O Mundo De Carter
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Com o início do segundo bimestre, Carter estava animado e cheio de disposição. A última visita ao Dr. Rasenberg o fizera muito bem. A ideia de chamar Becky para sair o animava ainda mais, embora parecesse muito distante de acontecer. Numa segunda-feira qualquer essa ideia simplesmente evaporou de sua mente, ao ver, com certa raiva e espanto, Becky aos beijos com um sujeito até então desconhecido. Foi então que Carter descobriu tudo. O namorado/ficante de Becky, que estava viajando pelos EUA no último bimestre ao lado do pai, finalmente retornava para sua cidade natal. Porque Carter nunca desconfiou que existisse alguém assim na vida de Becky? Uma garota bonita, inteligente e de bom caráter...era tão óbvio. O cara pertencia ao 3º ano, tinha corpo de atleta, cabelos cor de areia, olhos castanhos claros e um sorriso torto que muitas considerariam charmoso. Carter tentou disfarçar o seu descontentamento ao máximo, mas isso já devia ser perceptível em seu rosto:
– Concordo, ela merece coisa melhor – disse Maggie do seu lado. Carter engoliu em seco e desviou o olhar. A garota sorriu carinhosamente e disse:
– Relaxa, seu segredo tá guardado.
...
Depois disso, os dias se tornaram tediosos e cansativos. Com o início do Inverno, a cidade de Nova Iorque começou a ganhar seus primeiros adereços de natal. A neve começava a cair em tufos cada vez maiores, cobrindo com um imenso cobertor branco as paisagens cinzentas da grande metrópole.
Carter acordou pela manhã de domingo ouvindo as risadas e traquinagens das crianças, que brincavam na neve depositada na rua em frente à sua casa. Lembrou-se de seu tempo de criança, quando as coisas eram bem mais fáceis. Carter tomou sua dose matinal e desceu as escadas. Um cheiro delicioso de panquecas com canela irradiava da cozinha. Carter sentou-se à mesa e devorou o café da manhã com ferocidade:
– Quer me ajudar a arrumar a cerca? – perguntou seu pai durante o café.
– Tudo bem – disse Carter em resposta.
Depois do desjejum, Carter vestiu um casaco e calçou suas velhas luvas. O pai o esperava próximo à cerca do quintal, com algumas tábuas debaixo do braço e um saco de pregos aos pés. Com o frio e a neve, a madeira vinha mofando e desgastando até soltar de suas pregas. Aquela cerca deveria de estar ali há uns dez anos. Carter sabia que havia uma segunda intenção atrás desse pedido de ajuda, não demorou muito até que Robert começasse a falar:
– Como tem ido o colégio?
– Bem.
Ele teria de se esforçar um pouco mais:
– Carter eu queria falar com você sobre uma coisa – disse enquanto martelava a tábua no chão.
– Pode falar pai.
Robert parou e olhou:
– Você sabe que pode falar o que quiser comigo, se tiver qualquer coisa...qualquer coisa que seja, pode falar comigo.
Carter que estava agachado fitou seu rosto por baixo do capuz. Como ele havia envelhecido. Carter sabia que ele era responsável por grande maioria de suas rugas de preocupação:
– Eu sei disso.
– É que...as vezes sinto que não...que não estou sendo o suficiente para você.
– De onde você tirou isso, pai? É claro que você é bom o suficiente pra mim.
Robert então o abraçou. Carter enrijeceu em seus braços, pois seu pai nunca fizera aquilo em toda a sua vida. Com delicadeza ele fechou os braços ao redor de seu velho. Então como esperado, Robert se afastou e limpou a garganta, e fez pose de machão:
– Ótimo.
Carter tentou esconder o sorriso que brotava em seu rosto.
Fale com o autor