, como estávamos quase no natal, as vendas estavam aumentando. E isso incluía que já compraram roupas que Silena escolheu para nós.
A esse ponto e essa hora, eu e Thalia só tínhamos dois pensamentos na cabeça.
― Eu tô com fome.
― Eu tô com sono.
Alguns minutos depois, elas finalmente saíram pra o provador com as roupas, sapatos e acessórios já em mãos. Agradeci a Deus por isso. A primeira coisa que eu e Thalia fizemos foi chegar na frente da Silena e falar em uníssono.
― Estamos com fome!
― Ai, meninas, vocês querem me matar de susto? ― ela falou, pondo a mão no coração ― Já íamos falar com vocês agora que iriamos no Mc Donald e...
Thalia e eu saímos correndo antes mesmo de ela terminar de falar. Quando elas nos alcançaram no Mcdonalds, eu e Thalia já tínhamos feito nosso pedido a um tempão. Bem, na verdade, não havia se passado dois minutos, mas com a fome que estávamos, cada segundo era como um minuto e cada minuto era uma hora.
― Não pediram nada pra gente? ― questionou Hazel, sentando-se ao lado de Thalia, que estava sentada ao meu lado. Tínhamos pegado uma mesa de seis. Nas cabeceiras estavam Rachel e Hazel. Eu e Thalia de um lado, Silena e Piper do outro. Piper estava de frente pra mim.
― Íamos lá adivinhar o que vocês queriam? ― disse Thalia mexendo no seu celular e escolhendo outra musica. Agora o som estava mais baixo ― Vocês tem aquelas manias nojentas de dietas e tudo mais. Eu e a Annie pedimos um Mc Lanche Feliz.
― Eu ouvi a palavra Mc Lanche Feliz?
Um rosto masculino apareceu ao lado da minha cabeça. A minha reação foi quase cair da cadeira com o susto, mas o dono do rosto me segurou. O dono do rosto também podia ser chamado de Nico di Ângelo.
― Ouviu, seu ridículo ― Thalia rugiu ao meu lado, digo, do outro lado de Nico ― E dai? É a palavra magica pra alguma coisa?
― Na verdade, é sim, Grace ― Nico disse pegando uma cadeira na mesa ao lado e colocando entre mim e Thalia ― É a palavra magica para a fome.
As meninas riram.
― O que está fazendo aqui, Nico? ― perguntei ― Você e os meninos não iam fazer compras para o baile?
― Já fizemos isso ― ele falou ― Acabamos à uma hora e estamos dando uma volta pelo shopping. Mas, eu fiquei com fome e eles não quiseram vir comigo. E cá estou eu.
Meu pedido e o Thalia chegaram. Nico olhou com desejo para os pedidos e pediu um pra ele também. Mas até chegar ela ficou comendo o meu e o de Thalia, o que não agradou muito punk. Depois todas as meninas também pediram um. E ficamos lá conversando. Thalia teve que chegar pra lá pro Nico caber entre mim e ela.
A única coisa que me atormentava era... O que aquele braço estava fazendo em volta dos meus ombros? Eu não o mandei aparecer ali, mandei? Fala sério. Se eu o mandasse tirar, ele poderia ficar chateado. Concentre-se no lanche, falei pra mim mesma, só no lanche.
A meia hora a seguir foi tranquila.
Até que os outros garotos começaram a aparecer.
O primeiro foi Luke, que chegou tapando os olhos de Thalia. Ela primeiro se dignou a acabar de comer a batata frita que estava na mão antes de dizer:
― Aposto que é você, Brian. É a sua cara fazer isso.
Todos os olhos foram dirigidos a ela. Bem, o de Luke principalmente que ficou terminantemente boquiaberto com a fala dela. Ele tirou as mãos e Thalia sorriu brincalhona.
― É brincadeira, Luke.
Ele não teve alternativa a não ser sorrir e dar um beijo em sua testa. Em seguida, os outros meninos chegaram na mesa.
― Ora, ora, ora! ― falou Leo ― E eu que pensava que as meninas tinham ido ao shopping para fazer compras. ― meus amigos riram enquanto Léo andava até Nico e dizia ― Fala sério, di Ângelo. Achamos que você tinha sido devorado pelo lanche. Mas você está melhor do eu imaginei.
Mais rizadas. Eu deveria ter rido junto, mas os garotos estavam se aproximando de cada devido par a qual pertencia, e ele não poderia estar fora dessa. Ele ficou entre mim e a Rachel, na cabeceira. Eu tentava desviar o olhar, mas não pude deixar de notar que olhava pra mão de Nico no meu ombro. E eu acho que até Nico percebeu isso, porque ele apertou meu braço. Abaixei o olhar envergonhada.
― Como foi tudo, Charles? ― perguntou Silena, colocando a mão de Beckendorf em seu ombro.
― Acho que de certo ― ele falou, torcendo o nariz ― Digo, não faço a menor ideia. Eu não entendo nada de moda, Silena. Mas está tudo no carro, se quiser olhar.
― O Beckendorf foi mais ou menos assim ― Léo jogou os ombros pra frente, tentando estufar o peito. A seguir, ele começou a falar com a voz grossa ― Escutem aqui, homens. Sejam o menos gay possível e impressionem a Silena. ― ele curvou-se pra trás rindo, enquanto todos faziam o mesmo.
― Vocês acabaram de fazer suas compras? ― perguntou Charles á Silena.
― Ah, claro que acabamos! ― disse Thalia, sarcástica ― A da Rachel e da Hazel sim.
― Eu achei que o horário delas foi normal, considerando que meus planos deram errado. ― disse Silena ― Alias, temos que ir meninas! ― ela levantou-se ― Vamos voltar as compras!
A minha cabeça e de Thalia bateram na mesa.
― Será que podemos ir com vocês? ― Perguntou Luke ― Tipo, podemos ajudar escolher alguma coisa. Podemos dar as nossas opiniões masculinas.
Silena deu uma gargalhada tão alta que até as pessoas das outras mesas se viraram pra ver quem era a maluca que gritou daquele jeito.
― Você ficou maluco?! ― ela indagou para Luke ― Vocês, garotos, dando dicas de moda! Me desculpe, Castellan, mas é que eu tenho que rir. E não, não queremos garotos olhando as garotas escolherem os modelitos. Você só vão poder se impressionar no dia da baile, Okay? Nenhum de vocês que tem par aqui pode ficar.
Léo pigarreou.
― Com licença, com licença ― ele pôs as mãos na cintura ― Eu sinto muito em informar aos meus amigos, mas eu vou ter que acompanhar as meninas em suas provações. Se quiserem ajuda no provador, meninas, eu estou a disposição de vocês.
Todos os meninos que tinham o seu devido par na mesa olharam feio pra Leo.
― Brincadeira.
― Leo, se sua acompanhante não está na mesa, com quem você vai? ― perguntei.
― Bem... ― ele fez uma cara de menino sapeca ― Vocês só saberão no dia.
― Tá bem, Leo. ― Silena disse. ― Você pode ir. Afinal, nós precisaremos mesmo de uma opinião masculina. Mas, me entrega o celular ― ela estendeu a mão pra ele.
― Pra que?
― Não queremos você tirando fotos para mostrar aos meninos. Me da ― ela estendeu a mão de novo e o mesmo lhe entregou o celular. ― Ótimo. Agora, meninas, vamos logo. Temos quatro de você ainda pra vestir.
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