O Mistério Da Fera
12 Capítulo 12 - Um beijo recusado
Notas iniciais
Eu já fiz um climax maior ainda para a história... Aliás, fiz vários e vou colocá-los nos capítulos pouco a pouco... Pretendo terminar essa história no capítulo 20 até o 25. Ainda não sei... Mas, enfim! Espero que estejam gostando!
Boa leitura!
O beijo era doce, espontâneo e tinha muito desejo. Estevão colocou uma de suas mãos na cintura de Gisele e a outra por baixo de seus cabelos. Gisele estava com as mãos indecisas... Não sabiam onde ficar, portanto, ficaram no peitoral de Estevão.
Estevão queria ir além de um beijo e isso podia ser muito bem percebido. Mas Gisele não queria, então, correu para dentro da mansão, interrompendo o beijo. Sequer percebeu que Fernan não estava mais na cozinha.
A alteza correu atrás da menina, que subiu as escadas e foi para seu quarto, fechando a porta. Assim que a fechou, Estevão a chamou.
- Gisele... – Ele disse em um tom que Gisele pudesse ouvi-lo, sem gritar. – O que eu fiz demais?
A menina abriu uma fresta da porta e colocou apenas um de seus olhos à visão de Estevão.
- Por que não me deixa entrar? – Ela apenas o observou. – Então, eu posso entrar? – Ela não respondeu, novamente. – O que te fiz pra deixar assim? – Gisele saiu da porta do quarto, deixando esta aberta.
Estevão entrou e se sentou na cama, na qual Gisele estava deitada, virada para a janela.
- Tudo isso é por causa da minha aparência?
- Eu não te acho feio!
- Só não me acha bonito? – Ele tentou ironizar.
- Estevão! – Ele se levantou e ela também.
- Gisele, se não gosta de mim, diga-me!
Gisele segurou na gola de sua camiseta e aproximou seu rosto do dele.
- Eu gosto muito de você, Estevão! – Ela o chacoalhou.
Estava nas pontas dos pés e, ainda sim, Estevão se abaixou um pouco para beijá-la.
Estevão a impulsionou para se deitar na cama. Gisele obedeceu aquele movimento, e se deitou, trazendo Estevão com ela.
O beijo estava sendo aprofundado, novamente, e Estevão sabia que isso estava acontecendo, de novo, por culpa sua. Então, quem interrompeu, desta vez, foi ele.
- Isso não quer dizer que eu não quero, mas quer dizer que respeito sua vontade e, quando quiser, vou querer também.
Ele saiu do quarto. Deixando Gisele arrependida e com certo desejo que desaparecia cada vez mais com a sua desilusão de que poderia vê-lo, ao menos, mais uma vez essa noite.
***
Ambos foram para a cama, mas não conseguiam dormir. E quando, enfim, conseguiram, parecia que haviam dormido pouquíssimo tempo e já sentiam que era hora de acordar.
Gisele, ao contrário de Estevão que continuou em seu quarto, desceu para tomar o café da manhã.
Colocou um lindo vestido preto e um par de rasteiras com um laço branco em cada uma destas.
- Bom dia, Fernan. – Se sentou em uma cadeira da cozinha.
- Bom dia, Gisele. Como foi a noite ontem?
- Não quero falar sobre isso. Se não se importa...
- Não, claro que não. – Sorriu.
Fernan já estava preparando a refeição e o telefone tocou.
- Pediu algo, Fernan?
- Não. Você pediu?
- Não também... O Estevão deve ter pedido, talvez.
- Veremos. – Atendeu o telefone. – Alô?
- Eu quero falar com a Gisele.
- Quem é?
- Eu preciso falar com ela.
- Ela não pode no momento. A não ser que me diga quem você é.
- É o Bruno.
- Um momento. – Tirou o telefone do ouvido e direcionou seu olhar para Gisele. – É um tal de Bruno que quer falar com você.
- É? – Arregalou os olhos e se desesperou.
- É a mesma voz que ligou da última vez. Quer falar com ele?
- Eu... – Ela pensou bem. Não sabia o que dizer. – Peça para que ligue outra hora, por favor. – Respirou fundo.
- Retorne a ligação mais tarde.
- Se ela não quer falar comigo, eu entendo, mas diga que sinto a falta dela como nunca senti a falta de ninguém.
- Assim direi.
- Obrigado.
- Por nada. – Desligou.
- O que ele disse?
Fernan pensou bem antes de responder. Se Estevão estava se apaixonando, quem era ele para destruir tudo isso com um simples “ele disse que sentiu sua falta”? Não seria capaz de, principalmente, enfrentar a fúria de Estevão, se fizesse isso.
- Nada de importante. Apenas queria ouvir sua voz por algum motivo que quis omitir.
- Sei. – Debruçou sobre a mesa. — Estou com medo.
- Ele não vai ligar de novo.
- Mesmo?
- A não ser que você corra atrás dele.
- Será que só esse motivo é o bastante?
- Eu já te disse: não corra atrás dele. É um modo de prevenir.
- Prevenir de quê? — Estevão ficou parado na porta da cozinha.
Gisele e Fernan se olharam.
- Digam o que houve. — Estevão aumentou o tom. — Quero saber também.
- Você não precisa saber de nada. — Gisele se levantou da cozinha e ia em direção a biblioteca.
Estevão a seguiu. Gisele percebeu isso e acelerou seu andar. Ele conseguiu alcançá-la, puxando seu braço e dizendo:
- O que vocês estavam falando lá na cozinha?
- Por que não pergunta a Fernan? — Estevão silenciou. — Foi ele quem atendeu ao telefone. — Gisele tirou o braço da mão de Estevão e foi em direção a biblioteca. Estevão a seguiu.
- Você me responde muito mal. Sabe que eu castigava Fernan quando fazia isso?
- Castiga um pobre idoso inocente? Além de escravizá-lo? — Gritou.
- Castigava. Ele já se acostumou a não me responder com palavras baixas.
- E como o castigava?
- Preciso realmente descrever?
- Eu exijo que sim.
Estevão deu um riso de sarcasmo. Pensava ele: "Quem essa menina pensa que é para exigir algo em minha casa?", mas dispensou futuras discussões.
- Eu o castigava com chicotadas.
- Chicotadas? — Ela ficou surpresa e amedrontada. Certa sede de justiça e vingança a dominavam.
- Sim. Mas foi uma ou duas vezes que tive que fazer isso.
Estevão não o castigou uma vez sequer. Estava dizendo aquelas coisas para amedrontar Gisele para que o respeitasse.
Ele podia ser uma pessoa má, mas tinha compaixão do próximo. A pior coisa que fez (e que prefere lembrar que foi) foi matar um pombo, acidentalmente, por pensar que este voaria quando estivesse passando no local com o carro em que este estava. Pobre pombo.
- Uma ou duas?
- Sim. — Ele sorria.
- Seu monstro. — Ela saiu de perto.
- É só isso o que tem a dizer?
- Só. O que esperava? Que eu lhe desse minhas costas para me bater?
- Se me der as honras. — Estevão sorriu. Mas isso não passava de uma brincadeira.
Gisele abriu o zíper de seu vestido em suas costas. Se apoiou em uma cadeira que havia na biblioteca.
Estevão não estava entendendo muito o que ela estava tentando fazer.
Praticamente as costas quase inteiras da menina ficaram amostra.
- O que está fazendo? — Estevão disse.
- Não disse que queria me chicotear? Então, o faça.
Estevão silenciou. Se aproximou de Gisele e tocou suas costas. Suas mãos estavam frias e isso fez com que Gisele, automaticamente, endireitasse seu corpo, soltando a cadeira e segurando o vestido.
- Eu não seria capaz... — Acariciava as costas dela.
Gisele cessou isso ficando cara a cara com ele.
- Então, por que me contou toda essa baboseira de ter batido em Fernan? Era mentira?
Estevão lhe roubou outro beijo, mas, dessa vez, Gisele recusou com um tapa.
- Ei! — Ele disse. — Por que fez isso?
- Não quero mais isso.
- Tem certeza? — Sorriu, sugestivamente.
- Se você continuar com essa arrogância de querer me bater, sim.
E saiu da biblioteca, correndo, chorando...
Estevão ficou parado, apenas arrependido do que havia dito. Mas ainda desejava saber: do que Gisele e Fernan estavam falando na cozinha?
Notas finais
Fique com Deus...
Beijos!
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