O Mar, O Céu e um Sol
1 Nova Vida e Velhos Hábitos
Notas iniciais
Ouvindo- Save-me by BTS
Então...
Olhei para a minha casa nova de frente para o oceano. Era fresco. A brisa as vezes me deixava tonta por ser fresca demais porém era agradavel. Olhei Alfred carregando uma das ultimas caixas para dentro de nossa pequena e aconchegante casa.
Ele sorriu. Ele estava feliz. Claro. Era o sonho dele. Morar em uma casinha pequena em frente ao mar.
Entrei para dentro e o observei colocando um porta-retrato nosso encima da lareira. Sorri.
— Você está bem animadinho hein... — o provoquei. Ele veio até mim e me envolveu com seus braços fortes.
— Estou sim. Casa nova, com minha namorada perfeita, na faculdade perfeita, em uma vida perfeita.
— Alfred... — bufei sorrindo e me desvencilhando de seu abraço. — Será que viver em uma perfeição sem fim não nos levaria a loucura? — perguntei em um tom falso de ameaça.
— Não começa com essas filosofias sem sentido Valentina.
— Tá certo! — me rendi — não quero estragar o clima. — dei uma risadinha sem graça.
Eu o amava com todo o meu coração... mas não sei. Não sei se é o certo morar com ele.
Ele juntou alguns de seus livros e subiu para o quarto. Com certeza iria estudar.
— Quero comida chinesa para o jantar! — cantarolou.
Me debrucei na janela da sala e senti a brisa mais uma vez balaçar o meu cabelo. A areia da praia era tão limpa e o mar parecia uma pintura. Sorri.
Eu ainda tinha tanto a fazer. Tinha que terminar de arrumar a bagunça das coisas recem-chegadas e ainda me preparar para uma prova da faculdade. Medicina.
Eu passei todo o ensino médio me fodendo para conseguir uma boa pontuação no SAT e conseguir entrar em uma boa e renomada faculdade. Sempre foi meu sonho me formar em medicina. Ser uma médica.
Mas agora que eu entrei não parece o conto de fadas que eu havia imaginado.
Eu nem posso conversar sobre isso com a minha familia, já que eles apoiam de olhos fechados o fato de uma das filhas deles estarem no caminho certo para ser uma médica, e nem posso conversar sobre isso com o Alfred porque... bom... ele está se formando em medicina. Ele ama isso. É tudo pra ele. Então ele acha que medicina é a melhor coisa do mundo.
Eu não o culpo já que todos nós somos assim com alguma coisa... mas as vezes só queria que ele me compreendesse um pouco. Sempre que eu toco no assunto ele fala que foi assim pra ele, e que como eu estou no primeiro ano da faculdade vai demorar um pouco para eu me acostumar com as materias, mas que a minha paixão por medicina vai retornar e que eu vou ficar como ele.
Dei de ombros e só joguei as caixas que estavam em cima da poltrona no chão, e me sentei para estudar um pouco. O por-do-sol estava lindo lá fora.
Suspirei me curvando um pouco para acender o abajur e o meu simulado voou para fora da janela voando longe.
Corri em direção a praia para alcançar o meu simulado mas havia o perdido de vista.
Droga!
Alfred quem havia feito o simulado com algumas possiveis questões da prova e se eu o atrapalhasse agora pedindo para fazer novamente aquele simulado por que eu havia pedido o meu, ele ia gritar comigo.
Droga.
Coloquei a mão na cabeça e puxei algumas mexas capilares por desespero.
— Moça...? — me virei para ver quem me chamava.
— Minha nossa...! — comprimi um riso com a minha mão. — Tudo bem moço...? Você parece um pouco... sujo — analisei a figura na minha frente. Ele estava enxarcado, mas a metade do rosto e do corpo dele estava coberta de areia e ele também segurava uma folha na mão limpa e seca. Ele também estava só com um dos olhos abertos.
— Essa prova por um acaso é sua? — perguntou e eu rapidamente tirei o papel da sua mão para conferir.
— Jesus! Moço muito obrigada! — gritei animada — Obrigada! Obrigada mesmo! — pulei ao seu redor sacudindo a folha com o meu precioso simulado da prova.
— Medicina? — perguntou tentando abrir o olho.
— Deixa eu te ajudar moço — me ofereci passando a mão pelo seu rosto tentando tirar a areia.
— Eu acho que isso pode ser considerado assédio sexual. — ele sorriu. Uau. Tinha um sorriso e tanto.
— Por quê? — perguntei percebendo que estava passando a mão por seu corpo. — Ai. Me... desculpe.. eu.. ai que vergonha — escondi meu rosto com a folha. Ele apenas soltou uma risadinha fofa.
— Imagina. Eu estava só brincando. — ele pegou a minha mão e tirou areia dela. Agradeci. — Então você estuda medicina?- perguntou em uma tentativa de se limpar ou de enxergar melhor.
— Sim... as provas finais estão chegando e biologia ferra com a vida de todo estudante de medicina.
— Mas para um estudante de medicina, amar biologia não seria o basico? — perguntou cruzando os braços em um forma de cobrir o corpo nu. Não pude evitar não sorrir. Já que foi uma demonstração engraçada de como ele estava desconfortavel por estar sem camiseta com uma garota na praia. — Do que você tá rindo? — perguntou sério.
— Nada... — pigarrei — sim. Eu deveria amar biologia... mas sei lá. To um pouco desmotivada com isso.
— Sei.
— Sabe?
— Sim. Eu estava quase me formando em medicina. Faltava um semestre.
— E...? Agora você está fazendo pós?
— Não. Eu desisti. Agora estou fazendo gastronomia.
— Gastronomia?! — Olhei para ele perplexa. — Porra... — ele me olhou um pouco sério. Logo me lembrei que Alfred odeia que eu falei palavrões.
— Essa foi a reação mais engraçada que eu já vi — ele abriu um enorme sorriso e em seguida veio uma risada alta e alegre. — Porra — ele repetiu. Sorri.
— Mas tipo... por quê?
— Se um dia a gente se encontrar novamente eu te conto a historia. — ele olhou em meus olhos e sorriu. Ele realmente era bonito. Tinha um cabelo castanho claro e olhos verdes, um corpo escultural e uma sinceridade fantastica. Em poucos minutos de conversa eu estava completamente encantada com ele. Não de uma forma estranha. Mas como pessoa. É tão dificil conhecer pessoas sinceras hoje em dia.
— Por que não hoje?
— Por que a sua comida chinesa acabou de chegar. — ele apontou para a minha casa.
— Ah... — alfred deve ter pedido.
— Então eu vou indo... — ele se abaixou para pegar a sua bicicleta do chão. — Muito prazer. Eu sou o Nicholas.
— Eu sou Valentina. — ele franziu os olhos para mim. — o que foi? — perguntei baixinho
— Você tem cara de nome composto. Vai. Me diz qual é o desastre que seus pais colocaram em você? — sorri.
— Fala o seu primeiro — ergui o nariz tentando manter a dignidade.
— José. Nicholas José. — comprimi mais uma risada com a mão.
— Nicholas é lindo. José também.
— Mas não no mesmo nome né Mãe! — ele reclamou como se a mãe dele estivesse ali. Sorri — E o seu? — perguntou ranzinza.
— Valentina é meu segundo nome. O primeiro é Maria. Maria valentina. Vai. Pode rir — fechei os olhos esperando o deboche. Mas estava um silencio. Abri os olhos e ele estava olhando sério para mim.
— Onde que Maria é um nome feio? — perguntou baixinho como se fosse um segredo.
— Todos dizem que é. Eu sinceramente não acho.
— Mas é logico que não é porra! — reclamou e eu ri alto. — quem me dera se José fosse tão bonito quanto Maria. Então vou indo. Seu namorado está te esperando. — ele disse e eu percebi que Alfred estava na porta nos observando conversar. Já tinha pago a comida chinesa também.
— Tchau Nicholas. A gente se vê — sorri me despedindo e ele partiu em sua bicicleta. Olhou para trás e gritou:
— Foi um prazer Maria!
Alfred arrumou a mesa e serviu um vinho para nós. Ele estava ouvindo uma video aula sobre algum assunto que eu ainda nem sabia que existia. Me sentei e belisquei um mandoo.
— Era algum amigo seu?
— Sim. — sorri — um amigo que acabei de fazer.
— Valentina. Você sabe que não pode confiar nas pessoas de primeira.
— Eu confiei em você de primeira! — sorri bebericando meu vinho.
— Mas eu sou diferente dele. Eu sou quase um médico. Enquanto ele sai sem camisa por ai parecendo um camarão.
— Alfred. Já pedi pra não julgar as pessoas assim. — o repreendi — ele também era de medicina.
—Era... não é mais. Eu só estava querendo dizer que as pessoas não são confiaveis.
— Então eu deveria confiar em você só por que você é um estudante em medicina?
— Querida... eu sou quase um doutor agora... me chamar de estudante seria um pouco... frustrante? — engoli o vinho em seco.
— Perdi o apetite. — sai da mesa e subi para o quarto.
Algumas atitudes do Alfred me deixavam realmente zangada.
Ao acordar, preparei o café da manhã. leite com cereal. Fiz o melhor que pude. Alfred tinha ido correr bem cedo enquanto eu me arrumava. Minha mãe também havia me ligado, perguntando se estava tudo bem com a casa nova.
Assim que Alfred voltou, ele se arrumou, correu super rápido e em seguida fomos para a universidade.
Eu estava um pouco chateada com o ocorrido de ontem mas já haviamos feio as pazes. Quer dizer... mais ou menos.
— Você quer café? — ele perguntou enquanto esperavamos a nossa vez na cafeteria da universidade.
— Eu...
— Ah... eu esqueci que a nutricionista cortou o café durante um tempo... Desculpa querida. — droga. Eu estava morrendo de vontade de tomar um café. Café com leite desnatado e baunilia. Hum... só de pensar meu estomago chora.
— Fred... Por que você só me chama de Valentina?
— POr que é o seu nome? — respondeu com outra pergunta.
— Não... você sabe... por que você não me chama de Maria...?
— Você sabe que eu não gosto muito desse nome querida. Era o nome da minha ex.
— Mas nós estamos juntos há dois anos. VOcê ainda lembra dela quando me chama de Maria?
— Não fique pensando nisso bebê. Eu amo a Valentina. E quem é a Valentina? É você! — ele disse com voz infantil e beijando a ponta do meu nariz. Ele pegou o seu café me deu um beijo morno e saiu em seguida.
Suspirei.
Não é como se eu fosse esperar mais dele. Desde o inicio do nosso relacionamento que as coisas eram desse jeito. Ele começou como meu tutor e terminou como meu namorado. Eu queria que ele se importasse mais com as minhas coisas sabe? Com os meus sentimentos. Eu super entendi que ele não queria me chamar de Maria por que a ex dele se chamava Maria. MAS NEM ERA MARIA ERA MARIE! COMO A GATA! Mas ele disse que lembrava a ela. Essas coisas magoam sabe. Mas não ha muita coisa que eu possa fazer ou com quem desabafar já que ele é o gostosão da faculdade de medicina, o partido ideal das mulheres da universidade (até da diretora) e a minha familia idolatra esse cara. Eu espero que as coisas melhorem, até por que nós acabamos de nos mudar, estamos começando uma vida nova e não é justo somente eu me esforçar pra esse relacionamento dar certo.
Suspirei e senti algo gelado na minha testa.
— OI maggie. — sorri derrotada.
— O que foi amiga? São as provas, não são? — ela pegou em minha mão compreensiva. — Eu te entendo. O Cris falou que tá porreta.
— Nem me lembre...! — choraminguei — odeio provas gerais.
— Mas ´pelo menos você tem o Fred pra ajudar. Você sabe que ele é um genio.
— Como eu sei — ironizei. — E o seu curso?!
— Ah to amando! Essa semana aprendemos varias coisas diferentes e eu já estou começando a pensar em quais materias eu vou pegar no proximo semestre. — MAggie dizia com tanta paixão. Eu gostaria de ter essa paixão pelo meu curso também. — Amiga? Tá tudo bem?
— Preciso de caféeee! — chorei me debruçando sobre a mesa.
— Esquece o café garota. Deixa eu te contar uma novidade que vai te fazer esquecer do café.
— Diga — perguntei super entusiasmada.
— Você já viu o estutante novo transferido? — perguntou.
— Que estudante?
— Ele veio de outro estado! Ele fazia medicina, estava pra se formar e ai mudou o curso dele para gastronomia. Vê se pode?! Ele não é incrivel?! Ele ensina piano para crianças do jardim de infancia de uma escola aqui perto, e ele é um amante dos animais. Além disso ele dança, canta, e tem um fisico de M-A-T-A-R.
— Me diz onde encontro outro desse por que meu namorado já passou da data de validade... — resmunguei.
— Ai minha nossa! Ele tá vindo! ELE TÁ VINDO! — ela me sacudiu e eu me levantei irritada.
— Mais que droga Mag. Segura esse rabo. Você tem namorado garota e além do mais... eu... — antes que eu terminasse de falar o famoso aluno estava na minha frente com um copo de café. Piscando como se não entendesse o que estava acontecendo. Sorriu e levantou as sobrancelhas.
— Oi Maria. — Ele piscou deixando o café em minha frente. — Com leite desnatado e baunilia certo? — perguntou como se fosse uma coisa normal.
— Nicholas... o que você...?
— Eu tô atrasado! A gente se vê M! — Ele saiu correndo antes mesmo que eu terminasse de falar. Coçei a cabeça sem entender muito o que estava acontecendo. MAggie me olhou abisnmada. Não só Maggie, como todas as meninas da cafetera.
— O que foi? Era do Nicholas que você estava falando? — perguntei olhando pra ela.
— YA! Você devia ter me contado que conhecia o aluno novo!
— Somos amigos! — disse numa boa provando meu café. — Merda, eu também estou atrasada! — desviei o assunto e sai correndo apressada. Entrei no elevador com uma puta sorte de estar sozinha. É dificil pegar o elevador sozinha. Nicholas... Meu coração deu uma leve acelerada.
Fazia muito tempoq que eu não me sentia assim...
Viva.
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