O Mistério do Circo 9
2 Família reunida
Karoline havia sido encontrada por seus avós naquela mesma noite. O tempo se passou e na cabeça da garotinha e de seus avós tudo aquilo que ela dizia ter visto não passava de algo criado pela imaginação e pelo medo que ela sentia. Com seus 16 anos, Karoline perdeu seu avô, vítima de um câncer de estômago. Sua avó morreu na cama de um hospital, pouco antes da garota completar seus 18 anos.
Mas antes de morrer, sua avó Marta resolveu lhe contar a história de seus pais: "_Karoline, antes de partir eu tenho que lhe dizer algo. Sua mãe era uma linda garota, assim como você e sempre nos deu muito orgulho, mas tudo mudou quando ela conheceu seu pai. Ele era artista de circo, pra ser mais direta, ele era palhaço. Eles se conheceram e se apaixonaram no mesmo circo que passa aqui todos os anos. No começo eu e seu avô fomos contra tudo aquilo, até que o circo foi embora e Alessandro que era o nome de seu pai, levou nossa querida filha com ele. Ficamos muito chateados com tudo aquilo, afinal não era aquele futuro que nós queríamos para a nossa filha, mas quando o circo voltou, Rebeca já estava grávida de seu pai, foi ai que nossos olhares mudaram. Como as coisas não podiam regredir, fomos visitar sua mãe e resolvemos apoiá-la. Ela, assim como seu pai, havia entrado pro mundo do circo, chegamos a assistir vários espetáculos dela. Sua irmã cresceu junto com seus pais na vida do circo, eram muito felizes. Até que sua mãe ficou grávida novamente e era de você, mas tudo foi muito estranho nesta segunda gravidez. Ela veio chorando até eu e seu avô e pediu que quando você nascesse, para que ficássemos com você, que ela não queria aquele mesmo futuro para mais um filho. Não entendíamos o porque de tudo aquilo, eles pareciam tão felizes. Assim que você nasceu, Rebeca trouxe você para mim e pediu para que eu fizesse uma viagem, de pelo menos uma semana. Ela saiu decidida a fazer algo. Eu e seu avô resolvemos fazer conforme ela nos pediu. Passados uma semana nós voltamos, com a triste notícia de que ela havia atirado contra o próprio marido e depois se matou com um tiro na boca. Ficamos arrasados com tudo aquilo. Ainda tentamos ir atrás de notícias de nossa outra neta, a Anelize, mas infelizmente nunca mais a encontramos. Esta é a sua história minha filha. Eu não podia te contar quando era mais nova pois tudo é muito confuso, mas sei que agora você tem cabeça o suficiente para absorver a informação."
Karoline ouviu perplexa toda aquela história. Como era trágica a história de seus pais... Porque sua mãe fez tudo aquilo? E sua irmã, onde estava? Anelize, que nome mais
familiar. Ela estava recorrendo à memória para lembrar de onde ela conhecia aquele nome, até que um arrepio lhe subiu a espinha. O que todos fizeram ela pensar que tinha sido um terrível pesadelo de infância, poderia ser a fatídica realidade.
Karoline foi morar com seus tios. Rafael e Rosalinda viviam só. Os seus dois filhos já haviam se formado e foram viver suas vidas. Karoline trabalhava em uma loja perto da casa de seus tios. Um dia enquanto trabalhava, pôde observar a chegada do Circo 9 à cidade novamente. A moça sentia uma enorme curiosidade de ir até o circo e procurar pela suposta Anelize, mas tinha certo receio de tudo. Apesar do tempo ter se passado, seu medo por palhaços só havia aumentado, principalmente pelo fato que ocorreu na sua infância.
Já era tarde da noite, Karoline estava fazendo hora extra. Exausta, decidiu deixar o resto do serviço para outro dia e foi embora para descansar. Chegando na casa de seus tios, encontrou a porta aberta. Os móveis estavam revirados, parecia ter passado um furacão por ali. Onde estariam seus tios?
Karoline correu em direção a um telefone, até que levou um golpe e desmaiou. Acordou mais tarde amarrada a uma cadeira. Sentada na frente dela estava Anelize.
Ela havia se tornado uma bela e atraente mulher. O nariz de palhaço que ela usava na hora realçava de forma enigmática todo o seu charme. Anelize então falou: "_Foi algo magnífico tudo o que papai fez por este circo, mas mamãe quis estragar tudo o que construímos. Nunca entendi os motivos dela, pois ela tinha uma vida de rainha junto ao papai. Felizmente ela não conseguiu seu intento de matá-lo, não é mesmo papai?" Os olhos de Karoline se arregalaram. Um velho, apoiado por um andador veio com dificuldade na direção das duas: "_Sim, minha filha querida. E agora, nossa família está reunida novamente. O senhor Baruatã ficará satisfeito. Este é o sinal da nova era para o Circo 9. Todos aqueles palhaços que estão na outra sala devorando seu tio deverão ser dizimados, temos de começar tudo desde o começo. Traga sua tia até aqui para o ritual de iniciação da sua irmã e peça para os outros colaboradores entrarem no aposento principal, para que o senhor Baruatã enviem para eles uma bênção mais poderosa."
Dito isto, os dois riram diabolicamente.
Anelize fez conforme seu pai ordenou. Reuniu todos os palhaços numa cabine e os trancou. Alguns sem entender reclamaram, porém a mulher pediu para que permanecessem quietos para receberem a bênção. Anelize foi atrás de um galão de gasolina e começou a despejá-lo em volto da cabine. Os que estavam dentro da mesma olhavam e reclamavam sem entender. A mulher então acendeu um fósforo e jogou na direção deles, começando a oração clássica ao senhor deles. Os palhaços gritavam desesperados. Alguns a amaldiçoavam chamando-a de traidora. Outros pediam clemência a Baruatã, na esperança de que a entidade fosse salvá-los. Morreram todos queimados.
Anelize foi até onde a sua tia estava presa, a pegou e levou até Karoline e seu pai. Pronto papai, a titia está aqui para ser sacrificada para o bem de nossa irmã. Karoline chorava e pedia para que parassem com aquilo. Alessandro virou para Karoline e disse: "_Calma filhinha, sua mãe reagiu da mesma forma no começo, mas com o tempo ela se acostumou. Até se casou comigo, me dando duas lindas alegrias. Agora está na hora de você seguir o costume da família."
Anelize então enfiou um punhal na barriga de sua tia e rasgou a carne da mesma até a altura do pescoço, jogando o corpo da tia em cima de Karoline que estava aos gritos. Anelize professou uma oração enquanto o sangue jorrava em cima de sua irmã: "_Senhor Baruatã, ofereço a alma e o sangue desta mulher, para professar a sua mais nova colaboradora. Karoline será uma sacerdotisa, conforme ordenado pelo senhor ao meu pai e eu como humilde serva, lhe rogo que todo o seu poder e vontade sejam feitos."
No mesmo momento Alessandro bateu o andador na cabeça de Anelize que assustada ficou sem entender aquilo que acontecia... O pai riu e bateu o andador novamente na cabeça da filha dizendo: "_Desculpe, mas tinha de ser assim."
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