O Mundo de Lexys
1 Capítulo 1 - A paz pertubada
Frederich é filho de um casal de mercadores, que durante uma viagem entre as florestas de Pólus foi atacado por um grupo de bandidos. Os bandidos mataram os pais do bebê e fugiram, deixando o pequeno abandonado na densa floresta do continente. A deusa da natureza, Lieph, permitiu com que ele crescesse e se tornasse um poderoso protetor das florestas de Pólus, deu sustento para que ele pudesse se tornar uma lenda.
O famoso Espírito da Floresta é na verdade Frederich que expulsa alguns estrangeiros com más intenções de sua casa. Há outros druidas, é claro, mas a maioria vive em pequenos grupos juntos de Rangers, em vilas que existem ocultas entre as altas árvores. Frederich nunca foi bem vindo nessas sociedades, que era constituída basicamente de elfos; por ser humano não era muito bem visto entre eles, por isso preferia morar sozinho.
O druida tinha cabelos e barba castanhos, que se misturavam próximo da capa verde que usava sobre sua rudimentar roupa de couro. Vivia em uma casa dentro do gigantesco tronco de uma árvore, não uma casa suja e cheia de insetos, uma casa bem civilizada para um druida, embora ainda tivesse o tom rústico de tudo feito com madeira da própria árvore.
Frederich estava em sua casa durante a tarde, havia acabado de caminhar pela floresta e conversar com alguns pássaros, árvores e uma ou duas pedras que havia encontrado no leito de um rio próximo. Tudo aparentemente estava muito bem, Agenor seu fiel companheiro estava dormindo na casa, típico hábito para uma coruja.
Enquanto voltava para sua casa, ouvia alguns passarinhos cochichando sobre criaturas prateadas avançando contra a floresta, vindas do mar. Obviamente o druida entendeu que se tratava de humanos, vindo destruir com ferro e fogo. Frederich então vai até os pássaros que cochichavam, perguntando onde estavam as tais criaturas.
-- Estão na vila dos orelhas pontudas perto daqui, estão atacando uns aos outros... Não entendo por que -- Respondia assoviando o passarinho, assovios que o druida entendia com naturalidade.
-- Obrigado por avisar... Vou dar uma olhada. -- Retrucava Frederich, enquanto seguia de forma furtiva para a vila dos elfos para tentar ver o que acontecia no solo da floresta.
Frederich segue para o pequeno vilarejo élfico que havia perto dali, dentro de alguns minutos podia sentir cheiro de fogo. Depois de mais cinco minutos seguindo para o local, podia ver algumas casas em chamas, dez soldados de Orbis executando elfos sem diferenciar sexo e idade. Ainda havia criaturas da floresta que tentavam resistir, mas os homens eram extremamente poderosos, com suas máquinas e número. Aparentemente estavam sendo comandados por um anão com uma densa barba ruiva, seu nome é Rurik Dawnrer, um comandante de tropa do exército real.
O druida ao observar o fogo que devastava a floresta resolve agir, pega seu arco rudimentar e atira três flechas com precisão na cabeça dos soldados, derrubando três alvos rapidamente. Um dos soldados gritava: O que foi isso?! -- Agora haviam notado a presença do druida e iam na direção dele, mas ainda estavam distantes.
Aproveitando a oportunidade, preparava seu arco novamente e mais uma vez o druida consegue derrubar três homens dos que vinham em sua direção. Agora haviam apenas 4 soldados do tamanho de armários, brandindo suas espadas em fúria já próximos o suficiente para tentar atacar.
O primeiro então segurava sua espada longa com as duas mãos e tentava um corte vertical contra Frederich, que ao ver que seria atacado, salta sacando uma de suas flechas e pousa com leveza sobre a grande espada do adversário já com a flecha em seu arco, apenas completando o disparo e matando o atacante.
Outro soldado, que havia se impressionado com as habilidades do druida, chegava com uma investida tentava cortar as pernas dele. Frederich então ao notar a chegada deste, salta da espada do adversário agora morto enquanto preparava outra flecha em seu arco. Ao cair pisa levemente sobre a cabeça do individuo que o atacava, descendo logo atrás do mesmo já com uma flecha sendo disparada contra este.
Frederich já derrotava o oitavo inimigo, deixando suas costas desprotegidas enquanto um brutamontes se aproximava pronto para golpear. Quando o druida percebe já seria tarde demais, porém o soldado havia sido acertado por uma flecha de um dos elfos do vilarejo, derrotando-o. Agora restava apenas um deles e Frederich já tinha uma flecha pronta em seu arco, disparando-a com sucesso.
Os dez oponentes haviam sido derrotados, havia apenas o anão ruivo que observava todos os seus homens serem facilmente derrotados. O anão tinha uma armadura prateada com o símbolo da família real, ele pega um grotesco machado de guerra e anda na direção do druida.
No entanto, um outro homem com armadura da realeza chega e começa a discutir com o anão, que para de andar na direção do Druida. Este era Luke Siegfried, um homem de pele clara, cabelos negros e olhos verdes, não era possível dizer muito do seu corpo agora, mas aparentava ser um homem forte, mas sem ser lento o bastante para perder reflexos durante a batalha. Tinha uma altura perto da média dos outros de sua idade, por volta dos vinte e cinco anos, Frederich arriscava dizer.
-- O plano não era esse! Não viemos aqui executar ninguém Rurik! -- Gritava o homem que havia acabado de chegar.
-- Ordens de Lache seu fedelho! Não pense que só porque tem amiguinhos, que eu vou me curvar à você! -- Respondia o anão, revoltado -- Apenas sigo ordens do príncipe!
-- Pois então vá reportar a missão à ele, perdemos muitos homens e a missão foi abortada. -- Dizia agora de forma serena, então encara os elfos e por fim o druida que havia derrotado os 10 soldados.
O anão estava vermelho de raiva, guardava novamente seu machado e seguia de volta em direção ao mar, deixando apenas o outro homem no meio da carnificina que havia sido feita. Cercado por cadáveres, elfos assustados e também furiosos. Um cenário trágico e feio, algo que provavelmente nunca iria aos ouvidos do povo das grandes cidades.
-- Melhor ir embora forasteiro, parece que sua estadia aqui já derramou muito sangue sobre o solo desta floresta. -- Aconselhava o druida, que estava obviamente irritado, mas tentava demonstrar respeito ao homem.
-- Isso não estava nos planos -- O soldado pegava o corpo de um elfo ferido no colo, aparentava ser uma criança -- Trarei suprimentos médicos para cuidarem dos feridos! -- Gritava aos elfos que ainda mantinham seus arcos apontados para ele. -- Esse foi um incidente localizado, não voltará a ocorrer! -- Dizia levando o elfo ferido até um local confortável dentro de uma das cabanas, deixando-o lá. Todavia, Frederich podia sentir que toda a floresta estava sendo atacada, as raízes das árvores de Pólus estavam sendo banhadas em sangue essa tarde.
-- Porque essas expedições a floresta? -- Perguntava o druida, observando o soldado real.
-- Essa informação é confidencial e não diz respeito à ninguém fora do Conselho. Todavia, devido aos acontecimentos abrirei uma exceção. Apenas queremos abrir caminho até o Mt. Dunn, estamos em busca de um metal especial -- Olhava para o Druida, sua expressão mostrava serenidade e sinceridade -- Iríamos atacar apenas quem impedisse nossa passagem utilizando a força. Mas genocídio não foi citado em momento algum, fico envergonhado de presenciar algo do tipo.
-- Pois parece que o desinformado nesse caso não sou eu. O solo desta floresta esta manchado de vermelho nesta tarde, incidentes como esse estão ocorrendo em todo território que rodeia esta floresta. -- Podia afirmar o druida, ao sentir a energia negativa que pairava sobre todo o continente de Pólus.
-- O que você quer dizer? Esse não foi o único incidente? -- Olhava assustado para o sujeito -- Quem está liderando isso?! -- Gritava transtornado para si mesmo -- Preciso informar Lache urgentemente, isso provavelmente é um golpe contra a monarquia. -- Luke agora parecia preocupado.
-- Por que não encontra com ele ao norte daqui... ele acaba de matar um dos anciões desta floresta... — Dizia em tom calmo, porém pesado.
-- O que?! -- Ia na direção de Frederich e segurava o mesmo pela roupa -- Você está mentindo! É impossível, Lache é meu amigo, não faria algo desse tipo -- Agora estava bastante irritado, não sabia se deveria ou não acreditar nas palavras do druida.
-- Desculpe pelo seu amigo, se duvida de minha palavra vá atras dele. Quem sabe não o encontra com sangue nas mãos? -- Dizia um tanto sarcástico -- E mais uma coisa, druidas não mentem a respeito da segurança de sua floresta.
-- Droga... -- O soldado solta Frederich e sai correndo pela floresta, pelo mesmo lado que havia ido o anão.
Frederich então chama alguns pássaros para lhe ajudar com noticias sobre o estado da floresta enquanto voltava para sua casa, visto que o estrago causado já estava além de seu controle, ele precisava proteger seu lar e amigos. Começava a se sentir um pouco mal pela destruição da floresta, sua cabeça ficava pesada, cheia de dúvidas do que deveria fazer. Então decide ir meditar um pouco, próximo a uma árvore que era o símbolo de Lieph Deusa da Natureza.
Chega ao pé de uma grandiosa árvore, tudo era mais vivo próximo desta. O druida gostava de ir ali para meditar quando sua mente estava confusa. Por alguma razão o lugar estava diferente hoje, parecia estar mais triste embora sentisse uma aura mais forte vinda da árvore. Parecia que a Deusa estava revoltada com o que acontecia.
-- Grandiosa Lieph, venho em busca de auxilio. O equilíbrio da floresta... --Dizia ajoelhando perante à árvore — Esta perturbado.
Frederich podia sentir a energia de sua Deusa, a sintonia das forças da floresta estavam de fato sendo modificada devido aos ataques do exército real. Podia ouvir uma voz em sua mente, que chamava pelo nome dele. Então abria os olhos e podia ver uma pequena mulher, uma espécie de fada, que olhava para o Druida e chamava por seu nome. Tinha o cabelo cinzento e olhos cor de rosa, que pareciam estar desbotando. Estava com uma aparência cansada mas chamava pelo homem.
-- Quem é você? Como sabe quem sou...? — Dizia num tom calmo como de costume.
-- Pode me chamar de Lia -- Dizia tentando ser simpática, mas com uma voz fraca e cansada demais para abrir um sorriso simpático -- Eu sou o espírito da floresta, o verdadeiro... Pense em mim como uma representante de Lieph -- Respondia ao Druida -- Por isso, obviamente sei quem você é. Eu fui enviada para te avisar que a Lótus Pollus foi removida da floresta... É a flor que faz com que tudo aqui sobreviva, você sabe do que eu falo.
-- Sim... entendo. Mas ela foi levada durante uma das expedições? Por que iriam retirar a essência da floresta? -- Ficava curioso, por que diabos iriam querer levar isso para outro lugar?
-- Não sei ao certo... A lótus é um artefato mágico extremamente poderoso, pode ser um catalisador único. É como usar a energia espiritual da Deusa.
-- Entendo... Por isso você se encontra fraca?
-- Sim, na verdade eu e a lótus dependemos uma da outra para continuar existindo -- Olhava séria para os olhos do Druida.
-- Nesse caso, como protetor desda floresta devo recuperar a lótus.
-- Não sei afirmar aonde ela está, mas provavelmente foi levada pelos homens que estão nos invadindo. Devem estar atrás da Lótus, afinal, estão recuando agora que conseguiram -- Dizia preocupada sobre o destino da floresta, assim como o si próprio.
-- Achava que estravam atras de minérios, mas pelo que vejo estou errado. Devo partir o quanto antes -- O druida imediatamente virava as costas para a fada, com um aceno de despedida, começava a ir embora. Seguía para sua casa para pegar suprimentos necessários para a viagem que realizaria e chamar seu amigo Agenor. Porém, já estava por anoitecer e o druida prefere descansar seguir durante o dia, permanecendo em sua casa pela noite. Agenor cuidava de tudo enquanto o druida estava tendo seu merecido descanso.
Acorda no dia seguinte sem nenhum incidente perto dali, apenas em outros cantos isolados do continente. Então pela tarde do dia seguinte, Frederich percebe fogo vindo do Leste em direção à sua casa, indo de imediato para o local.
-- Há soldados perseguindo um outro deles, que está fugindo e arremessando bolas de fogo contra os perseguidores -- A coruja que já havia ido observar o que acontecia, retorna e informa à seu mestre.
-- Um fugitivo? -- Perguntava a si mesmo enquanto continuava a seguir para o local, mas logo podia ver um homem correndo em sua direção, uma esfera de fogo em sua mão que ele joga pra trás contra outros dezesseis soldados que corriam na direção dele. O Druida então percebe que era o mesmo soldado que havia encontrado no dia anterior, que havia reclamado sobre a exterminação dos elfos.
-- Vão embora malditos! -- Jogava uma bola de fogo na direção dos soldados -- Não vou ser executado! -- Gritava irritado sem olhar para trás, criando mais uma bola de fogo em suas mãos. Três flechas passavam raspando em sua cabeça, derrubando inimigos em suas costas.
-- Parece que alguem esta encrencado... -- O druida derruba três dos soldados, restando apenas 13 deles que param de correr e voltam sua atenção para o Druida. Luke então para de correr e vira-se para seus perseguidores. Parecia que um combate estava por começar, Frederich estava em desvantagem novamente.
Luke avança na direção dos inimigos e consegue derrubar três homens com seus socos e chutes, mas o quarto consegue segurar a mão do atacante.
-- Qual o seu nome fugitivo? -- Dizia enquanto rapidamente colocava uma flecha em seu arco disparando contra o soldado que segurava o procurado, então repetia o processo com outros dois soldados que se aproximavam.
-- Meu nome é Luke Siegfried! -- Dizia olhando os inimigos restantes, defendendo um de seus ataques sem muita dificuldade -- Obrigado pela ajuda! -- Gritava ao Druida em resposta.
-- Precisava evitar o fogo que você estava criando! -- Dizia para Luke, aparentava estar revoltado com a atitude deste.
Os cinco soldados restantes ficam assustados com o poder do arqueiro, então avançam na direção do fugitivo e tentam golpear todos ao mesmo tempo. Se morreriam ali, pelo menos levariam alguem com eles. Porém, Luke consegue aparar todos os golpes feitos pelas espadas dos inimigos, usando apenas as palmas de suas mãos para acertar o lado das espadas dos atacantes. Assim todos erraram e se desequilibraram, abrindo a guarda para Luke tentar novos ataques contra os oponentes, agora caídos,nocauteando. Luke acerta um chute extremamente forte contra o último guarda consciente, que tentava se levantar, acabando com o último deles.
-- Desculpe pela árvore, eu juro que consertaria se soubesse como -- Dizia abaixando lentamente sua perna até o chão após o chute, olhando para o Druida -- E qual é o seu nome Sr Arqueiro?
-- Sou Frederich... Ou o "Espirito da Floresta" para alguns -- Respondia, analisando o sujeito
-- Entendo, obrigado pela ajuda... Você estava certo, quando eu tentei argumentar com o príncipe Lache minha cabeça foi colocada à premio. -- Dizia ao outro -- Espero que isso não lhe desperte nenhum desejo.
-- Não estou interessado em recompensas, acho que ouro não é algo importante para alguém que vive na floresta. -- Ria junto do homem, que esboçava um sorriso -- E para onde vai agora? Creio que voltar para o acampamento não seja sua intenção... Se é que já não saíram daqui.
-- Lache está retornando pra Orbis, pretendo ir atrás dele. -- Respondia enquanto se afastava dos oponentes caídos -- Obrigado pela ajuda, mas eu tenho que ir.
-- Estou indo para Orbis também, se não se incomodar podemos prosseguir juntos... Seu amigo, Lache, roubou algo importante para esta floresta.
-- Bem, estou indo para o litoral agora... Mas não sei se é uma boa ideia seguir por onde eu vim, também não sei andar por essas matas. Acho uma boa ideia seguir para o sul, lá podemos passar pelo estreito e chegar até o outro continente, Avis. -- Dizia à Frederich -- Podemos seguir pelo rio, sairemos bem perto de Zeta, onde tem o maior porto daqui, então pegamos um navio até o outro continente.
-- Posso guiá-lo pelas florestas, por elas posso tentar achar um caminho mais tranquilo e seguro. Mas uma vez fora delas desconheço a parte mais urbanizada do continente — Respondia ao procurado, agora andando ao seu lado
-- Então seguimos para o sul... Se não formos atacados por ladrões ou criaturas da floresta, tudo deve correr bem. -- Comentava, apertando a mão do druida -- Vamos?
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