O Mundo De Carter
28 Capítulo 28
Horas mais tarde, durante o jantar, Carter já tinha em mente seu plano minucioso. A única questão era: Seu pai. A maior e mais forte barreira que separava o planejamento da realização. Por sorte, naquela noite, sua mãe fizera o prato favorito de seu querido pai. Macarronada e frango. Ele vai estar de bom humor, pensou.
Ali, sentados à mesa, Carter procurava palavras e coragem dentro de si, suficientemente boas para poder convencer seu pai a empresta-lo o carro. Ele sabia que existiria uma longa lista de “Porque não” caso não conseguisse convence-lo que era para uma causa nobre. Portanto, como parte de seu plano de conquista, esperou que seu velho chegasse até a metade de seu jantar, para começar a tocar no assunto:
– Vou sair com Becky amanhã – direto e confiante. Seus pais gostavam de Becky, isso era um ponto positivo, os olhos de sua mãe automaticamente se iluminaram:
– Isso é ótimo! – ela olhava para o marido e para o filho — ...ela é uma ótima garotam, muito bonita por sinal, não é querido?
O pai que lutava para engolir uma coxa de frango disse entredentes:
– Sim...fico feliz por você, Carter.
O garoto estreitou os ombros, tentando tomar coragem para oque vinha logo a seguir:
– Estou pensando em leva-la ao King... – disse ele. King Restaurant Masses, era um restaurante italiano muito conhecido no Brooklyn e em toda Nova Iorque, mas apesar disso, Carter nunca o havia visitado, planejava fazer isso pela primeira vez com Becky, como aconselhara à certo tempo, Dr. Rasenberg:
– O King é um bom lugar – disse seu pai -...não é muito caro e a comida é boa – lógico que Carter não estava se importando com preços, tudo que queria era que a noite fosse agradável, contudo tinha que admitir, que o King era um dos poucos restaurantes famosos, cujas despesas caberiam em seu bolso:
– Pois é...- disse Carter. Ele tinha noção de que estava enrolando e a cada minuto que demorasse mais para falar, se enrolaria mais até perder totalmente a coragem. Então pensou em Becky e em como queria que aquela noite fosse divertida. Com isso em mente, Carter resolveu ir direto ao assunto, sem embromação, como um homem de verdade deve fazer:
– Olha...eu sei que vocês tem muitos motivos pra não confiar em mim... e que isso é imprudente e imaturo de minha parte, mas mesmo assim...- estava se perdendo. Carter respirou fundo e encarou os olhos azuis do seu pai -...eu queria saber...talvez...se...
– Poderia te emprestar meu carro? – cortou-o Robert
Carter engoliu em seco. Havia um ligeiro sorriso apontando nos lábios do pai, ele usou um guardanapo para limpar a boca e disse olhando para as mãos:
– Eu já fui adolescente, Carter...sei muito bem como é – ele suspirou, agora olhando-o nos olhos, depois deu uma leve olhadela para sua mãe, que retribuiu estranhamente. “Oque diabos estava acontecendo?”, pensou:
– Eu e sua mãe...resolvemos que é hora...de darmos mais liberdade à você...
– Como assim? – interrogou Carter, confuso.
– Talvez esteja na hora de você começar a ter uma vida...digamos, normal...quem sabe arrumar um emprego, se divertir, namorar...
Carter sentiu-se envergonhado:
– Então...vai me emprestar o carro?
Seu pai riu:
– Você sabe onde fica a chave.
Carter sorriu sobre o olhar confiante dos pais. Aquilo era um bom sinal. Ele começava a se sentir mais adulto, logo um encontro não parecia mais um bicho de sete cabeças.
Na noite seguinte, Carter arrumou-se o máximo possível. Vestiu uma camiseta cinza de mangas longas por baixo de um blazer preto, que ficou um pouco apertado, pois fazia tempo que não o usava, se é que já havia o usado alguma vez. Trazia também uma calça jeans da mesma cor, a mais nova que tinha e tênis cor de amêndoa. Olhando-se no espelho, Carter sentia-se ridículo. Não tinha uma roupa suficientemente boa para ir a um restaurante. Um terno não cairia bem para um primeiro encontro. Estava meio perdido com tudo aquilo.
Tentou pentear os cabelos, mas como eles insistiam em ficar bagunçados, apenas o assentou na frente, para que pelo menos parecesse descente.
Quando já eram quase oito horas, Carter tomou suas pílulas e desceu as escadas em passos largos. A chave do carro esperava sobre o armário da cozinha. Ele a pegou e enfiou no bolso do blazer:
– Que gato – riu sua mãe às suas costas. Carter corou com o elogio – Está muito elegante – disse se aproximando. Ajeitou a gola de seu casaco e tirou para fora a camisa. Carter sentiu-se novamente uma criança, indo para o primeiro dia na escolinha. Mas apesar disso, aquela situação era até engraçada:
– Obrigado mãe... – Lauren o olhou. Os olhos verdes encaravam-no com doçura e um sorriso desenhava-se em seus lábios. Passou os dedos pelo cabelo do filho, ajeitando uma mecha que estava em pé e disse:
– Você cresceu muito rápido... – dito isso ela o abraçou. Carter retribuiu, embora estivesse meio sem jeito.
Quando finalmente chegou à garagem, o cheio de gasolina inundou seu nariz. O velho Prius do seu pai esperava em meio às sombras, com sua pintura um pouco descascada e motor sibilante. Carter abriu a porta do carro e respirou fundo, degustando a sensação, inseriu a chave na ignição e ouviu o barulho do motor, lutando para ligar. Três roncos depois as luzes se acenderam e o carro ligou. Logo, Carter estava a caminho da casa de Becky.
Fale com o autor