O Mistério De Alyson Murray
1 Capítulo 1 - Enrascadas - Alyson
Notas iniciais
Ela atualmente tem 16 anos, e conta a história de quando tinha 8.
Anyway, espero que gostem e boa leitura! ^^
Foi a primeira vez que aconteceu. Eu me lembro como se fosse ontem, apesar de já fazer oito anos.
Eu me tranquei em meu quarto e fiquei sentada num canto escuro, encolhida junto com as outras garotas. Abraçando os joelhos e escondendo meu rosto entre eles, com os olhos fechados apertados, fiquei torcendo para que alguma coisa, qualquer coisa, acontecesse e me livrasse daquela situação. E então, tudo escureceu, e eu fiquei em um transe, flutuando numa infinita escuridão.
Mas, antes de continuar, devo contar o que ocorrera antes.
Basicamente, eu morava com meu pai, órfã de mãe. Quando eu tinha seis anos, ele adoeceu. Os médicos nunca conseguiram descobrir qual havia sido seu mal, mas já não importava, ele ficou melhor repentinamente. Infelizmente, tão rápida foi a sua melhora, também foi sua morte. Eu simplesmente acordei de madrugada — o relógio na parede indicava que era por volta das 02h30min — e percebi que ele havia adormecido na cadeira ao lado da minha cama, onde se sentava para me contar histórias para dormir. Porém, não roncava. Sequer estava respirando.
Morávamos numa casa isolada do restante da cidade, então eu não tinha a quem recorrer. Liguei para a polícia e não disse nada, apenas o meu endereço. Se viessem, chegariam apenas ao amanhecer. Durante esse tempo, apenas fiquei sentada na cama, olhando para o cadáver do meu pai. Agora, eu era apenas uma criança sozinha, sem pais, nem qualquer tipo de parentesco.
Quando os policiais chegaram, me fizeram vários tipos de perguntas. Eu não respondi a nenhuma. Apenas continuei sentada na cama, olhando fixo para o nada.
Por fim, fui levada para um abrigo para garotas. Ninguém sabe realmente como é um orfanato até morar em um. Os casais que iam até lá para adotar uma criança sempre preferiam os bebes… Mas um dia apareceu um homem, alto, bem afeiçoado, e também muito rico.
―Garotas, esse é o senhor Smith, e ele gostaria de adotar algumas de vocês. — apresentou a Srta. Johnson, responsável pelo abrigo.
Desde a primeira vez em que o vi, eu não tive um bom pressentimento a seu respeito. Infelizmente, eu fui uma das escolhidas à adoção, além de Karen Benson, de nove anos de idade, Giulia Peterson, de cinco, e Alanis Parkinson, de sete.
Tenho de admitir que o homem fora um bom pai para nós, durante o primeiro mês depois da adoção. Esse foi o tempo em que o Sr. Smith estava sob observação do orfanato, para que vissem como ele se adaptaria com as novas moradoras na sua casa. O homem nos comprava brinquedos novos sempre, e nos levava a parques de diversão todos os fins de semana. Mas como toda coisa boa na minha vida, esse tratamento durou pouco. Assim que a fase de observação acabou, Sr Smith mostrou quem realmente era.
― A parir de agora, se refiram a mim apenas como seu rei. – disse.
― Mas o senhor pediu para que o chamássemos de papai. – replicou Alanis.
― Calada! – gritou, fazendo com que todas nós recuássemos. ― aquilo foi enquanto aqueles imbecis ainda estavam me observando. Agora já chega de moleza. Vocês farão tudo o que eu quiser, quando eu quiser.
Desde então, acabaram os presentes, os passeios a parques e toda a mordomia de antes. Nós viramos escravas daquele covarde imundo. Mas o pior ainda estava por vir.
Começou com Giulia, a mais nova de todas nós. Ela chorava todas as noites, e tinha medo de dormir ou ficar sozinha em qualquer lugar. Também começou a ter pavor do Sr Smith, mas nós achávamos que era apenas pela sua crueldade. Estávamos enganadas.
A próxima foi Alanis, que era a segunda mais nova. Quando eu e Karen a perguntávamos o que estava acontecendo com ela e Giulia, ela simplesmente começava a chorar e dizia que não podia contar, pois seria pior.
Como Karen e eu éramos as mais velhas, decidimos ir denunciar o sujeito à Srta Johnson, que sempre repetias às crianças quando adotadas “Qualquer problema que vocês tiverem, pode me procurar.”
Naquele dia, desviamos do caminho da escola e fomos até o abrigo de garotas. Procuramos pela mulher na secretaria do abrigo, que nos recebeu com grande surpresa. Mais surpresa ainda ficou quando informamos o porquê da nossa visita, e disse que conversaria com o Sr Smith sobre o que poderia estar acontecendo com Giulia e Alanis. No mesmo dia, Srta Johnson conversou com o homem, mas o diálogo deles não fez diferença. O homem era persuasivo demais, e suas mentiras eram difíceis de perceber.
― Sr Smith, é um prazer revê-lo. E então, como vão as coisas com as garotas? – perguntou simpática a mulher.
― Ora, também é um prazer revê-la. Está tudo indo muito bem. E então, qual o motivo da senhora ter me pedido essa reunião? Como sabe, eu sou um homem muito compromissado… Estou sempre ocupado com obras de caridade e os serviços sociais que faço em favor dos menos favorecidos. – disse com toda a soberba, mas é claro que mentia.
― Oh, me desculpe, eu sei o quanto o senhor trabalha em prol de fazer o bem… Mas Karen e Alyson estão se queixando que suas outras filhas adotivas estão um tanto… infelizes com algo. Elas disseram que as meninas choram sempre que alguém se refere ao senhor, e o vêem como um carrasco.
A carranca do homem se fechou, mas logo ele disfarçou com um forçado sorriso.
― Ah, isso. Deve ser por causa das repreensões que tive de dar nas garotas quando faziam algo de errado. Sabe como é, nós temos de educar nossas crianças, mesmo que isso signifique dar algumas broncas de vez e quando. – disse sorrindo ― Talvez as meninas sejam manteigas derretidas demais, e tenham ficado magoadas com as minhas correções.
― Oh, claro! Então vejo que não temos nenhum problema grave por aqui… Enfim, apenas tenha mais cuidado com o modo como repreende suas filhas, Sr Smith. Tenho certeza que o senhor esta dando o seu melhor como pai. – concluiu Srta Johnson, levantando-se para se despedir de mim e Karen, e depois dando um aperto de mão no homem.
Na verdade, o diálogo só piorou as coisas. Quando chegamos em casa, fomos direto para o quarto, e não saímos. Mas não poderíamos fugir para sempre. Ao voltar da escola no dia seguinte, ele estava nos esperando, sentado em seu sofá de couro e fumando um caro charuto cubano, com um sorriso maléfico no rosto.
― Então, vocês estavam tentando me entregar? Eu sabia que as duas mais novas me dariam menos trabalho, mas as enxeridas das mais velhas tinham que bancar as heroínas! De qualquer jeito, agora vocês também vão participar dos meus… joguinhos, junto com as outras.
Karen e eu não fazíamos a mínima idéia do que ele falava, mas não gostamos do tom irônico em sua voz.
Depois disso, ele não disse uma palavra, apenas continuou a tragar seu charuto. Nos dias seguintes, nossas vidas continuaram como estavam antes: éramos escravas de um homem cujo tínhamos de chamar de rei, Giulia e Alanis continuavam com medo do homem, e eu e Karen estávamos apenas esperando nosso castigo, que chegou três dias depois.
Começou quando o homem disse que hoje íamos brincar juntos, mas que seria uma brincadeira diferente.
― Nós vamos gravar um filme! – disse com falsa animação.
Todas sabíamos que uma coisa ruim estava por vir, mas percebemos que era pior do que pensávamos quando Sr Smith nos obrigou a ficar apenas com peças intimas para gravar uma cena. Ele disse que era uma cena de marido e mulher, mas só de brincadeirinha. Alanis e Giulia, em sua infantil inocência, acharam mesmo que aquilo seria só uma brincadeira, porem Karen e eu já não éramos mais tão bobas. Olhamos uma para a outra e, como mágica, entendemos qual era o plano. Cada uma segurou por um pulso de Alanis e de Giulia e saímos correndo, a toda velocidade para o primeiro local que nos surgiu na cabeça: nosso quarto.
Óbvio que não era um local seguro, mas foi a primeira coisa que veio na cabeça de uma garota de oito e outra de nove anos. Nos trancamos lá e começamos a pensar rápido no próximo passo. Não poderíamos ficar trancadas ali para sempre.
De fora do quarto, o Sr Smith gritava:
― Ei, qual é garotas? Vocês não querem brincar? Tudo bem então, não vamos mais brincar disso… Mas então o que vocês sugerem, lindas? Pega-pega? – disse ele em seu irritante tom irônico, e depois deu uma maléfica gargalhada.
Depois de quatro horas trancadas dentro do quarto, Sr Smith voltou a gritar na porta, mas dessa vez, sua voz tinha um tom calmo, tranquilizador… hipnotizante.
― Tudo bem, vocês podem sair agora… se quiserem, eu levo vocês num circo novo aqui na cidade.
Eu e Karen, e dessa vez Alanis também, não caímos na astucia do homem, mas Giulia saiu correndo de dentro do quarto, e nós fomos atrás, tentando segurá-la. Demos um olhar mortal para o homem, que ergueu as mãos em sinal de rendição.
― Tudo bem, calma… Não se preocupem, eu não vou fazer nada… — ele disse pausadamente.
― Não ouse chegar perto de nenhuma de nós! – rosnou Karen.
É claro que, se ele fizesse isso, não poderíamos fazer nada. Felizmente o homem ignorou esse fato.
― Para a cozinha. O jantar está pronto. – o homem disse, enquanto íamos para lá.
Giulia e Alanis foram na frente, e o homem segurou Karen e eu pelo braço. Se abaixando para chegar mais perto, ele sussurrou em nossos ouvidos:
― Seu castigo ainda as espera. E se tentarem fugir de novo, será pior.
Os dias se seguiram, e continuamos a ser escravas. Sr. Smith não fez nada de mais por um tempo, mas certa noite, enquanto Alanis e Giulia já dormiam, ele gritou de seu escritório para que lhe levássemos uma xícara de café. Entrando no escritório, Karen deixou a bandeja numa mesa e eu servia seu café. O que não percebemos foi que, enquanto fazíamos isso, o homem trancou a porta do escritório. Com um sorriso malévolo no rosto, ele nos encarou.
Bom, prefiro não entrar em detalhes sobre o que aconteceu nos minutos seguintes. Digo apenas que, assim que Sr Smith chegou perto novamente, peguei o bule com café fervendo e joguei o liquido em seu rosto. Enquanto se recuperava, Karen e eu corremos para o quarto e nos trancamos lá. Alanis e Giulia estavam dormindo, então não poderíamos ter fugido sem elas.
Ficamos lá, encolhidas, pensado no que fazer para fugir. E foi então que aconteceu. Quando acordei de meu transe, Giulia, Karen e Alanis me olhavam assustadas. Olhei em volta e vi que estávamos no escritório. Sr Smith estava caído no chão, parecia morto. Eu realmente não sabia o que havia acontecido, mas sabia o que deveríamos fazer.
― Vamos embora daqui — eu disse para as garotas, que me seguiram para fora da casa.
Notas finais
Já sobre o que o Sr Smith fazia com as garotas... Bom, acho que já dá pra saber o que era, mas não me arrisquei a entrar em detalhes, tanto por que a própria Alyson não gostava de lembrar, quanto por eu acreditar que só quem já passou por isso sabe exatamente como é (então eu não sei, e nem quero saber G.G).
Enfim, é isso, comentem o que acharam ^^
Aceito críticas, sugestões... elogios também rsrs
Anyway, obrigado por ter lido :3
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