O Mundo de Arton - Um mundo de deuses e conflitos
2 Capítulo 2 - OS FILHOS DE KALLYADRANOCH E OS FILHOS DE MEGALOKK
Notas iniciais
Quatro séculos mais tarde, Kallyadranoch começa a esculpir os dragões, criaturas fantásticas e majestosas, possuidoras de infinita glória, força, poder e sabedoria, concedidas pelo Deus dos Dragões.
No entanto, a solidão de seus vastos domínios era cortante e letal para seu ego, que necessitava de um povo seu mais honrado e forte que as criaturas reles que os cercavam. Para atender seus mais poderosos servos, o Deus dos Dragões criou, à imagem e semelhança dos dragões, a raça dos draconatos. Fortes, destemidos e honrados, estes seres lembravam em muito seus senhores alados, mesmo tendo corpos humanoides bem menores que os dragões. Agora, com um povo digno de sua confiança, os dragões reinaram ainda mais absolutos por séculos.
Entretanto, houve a ascensão de Megalokk. Imensas criaturas ferais devastaram quase toda Arton e poderosas batalhas se tornaram constantes em toda sua extensão.
Nesta época, os draconatos já haviam se tornado um povo numeroso e bem armado, tanto em termos bélicos, quanto no uso da magia. Com o tempo, mesmo as mais poderosas crias do Deus dos Monstros descobriram que afrontar os dragões e seus poderosos servos não era algo sábio de se fazer. Voltaram-se então para filhos de Allihanna.
Cruel e insano, Megalokk detestava os filhos da Deusa da Natureza, achando sua espécie fraca, lançando sua prole sobre elas sempre que podia. O Deus dos Monstros não acreditava no equilíbrio harmônico entre os seres, nem mesmo entre seus próprios filhos, enviando sobre o mundo as aberrações mais terríveis, recompensando apenas as mais fortes com a sobrevivência.
Por 195 milhões de anos Megalokk sufocou a criação de Allihanna com suas criaturas grotescas e aberrações monstruosas que se multiplicavam sem limites, tornando a vida em Arton insustentável.
Os filhos de Megalokk se estendiam livremente sobre Arton. Dinossauros e monstros caçavam e oprimiam animais menores que eram forçados a viverem escondidos. A selvageria e a brutalidade reinavam, enquanto bestas das mais variadas formas e poderes guerreavam entre si e arriscavam a existência do próprio plano físico. Não demorou muito para o caos se instalar e os filhos de Allihanna serem massacrados pela impiedade das feras.
O medo e a luta pela sobrevivência pairavam sobre os animais que não podiam se defender. Allihanna, vendo seus filhos perecerem, se entristecia, e Lena, Deusa da Vida, não podia suportar a hostilidade que se estabelecia em Arton. Marah, Deusa da Paz, começou a clamar a Khalmyr que desse um basta em tamanha violência.
Foi quando os deuses do panteão, liderados por Khalmyr, se levantaram contra Megalokk em guerra. Movidos por sua sede de sangue e necessidade de demonstração de poder, os dragões se ergueram de seus tronos de ouro e lideraram hostes incontáveis de draconatos sobre os monstros daquela era. As crias do Deus dos Monstros foram dizimadas após alguns milênios de luta incessante. Ao findar a guerra, os dragões, feridos e insatisfeitos diante do novo mundo que se apresentava a eles, escolheram se exilar nos recantos mais profundos e isolados de Arton. Seguindo seus senhores, os draconatos que sobreviveram à guerra, cerca de um quinto de todo o povo, os acompanhou fielmente, sumindo da face de Azgher por incontáveis milênios.
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