O Melhor Amigo Do Meu Irmão

20 Um noite interessante, pena que acabou mal.


Eu tentei juro que tentei não brigar com o meu irmão. Mais de nada adiantou, ele sempre tenta convencer meus pais que eu estou errada, mesmo estando certa, o problema é que a tal da namorada do meu irmão iria vir para cá, um jantar em família, eu tentei argumentar para meus pais que se a tal garota chamada Wendy – pra mim isso é nome de travesti, nunca vi um ser normal com esse nome – viesse para o jantar já não ia ser mais em família, porque ela era uma vadia. O que eu ganhei com isso? Castigo. Meu irmão falou que eu estava mentindo porque não queria perder o carinho dele para uma garota desconhecida, como se eu já tivesse muito carinho mesmo, ele até chegou a falar que ela freqüentava a igreja. Que insulto para os fieis!

- Eduarda você tem que se arrumar como uma garota, veja esse vestido que lindo – minha mãe estava com um vestido roxo cheio de fru-fru, ela achava que eu não estava vestida adequadamente para um jantar em família com meu Jens preto e minha camisa amarela.

- Não basta eu estar presente nesse jantar contra minha vontade, tenho ainda que me vestir como uma menina de dez anos?

- Você estaria se vestindo como uma garota, garotas usam vestido. – ela falou sem muita paciência.

- Cadê meu pinto? – eu puxei o cós da calça e olhei teatralmente para minha calcinha a procura de algo.

- Eu desisto, se você quer se vestir como um garoto se vista como um garoto. – ela saiu do quarto furiosa batendo a porta, eu ri para minha imagem refletida no espelho, eu não gosto de usar vestido, maquiagem acho que por isso ela acha que não me visto como uma garota, Felizmente meu pai concorda que eu não preciso de um vestido para parecer uma garota.

Muito bem, voltando a esta manhã de sábado eu e Peter voltamos para escola normalmente, ninguém desconfiou que havíamos dormido fora – a não ser Amanda – almoçamos e voltamos para casa, meu irmão inventou que queria apresentar a nova namorada para a “família” e que ela viria essa noite.

- Posso entrar? – uma voz conhecida ecoou no quarto me fazendo virar para a porta e encontrar um ser de olhos extremamente azuis.

- O que você está fazendo aqui?

- Uau, eu achava que iria receber uma recepção mais calorosa do tipo, beijos e elogios – ele apontou para a roupa, e que roupa, a calça Jens estava apertada, usava uma camisa azul marinho com uma jaqueta de couro por cima – se eu não morrer hoje já podem marcar a data do nosso casamento – ele trancou a porta e veio ao meu encontro, não me deixou dar se quer uma palavra e tomou meus lábios, um beijo calmo e simples.

- Você está lindo – eu disse quando nossos lábios se separaram.

- Eu já nasci lindo, hoje eu estou maravilhoso – convencido.

- Voltando ao assunto, o que você está fazendo aqui criatura?

- Vim ajudar minha namorada, por que sei que se eu não segurar ela é bem capaz de você voar no pescoço de sua nova cunhada – ele coçou meu queixo com um dedo e de um sorriso zombador, e que sorriso.

- Namorada? Quando você me pediu em namoro – eu fiz de conta que procurava essa recordação – não existente- em minha mente, ele fez uma pose de ofendido e depois caiu na real.

- É mesmo eu não pedi...Ainda- eu fiz uma careta de nojo e o empurrei para longe de mim, ele cambaleou e sorriu. – Eu adoro quando você fica irritada, são raras as vezes que eu vejo você de bom humor que chega até a ser estranho quando isso acontece.

- Vamos descer? Vai você na frente, minha mãe pode desconfiar – ele destrancou a porta e foi na frente, contei até dez e o segui, quando eu estava descendo a escada ele já estava cumprimentando meu pai e meu irmão e conversavam animadamente sobre o jogo de futebol da semana passada, eu fui ajudar minha mãe a arrumar a mesa, de má vontade é claro. A campainha soou e todos foram para a sala meu irmão correu e atendeu a porta. Como o previsto era mais uma Barbie plastificada do grupo de Angelina, cabelos loiros, olhos claros e magra, tão magra que se a virasse de lado provavelmente ela sumiria.

- Essa é a Wendy pessoal – meu irmão a apresentou e todos sorriram, menos eu que tive tanta vontade de rir só em ouvi-lo pronunciando o nome dela, eu fiz um comentário alto.

- Onde sua mãe arrumou esse nome? Sinceramente, isso é nome de cachorro.

- Ou de travesti – Peter completou não se dando conta do que estava falando, depois sussurrou um desculpa.

- Eduarda. Peter – minha mãe falou entre dentes e depois olhou para Wen... Eu não vou conseguir pronunciar esse nome nem em pensamento então vou chama — lá de Barbie – Me desculpe pelos dois, eles andam muito próximos ultimamente, então Peter anda aprendendo muita bobagem com minha filha, me desculpe outra vez.

- Tudo bem – ela disse meio sem graça e nós seguiu para mesa de jantar.

E que comece a tortura!

***

Nesse exato momento eu estava com um brócolis fincado no garfo e o observando animadamente, ele parecia mais interessante do que o assunto que a Barbie falava, algo sobre tutoriais de unhas e aplique, minha mãe parecia interessada e meu pai tentava fazer o mesmo, mais só pela cara dele, ele também parecia querer observar um acasalamento de lesma como eu agora. Peter me cutucou na coxa e eu o olhei pelo canto dos olhos, ele derrubou o guardanapo no chão e fez um sinal para que eu abaixasse junto com ele.

- Eu te amo – ele sussurrou pegando o guardanapo e se endireitou na cadeira rapidamente e eu fiz o mesmo, seu polegar começou a acariciar minha coxa delicadamente, o calor que ele passou foi tão intenso que meu estomago se revirou e minha parte intima expeliu algo em forma de gosma. Mais oque?

- Todos terminaram o jantar? Que tal esperarem na sala enquanto eu recolho a mesa e ponho a sobremesa – nós fomos em direção a sala, eu me sentei no sofá enquanto meu pai, Peter e Douglas permaneceram na cozinha falando algo sobre melhores times de futebol da historia – vulgo meu pai achava que era a Itália – e a Barbie se sentou ao meu lado.

- Aonde você conseguiu sua roupa? Em um brechó? – ela deu uma risada enjoada

- E a sua? Em um cabaré? Não pera, você trabalha em um – eu comecei a trocar de canal um pouco rápido de mais, ignorando a vontade de mata-lá naquele exato momento.

- Querida, lugar de lixo é no lixão o que você está fazendo aqui – Wow agora ela mexeu comigo.

- E lugar de piranha é na lagoa, o que você esta fazendo fora dela? Quer que eu te leve até lá? Sabe caso você se perca novamente – eu ia pular no pescoço dela quando minha mãe falou da cozinha.

- Podem vim, já esta na mesa – ela foi primeiro e eu segundos depois, quando cheguei lá, Peter me olhou espantado e veio correndo em minha direção, ele esfregou o polegar abaixo do meu nariz e logo o cheirou, algo vermelho estava ali, meu estômago embrulhou e senti um bola atravessada em minha garganta.

- Você esta sangrando Duda – eu segurei nos ombros dele e me curvei.

- Acho que vou vomitar — dito e feio, mais ao invés de vomito normal o chão polido foi coberto por uma manta de sangue, não deu nem tempo de eu respirar, Peter me pegou no colo e meu pai gritou para minha mãe para que ela pegasse as chaves do carro.

- Você vai ficar bem – ele sussurrou, eu enterrei minha cabeça no pescoço de Peter e apertei os olhos então uma nevoa preta me levou.