O Misterioso: Terror na Ilha - Temporada 3
2 Quando a Máscara Cai
Tyler e Dylan ainda estavam vivos.
Cobertos de sangue, ofegantes, mal conseguiam distinguir o que era deles e o que não era. À frente, os cães caídos no chão ainda pareciam ameaçadores, mesmo imóveis. Foi então que alguém surgiu por trás deles.
A figura vestia tudo de preto. Um capuz escondia o rosto, exceto pela máscara: branca, lisa, marcada apenas por um grande ponto de interrogação no centro.
Na mão, uma arma.
Sem dizer uma palavra, o estranho caminhou em direção a uma porta metálica camuflada entre as rochas da ilha. Antes de entrar, virou lentamente a cabeça, encarando Tyler e Dylan.
Um olhar longo. Calculado.
A porta se fechou com um estrondo metálico.
Eles correram até lá, tentaram abrir, bateram, gritaram — nada. Do outro lado, apenas silêncio. A sensação de estar sendo observado nunca os abandonou.
Os dias seguintes foram uma luta constante. Sobreviver na ilha exigia força, atenção e sorte. A primavera se aproximava, mas o clima era imprevisível: algumas noites congelavam os ossos; em outras, um calor abafado trazia rajadas de vento violentas.
O tempo parecia brincar com eles.
Dois meses depois — PrimaveraA manhã começou gelada. Nuvens pesadas cobriam o céu, impedindo qualquer sinal de sol. O mar batia com força contra a ilha, e respingos gelados atingiam os dois como chicotadas.
Acordaram com trovões. Logo a chuva caiu, grossa e implacável. Eles se abrigaram sob uma árvore retorcida, encolhidos, tentando conservar o pouco calor que restava.
Quando a chuva cessou, saíram em busca de comida.
Como sempre, a bandeja metálica emergiu do solo.
Desta vez, além de suplementos e água, havia ferramentas: martelo, serrote, pregos, cordas. E um papel dobrado.
“Cuidado. As surpresas vêm quando vocês menos esperam. Façam algo útil.”
— O que isso significa? — Tyler perguntou, confuso.
Dylan pensou por alguns segundos.
— Ele quer que a gente construa alguma coisa.
Antes que Tyler respondesse, as caixas de som espalhadas pela ilha estalaram e a voz ecoou:
— Quero que construam duas cabanas. Uma para cada um.
— Com janelas… voltadas uma para a outra.
O silêncio que veio depois foi pior que a ordem.
Sem escolha, começaram a trabalhar. Passaram o dia inteiro e a noite inteira construindo. Madeira improvisada, mãos feridas, corpos exaustos. Já passava das duas da manhã quando terminaram.
Suados. Tremendo. Vazios.
Dia seguinteO Misterioso apareceu com o sol fraco da manhã. Na mão, uma Beretta 92, reluzente.
— Entrem — ordenou.
Eles obedeceram.
— Deitem-se. Olhem um para o outro.
A voz era calma demais.
— O dia está quente, não acham?
— S-sim… — responderam quase em uníssono.
O estranho abriu um galão.
Gasolina.
— Que tal esquentar um pouco mais?
O cheiro se espalhou rápido. Tyler e Dylan entraram em pânico, tentaram sair, mas as portas estavam presas por cadeados. Não havia saída.
Eles se olharam através das janelas.
— Parece que nosso momento chegou… — Tyler disse, com a voz quebrada.
— Não — Dylan respondeu, os olhos ardendo. — Não depois de tudo o que passamos. Isso não pode acabar assim.
Com um grito de pura raiva, Dylan chutou a parede com tudo o que tinha.
A madeira cedeu.
Ele caiu para fora no mesmo instante em que o isqueiro escorregou da mão do Misterioso. A chama tocou o chão.
O fogo se espalhou rápido demais.
— TYLER! — Dylan gritou.
Tyler berrava por socorro, as chamas subindo pelas paredes da cabana.
Dylan avançou contra o Misterioso. Os dois entraram em uma luta violenta, socos, empurrões, corpos rolando até perderem o equilíbrio e despencarem montanha abaixo.
Dylan acordou atordoado.
Ao seu lado, o Misterioso estava desacordado.
A arma estava ali.
Dylan se aproximou com cuidado, passo por passo, até conseguir pegá-la. Ainda estava carregada.
Ele correu de volta para Tyler. Usou folhas grandes e terra para abafar o fogo, puxou o amigo para fora no último segundo.
— Respira… respira… — Dylan repetia, desesperado.
Sem perder tempo, voltou para acabar com aquilo.
Mas o Misterioso havia sumido.
Eles subiram até um ponto mais alto para tentar localizá-lo. Desciam a montanha quando tudo aconteceu rápido demais.
CRACK.
Tyler levou uma coronhada na cabeça e caiu. Dylan foi atingido junto e rolou pelo chão. No reflexo, sacou a arma e atirou.
O disparo ecoou pela ilha.
O corpo caiu, ensanguentado.
Com cautela, Dylan se aproximou. Arrancou a máscara.
E congelou.
— Não… — sussurrou Tyler, mesmo tonto.
O rosto ali não era de um estranho.
Era Derek.
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