O Mistério Da Fera

3 Capítulo 3 - Aproximando-se da escuridão


Notas iniciais
Oi, gente! Aqui está mais um capítulo... Obrigada pelos comentários *-* fico muito feliz de verdade!
Espero que gostem! Boa leitura!

- Você me acordou. – Gisele ouviu uma voz grave interrompendo sua música e se virou para trás rapidamente.

- Que susto!

- Não foi minha intenção te assustar.

- E não foi minha intenção te acordar.

Silenciaram por um tempo. O silêncio chegava a ser tanto(e tão longo) que era constrangedor. Principalmente para Gisele.

- Não precisa ter medo de mim. Pode falar o que quiser.

- Eu...

- Fernan te colocou muito medo, não foi?

- Ele lhe descreveu. Estava certo?

- Estava.

- Não gosta de visitas, não é?

- Como descobriu isso?

- Eu deduzi.

- Gosta de tocar piano, não é?

- Sim, muitíssimo.

- E você tem talento.

- Acha mesmo?

- Acho. – Ele se levantou e começou a subir as escadas.

- Aonde vai?

- Vou para o meu quarto.

- Vamos nos ver novamente?

- Nunca vamos nos ver. Ou podemos conversar algum dia, novamente, talvez.

- Nunca é muito tempo. – Ele parou de andar, por um momento. – Pode me dizer seu nome?

- É senhor, para você.

- Senhor só Deus. O seu nome, por favor.

- É muito valente, Gisele. E impaciente também.

- Seu nome. – Aumentou o tom.

- Saberá um dia. – Ele sumiu.

***

Era a hora da janta e a alteza não havia descido para esta.

- Ele virá, não virá? – Gisele disse, enquanto Fernan colocava a comida sobre a mesa.

- Creio que não.

- Eu gostei muito de conversar com ele. Mesmo que a conversa tenha sido curta. Ele disse que eu tenho talento para tocar piano. – Ela riu.

- E ele tem razão. Receber algum elogio dele é uma coisa rara.

- Mesmo?

- Não duvide. – Ele serviu seu prato com um alimento meio estranho.

A alteza estava observando de longe, dentro de uma pequena escuridão — uma espécie de sacada — na sala de jantar.

- O que é isso? – Ele sorriu com a cara que Gisele fez.

- Isso se chama escargot. — Fernan respondeu, concentrado ao colocar uma bebida avermelhada na taça de Gisele.

- É bom?

- Experimente. – Gisele colocou um na boca. Ela mastigava cautelosamente, com medo do gosto que poderia sentir.

- É gostoso sim. Mas sabe do que eu gosto mesmo? De macarrão.

- Macarrão?

- Sim. Macarrão com molho branco! – Fernan olhou para a escuridão, que gesticulou para que Fernan providenciasse o macarrão.

- Amanhã mesmo o comprarei.

- Se for incômodo, não é necessário.

- Não é incômodo algum, Gisele. Fique tranquila. – Ela sorriu.

- Não quero mais comer isto, Fernan. Importa-se?

- Mas é claro que não! – Fernan sorriu. – Vou preparar sua cama.

- Não há necessidade. Eu mesma preparo.

- Está bem.

- Boa noite. Durma com Deus.

- Você também.

Foi em direção ao seu quarto. Ficou encarando a porta que dava no quarto da alteza. Parecia ter um bloqueio para que ninguém entrasse ali. “Por que ele se excluía tanto da sociedade?”, ela se perguntava.

***

“Olhos cor da noite, face branca como a neve, bochechas suavemente alaranjadas, colo de marfim e o longo cabelo que remetia a ideia de um lago em uma noite em movimento”, era assim que a alteza descrevia sua nova paixão. Ela tinha nome. Inocência? Ingenuidade? Gisele.

***

- Madame?

- Só mais 10 minutos, mãe. Eu prometo. – Gisele respondeu Fernan, sonolenta.

- Não é sua mãe. – Ele abriu as cortinas do quarto.

- Fernan? – Ela levantou, rapidamente. – Desculpe por isso.

- Se quiser dormir mais, tudo bem. É que o café da manhã está pronto.

- Eu já vou descer.

- Está bem.

Fernan deixou Gisele sozinha em seu quarto. Ela tirou a camisola de seda rosa e vestiu um short jeans e colocou uma jaqueta cor vinho de moletom. Como ela amava moletom!

Pegou seu pequeno aparelho de música e seus fones de ouvido. O aparelho estava pausado na música “Hello, Goodbye”, dos Beatles. Gisele tinha um ótimo gosto para música, afinal, ela entendia muito dessa área. Ouvia Queen, Kiss, BeeGees e até mesmo Elvis Presley. Ouvia de tudo: de pop a rock clássico. Era quem o misterioso dono da mansão procurava.

Gisele desceu até a sala de jantar e sentou-se na primeira cadeira que ficava à direita da mesa. Fernan já havia dito, em alguma oportunidade, que a alteza não gostava que sentassem em seu lugar à beira da mesa. Era uma cadeira como as outras que ficava ali ao redor da mesa. Mas era o lugar em que esta estava que fazia a diferença.

A figura que apreciava ficar na escuridão estava descendo as escadas. Gisele podia ouvir o barulho de casa passo da alteza. Ela sabia que era ele e estava tensa por isso. E feliz por poder conversar com ele novamente.

Ele se sentou à beira da mesa. O capuz, como sempre, tampava-lhe os olhos e fazia sombra no resto de seu rosto.

- Gostaria de comer algo, alteza?

- Não, obrigado, Fernan. Sirva Gisele e nos deixe a sós.

- Sim, alteza.

- Eu mesma me sirvo, Fernan. – Ela sorriu, tentando não ser grossa.

“Quanta audácia”, pensou a alteza, e sorriu, involuntariamente.

- Se assim deseja, vou me retirar. Se precisarem, estarei na cozinha.

- Obrigado. – É difícil isso acontecer, mas a alteza agradeceu.

Gisele começou a comer. Dava prazer ao anfitrião vê-la comer com tanta vontade. Mas isso lhe causava curiosidade também. Nunca lhe alimentaram na vida para comer tanto assim em sua casa?

- Está bom?

- Muito bom. – Ela disse, de boca cheia.

Ela havia terminado de comer em menos de 20 minutos. Colocou-se a olhar ao seu redor. A mansão tinha decoração medieval, mas era tão bela!

- Você gosta de coisas antigas? — Disse Gisele.

- Aprecio coisas diferentes.

- Eu também. Este lugar me agrada muito. Mas...

- Mas? – Ele achava tão perfeito que...

- Acho que falta uma coisa. – Como podia faltar algo naquela mansão?

- O quê?

- Flores em seu jardim.

- E por quê?

- Deixaria mais alegre, não acha?

- Nunca pensei nisso. – Ele sorriu.

Aquele sorriso deixou Gisele surpresa. Ela nota a personalidade das pessoas a sua volta com muita facilidade e havia notado que o sorriso não era uma curva constante no rosto dele.

- Que tipos de flores você gosta?

- Gosto de tulipas. E girassóis também. Mas gosto mais das tulipas.

- Eu gosto mais dos girassóis.

- É sério?

- Não. – Gisele gargalhou com o tom dele. A alteza sorriu com o riso da menina e não entendeu o porquê da gargalhada porque, pra ele, aquela piada havia sido horrível.

Os dois conversaram sobre tanta coisa naquela manhã... Gisele não estava acreditando que podia ver pouquíssima parte do rosto dele. Estava tão próxima dele que podia sentir até seu cheiro. Cheirava a algum tipo de flor que ela não estava conseguindo assimilar o cheiro. Era tão cheiroso quanto o perfume masculino mais caro que existe.

- Posso lhe fazer uma pergunta?

- Faça outra. – Ele sorriu e Gisele riu.

- Por que não mostra seu rosto?

- Não quero que você tenha medo de mim.

- Não tenho medo de ninguém.

- Não vou arriscar. – Ele se levantou da mesa.

- Aonde você vai? – Ele a ignorou. – Me diga ao menos seu nome! – Ele a ignorou, novamente.

A alteza não respondeu. Gisele ficou arrependida de ter tocado naquele assunto. E estava certa.

Notas finais
Obrigada por ter lido *-*
Fique com Deus...
Beeeeeeeeeeeeeeeeeijos :*