O Mistério da torre de cristal
5 Um anel de noivado
Ao chegarmos no hotel, meu coração estava saltitando dentro do peito, pois, já havia fantasiado, muitas e muitas vezes, aquela noite, mas nunca naquela situação tão romântica, em um lugar lindo.
— Suba, querida, que eu já irei.
— Você não vem para o quarto, agora? – Fiquei confusa.
— Daqui a pouco. Vou só tomar um conhaque.
— Quer que eu faça companhia a você?
— Não precisa, querida. Suba, que logo estarei lá.
Fiz o que ele me pediu, concluindo que queria me dar um tempo para eu me preparar, relaxar um pouco. Assim tomei um banho morno reconfortante, passei hidratante por todo o meu corpo e até coloquei perfume, vesti minha camisola, que comprei especialmente para ocasião, e me deitei na cama, esperei e nada de Victor aparecer. A temperatura do quarto estava confortavelmente amena, devido ao aquecimento central, somado ao cansaço da viagem e o efeito do vinho fizeram minhas pálpebras pesarem, lutei, com determinação, para mantê-las abertas, mas perdi. Na manhã seguinte, acordei com Victor descerrando as cortinas, para a luz da manhã entrar, eu abri os olhos e o encontrei já vestido.
— Bom dia, Bela adormecida.
— Eu não vi você chegar, ontem – disse, ainda sonolenta.
— Você estava dormindo tão bem, que não quis acordá-la. Vamos! Levante-se, porque tenho um monte de atividades programada para nós, hoje.
Não posso negar que fiquei bem frustrada, tinha tantas expectativas para a outra noite, que não deu em nada, assim, respirei fundo e sai da cama, aprontando-me para um novo dia.
Fomos a uma estação de esqui, subimos bem lá no alto, onde pela primeira vez na vida, eu vi e toquei na neve, tal qual criança, fiquei exultante. Victor propôs me ensinar a esquiar, mas dei para trás, tive medo e ele riu de mim, contou que esquiava desde criança com os pais, que me ensinaria no futuro. Fiquei intrigada com aquela frase. Afinal, haveria um futuro para nós?
Almoçamos por lá mesmo, as iguarias locais, em aconchegante restaurante aquecido por uma lareira central e, em seguida, fomos a um mirante, admirar a vista, passeamos pela cidade, jantamos em mais um restaurante incrível, tomamos muito vinho, compramos e comemos chocolate pelo caminho.
Quando voltamos para o hotel, estava exausta, mas decidida a não cometer o mesmo erro da outra noite. Ele me avisou que tomaria um conhaque, antes de ir para o quarto e eu fiz o mesmo da noite anterior, só que dessa vez, não me deitei na cama, sentei-me no sofá, liguei da TV, para espantar o sono, e esperei por um bom tempo, estava achando aquela demora muito estranha, então, ouvi a porta se abrir, fingi que estava distraída, porém, fiz uma pose meio sexy, meio descontraída, quando ele entrou. Talvez, fosse só impressão, mas havia uma certa expressão de espanto no rosto dele, ao me ver acordada.
— Estava esperando por você – disse com a voz branda, tentando parecer sensual.
— Que bom, vou tomar um banho. – Ele foi para o banheiro
Será que estava ficando louca ou ele estava me evitando? Quem sabe, ele tivesse algum segredo, um defeito físico que lhe causava vergonha, ou algum problema com a sua libido, comecei a fazer mil conjecturas, enquanto ouvia a água do chuveiro cair, até parar, fiquei atenta, ao notar a porta do banheiro se abrir e ele sair por ela, usando pijamas clássico e sofisticado. Esperei. Ele se aproximou e me beijou com vontade, então achei que estava tudo bem, quando deslizou suas mãos no meu corpo e livrou-se da minha camisola. Devo revelar que ele não tinha nenhum defeito físico ou problemas com sua libido, foi tudo muito bem, como eu desejava. Não entendia, porque demoramos tanto para chegar até aquele ponto.
Na manhã seguinte, acordei bem-disposta, podia ficar com ele assim, na cama, envolta naqueles edredons macios com aqueles travesseiros fofinhos, o dia inteiro, sentindo o calor do corpo dele contra o meu, fazendo amor, mas, como sempre, Victor tinha outros planos, na verdade, um monte deles. Trilhas e rafting, aproveitando a natureza, ele era incansável e eu me esforçava para acompanhá-lo. Na nossa última noite, jantamos no restaurante do hotel, um jantar bem romântico e intimista, a luz de velas, regado a muito vinho, estava tão feliz, porém, Victor ainda me reservava a minha última surpresa. Ele me pediu para irmos juntos até a varanda. O céu estava escandalosamente estrelado, a vegetação escura e o espelho d’água do lago cintilando, fazia frio, mas não me importei, encantada com a paisagem lá embaixo, aquecida pelo vinho e pelo romance, Victor ficou silencioso, estranhei, me voltei, querendo abraçá-lo.
— Lívia, devo confessar que você foi uma grata surpresa na minha vida – ele disse com a voz branda, sorri lisonjeada. – Sempre fui um homem solitário e reservado, mas, também, sempre desejei uma família, procurando a pessoa certa para ficar ao meu lado, até achar você. Então, por isso, você quer se casar comigo?
Ele ajoelhou bem na minha frente, tirou uma caixa do bolso e abriu. Arregalei os olhos e tive que me lembrar de respirar ao ver a deslumbrante aliança de brilhantes e safira bem na minha frente.
— Victor! – murmurei, colocando as mãos no peito, para segurar o meu coração que batia tão forte, como se tentasse escapar.
— Então, Lívia, quer se casar comigo?
— Eu não sei. Está acontecendo tudo tão de repente. Estou tão confusa.
— Diga, apenas sim.
Olhei para aquele homem bonito, gentil e romântico ajoelhado bem na minha frente, que poderia ter qualquer outra mulher, mas me queria, desejando que eu fosse a sua esposa. E eu que não tinha ninguém no mundo que me amasse desse jeito, que cuidasse de mim, estava tão emocionada, que comecei a chorar
— Eu ... sim, eu quero me casar com você – respondi, entre soluços e lágrimas.
Victor tirou o anel da caixa e colocou no meu dedo anelar da mão direita, erguendo-se, envolve-me nos seus braços e me beijou. Depois disso, fomos para o nosso quarto, onde havia uma garrafa de champanha francês nos esperando, brindamos e terminamos a noite mais maravilhosa da minha vida, fizemos amor calma e docemente, por fim, adormecemos um nos braços do outro.
Na manhã seguinte, quando acordei, olhei a minha mão, para ter certeza que não foi apenas uma ilusão e encontrei o anel resplandecendo no meu dedo e, ao meu lado, aquele homem maravilhoso ainda dormia, com a expressão suave. No fim da tarde, voltamos para casa, era como despertar de um sonho.
— Precisamos decidir o que faremos com você – durante o nosso regresso, ele disse e eu o interrogo com o olhar. —, em relação a seu emprego na empresa – completou.
— Como assim? Vou perder o meu emprego? – indaguei, assustada.
— Claro que não, querida! – Ele riu. – Só que a noiva do CEO, não pode ficar na recepção, distribuindo crachás.
— Mas, eu gosto do meu trabalho.
— Eu sei, querida, mas precisamos achar um cargo a sua altura, pelo menos, até o casamento.
— Até o casamento?
— Se você concordar, poderemos nos casar o mais breve possível. Prefiro uma cerimônia íntima, só com os amigos mais chegados, já que nós dois não temos família próxima.
— Casar assim, tão rápido?
— Sim, querida, normalmente, é isso que as pessoas fazem quando ficam noivos, casassem.
— Para mim, tudo bem, Victor – concordei, mas, no fundo, estava um tanto apreensiva, mas não tinha porque esperar.
Um carro com motorista nos esperava no aeroporto, quando chegamos para nos levar para casa. Estava muito cansada, só queria dormir e esperar o que viria no dia seguinte, ao voltar para a empresa. Contudo, meus planos de paz e tranquilidade foram frustrados, porque, assim que abri a porta do meu apartamento, Monique surgiu através da dela.
— E então, como foi? Para onde você foram?
— Bariloche e foi tudo bem.
— Como bem? Ele levou você para um fim de semana em Bariloche!
— Eu disse foi tudo bem – Repeti, sacudindo minha mão direita na frente do rosto dela.
— Ei! O que é isso aí? – Ela segurou minha mão e a trouxe para próximo aos olhos dela.
— Um anel de noivado – respondi, com dissimulada indiferença.
— Minha nossa! Um anel de noivado! Você ficou noiva! E de Victor Rahner! – ela gritou, eufórica, sorri sem graça.
— Calma, Monique! Não é para isso tudo.
— Como, não é? Você ficou noiva de um dos solteiros mais cobiçados da cidade! Vai ficar rica!
Eduardo surgiu na porta, assustado com o escândalo da irmã.
— O que está acontecendo aqui? Ah! Você voltou, Lívia. Como foi a viagem? – perguntou, sem demonstrar muito interesse.
— Boa. O lugar é lindo.
— Boa? Olhe só isso! – Monique pegou minha mão e estendeu para o irmão.
— O que é isso? – Ele olhava, sem entender.
— Não está vendo, seu bobo? É um anel de noivado! Lívia fico noiva de Victor Rahner!
— Como, Lívia, se você mal conhece esse homem? – Eduardo me perguntou de modo soturno.
— O que isso, Eduardo? Você deveria ficar feliz por ela! Lívia vai casar com um homem rico e deixar essa vidinha miserável da gente.
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