Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=t3eza6LvswI

Carter esteve uma semana afastado do colégio, mas depois de muita insistência, seu pai aceitou leva-lo com uma condição: casa-colégio, colégio-casa e nada mais. Collins e os outros estavam no corredor, conversando. Carter sentiu uma fúria se apossar dele, se aproximou em passos largos e colocou Billy contra o armário:

– Onde vocês estavam?

Todos estavam confusos e assustados, principalmente Billy, seus olhos tremiam em suas órbitas:

– Do que você tá falando cara?

– Mas que droga, onde vocês estavam? Na Festa! Vocês me deixaram lá!

As pessoas que passavam o encaravam, mas Carter não ligava. Becky tomou frente e tocou no braço de Carter:

– Não foi nada disso, Carter, fique calmo.

– Eu quero uma explicação – disse ainda olhando para Billy.

– Maggie passou mal e tivemos de leva-la pro hospital, não sabíamos onde você estava e ficamos nervosos com a situação... Billy e Collins foram comigo...

Carter soltou Billy e a encarou. Estava se sentindo ridículo:

– E eu fui para casa da Samantha – disse Mark em sua defesa, como se alguém tivesse o perguntado alguma coisa. Maggie não pareceu gostar disso.

Todos o olhavam, Carter achou que fosse chorar, mas ao invés disso fez o que achou certo:

– Como você está, Maggie? – perguntou

A garota engoliu em seco e disse:

– Bem, Carter, obrigada...

Carter encostou-se no armário e ficou em silêncio, em pouco tempo eles passaram a agir como se nada tivesse acontecido. Exceto, Becky que lhe olhava vez ou outra de uma forma estranha. Apesar da estranheza, os dias prosseguiram bem. Carter continuou com a medicação regular, agora que seus pais estavam vigiando de perto. Houve certo aumento de suas notas e isso era um bom sinal. Talvez estivesse voltando para o seu caminho. Quando chegou o aniversário de Cho, ela o chamou para sua casa. Carter teve de insistir com os pais para que o deixasse ir e depois de muitas restrições, ele finalmente conseguiu o que queria.

Era sábado à noite e Carter estava sentado à mesa da casa de Cho, junto aos outros. Havia refrigerante e alguns nachos. Carter percebeu como a casa de Cho era diferente. Quadros japoneses enfeitavam as paredes, com desenhos cheios de cores vivas e intensas. O lugar cheirava a incenso e chá. Estátuas de Buda estavam espalhadas por toda a casa e isso era um tanto assustador para Carter. A mesa era extremamente baixa, tanto que estavam sentados em almofadas e ainda assim era confortável. Carter observava a conversa energética daquele pequeno grupo de amigos que arranjara, ele finalmente começava a prestar mais atenção àquelas pessoas que lhe rodeavam. Começando por Cho. Dezesseis anos. Agora, dezessete. Tinha cabelos negros lisos e um rosto redondo, não era alta, mas tinha um corpo bonito. Fala seca, mas apesar de tudo era uma garota gentil. Quando queria. Parecia muito voltada para essas questões sociais. Pelo que Carter sabia, Cho fazia trabalhos comunitários desde que foi detida ao dirigir embriagada. Mesmo depois de pagar a pena, ela pegou gosto pela coisa e começou a ajudar.
Mark. Dezessete anos. Era um rapaz boa pinta, amigável e divertido, falava muito às vezes, mas seu jeito excêntrico animava as pessoas ao seu redor. Apesar de não assumir, Carter acreditava que Mark sentia algo mais por Maggie e que isso era recíproco.
Billy. Dezesseis anos. O cara era inteligente, gordo, feio e tarado. As garotas simplesmente não o suportavam, mas mesmo assim ele persistia. Billy parecia ter algum tipo de afeição pelos peitos de Maggie.
Maggie. Dezesseis anos. Bonita, carismática e sarcástica. Ela notavelmente gostava de Mark, mas ambos não assumiam isso. Maggie parecia ter problemas com a mãe, pois sempre estava falando dela como se ela fosse louca. Que gozado, pensou Carter.
Collins. O primeiro. Dezessete anos. Magrelo, baixo e usa óculos. Collins era um exemplo claro de um garoto sem autoconfiança. Parecia sentir vergonha de si mesmo, mas apesar de seu jeito tímido de ser, era um sujeito muito legal.
E por último, a mais difícil de descrever. Becky. Dezessete anos. Madura, Inteligente, extrovertida e observadora. Por algum motivo, Carter sentia que se contasse a ela sobre seu passado, ela seria uma das poucas pessoas que não pirariam. Mas não convinha arriscar. Becky parecia guardar um segredo também, algo haver com sua família. Pelos fuxicos que sempre rolavam, Carter teria ouvido que sua mãe apanhava em casa...verdade ou não, Becky não gostava de falar sobre isso.
E Carter. Porque não fazer uma avaliação de si mesmo?
Quase dezoito anos. Alto, magro, anêmico, cabelo castanho e olhos verdes escuros. Perdido, Insano, carente e confuso. Sua vida era uma arte de cores mal colocadas. Esquizofrênico e fechado. Os amigos não sabem que ele é louco. Melhor avaliação? Impossível.