O Mundo dos Feiticeiros
2 Seleção de Elementos
Notas iniciais
Escola Wizard
A menina de cabelos longos trançados e escuros e olhos verdes iguais esmeraldas, estava parada em frente a entrada de um local cuja placa dizia: “WIZARD, melhor ensino de feitiçaria”. As suas vestes eram pretas, uma cor neutra para aqueles que são novos na escola e não sabem ainda seu elemento.
Ao seu lado encontra-se um homem alto, com cabelos grandes até o tamanho do ombro e igualmente escuros. Seus olhos, diferentes dos da menina, são azuis como o mar, o que o deixa encantador.
—Bom dia, professor Bruno – duas alunas com uniformes de cor azul o cumprimentaram com sorrisos bobos, soltando suspiros ao terminarem as frases.
Bruno abre um sorriso, mostrando seus dentes brancos formando um sorriso perfeito, fazendo as garotas se derreterem ainda mais – bom dia, meninas – acenou enquanto elas terminavam de passar e olhou para a menina ao seu lado – pronta para o primeiro dia de aula, Luna? – disse entregando o restante das malas para a pequena.
Luna rola os olhos enquanto começa a andar na frente do irmão com as malas já em mãos – vai ser ótimo ter meu irmão como professor, ainda mais enquanto todas as meninas babam por ele – mostrou a língua em sinal de nojo, fazendo com que o irmão soltasse uma gargalhada.
— Já disse que não serei seu professor esse ano – colocou a mão no ombro da irmã fazendo com que ela parasse e se abaixou em frente a ela – e pode deixar que agirei aqui como seu professor – sorriu e se levantou novamente – agora lembre-se, se caso cair no elemento fogo, não chore, você não é por um todo desprezível – bagunçou o cabelo da irmã e se distanciou, entrando em seu escritório.
Luna bufou irritada enquanto deixava as malas no chão para arrumar seu cabelo. Aproveitou esse instante para olhar em volta e admirar o lugar em que passaria a maior parte do seu ano, a escola interna para feiticeiros. Seu irmão sempre falou que ela estudaria ali como ele e o resto da família Velasques, pois nesse lugar são formados incríveis feiticeiros. Luna estava um pouco receosa e também animada, pois mal poderia esperar para fazer uso da feitiçaria. Abaixou para pegar sua mala e quando levantou esbarrou em uma menina um pouco maior que ela, derrubando seus livros no chão.
Essa menina também estava vestida com uniforme preto, tinha os cabelos longos, pretos e encaracolados presos em um rabo de cavalo, usava um óculos de grau preto e o que mais chamou sua atenção foi seu sorriso que a deixou hipnotizada por uns segundos.
—Ai desculpe, como sou atrapalhada – a menina diz um pouco tímida, abaixando para pegar seus livros que estavam espalhados pelo chão. Luna se abaixou para ajudar a menina e logo as duas se levantaram.
—Não tem problema...- luna estendeu um pouco a frase, esperando pelo nome da menina enquanto estendia a mão.
—Marianna Sena, mas pode me chamar de Mari – ela disse sorrindo enquanto apertava a mão de Luna, ainda tímida – quer que eu te ajude a entregar essas malas...?
—Claro, claro.. até por que estou um pouco perdida. Meu irmão me largou aqui e não me disse nem pra onde eu ia – entregou uma mala a Mari e continuou segurando a outra – Ah é claro, e eu me chamo Luna Velasques – disse sorrindo enquanto começava a andar ao lado de Marianna.
A menina parou abruptamente e abrir a boca surpresa – Velasques? – sorriu olhando cheia de felicidade para Luna – dos Velasques mesmo? A família mais famosa, com o melhor professor? A menina que sobreviveu com o irmão? – voltou a andar toda alegre ao lado da Morena que se encontrava confusa com sua popularidade. Depois de ouvir o que a menina falou, Luna olhava em volta e via os outros alunos comentando sobre a mesma coisa que sua mais nova amiga.
—Como assim a menina que sobreviveu? Sobrevivi a que? – perguntou um pouco confusa e irritada enquanto colocava as malas na recepção e pegava um papel que diria para onde ir assim que seu elemento fosse revelado.
—Então quer dizer que você não sabe? É melhor eu ficar quieta então, essa história não deve vir de mim – se afastou um pouco e deixou que sua expressão de felicidade saísse de seu rosto – bem, vai indo na frente que eu vou ao banheiro e já te encontro – disse meio sem graça e saiu andando às pressas sem deixar que Luna fizesse mais perguntas.
Velasques tentou seguir a menina, mas logo desistiu, percebeu que ela não iria lhe contar nada. Luna teria que descobrir por si só, interrogando seu irmão mais tarde. Pegou um mini mapa que tinha chegado para ela junto com sua carta de aprovação na escola e foi se guiando por ele até o salão principal, onde os novos alunos passavam por testes onde descobririam seu elemento.
No caminho as pessoas passavam por ela e cochichavam umas com as outras. Alguns alunos cuja as vestes eram vermelhas a olhavam com um ligeiro desprezo, sem que deixasse notar muito. Outros com as vestes da mesma cor apenas a cumprimentavam e passavam direto. Luna estava tão concentrada em seu mapa que nem percebeu que um homem vinha em sua direção e esbarrou com ele.
O homem era calvo, porém ainda sobravam poucos cabelos brancos em sua cabeça. Ele usava umas roupas floridas e um pouco chamativas. Assim que ele tocou o braço da aluna seus olhos ficaram brancos e uma voz um pouco assustadora começou a sair de sua boca.
— E tudo cairá na escuridão. Aqueles que pensavam ser confiáveis provarão o contrário, apenas a criança de cabelos escuros, nascida em meio ao desespero e dor, conseguirá controlar os 4 elementos obtendo tamanha força e terá a possibilidade de trazer novamente a paz para o mundo dos feiticeiros. – assim que terminou a frase, os olhos do homem voltaram ao normal e mostravam a cor castanha. Ele soltou a mão de Luna e se mostrou um pouco confuso – ham... Olá, sou seu professor de adivinhação, me chamo Cássio Albuquerque, prazer – sorriu apertando a mão da aluna. Agora sua voz era uma pouco rouca, assim como a voz de um velho senhor, ele aparentava ter uns 60 anos. Cássio parecia não ter ideia alguma do que tinha acabado de falar.
Luna continuou olhando o professor um pouco assustada e ainda imóvel. “Como assim ele fala essas coisas todas e age como se nada tivesse acontecido?”. Luna viajava em seus pensamentos, mas logo estendeu a mão para o professor – o que foi isso tudo que você acabou de falar?- ela parecia confusa, repassando as palavras em sua mente.
— UE, acabei de dizer meu nome e que serei seu professor esse ano – ele parecia meio confuso, afinal não se lembrava de ter falado nada mais que isso – eu falei mais alguma coisa?
—Deve ter sido imaginação minha – a menina sorriu e soltou a mão do professor – eu me chamo Luna e fico feliz que terei um professor tão legal como o senhor, agora preciso ir ou irei me atrasar para meu teste.
—Boa sorte no teste, espero que venha pro elemento água, você combina conosco – sorriu mais uma vez para Luna e voltou a andar, se distanciando cada vez mais da menina.
Luna voltou a andar se guiando pelo mapa, estava abismada com as situações estranhas que tinham acontecido com ela hoje. Primeiro foi Mari falando que ela tinha sido a menina que sobreviveu junto ao irmão e agora esse professor estranho falando de uma forma estranha, frases que para ela não faziam sentido nesse momento.
Quando já estava prestes a entrar no salão principal, um menino com as vestes azuis parou em sua frente com um sorriso no rosto. Ele era loiro, seus olhos eram praticamente cinzas,suas sobrancelhas eram bem cheias e sua barba já começava a crescer.
— Olá, me chamo Leonardo, mas pode me chamar de Léo. Você é a Luna, correto? – disse estendendo a mão em direção a menina, que o olhou desconfiada antes de apertar a mão dele.
—Ham.. sim, prazer – ficou um pouco confusa, tentando lembrar se algum dia já tinha falado com o menino – desculpa, mas eu já te conheço? – perguntou tentando não ser indelicada, assim que terminou de apertar a mão do rapaz. Ele simplesmente riu.
—Ainda não. Mas eu te conheço, na verdade quem não conhece né? – colocou as mãos nos bolsos e se preparou para entrar no salão – bem, temos que entrar, espero que você seja do elemento água assim como seu irmão, você se dará bem conosco – olhou novamente para Luna e piscou, voltando a andar em direção a parte da arquibancada preenchida por alunos com uniformes azuis.
—Eu posso ser de qualquer elemento, menos fogo, não conseguiria viver com isso – da uma risada e segue em direção a uma arquibancada separada com alunos vestindo uniformes pretos. Em meio a todos eles, Luna achou sua amiga Mari e sentou ao lado da menina, mas permaneceram caladas.
O salão era grande e a parte que não estava ocupada pelo palco e nem pelas arquibancadas, tinha uma enorme mesa, com um banquete que incluía todas as comidas que a menina podia imaginar. Em volta a essa grande mesa, tinha outras mesas para que os alunos pudessem se sentar e jantar. O local estava barulhento, as vozes dos alunos conversando entre si se espalhavam, misturando umas com as outras. Em meio a toda aquele alvoroço a voz de uma mulher pôde ser ouvida em um tom alto e claro.
—Queridos alunos, peço que prestem atenção em mim nesse momento – em um palco montado no salão, os alunos podiam ver uma mulher de pé em frente a um microfone, o qual fazia a voz dela ficar mais alta. A mulher era magra e negra, vestia uma saia preta e uma blusa social cinza, tinha os cabelos platinados e aparentava ter uns 50 anos. Nessa mesma blusa tinha um emblema com o escudo da escola e a palavra “DIRETORA” escrita em baixo.
Em poucos segundos o salão mergulhou em um silêncio, todos agora prestavam a atenção na diretora que começava a abertura de mais um ano letivo.
—Como no ano passado os campeões da gincana dos elementos foram os especialistas em fogo, hoje nossa decoração será baseada no fogo – assim que ela terminou de falar, um grupo de professores que estavam posicionados atrás dela, começaram a movimentar as mãos, alguns sussurravam alguns feitiços, outros só se concentravam naquilo que estavam fazendo sem falar uma palavra.
A decoração do salão começou a mudar, antes o que era apenas uma escola normal, com as cores cinzas e brancas pintadas nas paredes e tetos, os chão com azulejos pretos, agora começavam a ser pintadas nas paredes, labaredas de fogo que representavam os especialistas em fogo. O chão agora era uma imitação de lava e emanava calor, mas nada que queimasse alguém. Todos eles começaram a gritar, festejando sua quarta vitória seguida. Os alunos de outros elementos permaneceram calados, sem a mínima vontade de festejar.
—Mais uma vez peço para que fiquem quietos – Lucinda Sanches, diretora, pediu calmamente a todos que estavam presentes e os mesmos acataram seu pedido novamente – como em todos os anos, os alunos que estão no primeiro ano conosco irão passar por um teste onde será definido o seu elemento que será realizado na sala ao lado. Assim que já tiverem sua especialidade ganharão um uniforme com as cores respectivas as suas casas e poderão se juntar aos seus colegas nas arquibancadas principais – ela andou pelo palco em direção a uma mesa onde tinha uma lista e a segurou – antes de mais nada, desejo a todos um ótimo ano letivo.
Lucinda voltou ao meio do palco, onde se preparou para começar a chamar o nome do alunos – Cristina Sanches.
Uma menina com cabelos encaracolados, olhos castanhos esverdeados e sua aparência meiga se levantou no meio da arquibancada e se pronunciou – eu – e logo após foi em direção a uma sala a esquerda do palco e adentrou o local. Um homem idoso com uma blusa na cor vermelha, uma mulher na meia idade com uma blusa na cor branca, outra mulher um pouco mais velha com uma blusa na cor branca e um rapaz na flor da idade com uma camisa na cor azul a esperavam dentro da sala. A mulher de camisa branca se aproximou da menina.
—Bem vinda, meu nome é Ana Júlia Sena, hoje estarei te avaliando no elemento Ar. Peço para que venha comigo por favor – a mulher começa a andar e a menina a segue, entrando em um corredor com 4 portas. Júlia abre a quarta porta e deixa que Cristina entre, acompanhando-a logo em seguida.
Assim que ambas entraram na sala puderam ver pilastras colocadas um ao lado da outra, formando um quadrado. Nessas pilastras tinham tábuas que giram conforme o vento bate nelas.
—Esse será um dos testes para saber seu elemento. Aqui você terá que tentar passar por essas tábuas como se fosse o próprio vento, sem que elas se tornem um obstáculo para você. Irei demonstrar – Júlia da um impulso com a mão para a frente fazendo com quer uma rajada de ar vá em direção às pilastras fazendo com que as tábuas presas nelas comecem a rodar. A avaliadora então vai em direção a elas e começa a passar pelas tábuas como se fosse vento. Seus movimentos pareciam uma dança encantadora e em alguns segundos ela chega ao final.
A aluna fica atenta a todos os movimentos que a mulher fazia, ela queria aprender ao máximo, pois tinha certeza que esse seria o elemento dela e não queria errar um passo sequer. Esse elemento era o que ela amava e não queria viver sem. Júlia anda até o lado da aluna arrumando sua roupa.
—Você terá três chances para concluir esse exercício, caso contrário você irá pra outro teste, entendido?
Cristina balança a cabeça afirmando que tinha entendido e anda em direção às pilastras onde as tábuas ainda continuavam rodando. Fechou os olhos e começou a imitar os movimentos da professora, sentindo o ar guia-la por entre as tábuas sem sequer encostar um fio de cabelo nas mesmas até que chegou o final e abriu os olhos, encontrando a professora em sua frente.
— Brilhante! Conseguindo essa perfeição logo de primeira, com certeza você é do ar – a avaliadora abre o uma gaveta e pega uma sacola com as vestimentas na cor branca e entrega para a menina — já sabe qual seu lugar lá fora – sorri e guia a menina de volta a porta de saída – seja bem vinda a nossa especialidade – abre a porta e deixa que a menina saia.
Cristina anda pra fora da sala com um sorriso enorme no rosto – obrigada – a arquibancada com os alunos do ar começam a gritar e comemorar a chegada de uma nova especialista a sua turma. A aluna se senta no meio de todos que estão vestindo branco como se estivesse em casa.
A seleção continua e os alunos foram sendo chamados, alguns ficaram super satisfeitos, já outros desapontados com o elemento que receberam. Finalmente chegou a vez Luna, a menina podia sentir seu coração acelerado, não conseguia decidir qual era seu elemento favorito e também estava com medo de cair no elemento onde a maioria das pessoas tinha um certo dom para a maldade, o elemento fogo.
—Luna Velasques – a suave voz da diretora pôde ser ouvida.
Luna hesitou por alguns segundos e levantou, atraindo a atenção de todos a sua volta, fazendo com que ela tivesse uma coloração avermelhada em suas bochechas. Andou rapidamente até a sala e adentrou o local, dando de cara com seu irmão que a recebeu com um enorme sorriso no rosto. Já que ele era especialista do elemento água, sua camisa era da cor azul. A menina olhou para os outros avaliadores na sala e todos eram mais velhos que seu irmão. Isso porque seu irmão era um prodígio do elemento água, assim como seu falecido pai.
—Bem vinda, Luna – o professor Velasques a recebe e já começa a guia-la para a sala do primeiro teste – me siga, vamos dar início aos seus testes.
Luna permaneceu seguindo seu irmão até a primeira porta das quatro que existiam no corredor. Ao entrar na sala, se deparou com uma bancada e em cima dela tinha uma bacia com 3 copos ao lado. O chão a sua volta já se encontrava todo molhado devido aos outros alunos que fizeram o teste anteriormente.
Bruno se posicionou ao lado da bacia – bem, o teste é bem simples, você só precisa encher o copo com a água da bacia. Claro que sem pegar o copo e colocar dentro dela. Vou demonstrar – o professor faz uns gestos com as mãos e a água dentro da bacia começa a subir e ir em direção ao copo, formando um tipo de ponte entre os dois objetos. O copo começa a se encher e quando está completamente cheio, Bruno faz com que a água volte para dentro da bacia novamente – Entendeu?
Luna assente com a cabeça – sim, tudo entendido – a aluna se aproximou da bancada e respirou fundo, se concentrando no que ela deveria fazer. Começou a fazer gestos com as mãos, a água começou a se mexer levemente, mas nada que se comparasse ao que seu irmão havia feito. Ela continuou tentando até que conseguiu levantar um pouco a água, porém a mesma voltou pro lugar sem nenhuma explicação. Com um pouco de raiva, Luna socou duas vezes o vento em direção a bacia com água. O primeiro soco fez com que uma rajada de ar jogasse a bacia pra traz, fazendo com que ela se quebrasse. Já no segundo soco uma labareda saiu de sua mão, derretendo a bacia. Em seguida a menina chutou a água no chão, fazendo com que alguns pingos voassem em direção a parede, esses mesmos pingos viraram gelo e se despedaçaram ao se chocarem contra a parede. No final ela pisou forte no chão fazendo-o rachar.
Bruno observou tudo surpreso, Luna havia acabado de utilizar os quatro elementos e parecia que a menina nem tinha percebido. Ela olhou para seu irmão um pouco confusa com sua expressão até que se deu conta do que tinha feito, acabara de utilizar os quatro elementos de uma vez só, será que isso era mesmo possível?
Depois de alguns segundos onde os dois permaneceram se olhando, mergulhados naquele silêncio onde nenhum dos dois falava sequer uma palavra, finalmente alguém se pronunciou.
—Preciso que você me siga, Luna – sua expressão era um pouco séria, mas nada que dissesse que aquilo era de todo uma coisa ruim. O rapaz começou a andar para fora da sala e foi até o palco. Luna o seguiu e permaneceu em silêncio, esperando para ver o que iria lhe acontecer.
Os pensamentos de Bruno estavam a mil, será que sua irmã era a criança da profecia? Como ele poderia deixar que Luna seguisse essa tal profecia sendo que ele prometeu a seu pai que seria um bom irmão? O dever de um bom irmão é proteger o outro, não deixar que nada de ruim aconteça, mas se ela for mesmo a criança da profecia ele não teria muito o que fazer, pois com certeza Luna corria um grande perigo.
— Espere aqui, Luna – Bruno subiu as escadas do palco e deixou Luna esperando ali em baixo. Ele se aproximou da diretora e sussurrou algo no ouvido dela, deixando-a com uma expressão surpresa. A diretora sussurrou algo em resposta a Bruno, ele assentiu e desceu do palco indo em direção a Luna novamente – parece que as coisas serão diferentes para você – ele sorriu tentando disfarçar a sua preocupação – vamos, me siga – e começou a andar para fora do salão.
—Ei, Bruno! Espera! – Luna segurou o braço do irmão e o fez parar – eu quero uma explicação de tudo o que está acontecendo! Como é possível eu conseguir controlar todos os quatro elementos? – ela se demonstrava confusa, em seu conhecimento uma pessoa só podia controlar um elemento, talvez dois caso o feiticeiro seja extraordinário assim como seus pais.
Sua mãe era uma feiticeira considerada uma das mais belas e além disso umas das mais talentosas. Além de ser especialista no elemento ar, ela também conseguiu se especializar no elemento fogo, o elemento mais cruel para os feiticeiros.
Seu pai não era considerado um dos feiticeiros mais belos, mas sua habilidade era excepcional. Ele tinha como elementos o ar e a água. Dentre a geração dele e de Liza, somente eles e mais 2 pessoas podiam controlar dois elementos, um talento raro de se ter.
Bruno não entendia como Luna podia controlar também a terra, já que nem seus pais e avós tinham esse elemento como especialização, mas já que ela o conseguiu talvez ela realmente seja a criança da tão falada profecia. Isso quer dizer que as trevas estão para agir e o mundo dos bruxos irá cair na escuridão em breve e somente essa criança conseguirá salva-lo.
—Calma, Luna. Irei explicar tudo o que quiser saber, apenas me acompanhe para um lugar mais reservado – Bruno falou com a voz calma e voltou a andar com sua irmã até que entraram em seu escritório.
Assim que Bruno saiu do salão com sua irmã, o local se encheu de sussurros, todos estavam curiosos para saber o que tinha acontecido. Porque aquela menina foi a única que saiu da sala e não se juntou a alguma arquibancada? O que será que ela tinha feito? A diretora mais uma vez pediu silêncio para que pudesse voltar a chamar os nomes que estavam na lista em sua mão.
— Marianna Sena – tinha chegado a vez a da mais nova amiga de Luna, a filha do feiticeiro mais poderoso da família Sena, Frederick Sena.
Marianna se levantou um pouco nervosa e foi em direção a sala dos testes. Assim que entrou se deparou com quatro pessoas. No lugar de Bruno agora era o professor de adivinhação que estava com uma blusa florida, mas com vários tons de azul. O homem com a blusa vermelha se aproximou de Marianna – seu primeiro teste será o elemento fogo, espero que não nos decepcione igual sua tia aí fez – apontou para a mulher com a blusa branca, mostrando desprezo por ela – agora me siga.
O homem de blusa vermelha era o tio de Marianna, o segundo mais forte da família Sena. Ele desprezava os nascidos de impuros (humanos que não são feiticeiros) e achava que a escola deveria se livrar deles. Seu nome era Nicolaus Sena, o feiticeiro temido pelas famílias, porém muito respeitado.
Ele guiou Marianna até a segunda porta e ali entraram em uma sala. O fundo desse local era coberto por labaredas, os dois pararam em frente as chamas e seus olhos brilharam como se correspondessem ao fogo.
— A tarefa é simples, você entra no meio do fogo, se você não se queimar parabéns se não você passará para a próxima fase e será um desgosto para seu pai – Nicolaus mostra um sorriso sombrio, causando arrepios a sua sobrinha.
Mari apenas olha pra ele e engole a seco sua saliva. Seu corpo tremia um pouco, não queria ser a ovelha negra da família e muito menos se queimar naquele fogo, o que seria doloroso. Antes que pudesse entrar nas chamas, ouviu um estrondo na sala ao lado e um grito logo em seguida, algo deve ter acontecido em um teste para o elemento terra. Geralmente os alunos saiam de lá um pouco machucados já que o elemento era um pouco difícil de se lidar dependendo da postura da pessoa.
Ela respirou fundo novamente e entrou no fogo de olhos fechados, a aluna podia sentir o calor do fogo em todo seu corpo, como se ele correspondesse ao elemento. Ela não sentia dor alguma, nenhuma queimadura foi provocada em seu corpo e nesse momento ela relaxou, estava radiante por não decepcionar seu pai e mais ainda por estar viva e sem nenhum ferimento. Continuou ali parada, envolvida pelo fogo por poucos minutos e logo saiu, sorrindo como nunca para seu tio.
—Parabéns, bem vinda ao melhor elemento existente, o fogo – entregou o uniforme a sobrinha e a guiou até a saída da sala.
Marianna sentou em meio aos alunos do fogo enquanto eles comemoravam a chegada de mais uma nova companheira.
A diretora Sanches continuou chamando o nome dos alunos até que não restou mais nenhum. Os alunos que saíam da sala com algum tipo de ferimento eram levados para enfermaria, mas mesmo assim eram aplaudidos por seus colegas que ficavam felizes com cada novo aluno .
—Bem, agora que terminamos podemos dar início ao nosso banquete, ocupem as mesas e podem se servir – o salão voltou ao alvoroço que estava, todos os alunos saíam das arquibancadas e iam em direção às mesas. Os alunos que já tinham acabado de ser tratados na enfermaria estavam de volta e se juntaram aos outros.
No meio de todas aquelas pessoas, Marianna achou Luna e logo se juntou a amiga – oi! – disse com um sorriso no rosto – eu estava preocupada, o que houve? Por que teve que ir com seu irmão?
— Não foi nada demais, eu só me machuquei um pouco – sorriu um pouco de lado – mas já estou bem, não precisa se preocupar.
Antes que Mari pudesse fazer qualquer outra pergunta, Léo sentou ao lado das meninas, chamando a atenção das duas – olá meninas! Parabéns pelo elemento das duas, estou sabendo que Luna é especialista no elemento água – ele piscou para Luna, sabendo que tinha a salvado de uma série de perguntas, o que deixou a menina mais intrigada ainda, será que ele sabia de tudo que estava acontecendo? Ela decidiu não comentar nada, afinal ele tinha evitado que Marianna a enchesse de perguntas. Os três permaneceram ali conversando e rindo um do outro, comendo tudo o que aguentavam comer.
Um menino de olhos verdes e cabelos castanhos apareceu com um sorriso no rosto, suas vestes eram da cor vermelha o que indicava que ele era do elemento fogo, e todos olharam pra ele.
—Ola, Luna – ele disse em uma voz suave, pegando a mão de Luna e dando um beijo em seguida – é um prazer te conhecer – começou a flertar com a menina de um jeito galanteador que conquistava todas as meninas – posso ver que já conheceu minha irmã caçula- colocou a mão em cima da cabeça de Marianna – me chamo Eduardo Sena – Eduardo tinha quinze anos e era aluno do quarto ano, devido ao seu brilhantismo avançou um ano nos estudos.
— O que você quer, idiota? – Mari tirou a mão de seu irmão de sua cabeça e sorriu pra ele – estava demorando vir me parabenizar pelo meu elemento.
— Só estava esperando a hora certa, irmã – puxou uma cadeira que estava vazia ao lado de Luna- posso me sentar?
—Claro que pode – Luna respondeu, ela não conseguia tirar os olhos daquele menino, ele era tão bonito que tinha despertado seu interesse. Assim que ele sentou ela pôde sentir o cheiro delicioso de seu perfume. Por ela, eles poderiam ficar ali por um bom tempo.
Marianna apenas ficou encarando os dois, observando a cena que se passava diante de seus olhos, ela sentiu algo em seu estômago que não sabia explicar o que era, mas não era um sentimento muito bom. Sentiu que seus olhos começaram a lacrimejar um pouco, mas logo tratou de se recompor e pigarreou, chamando a atenção dos dois.
—Ah sim, claro. Parabéns irmã, eu sabia que você não iria nos decepcionar – sorriu para a irmã.
Algum lugar ao sul do Brasil – Clã das trevas Selith
A mansão era completamente macabra, se não fosse pelas fracas luzes das velas que iluminavam o local, o lugar seria completamente escuro. O ar era um pouco pesado e barulhos mal podiam ser ouvidos ali.
Um homem ruivo vestindo uma capa preta, com os olhos negros, entrou em uma grande sala com uma enorme mesa no meio cheia de cadeiras vazias. No final dessa mesa, sentado em uma cadeira que mais parecia um trono sombrio cheio de caveiras e cobras esculpidos, havia um homem robusto de meia idade sentado. Seus olhos eram igualmente negros, porém mais assustadores, seus cabelos eram negros assim como seus olhos.
—Senhor, chegou um e-mail do nosso espião dentro da escola e a descrição diz ser muito importante- o rapaz entra na sala e se aproxima do homem, entregando o envelope e logo em seguida se retirou do local, deixando o homem sozinho ali.
Ele abre o envelope e pega o papel que continha o e-mail impresso.
“A criança com cabelos negros foi encontrada, e assim como diz a profecia ela será poderosa e controlará os quatro elementos, não podemos perder tempo ou tudo terá sido em vão”
O senhor estão abre um sorriso sombrio e levanta de sua cadeira, saindo em seguida para começar a agir com seu plano. Finalmente seus planos logo se concretizariam.
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