O Mistério do Circo 9

1 Karoline visita o circo


Enquanto todas as crianças da cidade corriam para ir ver os espetáculos do Circo 9, Karoline estava escondida em baixo de sua cama. Seus avós queriam levá-la ao circo que estava na cidade, porém a garota sentia um medo terrível de palhaços. Todas as crianças da idade dela sempre amavam ir ao circo e o medo de Karoline era inadmissível e sem fundamentos para os avós. Marta, sua avó, tentava convence-la de todas as formas. Disse-lhe que não havia o que temer afinal o vô Mauro e ela a protegeriam. Palhaço algum iria se meter com ela. Isso sem contar que eles tentavam colocar de todas as formas na cabeça da garotinha que os palhaços eram bonzinhos.

Por fim Mauro disse para a neta: "- Se for conosco, depois lhe daremos uma caixa de chocolates." Os olhos da garotinha brilharam afinal chocolate era sua paixão.

Karoline saiu então de seu esconderijo e foi junto com seus avós, porém seu medo ainda estava lhe apertando o coração.

Chegaram então ao circo. Por todos os lados chegavam crianças juntas de seus pais. Karoline havia perdido os pais muito cedo. Porém seus avós nunca contaram a ela o que aconteceu. Diziam todas as vezes que quando ela estivesse maior e mais preparada para saber das coisas, eles contariam.

O espetáculo estava pra começar. Logo trapezistas e malabaristas começaram a festa. As pessoas vibravam diante de cada movimento realizado com sucesso.

Algum tempo depois chegou a vez dos palhaços. Com suas piadas simples e seus movimentos hipnóticos levavam o público ás gargalhadas. A única que parecia não achar graça alguma era Karoline. Ela via algo diferente no sorriso dos "caras pintadas". Seus avós pareciam hipnotizados com o show, riam como se fossem crianças. Um dos palhaços fez um cachorrinho com um balão e caminhou na direção de Karoline. O homem sorriu para ela e falou: "- Este é para você garotinha. Você é especial para nós." Karoline hesitou. Porém Marta pegou o presente para ela e agradeceu. O palhaço mostrou um sorriso enigmático e voltou para continuar suas "palhaçadas".

Assim que acabou o espetáculo, as pessoas deixa-vam a grande lona e se dirigiam para o Parque que ficava no mesmo terreno. Tinha montanha-russa, roda-gigante e muitos outros brinquedos para o divertimento das crianças. No entorno também ficava o trailer dos artistas do circo. Um pouco mais afastados, ficavam os trailers dos palhaços. O lugar que acampavam era bastante colorido, com imagens felizes, algo totalmente doce e infantil, o que tornava impossível o sentimento de medo por parte de qualquer um, menos por parte de Karoline. Nem se pagassem ela se aproximaria de lá.

Enquanto caminhavam, dois palhaços pararam na frente deles e começaram a contar piadas. Os avós da garotinha permaneciam imóveis, como se tivessem entrado em algum tipo de transe. Quando a garotinha se preparou para correr, uma garota a interceptou e a pegou pelos braços dizendo: "- Acalme-se menininha, eu não deixarei que façam mal algum a você". Karoline sentiu vontade de gritar, mas não gritou. Um sentimento estranho havia tomado conta dela ao encontrar aquela estranha. Estranha esta que aparentava ter mais ou menos uns quinze anos, enquanto que Karoline tinha apenas oito.

A garota carregou Karoline por alguns metros e pa-rou em frente a uma porta colorida, tão colorida que chegava até a arder os olhos. Bateu na porta que se abriu e um homem enorme apareceu, convidando as garotas para entrar. Assim que as duas entraram ele trancou a porta e acendeu a luz. Para desespero de Karoline haviam ali naquele local uns dez palhaços. Sete homens e três mulheres.

A garotinha estava prestes a entrar em choque, até que a jovem que estava do seu lado falou:

"- Acalme-se! Eu irei lhe ensinar como agradar a Baruatã."

Ela então caminhou na direção de uma cama que estava coberta. Os palhaços puxaram a capa que estava por cima. Na cama estava uma mulher jovem e nua, que começou então desesperadamente a gritar por ajuda. Um dos palhaços disse à garota:

"- Vamos Anelize! Não temos o tempo todo. Precisamos de mais uma alma para o nosso deus, sem dizer que estamos famintos."

Anelize então ergueu os braços, fechou os olhos e iniciou a prece:

"- Baruatã, protetor dos palhaços e senhor do bom humor, vos oferecemos mais esta alma que irá servir de alimento para o senhor, enquanto que o seu corpo, já banhado pela vossa bênção, irá servir de alimento para nós, teus fiéis servos, afim de que toda a magia de vossa simpatia invada as nossas mentes, afim de que sejamos geniais e agradáveis ao nosso público e que possamos levar alegria a todas as pessoas do mundo, amém."

No mesmo instante, cada palhaço pegou um facão. Anelize pegou uma faca menor e entregou para Karoline. Anelize voltou para o lado da jovem mulher que estava presa a cama sem entender do que se tratava. A garota apenas disse a ela: "- Nos desculpe, não é nada pessoal". Começaram então avançar contra a mulher, que sem saber o que estava acontecendo gritava desesperada por ajuda. Cortaram os seus braços, depois uma de suas pernas com ela ainda viva. Alguns já haviam partido alguns dos pedaços cortados e comiam como se estivessem sem alguma refeição a vários dias.

A mulher na cama esguichava sangue pelas extremidades cortadas, estava babando de tanta dor, seus olhos pareciam não terem mais vida. Anelize olhou nos olhos dela e mostrou um pedaço de uns dos dedos que haviam tirado da pobre mulher. A garota lambia o dedo, até que mordeu com ira e mastigou com vontade. Aquela cena era perturbadora ao extremo. Como uma garota daquela idade podia se portar daquela forma? Até que Anelize falou: "_Agora eu quero um de seus olhos". E com a faca na mão, perfurou a cavidade do olho da mulher, que emitiu o último suspiro depois de um grito perturbador.

Karoline estava em choque. Não conseguia acreditar que aquilo tudo estava acontecendo. Começou a chorar compulsivamente, chegando até a soluçar. Anelize chegou perto da menina e falou: "_Um dia você também fará a vontade de nossos pais... Quando esse dia chegar o senhor Baruatã ficará feliz em ter uma nova serva, enquanto este dia não chega, você pode voltar para aqueles velhos caducos."

Karoline estava tão transtornada que não parecia ouvir uma única palavra, até que desmaiou. Uma voz ao fundo falou para Anelize: "- Devolva-a para aqueles velhotes ridículos, a hora dela ainda não chegou. Com o tempo, ela será nossa."