O Mistério Da Fera
17 Capítulo 17 - A verdade precisa ser dita
Notas iniciais
Aqui está um capítulo um pouco grande... Mas eu acho que pode valer a pena ler!
A história passa a ficar mais emocionante, creio eu, haha.
Espero que gostem!
Boa leitura!
Estevão não estava acreditando naquilo. Ele interrompeu o beijo antes que pudesse ser aprofundado.
- O que você está fazendo? – Gisele disse.
- O que eu estou fazendo? Eu é que te pergunto!
- Como? Não era isso o que você queria?
- Não era isso o que você não queria?
- Eu te beijei para tentar te satisfazer.
- Eu quero que me beije porque tem vontade ou porque você, simplesmente, gosta de mim.
- Eu gosto de você.
- Mas não parece.
- Por que não parece, Estevão?
- Você acabou de brigar comigo porque eu só pensava em fazer “certas coisas” com você. – Fez as aspas com os dedos. – Creio que você inclui nessas certas coisas certos beijos também, não é?
- Sim, mas...
- Mas nada, Gisele! Se decida.
Estevão saiu andando, tranquilamente, mas com rapidez.
- Estevão! Espera! – Ela correu atrás dele.
Estevão subiu as escadas rapidamente e Gisele o seguia.
- Espera! – Ela gritava, chorando.
Ele entrou em seu quarto e, por um triz, Gisele não consegue entrar.
- Abre, Estevão! – Ela batia na porta, com desespero.
Aquilo doía profundamente em Estevão, mas era o que tinha de ser feito. Estevão sentiu uma lágrima cair de seu rosto. Tentava mentir para si mesmo que a lágrima não tinha haver com Gisele, quando, na verdade, esse era o maior motivo.
Gisele ainda gritava para ele abrir a porta. Estevão silenciava. Quando mais ela se cansava, mais sono os dois conseguiam alcançar. Estevão dormiu em sua cama. Gisele estava quase dormindo encostada na porta. Negou para si mesma sair dali antes que Estevão pudesse abrir a porta.
***
Estevão acordou e foi em direção a cozinha para procurar Fernan para saber se Gisele havia dormido bem, até que se surpreendeu: viu a menina jogada no chão em frente a porta de seu quarto. Estevão tentou pegá-la no colo sem que ela acordasse. Ele a levou para o quarto dela.
No momento em que ele a colocou na cama, ela acordou.
- Estevão? – Ela segurou seu braço com força. – Fica aqui.
- Não, Gisele.
- Por favor. Eu quero você aqui. – Ela puxou o rosto dele e tentou beijá-lo.
- Gisele, para!
- O que está havendo com você? Não me quer mais?
- Você precisa dormir. – Ele a colocou na cama e a cobriu.
- Fica aqui, Estevão.
- Se você dormir, fico aqui.
- Está bem. — Ele se sentou à beira da cama dela.
Gisele sorriu e fechou os olhos. Estevão, automaticamente começou a acariciar seus cabelos e, então, a menina facilmente pegou no sono. Estevão saiu dali devagar, sem fazer barulho, e foi até a cozinha.
- Posso ajudar, alteza? – Fernan disse, arrumando algumas louças.
- Pode sim. Sabe se Gisele tomou algo?
- Bem, quando eu estava subindo as escadas para ver se ela precisava de algo, assim como a alteza me pediu para fazer depois que subissem...
* Flashback on*
- Ei, Fernan! – Disse Gisele, meio acordada.
- O que você está fazendo aí, Gisele?
- Estevão disse para eu ficar aqui porque ele foi buscar algo pra mim. Será que você pode me trazer aquela bebida que compramos no centro da cidade? Eu preciso ficar acordada.
- Não é melhor você buscar?
- Você vai se recusar, Fernan? – Ele estranhou que isso estava saindo dos lábios dela.
- Já trago.
- Obrigada.
* Flashback off*
- Eu levei para ela e ela tomou em uns cinco minutos a garrafa inteira.
- Jogou a garrafa fora?
- Eu acho que não.
- Pode buscar para mim?
- Claro. – Ele buscou e entregou para Estevão.
Estevão analisou a embalagem e percebeu que era uma forte bebida alcoólica.
- Jogue no lixo tudo o que for alcoólico.
- Mas você não irá mais beber?
- Eu tenho algumas em meu quarto e sei controlar. Já ela, pelo visto...
- Está bem, alteza.
- Você não estranhou o fato dela estar sentada no chão do corredor?
- Eu até estranhei, alteza, mas ela disse que você pediu. E você disse que eu deveria fazer tudo o que ela pedisse.
- Mas acha que eu faria isso com ela?
- Se me permite dizer...
- Se eu estou perguntando! – Se irritou um pouco. — Diga. – Diminuiu o tom.
- Eu na verdade não sei do que a alteza é capaz. Estou aqui há muito tempo e acho que não lhe conheço o bastante.
- Acha mesmo, Fernan?
- Acho. – Foi lavar a louça.
Estevão foi até seu quarto, meio decepcionado por ter ouvido o que não esperava e o que não queria.
Ele não tinha intenção de tratá-la dessa forma ou sequer passar essa impressão. Estevão não era mau.
***
Durante cerca de uma semana, Estevão tentou manter distância de Gisele. Quando Fernan o perguntou o motivo, ele sequer soube responder, mas disse que poderia ser o melhor. Ele achou que era o melhor, mas não aguentou. Foi até o quarto da menina e bateu na porta.
- Quem é?
- Sou eu. – Abriu um pouco da porta.
Gisele olhou para trás e fixou seu olhar em direção a ele.
- O que você quer?
- Posso entrar?
- Já entrou. – Estevão entrou e fechou a porta.
Gisele estava sentada à beira da cama que fica perto da janela.
- O que você está fazendo? – Disse Estevão, sorrindo, chegando perto dela, tentando puxar assunto.
- Você se importa? – Ela olhou para ele.
- Por que está falando assim comigo? – Ele se sentou do lado dela e, instantaneamente, ela se levantou e foi em direção ao espelho que tanto amava.
- Você disse que ia ficar aqui comigo quando eu fosse dormir.
- Mas eu achei que você já tinha esquecido.
- Claro, não é?
- Como? – Ele fez careta de quem não entendeu.
- Depois de uma semana sem se quer olhar na minha cara!
- Eu achei que fosse bom pra... – Gisele o interrompeu.
- Você?
- Eu não penso em mim.
- Você só pensa em você mesmo!
- Está errada, Gisele. Penso muito em você.
- Se você pensa em mim, sai daqui! – Estevão se levantou da cama.
- Eu sei que você não quer isso.
- Mas eu sei que você quer.
- Você está sendo muito rude.
- Eu não quero mais olhar pra você!
- Olhar pra mim?
- É! Não me acusava de te achar feio?
- Como assim?
- Aproveita essa desculpa pra sumir de vez daqui!
- Não quer mais olhar para mim, então?
- Estevão, eu não quis dizer...
- Por quê? Por que sou feio?
- Estevão, eu...
- Era isso o que eu esperava. Eu e a minha cara vamos nos recolher por quanto tempo a madame desejar. – Ele se curvou, ironizando. – Com licença, alteza.
Gisele ficou sem reação e o que lhe restou foi chorar.
***
Depois de quase um mês, Gisele já havia lido mais de cem livros e estes ainda não haviam preenchido o buraco que gostaria de fechar em sua consciência. Ela, praticamente, estava morando na biblioteca.
Ela não tinha intenção de que suas palavras soassem daquele jeito.
- Gisele? – Era a voz que esperava ouvir.
- Estevão? – Ela se levantou e o viu. Ela correu em direção a ele e o abraçou. – Eu não queria ter dito aquilo. Eu não tive intenção. – Ele a abraçou também.
- Eu sei. – Ele sorriu e olhou para ela.
- Eu jamais diria isso com intenções tão erradas assim. – Ela sempre olhava nos olhos dele. Aquilo irritava Estevão porque, no fim, ele não conseguiria resistir.
Ele a beijou e, desta vez, conseguiram aprofundar o beijo e ambos queriam algo a mais.
Estevão segurava na cintura de Gisele e fazia com ela caminhasse em direção a parede. Ele segurou suas mãos na parede e espalhou beijos por seu pescoço.
- Espera... – Gisele disse.
- O que foi dessa vez?
- Aqui não. – Ela sorriu.
- Onde?
- Vem.
Gisele segurou a mão de Estevão e foram em direção aos quartos. Estevão abraçou Gisele por trás e dava beijos em sua nuca. Ele a conduziu em direção ao quarto dela.
- Aqui não. – Gisele disse.
Gisele pretendia provar que amava Estevão e não tinha nada contra ele. Então, ela o puxou em direção ao quarto dele. Quando ela estava prestes a abrir a porta, Estevão a segurou.
- Por que no meu quarto?
- Por que não? Eu pensei que gostaria mais.
- Eu não me importo com o lugar. Mas, no meu quarto, não.
- Está bem. – Ela sorriu, sem graça. – Eu já perdi a vontade mesmo. – Deu de ombros e foi em direção ao seu quarto. Estevão foi atrás dela.
- Estraguei tudo, não foi?
- Você deve ter os seus motivos. – Ela sorriu e fechou a porta de seu quarto.
***
- Mas um dia ela terá que saber de tudo isso, alteza.
- Fernan, vamos mudar uma coisa. Me chame de Estevão daqui pra frente, está bem?
- Como? – Fernan parecia não acreditar no que ouvia.
- E não precisa ser tão formal ou sequer fazer tudo o que eu e Gisele queremos. Pense que estamos pedindo favores e não dando ordens.
- O que deu em você? – Fernan disse, sem pensar. – Perdoe-me por dizer isso.
- Tudo bem, Fernan. Voltando ao assunto. Eu sei que ela terá que saber de tudo isso, mas não estou preparado ainda para dizer isso para ela.
- Pois se prepare porque ela começará a desconfiar sobre o que tem em seu quarto.
- Pois é... – Estevão olhou para o chão e pensava em mil modos de como dizer a verdade para ela. Mas como? Será que ela aceitaria?
Notas finais
Fique com Deus...
Beijos!
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