Stacey sempre pareceu aquela garota fácil de gostar. Gentil demais, atenta demais, com um sorriso bonito que fazia qualquer um baixar a guarda. Nada nela parecia fora do lugar. Ninguém suspeitava do que existia por trás daquela fachada cuidadosamente construída.

Tyler e Dylan, ainda desnorteados por tudo o que haviam vivido, acabaram se deixando levar. Depois de tanto medo e tanta desconfiança, a presença dela soava quase como um alívio. Pela primeira vez em muito tempo, parecia seguro confiar em alguém.

Era um erro.

A fábrica surgia no alto da montanha como um esqueleto de concreto esquecido pelo tempo. Um lugar grande demais para estar vazio, silencioso demais para não esconder nada. Assim que chegaram, um dos supervisores apareceu e tentou mandá-los embora. Sua voz era firme, desconfiada, como se soubesse que eles não deveriam estar ali.

Stacey não respondeu.

Ela apenas sacou a arma e atirou.

O disparo ecoou pela encosta. O homem caiu antes mesmo de entender o que estava acontecendo. Dylan correu até ele, ajoelhando-se ao seu lado, as mãos tremendo enquanto tentava encontrar algum sinal de vida.

— Você ficou maluca? Ele era inocente! — gritou, em choque.

Stacey sorriu.

Não era um sorriso comum. Era frio, vazio, calculado.

— Vocês realmente acham que alguém vai vir salvar vocês? Não. Vocês ainda vão sofrer muito antes disso.

Ela os empurrou para dentro da fábrica.

Lá dentro, o ar era pesado, carregado de ferrugem e abandono. Tyler e Dylan foram amarrados sem cerimônia, pendurados por ganchos enferrujados que mordiam a pele. Não havia explicação, nem pressa. Apenas a certeza de que algo estava profundamente errado.

Quando o relógio marcou meia-noite, um som gutural atravessou o galpão. Baixo, irregular, quase vivo. O tipo de ruído que não deveria existir. Os dois trocaram olhares, sentindo o medo se transformar em algo mais denso.

Stacey voltou.

Caminhava devagar, os passos ecoando pelo chão de concreto, como se estivesse saboreando cada segundo. Parou diante deles e, finalmente, começou a falar.

Foi então que a verdade caiu como um golpe.


Ela não era Stacey.


Seu nome era Rebecca.

A identidade havia sido roubada depois que tudo lhe fora tirado: casa, dinheiro, amigos, a vida que conhecia. O mundo a esmagara sem piedade. E ela decidiu devolver a dor na mesma moeda. Tyler e Dylan não estavam ali por acaso. O marido que Rebecca amava havia sido morto, e aquele homem tinha uma ligação direta com os dois.

Ela falava com convicção, como alguém que ensaiara aquele discurso inúmeras vezes. Disse que finalmente havia encontrado a vítima perfeita, que sua vingança não era apenas pessoal, mas contra tudo e todos que, em sua mente, haviam contribuído para sua ruína.

Mas o plano não chegou ao fim.

Um ajudante entrou na fábrica para fumar um cigarro. Ao avistar os dois pendurados, congelou por um instante. O choque foi rápido, seguido de uma decisão impulsiva. Ele os soltou.

Tyler e Dylan não olharam para trás.

Correram.

Correram como se a própria morte respirasse em seus calcanhares.

Mais tarde, quando a polícia encontrou o local, uma última revelação veio à tona. O corpo de Rebecca estava jogado em uma área de mata próxima. Apodrecia lentamente. A garganta havia sido estripada. Um dos olhos, arrancado.

Não havia sinais de luta.

E não havia qualquer vestígio de Stacey.

Ela simplesmente desaparecera.

Tyler e Dylan voltaram para casa e tentaram retomar a vida como se fosse possível. Três meses se passaram sem qualquer sinal dela. Nenhuma mensagem, nenhuma ameaça, nenhum rosto na multidão.

Ainda assim, ambos sabiam.

Nada havia terminado de verdade.

Algumas verdades mudam tudo.

E algumas mentiras apenas aprendem a esperar.

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