O Melhor Amigo Do Meu Irmão
3 Peter seu cerébro está escorrendo!
Notas iniciais
Coloquei a bandeja do almoço sobre a mesa e me sentei ao lado de Amanda, que remexia no pudim de baunilha com uma cara de nojo. Baunilha nunca foi o forte dela, nem o meu. Mas entre morrer de fome e comer essa lavagem de porco que chamavam de comida, eu prefiro comer a lavagem. Nossa cozinheira tem mais de setenta anos, uma vez eu encontrei um fio de cabelo no meio do purê e batata, até hoje não como o purê de batata que ela faz.
Meu irmão e Peter passaram por nossa mesa sem ao menos olhar para o lado, esse era o tratamento que eu recebia quando estava no colégio, e dentro de casa também, porque para Douglas eu não existo. Para eles é quase um crime sentar com pessoas mais novas, mas são só quatro anos, nada de mais. Bem, meu irmão também diz por ai que não tem uma irmã mais nova, quer dizer... Ele dizia, porque agora não tem mais como negar, não quando sua irmãzinha pega o microfone no meio de uma simulação de incêndio e alega para todos do colégio que tem um irmão.
– Eu não entendo porque seu irmão e Peter te ignoram quando está na escola – Amanda falou dando um gole no suco.
– Não é só na escola, é praticamente em todos os lugares. Eles só lembram que eu existo quando é para apresentar alguma garota para eles ou para me atormentar.
– Eu ainda acho que todo esse ódio que você sente pelo Peter é amor, vocês quando não estão se xingando, isso é muito raro mas acontece, vocês estão se olhando e de um jeito diferente.
– Eu sei o jeito diferente que você esta falando, e é verdade – ela começa a abrir a boca para dar aquele discurso de “Eu estava certa” quando eu continuo – Nós nos olhamos como se fossemos matar uma ao outro, todo mundo percebe.
(***)
O restante da aula foi normal, tirando a cisma da Amanda e o professor de química falando que “aquilo-misturado-com-aquilo-amolece-aquilo” e “isso-misturado-com-isso-explode” minha manhã não podia ter sido melhor. Eu queria saber por que todos achavam que eu gostava do Peter, até meus avos achavam isso. Peter toma cera de chão em vez de café da manhã.
Eu estava esperando os dois na esquina do colégio, eles eram muito devagar para andar, pareciam duas lesmas, duas lemas muito atraente, meu irmão e Peter podiam ser idiotas mais em matéria de beleza eles tiram nota dez. Os olhos de Peter são do mesmo tom que o mar do Caribe, o tom do cabelo dele ganham da noite de tão negros que são, ele era branco, muito branco, os olhos dele eram o que mais chamavam atenção de longe, se ele não fosse tão babaca e se não o conhecesse há sete anos eu já estaria na dele, completamente apaixonada. Mas eu não sou tão otária assim, não ia me apaixonar por Peter nunca. Nem percebi que os dois já estavam na frente acenado freneticamente para que eu acordasse de meu transe.
– Qual é uma pessoa não pode nem mais pensar em paz?
– Eu não sabia que você sabia fazer isso Eduarda, nem sabia que podia vir para escola, seu lugar não é no jardim de infância? – Peter era um retardado, um babaca, minha vontade era estragar aquele rostinho bonito.
Eu soltei uma risada pelo nariz e dei uma risada sem animo.
- Nossa como você é engraçado Peter, se orienta cara.
– Isso vem no pacote com o “O melhor amigo gostoso do meu irmão”.
– Não me faça rir mais ainda Peter.
– Porque, não me acha gostoso?
– Eu acho que você e a palavra gostoso não fazem parte da mesma frase, você andou tomando amaciaste novamente? Eu te falei para parar. – eu disse ainda rindo.
– Eu posso te fazer mudar de idéia – depois dessas palavras eu congelei, como assim mudar de idéia? Ele arquejou uma sobrancelha para cima e deu um daqueles sorriso cafajeste, sabe aquele sorriso de quando a garota admite para o menino que gosta dele e ele se da por vitorioso? Sim era esse o sorriso.
– Ei você dois dá para parar com o flerte? Tem crianças aqui. – eu e Peter nós olhamos, como meu irmão podia ser tão idiota, eu não estava flertando com o Peter – Ei Peter parece que a Angelina esta dando um mole para você.
Olhei para o outro lado e ela estava lá, com as pernas arregaçada e acenando. Minha vontade era estrangular ela com aquela coisa que ela chamava calçinha, não pelo Peter, porque por aquilo ali eu não sentia ciúmes e sim porque ela era minha arque-inimiga. Peter estava andando lentamente e acenado para ela de volta, aquilo me deu nojo, ódio e vontade de espancar os dois, eu coloquei um pé na frente do dele e ele caiu no chão.
– Sua retardada não olha aonde coloca esse seu pé?
– Meu Deus Peter, eu acho que seu cérebro está escorrendo – ela arregalou os olhos e passou as mãos por trás da cabeça.
– Aonde?
–Ah! – eu disse desanimada – Eu acabei de me lembrar que você não tem cérebro, então você vai ficar bem.
– Sua idiota – ele falou se levantando.
– Trouxa – eu rebati, e lá se vai minha promessa de não falar mais palavrões.
– Mula.
– Corno.
– Louca – ele falou devagar e respirando pesadamente, só ai eu percebi que estávamos próximos, próximos de mais, Douglas meu irmão olha tudo com a expressão “O que está acontecendo?”. Eu sabia no que aquela aproximação iria dar, sabia o que iria acontecer se eu soltasse mais um xingamento. Nós iríamos nós aproximar mais e ai acabaria acontecendo, mas eu não queria, não com o Peter, qualquer pessoa menos ele, eu o odiava, odiava muito. Então eu fiz o inesperado, minha mão encontrou o rosto dele pesadamente o fazendo inclinar um pouco o pescoço.
– O que você tem na cabeça garota? Minhoca? – ele deu um passo para trás enquanto meu irmão ria descompensadamente, uma de sua mão esfregava a bochecha aonde eu tinha dado um tapa.
– Nunca mais me chame de louca ou...
– Ou o que Eduarda? – ele incentivou.
– Você vai saber qual é a sensação de ter todos os seus dente arrancados com apenas um soco.
– Acabaram crianças? Temos que ir embora não é mesmo minhoca skatista? – Douglas puxou o braço de Peter guiando ele pela rua, e eu fiquei ali parada, igual a uma estatua, um poste. Peter dirigiu o ultimo olhara para mim e foi na frente com meu irmão.
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