Meses depois

Sexta-feira | Madison Square Garden

O Madison Square Garden estava lotado. Ingressos esgotados, filas dobrando a esquina, expectativa no ar. A peça era uma das mais aguardadas do ano, anunciada como o grande retorno do diretor mais influente de Nova York.

Nos bastidores, o clima era outro.

Os atores andavam de um lado para o outro, ajeitando figurinos, repetindo falas em sussurros. Tyler sentia as mãos suarem. Mesmo acostumado aos ensaios, nunca tinha visto tanta gente reunida para assisti-lo. Dylan observava de longe, tentando sorrir, mas com aquela velha sensação de que algo estava errado.

As luzes se apagaram.

O espetáculo começou.

A peça seguia como planejado. Cena após cena, aplausos contidos, silêncio respeitoso. Tyler aguardava o momento certo, o coração acelerado.

Então chegou sua vez.

No palco, sob luzes suaves e trilha lenta, Tyler contracenava com Chloe. A cena retratava dois jovens sob efeito de drogas, perdidos entre amor e delírio. O texto dizia que tudo girava ao redor deles. O público assistia hipnotizado.

O roteiro previa a morte de Chloe fora de cena.

Mas algo mudou.

Do fundo do palco, uma figura surgiu.

Não fazia parte do elenco.

Vestia preto. Movia-se com segurança demais para alguém perdido. Em um segundo de silêncio absoluto, a faca brilhou sob a luz do refletor.

E atravessou a garganta de Chloe.

O sangue jorrou.

Gritos cortaram o teatro. Chloe caiu nos braços de Tyler, o olhar vazio, o corpo tremendo. Por um instante, o público acreditou que aquilo fazia parte da encenação.

Até perceberem que não era.

O pânico tomou conta do Madison Square Garden.

A peça terminou ali.

O nome do diretor estampou jornais do mundo inteiro. Sua carreira acabou naquela noite. Não havia como limpar aquela imagem. Não havia explicação possível.

Uma semana depois

Tyler e Dylan já não tinham dúvidas: alguém continuava atrás deles.

Com as poucas provas que haviam reunido, decidiram procurar a polícia. Precisavam de ajuda antes que fosse tarde demais.

No balcão da delegacia, Tyler falou primeiro.

— Precisamos de ajuda. Estão nos perseguindo e a gente não sabe mais como fugir.

O policial nem tirou os pés do balcão. Mastigava um Doritos com desinteresse.

— A gente não tem tempo pra pegadinha ou história falsa — disse. — Tá chegando o Halloween, todo mundo quer brincar de terror.

— Ok… — Dylan respirou fundo. — Então pode me dizer o que é C.D.T?

O efeito foi imediato.

O policial congelou. O saco de salgadinhos escorregou da mão. Os olhos se arregalaram ao encarar os dois.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Então ele se levantou devagar.

— Venham comigo — disse, sério. — E façam o favor de ficarem calados.

Tyler e Dylan trocaram um olhar rápido.

— E não toquem em nada — completou o policial, abrindo uma porta nos fundos.

Naquele momento, eles entenderam que tinham feito a pergunta certa.

E que a resposta podia ser muito pior do que imaginavam.