Notas iniciais
Agradeço a todos que estão acompanhando, tenham uma boa leitura :)

Carter tinha de admitir, estava muito nervoso. Ali, de frente para o espelho, Carter visualizava como seria sua noite, o que falaria e como se comportaria. Revisara isso em sua cabeça, várias e várias vezes e cada vez parecia pior. O terno cor de giz de seu pai lhe coubera muito bem. Carter ajeitou o cabelo o máximo possível, mas ele insistia em ficar bagunçado.
Por volta das quinze pra sete, Carter chamou um táxi e entregou o endereço ao motorista. Ele sentia-se um tanto envergonhado por isso, os outros caras buscariam suas parceiras com os carros de seus pais, mas Carter compreendia os vários motivos que Robert teria para não lhe emprestar o carro.
Quando chegou à casa de Chris, Carter sentiu a mesma sensação do primeiro dia de aula. Embora não sentisse nada especial pela garota, se via na obrigação de tornar aquela noite no mínimo agradável. Ele pediu para que o taxista esperasse e caminhou até a porta do sobrado. As janelas estavam todas iluminadas. Seu alpendre tinha o assoalho de madeira e algumas orquídeas enfeitavam os pilares de madeira branca. Antes de tocar a campainha, Carter respirou fundo, então repassou mais uma vez em sua mente o que iria dizer e só então apertou o botão ao lado da porta. Um sonoro Dim Dom soou no lado de dentro, tão alto que Carter pôde ouvir. Em menos de dez segundos a porta se abria e revelava uma Chris transformada. Se ele achava que não podia ficar mais colorido, estava enganado. Um vestido rodado na altura dos joelhos, estilo tomara-que-caia, todo colorido em verde, amarelo e vermelho, adornado por desenhos que pareciam flores e borboletas, não dava para saber ao certo. Os cabelos estavam soltos e volumosos. Usava batom escarlate e uma maquiagem pesada. Seus olhos castanhos claros estavam envoltos em uma sombra dourada e os cílios remelados de rímel. Apesar de estar bonita, toda aquela maquiagem e brilho lhe doíam os olhos:

– Vamos logo – já foi dizendo enquanto agarrava o braço de Carter, sem ao menos dar-lhe tempo de dizer oque havia ensaiado. Chris gritou com alguém dentro da casa e bateu a porta com força:

– Você veio de táxi? – ela fez uma careta – Que original – disse o puxando para dentro do veículo. Carter estava sem graça. Chris deu as ordens ao motorista e em pouco tempo eles chegavam à School Johnson K. Green. Carter jogou vinte dólares para o taxista e mandou que ficasse com o troco, depois foi arrancado de dentro do táxi por Chris. A frente da escola estava toda decorada com luzes, enfeites luminosos e tecidos cor de creme, pregados por cima das janelas e da entrada. Chris o obrigou a tirar uma foto antes que entrassem. Carter não se importou, mas não podia negar que estava um tanto incomodado com o jeito energético e mandão daquela garota.
Já dentro do salão, Carter contemplou a quantidade de luzes e enfeites em todos os lugares. Feixes coloridos piscavam ao ritmo da música alta. Havia um palanque ao fundo, onde um DJ tocava os hits do momento. Balões de gás hélio flutuavam pelo teto, alguns amarrados às pequenas placas de espuma, para mantê-los mais baixos. Cho vinha ajudando na decoração, tanto que Carter a viu xingando um grupo de garotos por ter colocado um enfeite no lugar errado:

– Vamos dançar – gritou Chris o puxando para o meio da pista. Carter não sabia dançar e tentou negar, mas a garota basicamente o arrastou. Ela se remexia ferozmente, balançado o quadril, os braços e as pernas. Carter não achou aquilo muito sexy. Para agrada-la ele se balançou levemente, para um lado e pro outro, era ridículo, mas o melhor que podia fazer. Carter olhou ao redor e avistou alguns de seus amigos. Quando viu Collins, ele se aproximou junto com Nancy. Os cabelos estavam penteados para trás e os óculos de armação nova. Nancy, que era muito magra, usava um vestido rosa de alças. Os cabelos presos em um coque deixavam seus ossos pontudos à mostra. Chris não deixou Carter nem mesmo conversar, pois já foi o puxando para mais perto do centro da pista. Foi quando viu Becky. Ela e Simon dançavam num canto mais escuro. Becky usava um vestido preto um pouco acima dos joelhos, de alças prateadas, não havia estampa, mas um bordado cinza claro ao redor da saia. Os cabelos estavam soltos e esvoaçantes e a maneira como ela dançava, era totalmente inebriante. Carter a ficou olhando por um tempo até que seus olhares se cruzaram. Becky acenou e lançou um sorriso fraco. Simon nem mesmo o olhou, abraçou sua cintura e a afogou em um beijo consumidor. Carter então desviou o olhar:

– Vai pegar uma bebida – disse Chris, não como quem pede, mas como quem dá uma ordem. Carter não viu porque não obedecer.

Havia seis pessoas na mesa do ponche. Carter encheu uma concha da bebida esverdeada e despejou em dois copos:

– Isso tá horrível – ouviu alguém dizer, quando virou era Cho – falei para que não colocassem limão, aqueles idiotas estúpidos! – ela estava irada. Billy estava do seu lado, vestindo seu melhor terno cor de vinho. Ele acenou, parecia tão deslocado quanto Carter. Depois de encher os copos, o garoto passou por entre a multidão com dificuldades até finalmente conseguir alcançar Chris. A garota pegou seu copo e entornou tudo de uma vez, fazendo uma careta:

– Eca, tá azedo – e jogou o copo no chão. Carter sorriu sem graça e experimentou do ponche enquanto a garota voltava a dançar. Realmente estava muito azedo. Ficaram ali por um longo tempo, apenas se balançando ao ritmo da música. Com o tempo, as luzes ofuscantes e a música alta começaram a deixa-lo tonto. Carter sentiu como se o lugar estivesse ficando abafado, o som estava ficando distante e ecoante, seu corpo parecia flutuar e afundar ao mesmo tempo. Então de repente ele foi puxado para o mundo real, quando Chris enlaçou os braços em seu pescoço e sussurrou:

– Vamos sair daqui – o bafo de bebida soprava em seu rosto. Carter sentiu-se sendo puxado para um lugar escuro e silencioso. Logo percebeu que estavam na sala de acessórios esportivos. Chris o pressionou contra a parede e tirou algo do bolso. Era um pacote plástico, dentro havia um pó branco que parecia sal de cozinha:

– O que é isso?

Chris sorriu, colocou um pouco do pó na costa da mão e aspirou com o nariz:

– Quer um pouco?

– Melhor não.

– Bom, sobra mais pra mim – ela aspirou mais um pouco e guardou o saquinho embaixo da saia do vestido. Chris era o tipo de garota que deixava ser tratada mal. Carter sabia disso e sentia-se estranho por isso. A garota se aproximou, ficando bem perto dele:

– Você até que é bonitinho – disse passando o dedo por seu rosto. Carter não conseguiu retribuir o elogio, pois sua boca estava ocupada com a dela. Chris o beijou de forma convulsiva, penetrando com sua língua incessantemente. Os dedos da garota invadiram seu cabelo, Chris o emperrou contra um amontoado de redes, Carter caiu sentado e a garota sentou-se em seu colo. Ele não conseguia nem respirar. Aquilo era algo novo para ele, mas ao mesmo tempo parecia estar errado. Chris parou de beija-lo e puxou o zíper do próprio vestido. Carter sentiu-se quente e nervoso. A garota voltou a beija-lo enquanto colocava as mãos do garoto sobre seus seios desnudos. O vestido desceu até a altura de sua cintura. Chris invadiu seu casaco e desabotoou sua camisa, espalhando beijos quentes por seu pescoço e peito. As mãos da garota deslizaram por seu peito até a barra da sua calça. Carter engasgou enquanto Chris abria seu zíper. Então ela parou de beijá-lo. Carter sentiu-se envergonhado e diminuído com aquela situação. A garota o olhou de uma forma estranha, parecia decepcionada:

– Desculpe – sussurrou Carter.

Chris se levantou e ajeitou o vestido, depois saiu sem nem olhar para trás. Carter estava se sentindo enjoado, um refluxo subiu-lhe pela garganta e vômito explodiu de sua boca. Carter encolheu-se, colocando todo ponche que havia bebido para fora. Ficou um tempo ali deitado, recuperando o próprio fôlego. Quando finalmente saiu, Carter se viu perdido em um corredor escuro. Caminhou tateando a parede e percebeu como o lugar fedia à cerveja e vômito. Havia casais se esfregando ali, fazendo coisas que não deviam ser feitas em público. Foi quando Carter o viu. Simon passava suas mãos pelo corpo de uma garota, parecia prestes a devorá-la, bem ali no canto do corredor. Por um momento, Carter pensou que fosse Becky, mas então percebeu que estava enganado. A garota soltava gemidos altos, tinha cabelos loiros longos e usava um vestido vermelho radiante. Carter não conseguiu se mover, estava paralisado. Foi quando Simon o viu. Sua última esperança era de que estivesse escuro suficiente para que não reconhecesse, mas isso não era verdade, pois Simon se afastou da garota imediatamente e prensou Carter na parede. O cheiro de álcool que exalava de suas roupas era sufocante:

– Você não viu nada, entendeu?

– Não tenho certeza disso – disse Carter rispidamente.

Simon riu de escárnio, enquanto isso a garota dava o fora:

– Escuta aqui, eu vi a forma como você olha para Becky, aposto que se masturba à noite pensando nela, não é, seu filho da mãe? Se você contar alguma coisa pra ela, vou matar você, está entendendo? Vou matar você com minhas próprias mãos... – dizia de forma ameaçadora.

Carter permaneceu em silêncio:

– Está avisado – disse o empurrando, então desapareceu na escuridão do corredor.

Carter soltou o ar de seus pulmões. Seu corpo tremia como se estivesse cheio de adrenalina. Ele caminhou pelo correr até voltar para o salão, onde agora tocava música lenta.
Asleep, The Smiths.
Carter viu Becky, enlaçada nos braços de Simon, enquanto dançavam juntos como um casal feliz. Aquilo foi como um soco no estômago. Já passava da hora de Carter ir embora. Sabia que tinha de levar Chris para casa, mas ela parecia ocupada demais com a boca de um dos jogadores de futebol.
Minutos depois Carter estava solto pelas ruas do Brooklyn, caminhando entre a neve e o frio e pensando em como a cabeça de Simon ficaria bem em uma bandeja.