O Namorado Da Minha Irmã
16 Capítulo dezesseis.
Notas iniciais
[...] João
Quando soube do acidente da Bia meu coração disparou e minhas mãos gelaram. Por mais que não tenha absolutamente nada mais entre nós, por mais que não exista mais ''nós'', eu ainda sinto algo por ela, algo realmente especial, ela é especial.
Enquanto dirigia rumo ao hospital, não pude evitar de pensar na Viviane, por mais que ela não demonstrasse tanto afeto pela Bia, elas são irmãs e eu tenho certeza que ela estaria sofrendo. Eu queria achar as palavras certas para a confortar, queria poder dizer algo que fizesse se sentir melhor. Só que cheguei a conclusão de que nesses momentos não existem palavras certas, que não existem palavras que nos console, que a única coisa que pode nos trazer um pouco de paz, é um simples abraço.
Desci rapidamente do carro, e fui direto para a recepção.
– Bom dia! Eu gostaria de saber como está a paciente Beatriz Walker. — Pedi atropelando algumas palavras.
– Bom dia! — Disse a recepcionista com um sorriso de paisagem. — Bom, você terá que perguntar isso diretamente com o doutor responsável pela paciente, eu aconselho você a sentar-se um pouco e esperar, pois ele está em uma reunião sem previsão de término.
– Valeu, obrigado! — Forço um sorriso.
Fiz exatamente oque ela pediu. Enquanto esperava, estava começando a ficar impaciente, minuto em minuto trocava o peso do pé. Que a propósito o tempo parecia não passar, cada segundo era um minuto.
– Janjão? — Escuto um homem me chamar, me viro na esperança de ser o médico.
– Mosca? — Digo surpreso. — Você tem noticias da Bia? De como ela está? — Perguntou angustiado.
– Foi mal, cara. Não sei de nada ainda, quem deve ter noticias do estado dela é o Duda ou a Vivi, que a propósito entraram no leito faz um bom tempo e ainda não saíram. — Informou Mosca enquanto checava seu relógio.
– Beleza! O jeito é esperar. — Disse desanimado e voltando a sentar em uma das cadeiras duras da sala de espera. — Você sabe ao menos a causa do acidente? — Perguntei.
– Pois é, saber eu sei, só não sei se posso contar. — Disse Mosca um pouco tenso.
– Qual é Felipe? Eu já fui namorado da Bia e acima de tudo somos amigos, se você não me contar agora ela vai me contar depois. — Digo tentado achar uma maneira de o convencer.
– Você tem razão, mas ó! Não vai fazer besteira, tá? — Questionou ele é eu assenti apreensivo. — A Bia descobriu que o Duda traia ela.
– Filho de uma mãe. — Sussurro. — Eu sabia que isso ia acontecer, eu sabia, caralho! — Digo com o tom de voz alterado, assim como eu. — Bem feito, só assim para ela aprender a escolher melhor, na marra!
– Calma, porque o pior ainda está por vir, adivinha quem era a menina que ele traia a Bia? — Pediu e logo sentou-se ao meu lado.
– Sei lá a Janu? Cris? Bel? — Chuto algumas das antigas peguetes dele.
– Não! Não é qualquer uma. — Ele faz suspense.
– A Marian? — Dou meu último palpite e ele alega estar errado. -Desembucha logo, cara.
– Viviane Walker, conhece? — Pergunta irônico.
– Era quem? — Pergunto espantado, na esperança de ter ouvido mal.
– A Viviane, irmã mais nova dela. Que aliás, você não tava pegando ela? — Falou Mosca com uma certa dúvida.
– Tava sim irmão, mas vadia não se contenta só com um não. — Por um estante toda aquela raiva e rancor que tinha guardado por Eduardo aos poucos se desencadeava e tudo vinha a tona, só que desta vez, mais forte! Filho da puta, de novo, não se contentou com a primeira. São uns idiotas, se merecem. A vadia e o galinha.
– Janjão? — Diz Milena se aproximando, com dois copos de café em suas mãos.
– Qual o quarto que a Bia está? — Pergunto ignorando Mili.
– Sei não, você sabe amor? — Mosca refere-se a Mili.
– Duzentos e oito, só que os pais da Bia acabaram de chegar, então..
– Valeu! — Digo a cortando.
Enquanto me afastava deles, pude escutar Milena dando alguns sermões no Filipe, algo referente a mim não poder saber da suposta traição. Foda-se!
Entro em um dos longos corredores que aquele hospital habitava. Enquanto buscava o quarto de número duzentos e oito, escuto uma voz que reconhecia.
– Ela vai ficar sedada durante 36 horas Duda, de qualquer maneira você não iria vê-la acordar.
Escutei com certa dificuldade, o som estava meio baixo e abafado, mas de qualquer maneira era impossível não reconhecer aquela voz.
– Viviane! — Cochicho para mim mesmo.
A raiva e amargura que estava sentindo era surreal, era algo que dominava meu corpo, fazia meus punhos formigar. Eu tinha sangue nos olhos.
– Vamos? — Era aquela mesma voz.
Quando vejo Eduardo sair por aquela porta, meu sangue ferve e minhas veias pulsam. Não me contenho e dou um boxe digno de Óscar naquele moleque idiota, agora eu quero ver mais alguma piranha dar mole para ele sem os dentes.
– Você tá ficando louco, Janjão? — Gritou Viviane enquanto ajudava seu amante. — Oque que te deu para fazer isso? — Perguntou incrédula.
– Oque que me deu? — Pergunto indignado. — Eu que te pergunto Viviane, oque que deu em você para trair sua irmã e ser amante desse aí? — Digo cuspindo fogo.
– Oque? Mas.. Como você sabe? — Perguntou Viviane nervosa.
– A Mili e o Mosca me contaram. — Digo com indiferença. – E sinceramente eu esperava mais de você, Viviane! — A encaro com um olhar de desprezo.
– Mais alguém sabe disso? — Interrogou Eduardo.
– Porque? Tá com medinho que descubram que você ainda é um galinha? — Falo irônico.
– Só me responde!
– Não, ninguém mais sabe disso. — Digo. — Ainda!
– João, olha! — Começou Viviane — Pelo amor de Deus. Se mais alguém souber disso, vai chegar aos ouvidos do meu pai e se isso acontecer ele vai me expulsar de casa..
– Este é um risco que você deveria saber que iria correr. — Falo sorrindo.
– Você quer que eu volte para San Francisco? — Perguntou com os olhos lacrimejados. — Eu não tenho ninguém lá, e muito menos aqui.
– Eu não vou contar. — Cochicho, mesmo ela tendo feito tudo oque fez, ainda mexia comigo. — Pela Bia, eu não vou contar porque sei que ela não gostaria de ter a reputação manchada por corna. — Faço uma pausa e continuo. — Ainda mais por dois delinquentes que só pensam em sexo. — Digo indo em direção a saída.
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