Notas iniciais
1 - Genebra (Introdução)

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A chuva caia sobre meu rosto delicadamente, gélida, importúnea.

Sentia o aroma das flores noturnas que entravam pelas minha narinas frenéticamente, o cheiro de terra molhada misturado com o meu apavoramento.Eu não queria abrir os olhos para aquele mundo doentio, apenas tentava escutar o que estava acontecendo, e descrever com as minhas incessáveis tentativas de entender, foi quando me dei conta do que estava acontecendo, porque eu estava tomando chuva?porque estava frio?

Abri lentamente meus olhos, tentando encarar a realidade sem sentido, espionei distraidamente ao meu redor.Noite, flores, chuva e árvores, todos aqueles aromas eu pude identificar, eu estava com um gosto horrível de terra em minha boca, sentei rapidamente e me observei, minha desbotada calça jeans empreguinada de terra molhada, senti minhas mãos latejando e minha cabeça girava, institivamente olhei as costas de minha mão identificando a dor que me incomodava, minhas mãos cheias de feridas e arranhões, o mártir passou pela minha cabeça indesejavelmente.

Olhei para a noite escaldante e sem fim, e senti uma tremenda vontade de fugir dali, correr sem um rumo, somente sair dali,queria ir para casa.

Casa? a palavra soou ironicamente em minha cabeça, me pondo em pé rapidamente, meu corpo estava dolorido, fraco e cheio de cãibras, pude perceber que eu estava perdida.

Derrepente tudo veio em minha cabeça batendo como uma onda, eu estava a caminho de casa, quando o vi novamente, decidi definitivamente segui-ló, acho que acabei tropeçando em algo, e nao lembro de mais nada depois disso, somente de acordar atordoada aqui, tentei identificar o local onde estava, e percebi que estava um pouco longe de casa contudo eu já tinha feito trilhas pela floresta com meu pai, e sabia voltar.Agarrei minha mala, e a pus sobre os ombros e comecei a caminhar.

A viagem seria longa, eu nao estava com paciência para chuva lamacenta interropendo meu caminho, eu queria ir para casa, esquecer aquilo tudo.Eu tentaria novamente, isso não seria suicídio talvez curiosidade e descrença.

Meus passos eram largos, rápidos e confiantes, embora fosse minha terceira tentativa doentia, eu estava feliz por ter chego perto pelo menos, talvez eu estivesse ficando louca, mas a única coisa que importava para mim no momento era aquela sensação de perseguição, isso me incomodava muito, queria apanhá-lo de surpresa, queria ver sua reação, queria confrontá-lo.

Depois de um certo tempo de caminhada, pude avistar o concreto da estrada de longe, a silhueita perfeita de um caminho que levaria a minha casa, pensava eu aliviada, porém contraditória ao que eu realmente queria, eu chegaria em casa muito tarde, e minha mãe nao falaria absolutamente nada á respeito de meu atraso, ela me olharia dos pés a cabeça e ficaria calada, ás vezes eu queria que ela falasse mais comigo.

Tomei a estrada que me levaria para casa, eu estava muito cansada mas continuei andando normalmente, até chegar em casa.Dei três suaves batidas na porta de casa antes de entrar.Girei a maçaneta e entrei, eu não fazia a menor idéia de que horas eram, pude avistar o relógio em minha frente, era muito tarde, já se faziam quase dez horas desde a minha saida da escola, eu havia dormido por muito tempo na floresta, ou desmaiado, já nem lembrava mais.