Cinco anos atrás

— Muito bom… mal posso esperar para ver tudo isso finalizado — disse o dono da C.D.T., sorrindo, enquanto observava o projeto diante de si.

O trabalho avançou rápido demais. Em pouco tempo, tudo estava pronto, funcionando perfeitamente. Nada parecia fora do lugar.

Até que os anos passaram.

E, aos poucos, começaram a surgir relatos estranhos. Pessoas atacadas. Feridas sem explicação. Testemunhas falando de figuras misteriosas que nunca eram identificadas. Nenhum padrão claro. Nenhuma resposta.

Apenas medo.

Dias atuais

Cansados de viver sob vigilância constante, Tyler e Dylan chegaram a uma conclusão inevitável: precisavam sumir por um tempo. Não por covardia, mas por sobrevivência.

O intercâmbio parecia a solução perfeita. Um novo país, uma nova rotina, distância suficiente para que tudo aquilo ficasse no passado.

Ou pelo menos era o que esperavam.

O destino escolhido foi Nova York.

A cidade era barulhenta, viva, caótica. Exatamente o tipo de lugar onde ninguém presta atenção em ninguém.

Até o corpo de Dylan falhar.

No meio da noite, ele correu até o banheiro do apartamento. Ajoelhou-se diante da privada e vomitou com força. Quando tentou se levantar, sentiu algo quente escorrer pelo nariz.

Sangue.

As mãos começaram a tremer enquanto ele pegava papel higiênico e pressionava contra o rosto, tentando estancar o sangramento. O coração batia rápido demais.

Então, a voz surgiu atrás dele.

Grave. Fria. Conhecida demais.

— Ah, Dylan… sinto pena de você. Se não andasse com o Tyler, nada disso teria acontecido.

O tom era carregado de sarcasmo.

Dylan se virou num reflexo, o pânico tomando conta do corpo.

Mas não havia ninguém estranho ali.

Apenas Tyler, parado na porta, observando em silêncio.

E, naquele instante, Dylan teve certeza de uma coisa:

Eles não tinham fugido de nada.

O tormento apenas tinha atravessado o oceano com eles.