O Mistério Da Fera
25 Capítulo 25 - O inesperado
Notas iniciais
- Grávida? Mas como foi que... – Ele se lembrou do ocorrido há pouco mais de um mês atrás.
- Estou com atraso menstrual, vou ao banheiro com frequência, sinto enjoos, sinto muito cansaço, senti que meu corpo inchou e as tonturas...
- Mas, se você estivesse, creio que o médico diria algo...
- Eu fiz apenas exames aqui. – Ela apontou para a cabeça. – Ele nos alertou ontem mesmo. — Ela tentou parar de pensar nisso. — Não entendo muito disso, Estevão.
- Você podia ter me dito antes. – Respirou fundo e passou as mãos sobre seus cabelos.
- Você está desapontado?
- Não. Eu esperava que isso acontecesse. Mas é que você é tão nova...
- Eu não estou preocupada com isso.
- E então?
- Eu tenho medo da criança nascer deste jeito. – Apontou para seu rosto.
- Isso é culpa minha. — Abaixou a cabeça.
- Mas por que seria sua culpa?
- Eu dei motivos aquela feiticeira para me transformar e agora estamos sofrendo com a sua dúvida.
- Mas você não precisa sofrer por isso. — Ele continuou com a cabeça baixa. Gisele tocou seu rosto e acariciou suas bochechas. — Se você errou ou não, o importante é que você está correndo atrás do prejuízo. — Estevão sorriu.
- Mas, então, precisamos confirmar isso, primeiramente.
- É verdade. – Abaixou a cabeça.
Gisele pegou o telefone e ligou para a farmácia. Pediu três testes e eles entregariam em meia hora.
- Eu pedi três, para confirmarmos de uma vez por todas. — Estevão riu.
- Nós poderíamos ir a um hospital.
- Não quero voltar para lá de novo.
- Mas nós voltaríamos logo.
- Estevão, eu só vou confirmar. Se der positivo, nós vamos cuidar direito dessa criança.
- Eu estou até me acostumando com essa ideia. Estou feliz, Gisele. – Estevão sorriu.
- Isso é bom. – Ela sorriu. – Eu também estava preocupada com isso. Não sabe o quão feliz eu fico ao ver que aceitou isso.
Estevão estava surpreso. Será que conseguiria ser um bom pai?
- Estevão...
- O que foi, meu doce? – Sorriu.
- O que vai ser de nós sem Fernan?
- Vamos tentar manter esta casa em pé. – Sorriu e Gisele riu. – Sabe que não conseguirei me acostumar com a ideia de preparar comida, arrumar minha cama, lavar a louça...
- Isso pode ser divertido. – Ela sorriu.
Silenciaram. Estevão analisou todas as linhas faciais de Gisele. Parecia tão linda mesmo com o rosto daquela forma. Como ele podia ter ficado tão feio e ela, praticamente, uma princesa?
- Gisele, quanto a minha reação quando te vi no hospital, eu não tive intenção de te magoar.
- Eu sei. – Sorriu. – Mas se eu gostava de você do jeito que você era, por que seria diferente se fosse comigo?
Ouviram a campainha. Foram até o portão.
- Você veio rápido. – Estevão disse, pegando uma sacola da mão do entregador.
- É que a farmácia é perto daqui. – Sorriu.
Estevão lhe entregou o dinheiro e agradeceu.
- Chegou a hora. – Gisele disse. – Eu nem sei se consigo usar isso direito. – Ela riu.
- É por isso que você tem três chances. – Gisele riu, de novo.
Foram para dentro da mansão. Estevão lhe entregou a sacola.
- Independentemente do resultado, saiba que não vou ter uma reação negativa. – Ele beijou sua mão, segurando-a.
Gisele foi até o banheiro e fez um dos testes, que confirmou sua gravidez. Ela confundia sua mente com felicidade, duvida e apreensão. Fez o segundo teste, que confirmou, novamente. O terceiro também confirmou.
Ela já havia contado isso a Estevão. Mas como faria para se alimentar da maneira correta sem causar dores nele? Essa situação havia se tornado uma bola de neve que aumentava e se aproximava para desabar sobre o teto de Gisele.
Estevão estava preocupado com a demora. Ele foi até o banheiro e bateu a porta. Ele abriu e a viu apoiada na pia, olhando para o espelho.
- Quer ajuda? – Ele sorriu.
Gisele o olhou e viu que estava brincando. Ela sorriu também.
- Seu bobo.
- O que deu?
- Todos confirmaram.
- Agora, teremos que ir ao médico, novamente.
- Ah, não... – Gisele disse.
- Eu quero que o meu filho nasça com saúde.
- Isso se for um menino! – Ela sorriu.
- Eu quero só ver. – Ele riu.
- Eu amo o seu sorriso, Estevão. – Acariciou o rosto dele.
Estevão esperava ouvir mais do que isso. Gisele estava amando-o, mas precisava admitir isso. Ela mesma se perguntava: “Por que é tão difícil admitir?”.
De repente, Estevão sentiu uma pontada repentina em seu estômago.
- O que foi? – Gisele disse.
- Não é nada. – Colocou sua mão na parede para se apoiar.
- Eu não devia ter comido aquele lanche.
Estevão começou a soar.
- Meu Deus! – Gisele abriu a torneira, molhou as mãos e passou no rosto quente de Estevão.
O cabelo dele já estava parcialmente molhado devido a grande quantidade de suor.
- Vem. – Ela colocou o braço dele em volta do pescoço dela.
Gisele o conduziu em direção ao quarto dele e o colocou na cama.
- Eu não sei o que dizer, Estevão.
- Eu estou bem, Gisele.
- Não, não está!
- Amanhã, eu posso tentar pegar algum animal para você.
- Onde?
- Numa fazenda aqui perto.
Ele já estava melhorando. Gisele respirou, aliviada.
- Como você os matava antes?
- Eu geralmente caçava bois e frangos. Eu não conseguia imaginar outro modo, se não, atirando nestes. Fernan tinha certa experiência com isso e ele sempre tratava dos animais para mim.
- Eu nunca havia reparado nisso. O que faremos sem Fernan? – Gisele disse, preocupada.
- Eu posso aguentar, meu amor.
- Estevão, não acho que...
- Gisele, quem precisa de repouso é você! – Ele disse, se lembrando de que o médico pediu para que Gisele não esforçasse sua mente e tentando mudar de assunto..
Ela deu a volta na cama e se deitou ao lado dele.
- Eu acho que vou ter que começar a caçar. – Gisele disse, séria. Mas logo em seguida, os dois caíram na risada.
- Vou buscar algo para você comer.
- Estevão!
- O quê?
- Acabou de passar mal e já quer passar mal de novo?
- Gisele, eu...
- Não estou sentindo fome. Quando eu precisar comer, te aviso. – Ela sorriu.
- Amanhã vamos ao hospital para tratar da sua gravidez.
- Está bem. – Fez pouco caso.
Estevão se levantou da cama e apagou a luz. Foi em direção a janela e abriu a cortina. A lua iluminava aquele quarto. Ele tirou sua blusa e suas botas e se deitou na cama.
- Se eu soubesse que esse quarto era assim, teria me mudado para cá antes. – Gisele sorriu e se deitou de lado, ficando cara a cara com Estevão.
- Estevão... – Gisele respirou fundo. – Acho que te amo.
- Não sabe o quanto esperei ouvir isso. – Ele sorriu e a beijou.
Um beijo que envolvia muito mais do que paixão. Era amor. Gisele precisava admitir para si mesma aquilo. Por que era tão difícil?
- Eu não entendo. – Gisele tocou seu próprio rosto.
- Não quero que se preocupe com isso.
- Mas, eu estou...
- Se precisar, mando destruir todos os espelhos do mundo.
- Você é tão... — Estava sem palavras e, então, sorriu. — Por falar em espelho, — tentou disfarçar a vergonha por ter aqueles olhos lhe medindo — sabia que sempre usei aquele que me deu? Parecia bobagem escolher um espelho rachado e não sei como estava a venda, mas significou muito para mim. – Ela sorriu.
- Eu fiquei feliz quando o escolheu. – Ele sorriu.
- Estevão... Será que meus pais vão me aceitar assim? E grávida?
- Eles vão te aceitar sim, Gisele. A culpa foi minha e estou assumindo, não estou?
- Sim, mas não quero que se sinta obrigado. Faça isso porque você quer. – Ela acariciou o rosto dele.
- Não há nada que eu queira mais, Gisele.
Gisele virou em direção a janela e puxou o braço de Estevão para abraçá-la. Seus corpos estavam juntos e era tudo isso o que desejavam naquele momento.
Notas finais
Fique com Deus...
Beeeeeijos
Fale com o autor