O Mundo de Pocema
1 Capítulo 1: Laranjas
Notas iniciais
No começo da tarde, Lokita estava fazendo um recheio para torta. Enquanto a Talita fazia a salada para o jantar com a Pocema.
Quando a Lokita terminou o recheio, de cor roxa, pegou um apetrecho interessante.
— O que é isso? — Pocema perguntou.
— É tipo um 'mini ventiladorzinho' que você põe dentro da fruta e tritura dentro dela e sobra quase só a casca.— Lokita tirou o suco da fruta e pôs num copo, pegou o recheio de torta e colocou dentro da fruta "oca".
— Opa!— Talita deu uma corridinha, girou, pegou o copo de suco e voltou, como no começo, que nem uma bailarina.— Toma um suquinho gostoso, Pocema!
— Obrigada, cozinhar é muito quente!— Disse Pocema gentilmente.
— Mas é só salada.— Talita.
— Droga!— Lokita interrompeu.
— Que foi, irmã?— Talita perguntou.
— É, amiga.— Disse Pocema.
— A mola desta coisa saiu! Ainda faltam duas tortas de maçã para o lanche!
— Há uma feira aqui perto. — Disse Talita.— Vai que vende essa coisa?
— Não seria mix?- Pocema.
Lokita as puxou correndo de casa e chegaram em menos de dez minutos em seu destino.
— Não, nenhum utensílio de cozinha! — Lokita reclamou.
Pocema olhou para o lado direito e viu uma barraquinha com uma vendedora, cuja idade é avançada, acompanhada por sua neta que aparentava ter vinte anos vendendo laranjas (Pocema era viciada em laranjas).
— Vamos dar uma paradinha? — Pocema já se imaginava bebendo uma deliciosa laranjada.
— Não temos tempo para laranjas, Pocema!
— Pfff! Relaxa Lokita!— disse Talita— O lanche é só às quatro da tarde, irmã! E ainda é uma e quinze.— Talita pegou no braço da sua irmã— Deixa a Pocema aí enquanto nós damos uma volta e comer petiscos grátis!— Talita até babava.
— Eca! Tudo para você parar de babar!— Lokita.
Pocema dirigiu-se à barraquinha.
— Bom dia, menina.
— Olá senhora, quero uma laranja, por favor!
— Claro. Mas.......! Que tal dois sacos de um quilo de laranja e que, de graça, leva um mix? Farei uma demonstração!
A senhora furou a laranja, com o apetrecho, e começou a triturar. Dava para ouvir os gominhos se desmanchando.
— Prontinho! — Colocou um canudo e entregou para a Pocema.
Ela bebeu e pôs a mão na boca, impressionada.
— Parece que tô bebendo água de coco, só que em uma laranja! Que delícia!— Aqui está o dinheiro.
— Essa nota é alta. Só um minuto que vou no meu carro pegar o troco, hu hu!
A senhora deixou a Pocema com sua neta.
— Hey, psiu!
— Ah, olá, moça!— Disse Pocema, lembrando da sua presença.
— Vaza daqui.
— Quê?
— Rápido antes que minha vó volte.
— Não! Isso é roubo! Por que está dizendo isso?
— Esse mundo não precisa de dinheiro para coisas tão banais!
— Quê? Do que você tá falando?!
— Aqui, mocinha. Seu troco! — A doce senhora retornou.
— Obrigada, senhora.
Pocema deu uma última olhada para aquela jovem mulher. O olhar dela era desafiador.
Quando virou-se de volta para frente, apareceu um monstro enorme na feira. Logo apareceu Lokita e Talita perto da Pocema.
— Um monstro!— Talita.
— Vamos atacar!— Lokita.
Então Lokita dá um soco de leve na barriga da Talita e sai dois lenços amarrados da boca dela. Lokita os puxa mais e saiu mais lenços (como nos mágicos) e jogou a Talita no monstro se levando junto na outra ponta da "corda". Uma delas parou na cabeça do monstro e a outra no ombro e começaram a dar chutes e socos nele. O monstro começou a ficar irritado e se sacudiu todo.
O monstro ficou girando e, quando ele ficou se virou, mostrou uma farpa nas costas dele. Pocema olhou para o seu apetrecho e teve uma ideia.
— Gente, me põe aí em cima! — Pocema gritou.
— Não. É muito perigoso! — Lokita gritou de volta.
— Mas eu sei como acabar com o monstro!
— Ahh!!! — Lokita resmungou — Está bem! Talita, por favor.
— Tá certo! — Talita tirou um monte de lenços amarrados de trás de sua orelha e deu para a Lokita.
— Pega!
Pocema pegou a "corda" e a Lokita a puxou para o ombro do monstro.
— O que vai fazer? — Perguntou Talita.
— Isso! — Mostrou a espécie de mix e desceu até o meio das costas do monstro.
— Que não o quebre, por favor! — Lokita implorou. — E não se machuque, Pocema!
Então Pocema ativou o módulo de "girar" e cortou, bem rente as costas dele, removendo farpa.
O monstro se sacudiu e jogou as três no chão.
— Talita!- Lokita pediu ajuda.
Talita deu a sua irmã uma asa-delta para salvá-la. Talita desceu de paraquedas mesmo.
Lokita conseguiu pegar a mão da Pocema e pousaram em segurança.
— Podemos lanchar agora? — Pocema.
— Sim. Compramos o que precisava.— Lokita estava satisfeita, mesmo com o dia turbulento.
As três estavam na sala assistindo filme e comendo torta de maçã.
— Acabei minha torta! — disse Pocema — Agora vou beber meu suco de laranja! — Furou a fruta e colocou um canudinho.
— Ai, ai, só podia ser a Pocema mesmo!— Disseram as irmãs ao mesmo tempo.
— He he! — Pocema riu fofamente.
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