O Manicomio

7 Nem tudo é perfeito


Hoje no começo da tarde minha mãe apareceu, foi uma grande surpresa já que ela nunca tem tempo para ninguém apenas para fazer compras no shopping e ir ao salão de beleza e o mais importante ficar falando mal das minhas roupas meu cabelo das minhas amizades resumindo enchendo o meu saco. Por um milagre ela não estava com sacolas na mão, ou vai ver não deixaram entrar com as sacolas.

Mamãe entrou no meu quartinho, o silencio era tamanho que só se ouvia o barulho do seu salto fino quando ela andava. Ela ficou parada em frente a cama, olhando para a parede que eu risquei e suas primeiras palavras foram: -Quem diria que você iria terminar em um lugar como esse!

-Oi, para você também.

-Você conseguiu. Arruinou nossa família, o que os vão falar de mim por ai.

-Da para parar de se importar com os outros e pensar um pouco em mim? Como eu estou me sentindo? Que merda! Para a senhora tudo é ‘’a o que vão falar de mim?’’ ‘’ai será que meu cabelo está bom?’’ ’’borrei minha unha’’.

-As coisas não são bem assim...

-Claro que não, são piores.

-Você sempre teve o que quis sua vadia ingrata.

Eu apenas abaixei minha cabeça e respirei fundo, não queria fazer uma besteira com minha própria mãe.

-E meu pai?! Não veio por quê? Tenho certeza de que eles não esta fazendo compras.

-Hora Dinna você acha mesmo que seu pai viria aqui?! Sabemos-nos que ele não passaria tamanha humilhação. Você já feriu muito os sentimentos dele.

-Só por que eu não fiz a vontade dele como meu irmão? Só por que eu fiz faculdade de engenharia e não medicina? Vocês nem foram na minha formatura, todos dando rosas em homenagens a suas mães e eu lá dando a rosa para a vovó , em quanto você tomava chá com a cocozada daquelas suas amigas. A valsa então dancei com o vovô. Não tenho o que me queixar ele dançou muito bem, mas depois fui para o banheiro chorar sabendo que meu pai estava jogando poker e fumando charuto na noite da formatura da filha dele. Os meus avos foram mais meus pais do que vocês.

Minha mãe tentava se conter para não chorar, pois sabia que era tudo verdade.

-Seu irmão mandou avisar que talvez venha lhe visitar essa semana, ele anda muito ocupado ultimamente e não tem tempo para pagar de louco. Acho que já falamos tudo o que tínhamos a dizer.

-Só mais uma pergunta e você pode ir. Por qual razão não foi me visitar no hospital?

-Hospital? Quando?

-Você depois diz que a irresponsável sou.

-A claro, me lembrei. Não tive tempo foi na semana da festa da Marjorie, e disseram que não foi grave mesmo, não iria deixar a festa do ano para ir ao hospital. Odeio hospitais!! Tenho certeza de que o quarto estava cheio de flores e visitas.

-Sai daqui vai sua ordinária. Você não é minha mãe. –Eu comecei a gritar e a bater nas paredes e na cama. Só de pirraça, para assustar minha mãe coloquei o travesseiro no rosto e deitei na cama. Fingi uma tentativa de suicídio. Ela se desesperou e começo a bater na porta e gritar por socorro.

Alguém abriu a porta para ela que saiu correndo dali. Dois enfermeiros me seguraram e outro iria me sedar quando Harry apareceu na porta e falou que era para me soltar. Eu me sentei no chão e comecei a rir, eu rolei no chão feito retardada e não conseguia parar de dar gargalhadas. Harry se sentou e ficou rindo também.

-Você se divertiu bastante. Coitada da sua mãe saiu feito doida pelos corredores.

-Ela não precisa de susto para ser doida. Podiam aproveitar e interna ela também.

-Para de rir um pouco, quero falar civilizadamente com você Dinna.

-Vou tentar, espera ai, vou rir só mais um pouquinho. UFA!! Ai minha barriga! Pode falar.

-Eu vi a conversa de vocês duas.

-É feio ouvir a conversa dos outros, sua mãe não lhe ensinou? Porque minha mãe nunca me ensinou, quem me ensinava era minhas babas.

-Você tem muita raiva dela NE?!

-Não diria raiva, e sim magoas.

Ficamos ali no chão sentados conversando por meia hora até alguém chamar por ele.

-O dever me chama. Acho que já vou.

-Foi bom conversar com você.

-A antes que me esqueça seu namorado não vai poder vir hoje, mas mandou flores.

-Ele não é meu namorado, não mais. Enquanto as flores plante ou de para alguém. Odeio flores elas me lembram velórios.