O Namorado da Minha Melhor Amiga
26 Capitulo 26 - Quem Traiu Primeiro
Notas iniciais
Pov’s Percy
Eu não diria que minha quarta-feira na escola foi muito agradável. Além de ter sido a aula de física sentando-me no único trio na sala, o professor ainda fez de tudo para piorar a nossa situação.
Aliás, vou logo dizendo: Annabeth continua me evitando, o que não me admira. Além disso, eu e Rachel não nos falamos durante todo o dia anterior, mas à noite acho que nos acertamos. Não mencionei mais a ida dela até a psicóloga. Acho melhor deixar essa parte pra Sabidinha ali...
Enfim, agora estou na aula de física, sentado ao lado de Annabeth. E a loira nem me olhava. Fingia que eu não existia. Isso só significa que ela está terminantemente envergonhada por guardar uma peça de roupa minha em seu armário.
Eu me lembro do dia que lhe entreguei. Foi na noite em que a Rachel desmaiou por conta da anorexia. Estava frio, e Annabeth estava vestida apenas com uma simples blusa xadrez azul. Esquecendo-se completamente do orgulho da garota, entreguei-lhe a blusa. Ela demorou pra acreditar e aceitar, mas acabou pegando-a.
E desta noite, volto à noite seguinte. O beijo. Ele não me saiu da cabeça. Ás vezes, os flashbacks dos meus momentos com ela me tirando ar por minutos incontáveis, o que às vezes chega a ser embaraçoso. Afinal, não posso contar o que estou pensando. Annabeth me mataria por isso. Então fica difícil explicar, porque ninguém acredita.
Fazer o que, a vida segue.
― Senhor Jackson! ― uma voz grita ― Acorde pra vida, Senhor Jackson. ACORDE.
― Am? O que?
Como eu disse, acabo ficando fora do ar por minutos. E sempre acaba acontecendo algo parecido.
― EU QUERO SABER POR QUE ESTÁ OLHANDO FIXAMENTE PRA LOUSA, COMO SE ESTIVESSE HIPNOTIZADO! ― gritou o professor.
― Ah, tá. ― falei, mais hipnotizado do que estava a minha expressão ― Eu estava... Estava tentando... É... Mudar a cor o quadro com uma técnica da mente que li em livro.O professor me olhou como se eu tivesse criado magicamente um terceiro olho.― Mudar a cor do quadro? ― ele questionou.Tá, isso foi ridículo, mas foi à primeira coisa que me veio à cabeça. Mas a verdade é que: quando você está em uma enrascada, você pensa em qualquer coisa pra dizer, menos a frase sensata que poderia salvar sua pele.Mas, o que realmente me surpreendeu foi que, quando olhei pro lado, vi Annabeth segurar um sorriso que estava se formando em seu rosto.
― É... ― continuei, olhando de volta para o professor ― É que eu li um livro há poucos dias sobre poderes sobrenaturais, sabe? Tipo da Carrie, “Carrie, A Estranha”, não tem esse filme? Pois é, tipo ela. Aí eu tentei imitar ela transformando a lousa verde em preta, porque, sério, cara, já ouviu como eles chamam a lousa? Chamam de “Quadro Negro”, mas então porque é verde?
Um olho do professor tremeu de raiva.
Quando olhei de relance para o lado, vi Annabeth sorrindo. Nico, por outro lado, estava encolhido na cadeira, revirando os olhos. Pouco liguei pra ele. Fazer Annabeth sorrir estava sendo a vitória do meu dia.
O professor estralava os dedos de raiva.
― Senhor Jackson ― ele disse ― Pra mim chega. Pra fora da minha sala. Vá tentar fazer o céu ficar verde com seus poderes lá fora.
Ah, droga!, pensei. Não era justo! Afinal perder o foco no meio da aula é comum demais pra ser mandado pra fora desse jeito. Tudo bem que eu também não deveria atiçar um professor que já não vai com a minha cara. Mas, bem, continua não sendo justo.
― Ah, qual é, professor? ― Annabeth levantou-se, surpreendendo a mim, ao professor, ao Nico e a quem mais estava na sala ― Isso é ridículo! O senhor não pode pedir a um cara com déficit de atenção que preste total atenção na aula! É injusto.
― Seria, senhorita Chase ― disse o professor ― Se o Sr. Jackson tivesse mesmo déficit de atenção. Não me comunicaram nada em sua ficha.
― Porque talvez ele não tenha sido diagnosticado. ― Annabeth devolveu ― Quem o conhece sabe muito bem que ele apresenta todos os sintomas. Se o senhor fosse esperto, teria percebido.
― Está me chamando de burro?
― A classe toda está de prova que eu definitivamente não disse isso. O que eu quis dizer que o senhor poderia ter percebido se também não fosse desatento. Será que também não tem déficit de atenção?
― É claro que eu não tenho!
― Acho melhor conferir...
― Está bem, Srta. Chase. Está bem! ― o professor rendeu-se ― Eu deixarei Percy Jackson na sala. Mas ele terá que fazer um exame e mostrar diagnóstico na próxima semana. Se não, ele estará bastante encrencado. E você também. Agora se sente.
Foi o que ela fez e o professor continuou a aula.
Eu fiquei completamente embasbacado. Isso aconteceu mesmo produção? Ela me defendeu do professor nojento e ainda livrou-me de uma encrenca das grandes?
Eu queria falar com ela. Mas, infelizmente, quando bateu o sinal do fim da aula, ela saiu com o Nico. Aliás, foi horrível ver isso. Que ele tem o que eu tenho? Porque ela não anda comigo em vez dele?
Meu subconsciente disse: Seu idiota! Você tem namorada!
É, ótimo.
Mas sabe de uma coisa? Eu não posso continuar assim. Digo, em relação à Annabeth. Eu preciso me afastar um pouco... Mesmo que por dentro eu me roa de ciúmes do di Ângelo.
Desisto de falar com ela.
Vou a outro lugar, sei lá. Passeio pelos corredores; converso com algumas pessoas, faço qualquer coisa que me mantenha distraído.
Meu dia até que segue tranquilo.
Pelo menos até depois do almoço, quando Thalia inventa de falar comigo.
Não que seja tão anormal minha prima de primeiro grau vir falar comigo. Não que eu não goste que ela venha falar comigo. É só um pouco... Raro. Muito raro, pra ser exato. Mas, pior que isso, é o olhar que ela me lança enquanto caminha na minha direção.
― Percy. ― ela diz.
― Thalia. ― respondo.
Thalia me olhava como se estivesse acabado de me conhecer. Era uma avaliação de cima em baixo que eu não entendia o porquê.
― Porque me devo a honra da sua presença, Srta. Grace? ― falei, com falsa e irônica formalidade ― Ou será que devo dizer, Srta. Cara de Pinheiro?
― Depois a gente um soco na cara de uma criança dessas, e ainda nos chamam de criança agressiva ― Thalia me deu um empurrão ― Vai se danar, Jackson! Isso foi no pré!
― Nem adianta tentar se justificar, benzinho. ― dei um tapinha de brincadeira no seu rosto ― Você que quis se fantasiar de pinheiro. Daí o apelido “Cara de Pinheiro”. Danadinha!
― Que tal você ir plantar coquinho no asfalto duro pra ver se nasce? E, de preferencia, fique por lá pra conferir. ― Thalia suspirou ― Eu quero falar outra coisa com você.
Não existe frase no mundo que te deixe mais curioso do que essa. Ela pode significar qualquer coisa, e, no caso da Thalia, a curiosidade equivale ao triplo do normal.
― Falar comigo, em? ― cruzei os braços ― O que quer saber? O numero da minha mãe, do meu pai, do meu avô? Okay, pega o celular que eu...
― Não é nada disso, cabeção. ― Thalia me cortou ― O que eu quero te perguntar é muito mais importante do que isso!
Remexi-me desconfortável. O que Thalia sabia?
― Bem, então... ― eu disse ― Fale.
Ela foi literalmente direto ao ponto.
― O que estava fazendo com Annabeth segunda-feira, quando puxou-a pra dentro do armário do zelador e logo depois ela saiu chorando?
Arregalei os olhos instantaneamente. Thalia Grace viu Annabeth Chase entrando no armário do zelador comigo junto? E depois a viu chorando? Espera! Annabeth saiu de lá chorando? Por quê? Chorando por causa de mim ou por ter dito o que disse?
Não é hora de se preocupar com isso, eu disse a mim mesmo. Thalia nos viu e eu preciso inventar alguma coisa pra convencê-la que não rolou nada.
Mas, sinceramente, sabe o que eu queria? Despejar tudo, contar pra ela de uma vez. Sei que Thalia é de confiança. Ela sempre foi. Mas eu não posso. Todos aqui são muito amigos. Se eu contar a qualquer um deles, eles com certeza contariam para Rachel, por que eu sou o intruso. Eu sou o novato. Então o melhor jeito é achar uma desculpa esfarrapada convincente.
― Ah... ― comecei ― Nós... Nós estávamos... É... Bem, eu a puxei pra contar algumas coisas da Rachel. Tipo, ela está um pouquinho receosa a respeito da psicóloga, lembra-se? Eu só queria uma forcinha.
― Então porque ela saiu correndo e chorando?
― Ah, Thalia, como eu vou saber? Eu simplesmente não entendo essa garota! Sei lá, TPM, mensagem ameaçadora, ou algo do tipo. Pergunte pra ela!
Thalia pôs a mão no queixo, ponderando. Logicamente, ela tinha que concordar que eu não tinha como saber. Meu interesse, pra ela e para todos, era a Rachel.
― Ah, tá. Tudo bem ― disse Thalia, com ar de conformação ― É que... Sei lá, eu achei suspeito. Imagina só: Você de caso com a melhor amiga de sua namorada!
Thalia começou a rir descontroladamente. Eu não tive alternativa se não rir junto. O que eu podia fazer, além disso? Tentar soar o mais calmo possível. Mas a carapuça serviu tão bem aqui, que foi um pouco difícil não ficar nervoso. Ah, Thalia, pensei, como você acertou em cheio, priminha!
― Bom, era só isso ― Thalia disse, ao conseguir parar de rir ― Eu queria te perguntar, e te preguntei. Era só isso.
― Ah... Tá.
― Okay. Então vou indo. ― Thalia saiu andando, mas, de repente, parou e voltou para perto de mim ― Ah! Só uma coisa: se eu descobrir que isso é mentira, e você tiver um caso com a minha melhor amiga, Jackson, eu vou te dar uma surra que você vai se lembrar pra toda a vida e vai contar pros seus filhos assim: “Nossa, meu filho, levei uma surra de quebrar os ossos ― literalmente ― da minha prima, porque beijei a melhor amiga dela que era a melhor amiga da minha namorada”. Bem assim. É isso. Rum.
Thalia saiu andando logo em seguida me deixando com a maior cara de “WTF?”. E eu fiquei-me preguntando de onde ela tira isso tudo.
Mas o que me chama a atenção foi o fato de que Thalia chamou Annabeth de “melhor amiga”. Sempre achei que Rachel fosse a melhor amiga da Annabeth e vice-versa. Mas parece que a Sabidinha é tão querida por todos que, não importa quem ela considera a sua, ela sempre vai ser a melhor amiga deles.
O que, de certa forma, não me admira. Já vi tudo o que Annabeth aguentou e fez para Rachel. Já chegou até a sacrificar a própria amizade pra ser amiga de verdade. E, claro, isso foi um dos motivos que me elevaram a me apaixonar por ela.
Saindo desse turbilhão de pensamentos, me dirijo à sala, pois o sinal tocou. Uma garota vinha na minha frente, lendo um livro na frente do rosto, e nós acabamos tentando passar juntos na porta da sala. Nós paramos.
E adivinha quem era?
― Caramba, Jackson, vê se você olha por onde anda, cara! ― Annabeth acertou o livro no meu peito ― Eu já não enxergava nada por causa do livro, você é cego de natureza, desse jeito estamos encrencados, não acha?
Acabei por gargalhar por isso. Annabeth me seguiu, o que foi muito bom.
― A proposito ― disse ela, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e abraçando o livro sobre o peito ― De nada por salvar sua pele. Eu até achei que você ia me procurar, mas parece que você virou um mal agradecido de um dia pro outro...
Annabeth já me dava às costas, mas eu a segurei.
― Eu não fiquei mal agradecido ― falei ― Eu só estava fazendo que você pediu. Não foi muito bom, mas consegui ficar longe de você.
Os olhos de Annabeth brilharam. Sua expressão era completamente controlada.
― Mas em todo caso ― continuei ― Obrigado.
Ela esboçou um belo sorriso.
Teria sido um dos momentos mais agradáveis do meu dia, se não fosse por Reyna.
― Percy! ― a morena enroscou-se em meus ombros ― Quanto tempo, docinho. Só te vejo nas aulas, mas você nem fala comigo.
― É...
Annabeth revirou os olhos, irritada. Okay, era aquela típica expressão de quem, bem, de que está com ciúmes. Espera! Annabeth com ciúmes de mim? Para tudo, vida! Tudo ainda só ficou ainda mais confirmada quando ela entrou pisando forte na sala.
― Eu andei muito ocupado ― tirei Reyna de mim ― E tenho que entrar.
Saí de perto dela o mais rápido possível. Nem me preocupava muito com o fato que talvez alguém visse e contasse pra Rachel. O foco do meu dia era Annabeth e o seu suposto ciúme.
Pov’s Annabeth.
Vadia.
É isso que ela é.
Será que não pode aceitar o fato de que ele já tem uma dona? Ou será que vou ter que desenhar e colorir pra ela entender? Argh! Vaca!
Mas sabe o que é pior? A carinha de quem não está entendendo nada que ele faz. Francamente, Jackson, já sabia que você era lerdo, mas agora comprovo que seu estado é avançado. Não existe pessoa mais lerda nesse mundo que Percy Jackson.
Quer saber? Por mim que se dane! Não vou tomar conta de namorado de ninguém não! Sinceramente, tenho problemas maiores com que me preocupar ― mesmo que um dos meus grandes problemas seja, de fato, ele.
No almoço, antes de eu encontrar-me com o danado super lerdo do Jackson, acabei por convidar Rachel Dare para ir comigo para a casa dos meus pais, pois eu necessitava urgentemente conversar com ela. Ela aceitou na hora, mas disse:
― Tenho que avisar o Percy.
Que típico. Obviamente, não me surpreendi nem um pouco, é claro. Mas ela só o avisou no final da aula, quando estávamos saindo, o que fez o moreno dizer:
― Posso ir com vocês?
Quase disse sim por conta daquela carinha fofa de cachorrinho pidão que ele fez. Fala sério, Cabeça de Alga, assim você me desconcerta! Mas eu disse:
― A não ser que você goste de manicure, pedicure, fofocas aleatórias e assistir o Titanic com uma panela de brigadeiro...
― Resumindo: ela não quer que você vá. ― concluiu Rachel.
― Mas eu quero ir! ― Percy falou, como uma criança mimada.
― Sabe, nós até podemos leva-lo. ― falei, no maior sarcasmo ― Aí a gente pode colocar algumas peças de roupa da minha avó Teresa nele. Ah, e os bobs também. Podemos pintar as unhas dele. Passar maquiagem. Já imaginou como o Percy ficaria de maquiagem?
― Seja como for, ele vai continuar lindo ― Rachel o abraçou.
― Que seja ― dei de ombros ― Ele não vem com a gente.
Vendo que não poderia insistir mais, Percy se despediu calmamente de nós duas. Mas eu vi quando ele bateu a porta da picape com muita força. Se ele arranhar ainda mais a minha velha...
― Eu acho que ele ficou chateado ― observou Rachel.
― Ah, eu acho que não ― falei, me direcionando pra onde estava o carro de meu pai ― E aí, você vem ou não, ferrugem?
Ela me seguiu.
***
― Olá senhor e senhora Chase. Quanto tempo que não os vejo! ― Rachel trocou um aperto de mão seguido por abraço com a minha mãe e meu pai.
― Olá, Rachel. ― disse minha mãe em meio ao abraço.
― Seja muito mais que bem vinda, Rachel ― fala meu pai ― Ah, e você sabe que não precisa me chamar de senhor.
― Desculpe, Senhor ― fala Rachel.
Meus pais, Rachel e eu rimos.
― Nós vamos lá pra cima, okay? ― eu disse ― Qualquer coisa estamos lá.
Eu fui logo puxando Rachel comigo para a escada, quando minha mãe disse:
― Vamos ter um maravilhoso café da tarde daqui a meia hora. Vou mandar Héstia chama-las, okay?
― Claro.
Subimos. Encontramos uma porta branca, a qual um titulo “porta do me quarto”.
― Wow! ― exclamou Rachel, assim que abrimos a porta e ela viu o meu quarto. ― É idêntico ao seu antigo!
― É, eu sei. Minha mãe questão de projeta-lo do mesmo jeito. Assumo que não gostei muito. Eu prefiro o quarto do meu apartamento.
― Eu não ― Rachel correu e pulou em minha enorme cama de casal, bagunçando-a como uma verdadeira Thalia Grace ― Essa cama aqui é mais macia.
― Há! ― pulei em cima dela e comecei a fazer-lhe cócegas.
― Pare! ― ela gritava, enquanto ria e eu parei minutos depois. Sentamos decentemente em minha cama, ainda rindo. ― Isso foi como nos velhos tempos.
― É ― confirmei ― Eram bons tempos, aqueles.
― É...
Ficamos em silencio por um tempo.
Mas, afinal, eram mesmo bons tempos, aqueles. Não tínhamos brigas, discursões, ciúmes, nada disso. Simplesmente curtíamos a nossa amizade da melhor maneira possível. Isso até Percy Jackson aparecer em nossas vidas.
Sei também não posso jogar toda a culpa nele, porque, de fato, ele não tem culpa. Afinal, não escolhemos por quem nos apaixonar. Mas sei que a culpa é minha, porque me deixei levar por seus encantos inocentes. Era difícil de resistir! Talvez eu tenha implicado com ele desde o começo, porque tenha gostado dele no primeiro momento em que o vi.
― Rachel... ― falei, de repente ― Eu tenho que te perguntar uma coisa muito importante.
― Que coisa? ― ela questionou, curiosa e preocupada.
Gelei. O que eu ia perguntar a ela não era nada sobre o Percy. Bem, ele tem algo a ver com isso, mas eu não ia lhe perguntar nada diretamente sobre ele. Era sobre outra pessoa. Um nome que eu havia escutado Rachel dizer enquanto ela dormia no hospital.
― O que... O que Octavian fez com você? ― disparei.
Rachel ficou tão pálida que até as sardas de seu nariz sumiram. Neste momento, é claro, eu já saquei que ela estava me escondendo alguma coisa.
― Oc... Octavian? F-fez comigo? ― ela gaguejava ― Ah... Na-nada, Annabeth. O que Octavian faria comigo? Puf! ― ela riu nervosa ― Nada. Nada mesmo.
Com os tremeliquei, a gagueja e a palidez que a perseguiam, nem o Percy acreditaria em nada daquilo. Ou não, né? Mas aquilo me deixou preocupada. O que Octavian fez com ela que ela tinha tanto medo de me dizer?
― Rachel ― falei ― Não minta pra mim.
Rachel suspirou.
― Octavian e eu... Nós nos beijamos.
― O que?!
Acho que agora foi eu quem ficou pálida. Meu rosto transparecia surpresa. O meu “O que?!” saiu tão agudo que chegou a ser vergonhoso. Mas eu não consegui tirar o pânico do meu rosto. Simplesmente eu não acreditava no que tinha ouvido.
― C-como? ― gaguejei.
― Nós nos beijamos, Annabeth. ― ela repetiu, agora as palavras estavam saindo com mais facilidade de sua boca ― Eu e o Octavian.
― Oh... ― controlei a respiração e tentei me acalmar ― Q-quando?
― Na sexta-feira anterior ao dia da nossa saída. Eu... Eu não sei o que houve. Eu não te contei que fui direto pra diretoria naquele dia. Octavian também estava lá. Você lembra como ele é encrenqueiro. Quando saímos ele começou a implicar comigo. Eu tentei me livrar dele, juro, mas ele me segurou quando eu fui bater nele. E me beijou. E eu deixei. Sei lá, Annie... ― Rachel pôs as mãos no rosto ― Simplesmente aconteceu.
Eu estava chocada.
Então era por isso que Rachel estava tão estranha naquele dia.
― Mas... ― falei ― O que aconteceu depois?
― O que acha? Eu saí correndo! ― Rachel limpou o rosto ― Eu fiquei tão arrependida! Lembra de como eu estava estranha? Eu admito que primeiramente eu... Gostei de beija-lo. Mas quando eu cheguei em casa e vi o Percy sendo fofo comigo como sempre... E me arrependi de ter feito qualquer coisa como ele.
― Então... Isso não voltou mais acontecer? ― perguntei.
Rachel ficou em silencio e abaixou a cabeça. Ah, não.
― Rachel?
Ela suspirou.
― Eu... ― ela colocou as mãos no rosto novamente ― Bem...
― Rachel, você... Você continuou com isso? ― perguntei, espantada.
― Não me julgue, Annabeth! ― ela começou a ficar nervosa ― Eu simplesmente não consegui evitar!
― Não estou te julgando, Rachel ― Ah, eu estou sim!, pensei ― Mas... Como assim? O que houve? Porque?
― Annabeth, você não reparou como o Percy está estranho comigo? Ele praticamente não me toca mais! Me evita, me ignora, briga comigo por tudo. Às vezes eu até penso que ele não gosta mais nem de me beijar.
Ah, não. Eu não acredito.
― Rachel, você... Está traindo o Percy, por livre e espontânea vontade?
― Não estou dizendo que fico com Octavian o tempo todo. Não estou dizendo que fico atrás dele como uma vadia. Ele que me procura. E... Annabeth, que eu estou fraca em relação a ele. Acredite, eu me culpo por isso.
Eu estava sem fala, sem palavras, minha garganta estava completamente seca. Como ela conseguia ficar calma daquele jeito?
― Annabeth... ― Rachel estava com os dedos na minha frente. ― Annabeth, você está completamente pálida.
― É que... Esqueça. ― olhei diretamente para ela ― Ele sabe? Digo, o Percy.
― Puf! Claro que não, Annabeth! ― Rachel quase gritou ― Imagina se ele soubesse? Terminaria comigo na hora! Eu faria a mesma coisa, e depois bateria na vadia.
Engoli em seco nessa parte.
― Mas... ― comecei ― Você não vai ter do que reclamar, porque... Bem, você fez a mesma coisa, entende? Você não poderia culpa-lo.
― Annabeth, está me dizendo que defenderia o Percy se ele me traísse?
― Ah... ― e essas e outras, só eu que eu apronto ― Claro que não, Rachel! Eu defendendo o Jackson? Me poupe. Só... Só foi uma hipótese, entende? Só isso.
― Annabeth... ― Rachel se aproximou de mim devagar ― Você... Você sabe de alguma coisa que eu não sei?
Ah, sabe, sei muito mais do você imagina!, pensei.
― Não ― neguei ― Não. Imagina, Rachel, é claro que não. Como eu poderia saber?
Rachel me estudou.
― Okay. Mas... Annabeth. Me prometa, me jure, que você não vai contar nada pro Percy?
Fiquei em silencio.
― É sério, Annie! ― Rachel continuou ― Me jure! Mas, dessa vez, eu preciso que você cumpra a sua promessa.
Fiquei zangada com aquilo.
― Eu prometo se você me prometer acabar com sua historia com o Octavian. ― disparei.
Espera... Rachel estava hesitando?
― Okay ― ela disse por fim ― Eu prometo.
― Eu também.
Héstia entra no quarto com um sorriso de felicidade no rosto. Que bom que alguém aqui está.
― O lanche está pronto! ― ela anunciou.
― Já vamos descer ― eu digo.
― Tipo... Agora! ― Rachel pulou da cama, passou por Héstia e cruzou a mil a porta.
― Essa está com fome! ― brincou Héstia sorrindo ― O que aconteceu, Annabeth? ― ela olha preocupada pra mim.
Se eu estou bem? É claro que não estou bem! É muita informação para um dia só!
― Estou sim, Héstia ― levantei-me da cama ― Muito bem.
Ando confiante até a porta. Eu sou uma terrível mentirosa!
― Okay ― diz Héstia, quando passo por ela.
Não acredito que me senti tão preocupada por ter feito ― sem querer, é claro ― Percy traí-la. O olhar que ele fez por ter me beijado pela primeira vez acabou comigo.
Se ele soubesse que ela o tinha traído primeiro...
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