Notas iniciais
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Os três se sentaram em uma mesa no fundo do restaurante, não havia quase ninguém lá dentro, era um lugar calmo. Angelina agradeceu por isso, assim seria mais fácil, eles fizeram os pedidos e apesar do local estar vazio, o pedido demorou a chegar enquanto isso eles resolveram conversar um pouco, estava um silencio mortal mas assim que Sam ameaçou falar algo, Angelina o interrompeu dizendo: –Eu preciso falar uma coisa que guardei comigo a quase um ano, T – ela disse se virando pra ele – Você sabe que eu te amo, você é um dos meus melhores amigos e talvez depois que eu tiver dito isso você me odeie para sempre, mas...Eu preciso dizer...Procure entender. E-eu preciso terminar com você!

Toulouse olhou pálido. Estava feito. Ela não sabia descrever direito como ele ficou, sua boca abriu mais ele não emitiu palavras seus olhos começaram a lagrimejar e ele ficou muito vermelho, era um misto de tristeza e surpresa. Angelina se sentiu cruel! É preciso coragem não importa quantos você vai machucar, pensar nisso apenas a deixava pior.

─ Não fale isso nem de brincadeira. – ele disse esticando a mão para encostar no rosto dela.

─ Não torne tudo mais difícil, T. – A loira se levantou aproveitando a súbita coragem, o que não duraria muito. Ela se afastou da mesa e parou no meio do corredor do restaurante, Sam se levantou e chamou seu nome, ela balançou a cabeça e sussurrou: — Não dá mais...

Eram Toulouse e Angelina protagonizando aquela cena ridícula no restaurante, ao parar na frente dele e finalmente encarar T, ela percebeu de como os dois partilhávamos da mesma insegurança, Toulouse a segurou pelo pulso arrastando-a para a saída do local, a noite estava fria e úmida.

─ Você só pode estar brincando. Seja o que for nós podemos resolver. – Angelina começou a balançar a cabeça negativamente. – Não. Espera. Não faz assim. –Toulouse levantou seu rosto e enxugou as lágrimas. – O que eu houve? O que eu fiz? – Uma lágrima rolou solitária pela face da loira, seu cabelo já estava meio bagunçado a essa altura. – Seja o que for me perdoe, Eu tenho certeza que não fiz por mal.

─ Você não fez nada é só que... – era tudo muito contraditório.

─ Você não joga um namoro por nada no lixo. – Sua voz puxou-a para a realidade. – Me diga o que eu fiz. Eu posso consertar. – Ele não desistira, não é do feitio de Toulouse desistir, Angelina precisava ser dura.

─ Eu apenas não quero mais você. – As palavras pareceram cortá-lo, seus olhos escureceram não no sentido literal mas dava para ver a raiva emanando deles – ela queria dizer que era por que ela nunca o havia amado de verdade mas achou que isso só pioraria a situação. Angelina se sentiu grotesca e suja, assim que deixou T sem mais dizer nenhuma palavra, seguiu pela rua escura para longe daquele lugar, o preço da liberdade é alto, ela sentia dor mas sem arrependimento. Depois da garota desaparecer nas sombras da noite, Toulouse voltou para dentro restaurante, Sam estava chocado até agora, o que Angelina havia feito? Ele tinha certeza e logo ela estaria com Nathaniel. Ela havia esquecido não era? Tudo que ele havia feito com ela...

—Cara e-ela só está nervosa, tenho certeza que amanhã tudo vai se resolver...- Sam sabia que isso não era exatamente a verdade mas, preferiu mentir...era melhor assim.

— Não, e-ela não vai voltar, e-e-eu não sei o que vou fazer sem a Angelina, ela faz parte de mim e foi arrancada sem piedade...- ele levou as mãos ao rosto e apoiou o cotovelo na mesa. Toulouse ainda não entendia por que ela havia feito isso, até hoje mesmo eles estavam bem, um casal apaixonado mas aquilo era tudo falso. Angelina vagava sem rumo, era queria voltar para a escola mas aquele bairro era um novo da cidade e ela nunca havia ido ali, no meio da escuridão daquela noite fria ela viu um parque já que ele parecia vazio resolveu entrar, eram oito horas da noite...Quanto mais ela passava pelas várias árvores ao redor, mais ansiosa a loira ficava, ela se aproximou de um campo aberto, a grama agora já meio prateada devido ao luar. Uma brisa fria bagunçou alguns fios de seu cabelo, parou de baixo de uma árvore bem antiga talvez tivesse mais de um século, apesar do tempo, era linda com os imensos galhos embaralhados pelo vento. A garota suspirou ao olhar para o céu sem nuvens e para lua acompanhada por milhares de pontinhos brilhantes parecidos com diamantes. Uma calmaria invadiu seu peito, ela fechou os olhos mas foi impedida de continuar assim por uma voz que vinha de dentro das árvores emaranhadas.

— Quem está ai? – disse uma voz vinda de dentro das outras árvores, ela não consegui ver nada pois a lua ofuscava em vez de iluminar o caminho daquele local.

—Angelina...– respondeu sem pensar duas vezes e se preparou para qualquer coisa, poderia ser qualquer pessoa e ela não conhecia quem frequentava aquele local.

—Angelina? – a voz disse e logo a ela a reconheceu era Nathaniel, como poderia? Era aquilo que eles chamavam destino? O garoto saiu de trás da árvore que se escondia e logo pode ver a garota.

— O que você faz aqui? – disse ela era uma das primeiras vezes que ela conversava com o loiro normalmente, ele se aproximou mais dela.

— Nada...só queria tomar um pouco de ar puro. – ele respondeu

—Não, eu digo, neste parque e...agora...- sussurrou ela. Ele resolveu apenas ignorar e se voltou para caminhar até outro lugar, antes que ela o parasse falando — Nath...Espera, por favor! –ele se virou e encarou Angelina que já havia corrido até onde ele estava.

— E-eu só queria me desculpar por não acreditar em você, eu perdi tempo demais da minha vida remoendo o que aconteceu...

—O que? Você está se desculpando comigo? – ele disse surpreso.

—Eu só quero recomeçar. Ok? Já não importa mais se era verdade ou mentira o que ocorreu.

—Claro, está tudo ótimo, eu senti muito sua falta Ange – ele disse,não se conteve e deu um breve abraço na garota – Só depois que eu te perdi, que eu percebi que...– ele disse se sentando em baixo daquela grande árvore – ...passado é passado.

—Já que você está aqui, tenho que te dizer outra coisa.- Angelina sentiu o corpo inteiro gelar, lhe faltava coragem mais do que nunca agora, será que depois desse tempo todo, ele a veria como antes.

— Eu terminei com Toulouse.- Ela continuou. No rosto de Nathaniel se formou um sorriso sem sentido, confuso e feliz ao mesmo tempo, aquilo era um aviso que insistia em dizer que eles poderiam ser como antes. Angelina sentiu a mão gelada de Nath, na curva de seu pescoço um calafrio percorreu minha espinha quando seus lábios tocaram os dela. Ela fechou os olhos jogando a cabeça para trás, permitindo que as caricias se aprofundassem. Delicado, Nath colocou para o lado esquerdo meu cabelo que atrapalhava seu trajeto. Angelina o parou com a mão.

— É complicado.

—Você ainda acha mesmo que eu fiz aquilo?

— Eu acabei de terminar com o T, eu não sei se ele reagiria muito bem a isso. Ela só queria esquecer seu passado por um segundo e beijar o garoto como nunca antes mas se conteve.

—Mas eu pensei que você tinha terminado com ele, para ser livre, para seguir seu caminho, não foi? Ele sempre a compreendia tão bem.

— Foi, eu te peço uma semana apenas para eu conseguir tentar me ajeitar com o Toulouse, como vai ficar nossa banda ?

— Demore o tempo que precisar– ele disse se aproximando mais dela- Angelina fez que sim com a cabeça e se encostou no ombro do garoto.– Eu me sinto tão leve agora sem mais mentiras e fingimentos.

— Eu sabia que dentro dessa pele espessa, estava guardada a antiga Angelina a minha Ange, sabia que você não tinha te perdido para sempre e que um dia ia voltar. – ela sorriu, dessa vez um sorriso sincero e verdadeiro como não dava a muito tempo, isso a fez se sentir como se flutuasse. Eles apenas ficaram ali por alguns minutos, talvez horas depois de um tempo, Nathaniel empurrou Angelina de leve para que ela acordasse de seu devaneio — Ange, olhe a hora, tenho que voltar para casa. Ela se levantou e continuou olhando fixamente para ele:- Sabe o que é mais insano? Eu e você, Nós aqui juntos depois de tanto tempo, parece que a raiva que eu sentia se dissipou, eu senti muito a sua falta. –Angelina suplicou. Ele sorriu.

— Eu também, muita, muita mesmo. – Nathaniel acariciou de leve o rosto da garota. Ambos andaram até o carro, o ar condicionado estava gelado, Angelina recostou a cabeça no apoio do banco, o carro do loiro era impecável e ela sentia o cheiro suave do perfume dele, Ah, como Angelina amava aquele cheiro depois de um curto espaço de tempo eles já estavam em frente dos grandes portões da escola, Angelina deu um beijo rápido no garoto, o que o surpreendeu, antes de sair do carro ele olhou pra ela e a abraçou, era o melhor de todos na opinião de Angelina, o mais reconfortante, o mais carinhoso.

— Eu prometo, só uma semana. – ela sussurrou.

Angelina passou pelo portão de saída da estufa, o único que não haviam seguranças, por sorte, hoje não era dia de ronda noturna nos corredores, então ela caminhou tranquilamente, subiu no elevador e finalmente chegou em seu quarto. As meninas já estavam dormindo, como Ange esperava, ela simplesmente tirou sua roupa e se jogou na cama, que se dane a maquiagem, ela estava cansada demais sem falar que amanhã tinha aula e nisso ela nem queria pensar.