O Misterioso: Terror na Ilha - Temporada 3
4 Atormentos
Notas iniciais
Derek havia morrido pelas mãos de Dylan — não por intenção, mas por desespero. Era isso que martelava na cabeça de Tyler enquanto tentava se conformar. Nenhum dos dois dizia em voz alta, mas a culpa estava ali, pesada demais para ser ignorada.
A chuva começou logo após o disparo.
O sangue de Derek escorria misturado à água, formando trilhas vermelhas no chão enlameado da ilha. Trovões rugiam acima deles, e relâmpagos iluminavam o céu como flashes de uma lembrança que jamais iria embora. Ensopados, exaustos, Tyler e Dylan tinham a sensação de que suas vidas haviam sido destruídas naquele lugar.
Dias se passaram.
Até que, numa noite qualquer, enquanto dormiam encolhidos, algo os acordou de repente.
Uma luz forte cortava o céu.
O barulho de hélices.
— Dylan… — Tyler sussurrou, incrédulo.
Um helicóptero de resgate pairava sobre a ilha. Guardas desceram minutos depois. Eles haviam sido encontrados graças a uma denúncia anônima.
— Vocês estão seguros agora — disse um dos homens.
Tyler e Dylan não conseguiram responder. Apenas choraram ao subir no helicóptero.
— Eles não conseguem descrever tudo o que passaram na ilha, mas o que impressiona as autoridades é a sobrevivência dos dois por meses em condições extremas — dizia a repórter horas depois.
De volta à cidade, fisicamente melhores, tentaram recomeçar.
Muita coisa havia mudado.
O prefeito fora assassinado. Casos estranhos vinham sendo abafados. Histórias demais para serem explicadas de uma vez. Aos poucos, os empregos voltaram, o convívio com a família e os amigos também.
Mas o medo nunca foi embora.
Numa tarde comum, Tyler andava de bicicleta pelo quarteirão quando algo chamou sua atenção. Um homem arrombava a casa dos Garcia.
Tyler largou a bicicleta perto de um poste e se abaixou atrás de um muro, observando. O estranho entrou na casa sem perceber que estava sendo vigiado.
Após alguns segundos, Tyler decidiu agir.
Entrou com cuidado, atento a cada som. A casa estava vazia demais. Então ouviu a porta da frente se escancarar. O homem havia fugido.
Ou era o que parecia.
O som de uma impressora chamou sua atenção.
Ela não parava de imprimir a mesma folha.
Tyler se aproximou.
No papel, uma única frase repetida dezenas de vezes:
“Você é tão estúpido, Tyler, por vir até mim e entrar numa casa com uma bomba dentro.”
O coração disparou.
Seu nome.
Sem pensar duas vezes, Tyler correu. Pulou pela janela dos fundos e, no mesmo instante, a casa explodiu atrás dele. O impacto o lançou direto para a piscina.
Do outro lado da rua, dentro de uma caminhonete preta com vidros fumê, alguém observava.
O veículo arrancou, deixando fumaça no ar.
Horas depois, Tyler ligou para Dylan.
— Não acabou — disse, sem rodeios. — Ele ainda tá atrás da gente. Acabou de explodir uma casa. Tá passando no noticiário.
— Não… — Dylan murmurou.
— Ele fugiu numa caminhonete preta. Dylan… ele pode estar indo atrás de você agora.
Houve silêncio do outro lado da linha.
— Tyler… — Dylan sussurrou. — Ele acabou de estacionar.
— Se esconde. Ou corre. Se despistar, me liga que eu vou te buscar!
Dylan entrou em pânico. Sem saber o que fazer, se trancou dentro de um armário.
Passos ecoavam pelo quarto.
Cada vez mais próximos.
A lâmina de uma faca raspava na parede.
Quando o estranho tentou abrir o armário, Dylan gritou.
Isso foi o suficiente.
O homem surtou.
Chutes violentos. Facadas atravessando a madeira. O armário tremia a cada impacto. Então tudo parou.
Algo pesado foi arrastado pelo chão.
O silêncio durou segundos.
O estranho voltou segurando um machado.
As machadadas começaram. A porta cedeu.
Dylan foi arrancado para fora e jogado no chão. Chutes atingiram seu corpo sem piedade. Num deslize, Dylan conseguiu derrubá-lo com uma rasteira e correu.
Subiu até o terraço do hotel.
Ali havia um helicóptero — o dono era um ricaço e mantinha a aeronave para emergências.
Dylan não sabia pilotar.
Entrou mesmo assim.
Ativou o piloto automático.
As hélices começaram a girar.
No momento da decolagem, o estranho saltou e se agarrou ao helicóptero, fazendo tudo balançar em zigue-zague.
Desesperado, Dylan abriu o porta-luvas.
Uma arma de choque.
Ele quebrou uma das janelas e disparou.
O choque atravessou o corpo do homem, que gritou antes de perder o controle e cair lá de cima. O impacto contra o chão foi seco.
Final.
Tyler chegou minutos depois.
Ele e Dylan caminharam até o corpo, cercado por curiosos.
A máscara foi retirada.
O rosto era de um estranho. Alguém que nenhum dos dois reconhecia.
Mas havia algo mais.
Um crachá preso ao casaco.
Central de Atormentos.
O verdadeiro jogo…
nunca foi só pessoal.
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