O coração da garota de cabelos castanhos estava palpitando à mil. Não importava os 9 meses que estava naquela cidade, muito menos as pessoas que já conhecia. Annelise sempre permanecia nervosa antes de entrar no colégio.

Para ela, era como entrar em uma floresta cheia de lobos esperando a próxima vítima para devorar em pedaços. Pode parecer estranho, mas o ensino médio é realmente isso. É como uma prova de fogo.

Ao passar pelo grande e vasto corredor, Annelise decidiu não ir para a sala naquele momento. Ela passou por várias salas, várias mesmo. Até chegar em uma em específica que a fez abrir o primeiro sorriso aquela manhã.

A sala de música.

Era um dos únicos lugares dali que Anne ficava confortável em ficar — claro, sem a presença de outras pessoas —. Era um lugar calmo, assim como a biblioteca. Tinha vários instrumentos espalhados e poucas pessoas a visitavam. Era como um porto seguro.

Antes de entrar na sala, a garota conferiu se algum intruso estava vindo para o mesmo lugar. Vendo que não, fechou as portas e caminhou até o seu instrumento favorito: o piano. Segundo ela, "é um instrumento clássico e grandiosa. Para cada tecla tocada, me parece estar passando várias emoções diferentes".

Primeiro ela tocou e Fur Elise depois a garota cantou Love Of My Life. Mas, no último refrão da música, ela escutou um barulho e percebeu olhares diretamente para ela.

Annelise olhou para todos os lados da sala, e quando se virou para conferir a porta, estava lá Rodrick Heffley.

Rodrick tinha saído de casa atrasado aquela manhã. O Manny, irmão do rapaz tinha se sujado INTEIRO com as tintas do Greg. Como se não bastasse, a mãe tinha saído, o pai foi para o trabalho e o seu outro irmão foi para a escola mais cedo. A pessoa que teve que limpar toda aquela sujeira era ele.

Foi uma das experiências mais traumáticas da vida daquele pobre adolescente. Além de ter que limpá-lo enquanto queria sair da banheira, a criança ainda teve a audácia de fazer xixi na hora do banho. Claro, ele fez isso de propósito para deixar o Rodrick com raiva. E ele conseguiu.

Depois da mãe ter chegado em casa, Rodrick teve que ir correndo atrás dos materiais que estavam espalhados pelo quarto fedido e cheio de roupas no chão. Isso demorou cerca de 16 minutos, sem contar o tempo que levou ao pegar o ônibus.

Ao chegar na escola, o objetivo do baterista era ir para sala de aula imediatamente e não ficar "zonzando" pelos corredores. Mas uma voz feminina lhe tirou toda a atenção.

Depois da Heather ter saído da sua banda — por algum motivo desconhecido — os três rapazes estavam procurando alguma outra vocalista para o Fralda Cheia, mas todos os cartazes espalhados pela escola foram ignorados pelos demais.

Até ali, então, ele estava desesperado atrás de alguma garota e aquela voz parecia ser p-e-r-f-e-i-t-a para a banda.

Curioso para saber quem era a dona daquela voz que ecoava os corredores vazios do colégio, Rodrick decidiu seguir a melodia, até chegar na sala de música, onde as suas espectativas tinham chegado ao fim.

A pessoa que cantava não era nada mais nada menos do que Annelise Burfield, a mais nerd e zoada de todo 3° ano. Ela era uma garota que sempre tirava notas altas, era completamente estranha, suas roupas eram bregas e nunca tinha ficado com NENHUM garoto. Pode parecer ridículo, mas nunca ter beijado uma pessoa no Colégio Lawford era quase como um pecado e você seria humilhado pelo resto do seu ano letivo.

Rodrick nunca tinha tido contato com aquela garota antes, e muito menos esperava que isso acontecesse. Mas naquele dia aconteceu.

Quando ele viu que a vocalista dos seus sonhos era uma fracassada, resolveu sair e ir para a sala, mas um violão que sempre ficava encima de uma poltrona ao lado da porta acabou caindo no chão, o que fez Annelise parar de cantar e fixar os seus olhos arregalados em Rodrick, que naquele ponto olhava para o instrumento caído no chão desnorteado.

— Como ousa? Você estava me espionando? — Ela disse levantando da cadeira e indo até ele com os braços cruzados esperando uma explicação válida.

— Hein? Não, é claro que não. Eu só escutei você cantar, segui para ver de onde estava vindo e fiquei por aqui.

— Isso é espionar! — Ela disse como se fosse óbvio.

— Ah, tanto faz, tá legal? Eu já estou indo. Achei realmente que iria encontrar a garota certa para banda mas pensei errado. — Ele diz a última frase quase para si mesmo.

— Espera, o que você falou? — Ela disse antes que o Rodrick saísse pela porta.

— Deixa pra lá.

Quando o garoto fez um movimento de sair da sala, Annelise pegou em seu braço o impedindo de sair. Ela poderia parecer fraca por ser magra, mas ela tinha uma força extrema.

— O que você pensa que está fazendo?

— Você gostou da minha voz? Você tem uma banda?

— Ahn… Se eu disser que sim, o que você vai fazer?

Annelise parou por um momento para pensar sobre o que o Rodrick tinha dito e soltou o seu braço logo olhando para o chão mudando a sua expressão facial.

— Praticamente nada.

— Hm, o que você tem? — Foi o que ele disse por curiosidade.

— Nada. Eu não posso fazer nada. Eu apenas tenho que ser sempre a velha Annelise Burfield. — Anne soltou um suspiro. — Você já sentiu que todas as pessoas ao seu redor querem que você seja algo, mas você quer ser algo diferente daquilo?

Rodrick soltou uma risada fraca. — Eu acho qus eu vivo assim. Os meus pais estão pouco se ferrando para a minha banda, minha mãe quer que eu seja um "irmão mais velho exemplar".

— Como você reage com isso? Você aceita e é a pessoa que querem que você seja?

— Tá maluca? Se eu fosse me importar com o que a minha mãe quer que eu faça eu estaria na Spag Union e minha banda já era. — Disse Rodrick sentindo calafrios só de pensar.

— Então você não faz o que os outros mandam? Apenas é quem você é de verdade?

Rodrick concordou. — É. Por quê pergunta?

De repente, um sorriso de felicidade apareceu no rosto de Annelise. Ela estava feliz por ter conversado com alguém sobre algo que ela já queria saber há muito tempo.

— Ah, MUITO obrigada pela ajuda. Eu me sinto bem de ter conversado com você.

— Tá, né… — Ele disse confuso enquanto cruzava os braços. — Eu já vou indo. Você deveria vir também, não tem ninguém nos corredores e as aulas já começaram.

— Oh! Me esqueci completamente disso. Estou indo logo atrás de você.

— An… Ok..

A primeira conversa dos dois adolescentes foi estranha, principalmente para o Rodrick. Agora ele tinha a exata certeza de que tudo que falavam sobre aquela garota era verdade: Ela era uma estranhona.

Já para Annelise, foi uma conversa que a fez pensar sobre várias coisas. Todas as suas dúvidas tinham acabado em um piscar de segundos. A garota sabia que rumo tomar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.