O Namorado Da Minha Amiga.
4 Capítulo 4: Lesson Learned.
Notas iniciais
—Jerry vem cá um pouquinho, precisamos conversar. –Digo puxando Jer pelo braço.
—Sério mesmo que você vai ignorar meu namorado? Pelo menos fala um oi antes de sair arrastando o Jerry feito uma louca. –Julie diz meio indignada. Ah se ela soubesse que o problema aqui é justamente eu não ter ignorado o namorado dela...
—Ah desculpa, não foi de propósito. –Sinto meu rosto queimar e estendo a mão para Layne, que faz o mesmo e está com uma cara de menino que aprontou alguma.
Sua mão segura a minha por alguns segundo mais do que devia, e olha só, dá pra ver uma pontinha do número do meu celular ali... Se a Julie vir isso, eu estarei morta e enterrada em questão de segundos sem nem ter chance de me explicar.
—Então Alice, já que vocês já disseram oi... . –Jerry quem me puxa agora, com um olhar estranho. –Licensinha gente.
—Você é meio louco né? Em um momento tá fazendo piada da minha situação e no momento seguinte só falta matar o cara.
—É que foi engraçado. –Jerry começa a rir descontroladamente. To achando que vou sair daqui direto pra cadeia... –Mas o que diabos a senhorita andou aprontando hein?
—Eu não sabia que ele era namorado da Ju.
—E o canalha nem te contou?
—Ele não sabia que eu era amiga dela.
—Você é um autentico imã de má sorte, talvez seja melhor eu me afastar... –Jerry dá uns passos pra trás rindo.
—Jerry para de ser chato e me ajuda. Meu número tá marcado na mão e em parte do braço dele, e tipo... Qualquer movimento deixa parte do número á mostra, e se a Ju vir... –Encaro o Jerry com uma expressão de pânico, pra ver se ele entende. — Argh, aquele idiota não se toca do lance do número e fica mexendo aquela mão boba pra lá e pra cá.
—Não acho que você tenha se importado com a mão boba quando ela tava te tocando. –Jerry diz fazendo um bico. –Sean vai adorar saber de tudo isso.
—Te odeio seu puto. –Dou um tapa no braço de meu amigo e ele volta a rir. Já até posso ver meu irmão me zoando por toda a eternidade por causa disso.
—Tsc você sem mim não seria nada. –Jerry dá uma piscadinha e então cruza um braço em um dos braços de Julie e sai meio que arrastando ela. –Já resolvi o problema com a nanica. Agora deixe me contar pra você sobre a nova música que estou compondo...
—Tá, mas não podemos ficar enrolando porque a banda do Layne vai se apresentar jajá e quero que vocês vejam. -Ju dá uma olhada pra trás e sorri, dando sinal para Layne e eu irmos atrás dela. E é o que fazemos, mas bem lentamente.
—Carma, né? –Layne diz dando uma risadinha.
—Carma é apelido. Ei, meu número de telefone... –Eu digo sussurrando enquanto caminho ao lado de Layne, eu não consigo parar de olhar o chão, mas dá pra notar que ele está olhando diretamente pra mim.
—Não vou mais poder te ligar? Eu tava tão animado com essa ideia. –Ele dá um suspiro e sorri. É, agora to encarando ele, como não encarar depois dessa?
—Eu ia falar pra você esconder ou apagar meu número do seu braço. Se a sua namorada, ou melhor, se minha amigar vir isso ela mata nós dois.
—Eu não vou apagar. –Ele diz segurando o braço com uma cara de indignação. O que fiz pra merecer isso?
—Então pelo menos não deixa a Ju ver.
—Ainda posso ligar?
—Anh? Claro que não. –Digo encarando-o irritada. –Olha, uma coisa é você trair uma garota qualquer por aí, outra bem diferente é trair minha amiga.
—Você não pareceu se importar agora á pouco...
—Não sabia que a garota em questão era minha amiga. Olha... Você não se sente mal por isso?
—Claro que sim. –Layne dá um suspiro e então me encara, estamos parados nos olhando agora. –Eu me sinto péssimo porque ela não merece isso, e vai ser difícil não fazer novamente com você por perto o tempo todo. Muito difícil.
—Bem, quanto a isso dá pra nos evitarmos e nos vermos só em ocasiões especiais, sei lá. Não somos obrigados a conviver e...
—Você entendeu que eu acabei de assumir que estou muito afim de você, né? –Ele interroga com uma sobrancelha erguida. Vida porque tão cruel?
—E daí? Por mais que você seja legal e bonitão e tals, não teria como rolar nada entre a gente. Eu jamais trairia a Ju.
—Olha, não é como se eu tivesse gostado de ter traído ela. Mas eu realmente gostei de ficar com você.
—Olha, eu..
—Aconteceu alguma coisa? –Ju interroga se aproximando.
—Ah eu perdi meu anel e ele tava me ajudando a procurar no chão. –Sorrio e me agacho fingindo que estou procurando o anel. Tenho certeza de que Layne e Jerry estão prendendo o riso, e quero empalar os dois.
—Ei Layne. Grita uma voz familiar. É a voz do garoto que chamou o Layne de sortudo quando estávamos indo para a parte de trás da mansão. Não, não, não. Ele vai abrir o bico. Cadê o apocalipse quando a gente precisa?
—Achei. –Me levanto rapidamente para poder sair daqui antes do cara chegar, mas dou de cara com ele, que parece confuso enquanto encara Layne, Ju e agora eu.
—Ei cara. Deixa eu te apresentar os amigos da Julie, Jerry e Alice. –Layne diz meio nervoso.
—Amigos da sua namorada? –O cara pergunta com cara de deboche. É hoje que rola duplo homicídio, ou triplo se o Layne me irritar também.
—É. –Layne diz com uma expressão séria.
—Prazer em conhecê-los. –O rapaz sorri e estende a mão para Jerry e então beija a minha. –A bela dama está solteira? Porque se estiver...
—Menos Anthony. –Layne revira os olhos. –Você veio dizer alguma coisa?
—Então, o Andrew chegou, mas ele disse que irmão dele que ia ser nosso vocalista no show de hoje não vai poder tocar... E nem o Andrew vai tocar.
—E porque diabos eles não vão poder?
—É que... –Anthony encara Layne e depois dá uma leve olhada para o meu lado, logo voltando a por seus olhos no amigo. –Andrew disse que algum babaca deu uma surra no irmão dele pra impressionar uma garota. –Anthony então dá risada. –E ele tá cuidado do coitadinho.
Não, aí já é azar demais. Sério que o parceiro de banda do Layne é irmão do cara que tava me assediando?
—Qual é a graça cara? –Layne interroga sério.
—Bem, hã, nenhuma. Mas o que interessa é que agora estamos sem guitarrista e sem vocal. Só sobramos eu no baixo e você na batera. Não tem como você tocar bateria e cantar não? Afinal sua voz é bonita e...
—Voz bonita é? –Jerry interroga com um ar curioso. Isso é hora de se interessar pela voz do cara? Ele não tá ouvindo a conversa não? –Eu posso ajudar. Sou guitarrista e backing vocal de uma banda. Posso tocar com vocês, só vou precisar de uns minutos pra analisar as músicas que serão tocadas.
—Mas ainda assim, não temos um vocal. –Anthony diz meio chateado.
—Seu amigo Layne canta. Quero ver se ele canta bem mesmo.
—Jerry Jones... –Dou um beliscão no idiota do Jerry. Já sei o que ele pretende. Faz alguns meses que ele está procurando um vocalista pra banda que ele tem com meu irmão... Não. Não Layne. Jerry me paga.
—Mas eu não posso tocar e cantar ao mesmo tempo. –Layne diz meio assustado. Não é pra pouco, o Jerry tá com uma cara de psicopata...
—Ela toca bateria. –Jerry diz apontando em minha direção.
—Não, não toco.
—Toca sim. –Ju diz me encarando confusa. Seu irmão é o baterista da banda do Jerry.
—Ele é o baterista, não eu.
—Mas ele te ensinou a tocar. Não seja egoísta Alice. –Jer diz. Ele realmente está implorando pela morte.
—Você sabe mesmo tocar?
—Um pouco. –Assumo meio frustrada e então sinto dois braços me envolvendo e quando vejo estou no colo de Layne, que está caminhando em direção ao palco. –Tá louco? Me larga. –Digo enquanto dou uns tapas nele.
Quando sou solta percebo que estou no mini palco improvisado... E tem um monte de gente me encarando.
—Oi gente. –Layne diz olhando para o lado do povo. –Boa noite, eu sou vocalista de uma das duas ultimas bandas que vai tocar aqui hoje, ou melhor, iria. Pois infelizmente estamos sem baterista. A não ser que a bela dama que está do meu lado aceite tocar com a gente.
—Eu te odeio, muito. –Digo em um sussurro. Como ele e Jerry podem ser tão despreocupados? Aff.
—E então... –Ele me encara com um olhar meio pidão e aquele maldito ar de menininho inocente. Eu vi a inocência dele mais cedo...
A plateia me encara com olhares confusos e interrogadores. Eles me matariam se eu dissesse não?
—Bem, hã... S-sim.
Depois disso as coisas foram meio corridas, deveríamos ter uma hora para ensaiar, mas a outra banda foi vaiada e nem tivemos muito tempo pra nada.
Agora estou atrás da bateria no palco e Layne está cantando... Além de tudo ele tinha mesmo que cantar tão bem? A voz dele é profunda, sonora e carregada de emoção.
Layne está cantando a última música, que logo se encerra, e então ele agradece ás pessoas por terem curtido o show (sérios, estávamos morrendo de medo de sair do palco como a outra banda saiu, sendo vaiada e recebendo garrafadas), agradece á Jerry por ter ajudado e então para em minha frente, me olhando nos olhos.
—E obrigado á você por tudo, foi uma noite encantadora e sem você não seria metade do que foi. –Ele beija minha mão e sorri sincero, e eu sorrio mesmo que não queira. As pessoas que estão ouvindo, incluindo a Ju podem pensar que ele está falando sobre eu ter aceitado tocar a bateria, mas sei do que ele está falando.
Passamos alguns segundos assim, nos olhando e com ele segurando minha mão, e então ouvimos Jerry pigarrear e nos soltamos rapidamente.
Poderia ser um fim de noite perfeito. Se não fosse o fato do moreno de cabelo ensebado estar lá embaixo, nos encarando. É, aquele moreno que me assediou e depois apanhou. Acho que se existe esse negócio de vida passada eu devo ter sido uma pessoa terrível e to pagando tudo de uma vez.
Assim que saímos do palco o cara nos cerca furioso.
—Você, seu maldito! –Ele diz pegando Layne pela gola da jaqueta dele.
—Eu te conheço? –Layne interroga se fazendo de inocente. Também pudera, Ju está bem do nosso lado. Não vai mesmo rolar aquele apocalipse?
—Você me bateu, me humilhou!
—Do que ele tá falando? –Ju interroga confusa.
—Ah deve ser só um engano. –Jerry diz baixinho. –Vamos deixar eles resolvendo isso, quero te pedir ajuda á respeito de algo.
—Tem certeza? Ele parece estar furioso. –Ju diz enquanto observa os amigos de Layne afastarem o moreno.
—Vai ficar tudo bem, vai indo para o quintal que vou me assegurar de que as coisas vão ficar bem e te encontro lá para conversarmos longe dessa zona.
Ju sorri e sai. Jerry tem um grande domínio sobre ela, acho que se o cara estivesse matando o Layne e ele dissesse que tava tudo bem ela acreditava.
—Cuida bem da Alice e resolve isso logo, não vou conseguir manter a Ju distraída por muito tempo. –Ele diz para Layne e então sai apressadamente.
—O que tá pegando? –Pergunta outro moreno, confuso. –Porque meu irmão tá tão bravo?
—Ah Andrew, esse aqui é o babaca que bateu no seu irmão, e essa é a garota que ele estava tentando impressionar, ou melhor, salvar dele. –Anthony diz indicando Layne e eu enquanto segura o moreno pervertido com a ajuda de outro rapaz.
—Você... Layne como...? –Andrew encara Layne meio chocado.
—Eu na ia deixar esse cretino ficar assediando ela.
—Ah qualé, você tava de olho nela também. Como foi que ela te agradeceu hein? –Interrogou o moreno com um ar malicioso.
—De olho nela? Layne... E a sua garota? –Andrew interroga. Ok, Doctor pode aparecer aqui com a Tardis¹ e me levar pra longe, viu.
—Ele tem namorada? E eu que sou o cretino aqui, né? –O moreno esbraveja e Layne ameaça partir pra cima dele.
—Calma gente espera. Layne você, Andrew, seu irmão e eu vamos conversar lá atrás e você moça, espera aqui com a Angel. –Anthony diz me olhando enquanto aponta a Lolita. –Por garantia é melhor que não tenha mulheres presente.
E então eles se afastam. Legal ser parte do assunto de uma conversa e não saber o que vão falar á seu respeito.
Olho para meu lado, a Lolita é tão quietinha que eu nem tinha visto ela aqui...
—Que confusão. –Ela diz sorridente.
—É porque estou envolvida, sério. Eu atraio azar, não é possível.
Ela sorri e fica me observando pensativa, seu rosto é tão delicado que ela parece mais uma boneca. Outra garota extremamente feminina e delicada... Estou começando a me sentir uma batata.
—Ele gostou de você. –Ela diz com um ar meio triste. –Você deve ser alguém bem excepcional.
—Oi?
—O Layne, ele gostou de você. Você o fez sorrir e se animar. Ele geralmente é bem sorridente sabe, e cheio de energia. Mas dá pra perceber que no fundo ele é alguém muito isolado. Mas você que acabou de conhecê-lo conseguiu quebrar a barreira ao redor dele melhor do que qualquer um que o conhece. Ao menos é o que parece.
—Eu juro que não fiz nada. A gente só conversou e... Hã... –Coço a cabeça confusa. Eu realmente não to entendendo nada do que ela tá falando.
—Você deveria ficar por perto, gosto quando ele está feliz de verdade. Layne se preocupa tanto com os outros que se esquece de si mesmo e eu odeio ver aquele sorriso fingido no rosto dele só para pensarmos que está bem.
Ah, ela está dizendo que ele não costumar sorrir daquele jeito tão adorável? Pena. E é ainda uma pena maior que depois de hoje vou me afastar por completo dele e inventar qualquer desculpa que seja possível só pra não precisar vê-lo. É melhor assim.
—Você parece se importar muito com ele. –Digo finalmente e sinto uma leve pontinha de ciúmes em meu tom de voz. Sério mesmo que eu to com ciúmes de alguém que acabei de conhecer?
—Eu amo ele. –Ela sorri triste novamente. –Mas ele não nota isso. Eu não me importo, só quero vê-lo feliz.
—Bem, então tenho que ser sincera, não posso e nem vou ficar perto dele. Ele é namorado de uma amiga minha e não quero atrapalhar os dois.
—Não gosto daquela garota. –Ela diz frustrada e então me olha com uns olhinhos brilhantes cheios de preocupação. –Não que eu a odeie, é só que... Bem, ela me trata como se eu fosse algum tipo de aberração bizarra só porque sou diferente dela.
—Ah não esquenta, ela faz isso com todo mundo. –Dou uma risada. –Coisa de gente rica. Mas é sério, ela é legal.
—Mas eles não se amam... Ela não ama o Layne.
—E como você sabe disso?
—Porque notei que ela olha pro seu amigo loiro cabeludo da mesma forma que eu sei que olho pro Layne. Ela deve amar aquele rapaz.
—O Jer? Mas Jerry e ela são amigos á séculos e nunca rolou nada.
Mas bem que meu irmão Sean vive zoando o Jerry dizendo que ele tem uma adoradora.
—Ele não é ele mesmo quando está perto dela. –Angel diz se referindo á Layne e então fica silenciosa. Vou aproveitar esse silencio.
Vários minutos se passam e logo Layne volta limpando um pouco de sangue do canto da boca. Aparentemente essa foi a única lesão que sofreu.
—Você está bem? –A Lolita pergunta com extrema preocupação.
—Vou sobreviver. –Ele sorri para ela e então para mim. –Vamos encontrar o Jerry e a Julie, já foi tudo resolvido.
Layne não diz mais nada e saí andando, mas tem um que de tristeza em seu olhar, e notei o que Angel quis dizer a respeito de ele fingir que está sorrindo. E realmente, o ver sorrindo assim dá uma tristeza.
—E aí cara, como ficou tudo? –Jerry interroga assim que nos vê.
—Ficou tudo bem, era só uma confusão do rapaz lá. –Mentira né, mas Ju está perto da gente, então é uma mentira necessária. –Mas eu to fora da banda. –Ele diz e aquele sorriso triste volta. Sinto-me um lixo, pois afinal de contas tudo começou por minha culpa.
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