O Mundo Secreto de Bonnie
23 Ser mau nunca foi tão bom
Connie rolou para o lado direito da cama e suspirou levemente cobrindo seu seio com parte do lençol. Ela relembrou uma nota mental constante: eu só estou fazendo isso pela aliança com Vicent, nada mais...e quem sabe, um pouco de pena também. O garoto olhava para o teto, sua vida de um tempo para cá se tornara tudo que ele jamais sonhara, festas quase todo final de semana, garotas e dinheiro, tudo que ele sempre quis mas por algum motivo ele não estava feliz como esperava. Se ele contasse o que sabia sobre Olivia estaria ciente de estar arruinando a vida dela. Mas por que ter piedade? Ele não tinha nada a perder afinal.
—Lembra que eu te disse que queria lhe falar uma coisa sobre a Olivia mas depois resolvi deixar pra lá? Connie fez que sim com a cabeça, sem dar muita atenção a ele.
— O que era?
—Enquanto ela dormia, quer dizer, nós dormíamos eu vi que ela...- ele parou um pouco e se sentou.
—Ela? – disse Connie levemente irritada – Fale de uma vez
Vincent hesitou mais uma vez e falou baixinho — Ela se automutila.
— O que? – disse Connie se levantando da cama e vestindo sua camisola mínima – Você está blefando, eu sei que ela é meio estranha, mas chegar a esse ponto?
—É verdade.- ele disse mais uma vez, dessa vez mais alto que a última.
—Meu deus, isso é perfeito. – ela deu uma risada — Para atingir uma amiga é só usar a outra. – Connie sorriu e voltou a se sentar na cama — Mas é claro, eu já sei o que vamos fazer. Vincent parou.
—Você não acha que está levando essa vingancinha longe demais? O que a Bonnie te fez afinal? – Depois de dito isso, ele congelou um pouco esperando uma resposta ríspida.
—Ora...é simples meu bem, a Bonnie é tão perfeita que me da ânsia de vômito. Não importa se já passou o que aconteceu, eu não vou esquecer e agora que comecei, eu vou terminar.
—Por que a gente não pede uma pizza? Estou morta de fome, você acabou comigo. – Connie disse dando uma risada, ela é tão má mas faz isso tão bem. Vincent faria tudo por ela pois sem Connie ele jamais estaria onde estava, se não fosse a ajuda dela provavelmente ele estaria morto agora. Vi riu também e discou o número da pizza em seu celular sem contestar duas vezes. Tinha algumas roupas jogadas no chão do quarto dele, Vincent se levantou e os dois foram para a cozinha, ele tirou uma toalha da gaveta e jogou para Connie coloca-la na mesa.
—Você se lembra como a gente era ano retrasado?
—Dois idiotas...? – ela respondeu zombando.
—Você entendeu o que eu quis dizer. Ela se reaproximou dele e o fez segurar em sua cintura.
—Você tem que esquecer o que aconteceu no passado Vi, isso só te faz mal. – Connie deslizou os dedos pela face do garoto.
—Olha quem está falando de esquecer o passado.
—Você sabe que estamos falando de circunstâncias diferentes. –a garota rosnou, deslizando os dedos pela camisa dele.
Era um ambiente tão agradável a cafeteria Folly & Tea, por mais que fosse seu local de trabalho Olivia era agradecida por trabalhar em um lugar assim. Olivia adorava ir lá pra ler e na maioria das vezes ia sozinha mas hoje estava acompanhada por Toulouse, eles raramente se falavam no máximo algumas palavras na aula do tipo "Que dia é hoje?" ou "Está chovendo." um comentário, mesmo ele sendo namorado, ou ex de sua melhor amiga ela nunca tinha notado o verdadeiro Toulouse, ele era tão mais alto que Olivia com seus 1,60 ela parecia uma completa anã perto do garoto, seus cabelos cinzas e olhos intensos verdes a deixavam encantada e ela tinha que se policiar para não ficar encarando os olhos tempo demais.
— Hoje está frio não é? – disse ele.
—Sim.- ela retrucou passando as mãos sobre o braço. Olivia adorava o frio assim ela não precisava se preocupar com suas cicatrizes, pois elas estariam cobertas com mangas longas, casacos e luvas quentinhas. Dentro do café estava uma temperatura agradável e Toulouse tirou seu cachecol, os dois estavam sentados um de frente para o outro em uma mesa de madeira estofada com vermelho veludo.
—O que vão querer hoje? –perguntou a garçonete
—Oi Susana – disse Liv sorrindo – Eu vou querer um cappuccino, com chantilly, canela e uma cereja por cima.
—Boa Tarde. – ela respondeu anotando no seu bloquinho e se virou pra Toulouse– E você ?
—Vou querer um chá de frutas...o de sempre, você sabe. – Ele disse sorrindo, Susana saiu e Toulouse continuou:
—Eu não sei como a gente nunca conversou – fez uma pausa — Decentemente pelo menos
—Deve ser por causa da Angelina – ela respondeu rapidamente– Não que eu esteja a culpando, é que vocês saiam muito juntos. Susana voltou com as bebidas e as colocou cada uma em seu respectivo lugar na mesa.
—Liv, eu não sei se você ainda está interessada mas vai ter a festa de aniversario da minha prima e eu queria você tocasse – Susana sorriu – Eu vou pagar é claro, vai ser como profissional.
—Oh, Sus...Eu adoraria, depois você pode me dizer como vai ser para eu me programar por causas das finais antes das férias.
— Quando terminar aqui não esqueça de me procurar. – ela disse e voltou a atender outras mesas Toulouse olhou confuso para Olivia que bebericava na xícara de cappuccino e disse : — Você nunca me disse que cantava.
— Você nunca perguntou e eu não sou do tipo que sai falando coisas pessoas por ai.
Toulouse bebeu de seu chá. –Eu posso notar isso. E sorriu. -Por que não se inscreveu para os testes da nossa banda?
—Eu não me dou muito bem com o publico.- respondeu a garota francamente.
—Mas e esse aniversário que a Susana falou.-disse ele – vão ter pessoas lá.
—Eu sei disso. – ela deu uma risadinha – Mas não é como tocar em um pub, ou barzinho, como vocês fazem.
— Nosso público não é tão exigente posso afirmar. – ele falou
—Acho que o tipo de musica que vocês tocam é diferente do meu estilo.- falou ela – Angelina não iria gostar de ser contradizia. Olivia olhou para a janela as gotas de chuvas começavam a cair periodicamente.
—Nisso você tem razão. – ele disse abaixando a cabeça de leve e logo a levantando mais uma vez para completar — "Os mortos podem guardar magoas mais que os escorpianos" Angelina sempre me dizia isso a quem a contrariava, essa frase não fazia o menor sentido mas nada faz muito sentido quando se esta. – ele pausou – se estava com ela.
— Eu sinto de verdade pelo jeito que vocês terminaram.
—E como você sabe que foi de um jeito.-Toulouse suspirou– Não muito pacífico?
— A escola inteira sabe...- Olivia disse. Ele bebeu do chá e revirou os olhos.
—Parece que as noticias correm quando as pessoas tem línguas maiores que o cérebro.
—Infelizmente é assim que funciona no ensino médio.
—Infelizmente – ele repetiu.
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